{"id":41977,"date":"2017-01-26T20:11:46","date_gmt":"2017-01-26T22:11:46","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=41977"},"modified":"2017-03-22T09:35:59","modified_gmt":"2017-03-22T12:35:59","slug":"tres-livros-jackson-gibson-e-riggs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/01\/26\/tres-livros-jackson-gibson-e-riggs\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas livros: Jackson, Gibson e Riggs"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/coisapop\" target=\"_blank\">Adriano Mello Costa<\/a><\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/ano1965.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201c1965: o Ano Mais Revolucion\u00e1rio da M\u00fasica\u201d, de Andrew Grant Jackson (Editora Leya)<\/strong><br \/>\n\u00c9 comum achar que tal ano ou tal d\u00e9cada foi mais importante para a m\u00fasica ou para um determinado estilo. Partindo desse pressuposto, o escritor, cr\u00edtico e diretor de cinema Andrew Grant Jackson tamb\u00e9m t\u00eam uma opini\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a isso e apoiado em uma extensa pesquisa que alcan\u00e7ou diversas fontes escreveu \u201c1965: o Ano Mais Revolucion\u00e1rio da M\u00fasica\u201d, que a Editora Leya lan\u00e7ou em 2016 no Brasil. Originalmente publicado em 2015 nos EUA, \u201c1965 \u2013 The Most Revolutionary Year In Music\u201d tem tradu\u00e7\u00e3o de Edmundo Barreiros e 384 p\u00e1ginas incluindo notas, bibliografia e \u00edndices. O livro extrai da d\u00e9cada de 60 esse m\u00edtico ano onde, entre outras coisas, os Beatles lan\u00e7aram o disco \u201cRubber Soul\u201d, os Rolling Stones cravaram \u201c(I Can\u00b4t Get No) Satisfaction\u201d nas paradas e nas mentes, o The Who apareceu com o hino \u201cMy Generation\u201d e Bob Dylan cunhou a soberba \u201cLike a Rolling Stone\u201d e assombrou conven\u00e7\u00f5es inserindo a guitarra el\u00e9trica nos seus shows. Some-se a isso a cria\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias outras p\u00e9rolas do soul, do pop e do folk e passos importantes para artistas como Beach Boys, Velvet Underground, The Byrds, John Coltrane, James Brown, Sam Cooke, Them, Jefferson Airplane e Simon &amp; Garfunkel, entre tantos outros. O autor consegue com relativo sucesso conectar esses atos a situa\u00e7\u00e3o geral daqueles anos, conjecturando um pouco sobre o cen\u00e1rio pol\u00edtico, econ\u00f4mico e social levando em conta tanto as revolu\u00e7\u00f5es em andamento, quanto a luta pela conquista dos direitos civis nos EUA e a guerra do Vietn\u00e3. A obra exp\u00f5e um trabalho jornal\u00edstico cuidadoso e serve como bom instrumento de consulta para a \u00e9poca seja nos casos j\u00e1 amplamente conhecidos ou em algumas surpresas que o texto reserva. Todavia, falha quando o autor tenta guiar os fatos para dentro da sua l\u00f3gica pessoal de mundo e isso acaba por diminuir o resultado final.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 6,5<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/neuromancer.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cNeuromancer\u201d, de William Gibson (Editora Aleph)<\/strong><br \/>\nAo chegar \u00e0s livrarias em 1983, \u201cNeuromancer\u201d desembarcava em um mundo completamente diferente dos dias de hoje (e coloca diferente nisso). Se a tecnologia atual n\u00e3o alcan\u00e7ou tudo que fora previsto em obras de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica nesses mais de 30 anos, a intensidade que essa tecnologia exerce hoje em cima da sociedade e as facilidades que disp\u00f5es s\u00e3o poderosas. William Gibson \u00e9 uma esp\u00e9cie de pai do que se chamou de cyberpunk e o \u00e1pice maior disso \u00e9 \u201cNeuromancer\u201d, livro inicial da chamada Trilogia de Sprawl que ainda tem \u201cCount Zero\u201d (1986) e \u201cMona Lisa Overdrive\u201d (1988). A obra que (merecidamente) ganhou fama e hoje \u00e9 respeitada e citada como influ\u00eancia nas mais diversas m\u00eddias \u00e9 uma aventura de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica que explora temas como p\u00f3s-humanidade, poder demasiado de corpora\u00e7\u00f5es empresariais, fus\u00e3o entre org\u00e2nico e sint\u00e9tico, bestifica\u00e7\u00e3o do consumo, tecnologia como arma e imers\u00e3o virtual. Pode-se dizer, por exemplo, que sem \u201cNeuromancer\u201d n\u00e3o existiria \u201cMatrix\u201d (1999), dos irm\u00e3os Wachowski, e mesmo para quem se depara com a hist\u00f3ria de William Gibson somente