{"id":42112,"date":"2017-02-14T09:17:29","date_gmt":"2017-02-14T11:17:29","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=42112"},"modified":"2022-05-02T23:30:45","modified_gmt":"2022-05-03T02:30:45","slug":"para-entender-electric-six","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/02\/14\/para-entender-electric-six\/","title":{"rendered":"Para entender: Electric Six"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Primeiro, os feitos: uma banda independente que soma 21 anos de carreira, tem 12 \u00e1lbuns de est\u00fadio, duas colet\u00e2neas duplas de raridades e um CD\/DVD ao vivo. Dois singles que emplacaram no Top 5 brit\u00e2nico, sendo que ambas as can\u00e7\u00f5es foram sucesso em diversos outros pa\u00edses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora, os fatos: \u00e9 uma banda de heavy disco satanista que tamb\u00e9m abre espa\u00e7o para influ\u00eancias de funk, r&amp;b, europop e farofa oitentista. Nunca mais repetiram o sucesso dos dois singles em quest\u00e3o, e vivem em ritmo de turn\u00ea incessante por bares dos EUA e da Europa, lan\u00e7ando discos e v\u00eddeos financiados em grande parte pelos seguidores devotos que aderem \u00e0s suas campanhas do Kickstarter e outras plataformas de financiamento coletivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No meio disso tudo, uma obra \u00fanica, \u00e0s vezes tola, em outras ultrajante, e quase sempre boa (inclusive quando ultrajante).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse \u00e9 um resumo justo da hist\u00f3ria, ainda em andamento, do Electric Six, uma banda formada em Detroit em 1996 (inicialmente sob o nome The Wildbunch, logo descartado) e que estourou mundialmente em 2003 com o \u00e1lbum \u201cFire\u201d, que trazia os tais hits \u2013 no caso, \u201cGay Bar\u201d e \u201cDanger! High Voltage\u201d. Como explicou o vocalista da banda, Dick Valentine, \u201cFire\u201d era praticamente um \u201cgreatest hits\u201d dos sete primeiros anos da banda, composto pelas can\u00e7\u00f5es de maior sucesso do j\u00e1 extenso repert\u00f3rio que a banda acumulara em in\u00fameros shows e demos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/electricsix1.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois do sucesso massivo, a banda ainda conseguiu hits menores no segundo \u00e1lbum, \u201cSe\u00f1or Smoke\u201d (2005), para depois despencar em popularidade e voltar ao circuito de bares, clubes e pequenas casas de shows. N\u00e3o foi problema: migraram para o selo cult Metropolis Records (onde est\u00e3o at\u00e9 hoje) e seguiram em frente, com Valentine e o tecladista Tait Nucleus? (com interroga\u00e7\u00e3o mesmo) como \u00fanicos remanescentes da forma\u00e7\u00e3o original. Os dois, juntamente com o guitarrista Johnny Na$hinal (que entrou logo ap\u00f3s as grava\u00e7\u00f5es de \u201cFire\u201d), s\u00e3o atualmente o n\u00facleo compositivo da banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda assim, muito do que \u00e9 o Electric Six se deve \u00e0 Valentine. N\u00e3o apenas por ele ser o compositor mais constante e autor de todas as letras, mas principalmente por ter sido ele quem uniu os elementos d\u00edspares que formam o som do sexteto, como o rock farofa, a disco music, a cafonice oitentista, as guitarras grunge e o despudor de juntar tudo isso. Nas letras, Valentine carrega nas imagens escatol\u00f3gicas (no sentido b\u00edblico da coisa) e sexuais, nas quais as palavras \u201cfire\u201d, \u201cevil\u201d, \u201cdemon\u201d, \u201cdrugs\u201d e \u201cdance\u201d se repetem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 \u00e9poca de \u201cFire\u201d, o vocalista declarou que \u201c90% das nossas letras s\u00e3o sobre nada\u201d, e em entrevista exclusiva ao Scream &amp; Yell em 2012, disse que usa essas palavras para que \u201cas can\u00e7\u00f5es pare\u00e7am mais excitantes do que realmente s\u00e3o\u201d. Seja como for, elas ajudam a compor a identidade da banda, para alegria dos f\u00e3s e repulsa dos detratores. Afinal, n\u00e3o \u00e9 todo mundo que aprecia versos como \u201cgosto mais de voc\u00ea quando est\u00e1 possu\u00edda pelo dem\u00f4nio\u201d, \u201cfogo na discoteca! Fogo no Taco Bell! Fogo nos port\u00f5es do Inferno!\u201d, \u201ctenho algo para enfiar em voc\u00ea no bar gay\u201d, \u201ch\u00e1 dem\u00f4nios em mim \/ h\u00e1 dem\u00f4nios em voc\u00ea \/ est\u00e1 escuro demais para enxergar?\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo dos anos, o E6, como tamb\u00e9m \u00e9 conhecido, soltou \u00e1lbuns bastante particulares em sua identidade: mais guitarreiros (\u201cFlashy\u201d, \u201cMustang\u201d), mais pop (\u201dSwitzerland\u201d, \u201cFresh Blood for Tired Vampyres\u201d), mais eletr\u00f4nicos (\u201cHeartbeats and Brainwaves\u201d), mais suingados (\u201cHuman Zoo\u201d, \u201cI Shall Exterminate&#8230;\u201d)&#8230; Al\u00e9m disso, Valentine tem uma carreira solo com quatro \u00e1lbuns, e os projetos paralelos Bang Camaro (de hard rock) e Evil Cowards (dance music escrachada). J\u00e1 excursionaram por mais pa\u00edses que podem contar, tem um s\u00e9quito de f\u00e3s (\u201ca maioria muito legal, mas tem alguns garotos idiotas e gente ruim tamb\u00e9m\u201d, segundo Valentine), e lan\u00e7am praticamente um disco por ano. Nada mal para uma banda que, quando come\u00e7ou, se dizia feliz de pensar que poderia sair de Detroit para tocar em Miami&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cDanger! High Voltage\u201d<\/strong><br \/>\n\u201cGay Bar\u201d pode ser o maior hit da banda, mas essa faixa, com os vocais (n\u00e3o assumidos) de Jack White, resume melhor a disco grunge safada da primeira fase da banda.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/R-FxmoVM7X4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cI Buy the Drugs\u201d<\/strong><br \/>\n\u201cSwitzerland\u201d (2006) \u00e9 o \u00e1lbum mais \u201censolarado\u201d, com mais temas pop e \u201cpra cima\u201d do que a m\u00e9dia. Esse \u00e9 certamente o melhor da leva, e s\u00f3 n\u00e3o foi um hit porque&#8230; Bem, talvez porque a letra diga que \u201ceu sou o seu homem e eu pago as drogas\u201d?