{"id":42137,"date":"2017-02-17T10:23:16","date_gmt":"2017-02-17T12:23:16","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=42137"},"modified":"2017-04-26T16:40:31","modified_gmt":"2017-04-26T19:40:31","slug":"tres-cds-pratagy-necro-e-jonnata-doll","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/02\/17\/tres-cds-pratagy-necro-e-jonnata-doll\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas CDs: Pratagy, Necro e Jonnata Doll"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100011036646439\" target=\"_blank\">Lucas Vieira<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/pratagy.jpg\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cB\u00fafalo\u201d, Pratagy (Lezma Records)<\/strong><br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 muito tempo desde que Leonardo Pratagy fez sua estreia solo. No ano passado, direto do Par\u00e1, o m\u00fasico lan\u00e7ou \u201cPictures\u201d, pop simp\u00e1tico feito \u00e0 base de instrumento de teclas com uma voz doce e pouco intensa. Agora \u00e9 a vez de \u201cB\u00fafalo\u201d, sem d\u00favida um passeio por sete faixas de m\u00fasica ambiente indie. Gravado em est\u00fadio caseiro e com a co-produ\u00e7\u00e3o de Diego Fadul, o novo trabalho n\u00e3o tem uma grande presen\u00e7a para prender a aten\u00e7\u00e3o e desligar o ouvinte de outra coisa que esteja fazendo, nem grandes novidades nas estruturas musicais. Tampouco vem a dizer algo que n\u00e3o foi dito anteriormente: deixou a desejar em bons refr\u00e3os e tamb\u00e9m no jogo com as palavras. \u00c9 uma obra que expressa uma grande sensa\u00e7\u00e3o de fragilidade ao longo de seus pouco mais de 20 minutos. O segundo \u00e1lbum do paraense tem uma capa bem bonitinha, feita por Mait\u00ea Gentil, com caracter\u00edsticas de ter sido pintada manualmente, e soa agrad\u00e1vel para se ouvir dentro de uma loja de roupas da moda ou uma livraria. A can\u00e7\u00e3o t\u00edtulo d\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o perfeita de se estar escolhendo camisas em uma arara, com o extra de um balan\u00e7o muito regional. \u201cWay Back Home\u201d \u00e9 a faixa mais bem arrumada do disco, apesar de ainda soar como mais do mesmo para quem conhece outras refer\u00eancias, como os americanos do MGMT e at\u00e9 outro cantor nacional, o Marcelo Jeneci. Para quem gosta de can\u00e7\u00f5es pops mais calminhas, \u201cVai Dar P\u00e9\u201d pode chegar a empolgar e \u201cTramas Sutis\u201d \u2013 com uma melodia assobi\u00e1vel, se voc\u00ea ouvir o suficiente para decorar \u2013 \u00e9 uma possibilidade para relaxar com timbres variados de teclados. Comparado com seu antecessor, o novo trabalho do ex-Zeromou est\u00e1 menos dan\u00e7ante, mais org\u00e2nico e aconchegante \u2013 \u00e9 sempre dif\u00edcil n\u00e3o desfrutar um bom som de piano el\u00e9trico. Por\u00e9m, em uma grava\u00e7\u00e3o em que as teclas t\u00eam tanto destaque, foi pequena a experimenta\u00e7\u00e3o com timbres e sons novos nos arranjos, uma vez que a quantidade de varia\u00e7\u00f5es que pode se tirar desses instrumentos \u00e9 quase infinita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 4,5 (<a href=\"https:\/\/pratagy.bandcamp.com\/album\/b-falo\" target=\"_blank\">ou\u00e7a o \u00e1lbum no Bandcamp<\/a>)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/necro.jpg\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cAdiante\u201d, Necro (independente)<\/strong><br \/>\nQuando \u201cOrbes\u201d \u2013 faixa que abre \u201cAdiante\u201d \u2013 come\u00e7a, voc\u00ea vibra duas vezes: toca um riff bruto de quem fez escola com Black Sabbath e West, Bruce and Laing e, em seguida, quando entra a voz, voc\u00ea se transporta direto para a beleza progressiva do Som Nosso de Cada Dia. Essa \u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o de ouvir o novo \u00e1lbum do Necro, um power trio de Macei\u00f3. Em atividade desde 2009, os tr\u00eas parecem ter sa\u00eddo direto da d\u00e9cada de 1970 com essa mistura heavy progressiva. Sem muita busca para soarem como uma banda atual, o antigo Necronomicon arriscou pela primeira vez gravar somente em portugu\u00eas e acertou. Uma influ\u00eancia e assinatura mais brasileira apareceu e, em ess\u00eancia, a banda n\u00e3o perdeu nada. No meio de guitarras pra l\u00e1 de ferozes, podemos sentir que o som do grupo \u00e9 uma grande colagem. Voc\u00ea sente o Mountain aqui (\u201cAzul Profundo\u201d), o Led Zeppelin em um trecho ali (\u201cViajor\u201d) e assim segue o disco. O grande pecado ainda da banda, por\u00e9m, se encontra nas letras. Elas t\u00eam toda a viagem psicod\u00e9lica que a proposta pede, mas falta um pouco mais de presen\u00e7a nesse quesito. Talvez tamb\u00e9m pela entona\u00e7\u00e3o da voz deixar um pouco dif\u00edcil compreender algumas letras, nenhuma mensagem da banda fica na cabe\u00e7a, fazendo o ouvinte ficar um tanto distra\u00eddo e s\u00f3 conseguir se ligar na sonzeira e nas distor\u00e7\u00f5es que nunca desligam. Uma boa adi\u00e7\u00e3o \u00e0 banda que volta e meia aparece nas faixas \u00e9 o teclado, com muito timbre de \u00f3rg\u00e3o, destacado em momentos de \u201cEntropia\u201d, a talvez com maior pitada radiof\u00f4nica. Para quem curte discos que j\u00e1 s\u00e3o quarent\u00f5es e acha que rock n\u2019 roll para ser bom tem que ser pesado, eis a\u00ed a solu\u00e7\u00e3o \u2013 rock de esp\u00edrito setentista feito para ser ouvido alto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 6,5 (<a href=\"https:\/\/necronomicon.bandcamp.com\/album\/adiante\" target=\"_blank\">ou\u00e7a o \u00e1lbum no Bandcamp<\/a>)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/jonnatadoll.