agora, ainda assim o impacto \u00e9 grande. Tanto pela linguagem criada, quanto pela interliga\u00e7\u00e3o com coisas exploradas somente anos depois, \u201cNeuromancer\u201d \u00e9 um livro feroz, que n\u00e3o deixa o leitor baixar a guarda por nenhum momento que seja e o faz entrar em uma espiral ca\u00f3tica de real e artificial que parece n\u00e3o ter fim. A editora Aleph reeditou em 2016 \u201cNeuromancer\u201d numa nova edi\u00e7\u00e3o com tratamento cuidadoso em 320 p\u00e1ginas e tradu\u00e7\u00e3o de F\u00e1bio Fernandes. Ali\u00e1s, traduzir algo como essa obra \u00e9 um trabalho extremamente complexo para que se fa\u00e7a funcionar, o que aqui se consegue. O protagonista \u00e9 Case, um jovem cowboy hacker doid\u00e3o que vive em uma cidade t\u00e3o louca quanto ele. Ao ser convidado (ou intimado) a fazer parte de uma miss\u00e3o que s\u00f3 se revela gradualmente acaba entrando em algo infinitamente maior do que imaginava e essa jornada n\u00e3o ser\u00e1 nada f\u00e1cil. Ainda que hoje algumas coisas pare\u00e7am datadas, a viagem concebida por William Gibson ainda merece e muito ser desfrutada. Embarque nela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 8<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/peregrine.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cCidade dos Et\u00e9reos\u201d, de Ransom Riggs (Editora Intr\u00ednseca)<\/strong><br \/>\nNo primeiro semestre de 2016, a editora Intr\u00ednseca deu continuidade a trilogia \u201cO Orfanato da Srta. Peregrine Para Crian\u00e7as Peculiares\u201d, de Ransom Riggs, e lan\u00e7ou o segundo livro da saga (o primeiro teve lan\u00e7amento da editora Leya em 2015, e posteriormente foi relan\u00e7ado pela Intr\u00ednseca). O bom primeiro livro rendeu tamb\u00e9m um bom filme nas m\u00e3os do diretor Tim Burton com Eva Green, Asa Butterfield e Samuel L. Jackson no elenco (assista ao trailer mais abaixo). O livro II lan\u00e7ado originalmente em 2014 tem capa dura na edi\u00e7\u00e3o nacional, tradu\u00e7\u00e3o de Fernando Carvalho e 386 p\u00e1ginas, incluindo um pequeno trecho do terceiro trabalho no final. \u201cCidade dos Et\u00e9reos\u201d (\u201cHollow City\u201d, no original) tem in\u00edcio exatamente no ponto onde o exemplar anterior terminou com Jacob Portman, Emma Bloom e os demais integrantes da trupe de crian\u00e7as especiais em fuga depois da destrui\u00e7\u00e3o da ilha onde moravam. Tendo Londres como destino e o objetivo de salvar sua querida tutora e professora da atual condi\u00e7\u00e3o que se encontra (mesmo sem saber como), o intr\u00e9pido grupo vai se deparar com aventuras intensas e desconhecidas pela frente. Utilizando um pouco de hist\u00f3ria como pano de fundo, Ransom Riggs cria mais uma dezena de singulares personagens que apoia em outras fotografias antigas que espalha pelo texto. Mant\u00eam o mesmo modo de opera\u00e7\u00e3o do primeiro livro, mas enxerta pontos que d\u00e3o mais vigor ao texto como viagens no tempo e o romance mais v\u00edvido entre o casal de protagonistas. Com isso, Jacob Portman sai da inseguran\u00e7a de antes para se tornar um jovem obstinado que tenta a todo custo superar as d\u00favidas que lhe aparecem e achar o pr\u00f3prio caminho. \u201cCidade dos Et\u00e9reos\u201d chega com um trabalho editorial luxuoso da Intr\u00ednseca e est\u00e1 no mesmo n\u00edvel que seu antecessor, deixando uma boa expectativa para a conclus\u00e3o e se consolidando como uma das narrativas mais interessantes voltadas para o p\u00fablico jovem atualmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 8<\/p>\n<p>Leia tamb\u00e9m:<br \/>\n&#8211; \u201cO Orfanato da Srta. Peregrine Para Crian\u00e7as Peculiares\u201d \u00e9 um grande livro (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/11\/09\/livros-tropper-frey-shelton-e-riggs\/\">leia<\/a>)<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DNn2F2nIky8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Adriano Mello Costa (siga <a href=\"http:\/\/twitter.com\/coisapop\">@coisapop<\/a> no Twitter) e assina o blog de cultura <a href=\"http:\/\/coisapop.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\">Coisa Pop<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/category\/literatura\/\"><strong>LEIA MAIS SOBRE LIVROS E HQs<\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201c1965: o Ano Mais Revolucion\u00e1rio da M\u00fasica\u201d, \u201cNeuromancer\u201d e \u201cO Orfanato da Srta. 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