<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/RXQCrOEx1-g?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cDance Pattern\u201d<\/strong><br \/>\nOs anos 80 tamb\u00e9m entram na receita de Dick Valentine e seus amigos: gravaram covers de \u201cRadio Gaga\u201d (Queen) e \u201cEasy Lover\u201d (Phil Collins), por exemplo. Mas funciona melhor quando eles trazem a d\u00e9cada da vergonha para sua est\u00e9tica despuradorada. \u00c9 o caso dessa favorita dos f\u00e3s, presente no \u00e1lbum \u201cI Shall Exterminate Everything Around Me that Restricts Me from Being the Master\u201d (2007).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ekcHKQDLUK8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cWhen I Get to The Green Building\u201d<\/strong><br \/>\nO sexteto tem uma veia bem desenvolvida para baladas \u00e9picas, sejam elas influenciadas pelo hard rock ou pelo pop europeu. Essa \u00faltima refer\u00eancia vale para essa can\u00e7\u00e3o de 2007, uma met\u00e1fora apocal\u00edptica sobre morte e&#8230; a sede da rede Domino\u2019s Pizza.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/avyLf3YW2Jk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cClusterfuck!\u201d<\/strong><br \/>\nVers\u00e3o mais \u201cmodernosa\u201d da barulheira dan\u00e7ante do E6, presente no \u00e1lbum \u201cZodiac\u201d (2010). Al\u00e9m de representar o som mais \u201cencorpado\u201d que a banda mostra nessa d\u00e9cada, tamb\u00e9m traz o nonsense l\u00edrico no auge, combinando escatologia, bravatas auto-laudat\u00f3rias e Banco Imobili\u00e1rio.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-Zlbu5RjTXk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>B\u00f4nus: \u201cNight Vision (Live)\u201d<\/strong><br \/>\nMais uma faixa de \u201cSwitzerland\u201d, \u00e9 a preferida do autor deste texto, e traz outro elemento constante na m\u00fasica do E6: os contracantos de Johnny Na$hinal no refr\u00e3o (que tamb\u00e9m s\u00e3o marcantes em outra favorita da casa, \u201cDirty Ball\u201d).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/0J1LSQ3HkKk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell.<\/p>\n<p><strong>Para entender:<\/strong><br \/>\n\u2013 Para Entender: Bufallo Tom -&gt; O legado do Buffalo Tom ainda mexe com muita gente (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/07\/20\/para-entender-buffalo-tom\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Para Entender: Butthole Surfers -&gt; uma hist\u00f3ria, ultrajante, err\u00e1tica e incorreta (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/02\/25\/para-entender-butthole-surfers\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Para Entender: New Model Army -&gt; Extensa discografia que merece ser vasculhada (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/09\/24\/para-entender-new-model-army\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Para Entender: Los Fabulosos Cadillacs -&gt; Uma das maiores bandas da Am\u00e9rica Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/10\/09\/para-entender-los-fabulosos-cadillacs\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Para Entender: The My Morning Jacket -&gt; Excelentes \u00e1lbuns e shows delirantes (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/09\/02\/para-entender-my-morning-jacket\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Para Entender: The Replacements -&gt; Em seu auge, a banda lan\u00e7ou discos perfeitos (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/08\/28\/para-entender-the-replacements\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Para Entender: Mano Negra -&gt; Uma das bandas mais influentes da Fran\u00e7a (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/03\/01\/para-entender-mano-negra\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Para Entender: Black Crowes -&gt; Uma m\u00fasica bela, intensa e pouco acomodada (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/12\/16\/para-entender-black-crowes\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n\u2013 O absurdo das letras de Dick Valentine em \u201cDestroy the Children\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/09\/11\/cds-babasonicos-cascadura-dick-v\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Electric Six (2012): \u201cAo longo dos anos houve pequenos desentendimentos\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/08\/25\/entrevista-electric-six\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 \u201cFresh Blood for Tired Vampyres\u201d oscila entre o satisfat\u00f3rio e o muito bom (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/02\/08\/tres-cds-durand-jones-the-indications-electric-six-e-allen-stone\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 \u201cFire\u201d, Electric Six \u2013 \u201c\u00c9 colocar o CD no som e armar a festa\u201d (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musicadois\/electricsix_resenha.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Electric Six, uma banda de heavy disco satanista que tamb\u00e9m abre espa\u00e7o para influ\u00eancias de funk, r&#038;b, europop e farofa oitentista\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/02\/14\/para-entender-electric-six\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":42113,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1685,131],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42112"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42112"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42112\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":52123,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42112\/revisions\/52123"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/42113"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42112"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42112"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42112"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}