{"id":41961,"date":"2017-01-26T23:39:40","date_gmt":"2017-01-27T01:39:40","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=41961"},"modified":"2017-12-31T11:12:37","modified_gmt":"2017-12-31T13:12:37","slug":"scream-yell-recomenda-luiza-brina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/01\/26\/scream-yell-recomenda-luiza-brina\/","title":{"rendered":"Scream &#038; Yell recomenda: Luiza Brina"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/rafael.p.donadio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rafael Donadio<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cantora, compositora e multi-instrumentista Luiza Brina inicia 2017 bem ao seu estilo mineirinha: \u201cT\u00e3o T\u00e1\u201d, lan\u00e7ado no \u00faltimo dia 19, \u00e9 o segundo disco da carreira solo dela que, aos 28 anos, vive, respira e transpira m\u00fasica desde os primeiros anos de vida, ao lado das av\u00f3s pianistas e da m\u00e3e que inventava can\u00e7\u00f5es de ninar, comer, amanhecer&#8230; No passado, transpirou arte nas brincadeiras da inf\u00e2ncia, hoje transpira no trabalho escolhido \u201cpara sobreviver, sonhar e continuar\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seis anos ap\u00f3s o lan\u00e7amento do primeiro disco solo, \u201cA Toada Vem \u00e9 Pelo Vento\u201d (2011), mais uma vez ela se junta \u00e0s indispens\u00e1veis h\u00e9lices trituradoras do Liquidificador para moldar e misturar influ\u00eancias que transbordam os copos do eletrodom\u00e9stico. Ao seu lado est\u00e3o Analu Braga, Alcione de Oliveira e Di Souza nas percuss\u00f5es; Aline Gon\u00e7alves, Jo\u00e3o Paulo Prazeres, Maria Raquel Dias e Miguel no quarteto de sopros; e Vanilce Rezende no violoncelo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cT\u00e3o T\u00e1\u201d foi bancado com ajuda de f\u00e3s, amigos e familiares gra\u00e7as a financiamento coletivo. Possui 13 faixas, sendo 12 delas compostas por Luiza entre 2010 e 2014. Apenas \u201cRemanso\u201d, de Gustavito (outro nome atuante na nova cena mineira), entrou como contribui\u00e7\u00e3o no trabalho. As tem\u00e1ticas do disco variam da espiritualidade \u00e0s lutas pol\u00edticas de esquerda passando por reflex\u00f5es sobre a vida e a morte, seguran\u00e7as e inseguran\u00e7as que habitam os seres, rela\u00e7\u00f5es pessoais e familiares, naves espaciais, viagens, saudades&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m da carreira solo acompanhada do grupo O Liquidificador, Luiza atua tamb\u00e9m como integrante da el\u00e9trica\/psicod\u00e9lica banda Graveola e o Lixo Polif\u00f4nico, do grupo de can\u00e7\u00e3o de c\u00e2mara Boreal e do coletivo de mulheres compositoras Ana. \u201cT\u00e3o T\u00e1\u201d foi produzido por Chico Neves (respons\u00e1vel por, entre outros, \u201cLado B Lado A\u201d, do Rappa, e \u201cBloco do Eu Sozinho\u201d, do Los Hermanos) entre 2014 e 2016 e contou com participa\u00e7\u00f5es de Gustavito, Karina Neves, Yuri Vellasco, Jos\u00e9 Izquierdo e Pedro Carneiro, al\u00e9m dos oito m\u00fasicos do grupo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8220;T\u00e3o T\u00e1&#8221; pode ser baixando gratuitamente no site oficial de Luiza: <a href=\"http:\/\/luizabrina.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/luizabrina.com<\/a>. O show de lan\u00e7amento acontece no pr\u00f3ximo domingo, 29\/01, no Teatro Bradesco, em Belo Horizonte (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/events\/220266345100795\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">infos<\/a>)<\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/GslCNVXBq-g?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allow=\"encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi a cria\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o deste segundo \u00e1lbum, \u201cT\u00e3o T\u00e1\u201d?<\/strong><br \/>\n&#8220;T\u00e3o T\u00e1&#8221; foi um processo de dois anos e meio de imers\u00e3o no Estudio304, do Chico Neves.