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cCrocodilo\u201d, Jonnata Doll e Os Garotos Solventes (EAEO Records)<\/strong><br \/>\nA estreia de Jonnata Doll em 2014, ao lado de seus Garotos Solventes, foi o respiro que o rock nacional, saturado de bandas \u201cwanna be Los Hermanos\u201d e \u201cnovos intelectuais\u201d, estava precisando. Som cru, b\u00e1sico, letras junkies e sinceridade jorrando do CD. No ano passado eles lan\u00e7aram um ao vivo com poucas novidades, j\u00e1 que grande parte do repert\u00f3rio trazia as m\u00fasicas do primeiro \u00e1lbum \u2013 mas, pelo menos, elas soavam melhor no formato live. Agora chegou finalmente o segundo de est\u00fadio do cearense, com produ\u00e7\u00e3o de Kassin e Yuri Calil (respons\u00e1vel pela produ\u00e7\u00e3o do disco de estreia), fruto do projeto Laborat\u00f3rio de M\u00fasica da Escola Porto Iracema das Artes e Instituto Drag\u00e3o do Mar. Gravado entre agosto de 2013 e abril de 2014, \u201cCrocodilo\u201d ficou na gaveta quase dois anos sendo burilado enquanto o grupo trabalhava o disco de estreia na estrada e traz uma est\u00e9tica total \u201canos 80 em vers\u00e3o moderna\u201d na capa, e esse esp\u00edrito se espalha por todo o disco, principalmente na faixa de abertura, \u201cSwing de Fogo\u201d e em \u201cCigano Solvente\u201d. Incrivelmente, nas can\u00e7\u00f5es que t\u00eam participa\u00e7\u00f5es especiais, respectivamente, do legion\u00e1rio Dado Villa-Lobos e de Fernando Catatau, a banda consegue simular perfeitamente o som de um grupo em ascens\u00e3o do finado que n\u00e3o deixam descansar BRock. Com \u201cQuem \u00c9 Que Precisa?\u201d e \u201cDrama e Terror\u201d a banda ataca com baladinhas; passa por uma experimenta\u00e7\u00e3o com psicodelia em \u201cJ\u00e1 Entendi\u201d, com guitarras bonitas, por\u00e9m, fica claro que esse n\u00e3o \u00e9 o caminho que devem seguir. Tirando isso o que sobra \u00e9 a energia urrante e pornogr\u00e1fica da banda: a setentista \u201cCheira Cola\u201d, a junkie \u201cT\u00e1xi\u201d e os toques latinos de \u201cCrocodilo\u201d (que j\u00e1 vinha sendo apresentada ao vivo em shows desde 2013). Os maiores punks do Cear\u00e1 acenderam no est\u00fadio um incenso que tinha escrito na caixa \u201cS\u00e2ndalo dos Anos 80 Canforado\u201d e o cheirinho se espalhou pelo est\u00fadio. O aroma n\u00e3o ficou ruim, mas o ar ficou diferente. O som simples de antes agora tem essa fragr\u00e2ncia de ecos, distor\u00e7\u00f5es mais raivosas e at\u00e9 a bateria est\u00e1 mais agressiva. E o que importa: como cantor, letrista e performer, Jonnata continua o anjo autodestrutivo e monstruoso que o rock brasileiro precisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 7 (<a href=\"https:\/\/jonnatadolleosgarotossolventes.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\">download gratuito do \u00e1lbum no Bandcamp<\/a>)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Jonnata Doll (2015): &#8220;N\u00e3o somos bonitinhos e n\u00e3o tocamos de forma asseada&#8221; (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/07\/21\/entrevista-jonnata-doll-e-os-garotos-solventes\/\">leia entrevista<\/a>)<br \/>\n&#8211; Prata da Casa 2014: &#8220;Jonnata n\u00e3o parou um segundo: rolou no palco, rastejou&#8230;&#8221; (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2014\/09\/23\/prata-da-casa-17-jonnata-doll\/\">veja v\u00eddeos<\/a>)<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Nn9f1d99tsc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/6Stk6u5_QJY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/JAKfxGEh_JI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Lucas Vieira (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100011036646439\" target=\"_blank\">Facebook<\/a>) est\u00e1 no \u00faltimo per\u00edodo da faculdade de jornalismo, escreve sobre m\u00fasica desde 2010 e assina o blog <a href=\"https:\/\/dizconauta.wordpress.com\/\">Dizconauta<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Pratagy retorna menos dan\u00e7ante e mais org\u00e2nico; Necro \u00e9 rock setentista feito para ser ouvido alto; Jonnata Doll continua o anjo autodestrutivo que o rock brasileiro precisa\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/02\/17\/tres-cds-pratagy-necro-e-jonnata-doll\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":37,"featured_media":42138,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1554,1708,1709],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42137"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/37"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42137"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42137\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":42139,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42137\/revisions\/42139"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/42138"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42137"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42137"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42137"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}