<br \/>\nO Chico \u00e9 um produtor muito querido, muito especial e muito cuidadoso e empolgado com as sonoridades que se pode extrair dos timbres dos instrumentos. O Liquidificador, por sua vez, tem uma forma\u00e7\u00e3o bem inusitada: clarineta, flauta, trombone, saxofones, violoncelo, percuss\u00f5es &#8211; al\u00e9m de voz e viol\u00e3o. Acho que a sonoridade do disco \u00e9 a uni\u00e3o desse punhado de instrumentos com a criatividade e magia do Chico. O \u00e1lbum tem ao todo 13 faixas, que fazem parte da minha hist\u00f3ria como cantautora, algumas can\u00e7\u00f5es mais antigas, que compus entre 2010 e 2013 e queria registrar, e outras mais recentes, que fazem parte do que acredito atualmente como cancionista. Est\u00e3o presentes no disco as tr\u00eas primeiras can\u00e7\u00f5es da s\u00e9rie de ora\u00e7\u00f5es, que tratam sobre espiritualidade, reflex\u00f5es sobre a vida e a morte, as seguran\u00e7as e inseguran\u00e7as que habitam os seres. Tamb\u00e9m est\u00e3o presentes no disco tem\u00e1ticas sobre rela\u00e7\u00f5es pessoais e familiares, naves espaciais, viagens, saudades, lutas pol\u00edticas de esquerda. A \u00fanica faixa que n\u00e3o \u00e9 minha composi\u00e7\u00e3o \u00e9 a &#8220;Remanso&#8221; do Gustavito, uma mistura de Grande Sert\u00e3o com o boi do maranh\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea se lembra de como foi o in\u00edcio da sua carreira musical?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o consigo enxergar um in\u00edcio claro da minha carreira. Tenho duas av\u00f3s pianistas, uma m\u00e3e que inventava can\u00e7\u00f5es para dormir, para acordar, para comer e eu acabei come\u00e7ando a inventar m\u00fasicas para sobreviver, para sonhar, para continuar. Talvez um marco na minha carreira, uma esp\u00e9cie de pacto com o mundo tenha ocorrido quando lancei meu primeiro disco, &#8220;A Toada Vem \u00e9 Pelo Vento&#8221;, em 2011.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais as suas principais influ\u00eancias dentro do mundo musical?<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 faz um tempo que o cantautor que mais me instiga e inspira \u00e9 o Gilberto Gil. Pelas tem\u00e1ticas das suas can\u00e7\u00f5es, pela maneira que ele transforma suas inquieta\u00e7\u00f5es em m\u00fasica e pela sua maneira de arranjar o viol\u00e3o. Esse dizer &#8220;cantautor&#8221;, emprestado do espanhol, diz muito para mim nesse sentido da figura do cancionista, da integra\u00e7\u00e3o e entrega homem-instrumento-can\u00e7\u00e3o. Acho que o Gil cumpre muito bem com essa fun\u00e7\u00e3o. Outra grande influ\u00eancia na minha vida, como figura mulher compositora \u00e9 a Rita Lee, que ou\u00e7o desde crian\u00e7a, apaixonadamente. Me interesso muito tamb\u00e9m pelas culturas populares da am\u00e9rica latina, pelos ritmos complexos e potentes, pelas hist\u00f3rias, pelos rituais, onde a m\u00fasica \u00e9 um agente da espiritualidade, um canal de manifesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que inspira a artista\/compositora Luiza Brina? E como \u00e9 o processo de composi\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nOs afetos, as hist\u00f3rias, o Gilberto Gil, a Rita Lee, o Hermeto Pascoal, o Bumba meu boi do Maranh\u00e3o, a Santeria cubana, a m\u00fasica baiana, a poesia da Ana Martins Marques, as saudades, as viagens que fa\u00e7o, os filmes que me emocionam, as conversas com amigos, tudo isso me inspira e me traz vontade de fazer m\u00fasica. Normalmente fa\u00e7o mais m\u00fasica do que letra, embora de vez em quando fa\u00e7a algumas letras tamb\u00e9m. Esse disco tem diversas parcerias, com amigos queridos que embarcaram em viagens comigo: a Fl\u00e1via Mafra, o Pedro Carneiro, a J\u00falia Branco, o Gabo Gabo, o C\u00e9sar Lacerda e o LG Lopes. O meu processo de composi\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem muita regra, cada hora \u00e9 de um jeito, depende da ocasi\u00e3o, da sensa\u00e7\u00e3o, do que estou vivendo&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vamos falar sobre as festas do boi do S\u00e3o Jo\u00e3o do Maranh\u00e3o ent\u00e3o. Como a influ\u00eancia de uma festa maranhense enraizou na mineira Luiza?<\/strong><br \/>\nEm 2006 fiz parte de um grupo em BH que estudava e reproduzia brincadeiras populares, o &#8220;Encaixa Couro&#8221;. L\u00e1 conheci o boi e de l\u00e1 surgiu a vontade de ir conhecer pessoalmente o boi do Maranh\u00e3o. Comecei ent\u00e3o a ir todo ano para as festas do S\u00e3o Jo\u00e3o do Maranh\u00e3o e fiquei muito instigada e tocada com a for\u00e7a dessa manifesta\u00e7\u00e3o, as cores, as roupas, os personagens do boi, a quantidade de grupos, tipos e sotaques que existem ali. Comecei a acompanhar todo o ano o Boi de Maracan\u00e3, que tinha como cantador e compositor de toadas o Seu Humberto, mestre de voz arrepiante, letrista e melodista incr\u00edvel. Fiz v\u00e1rias m\u00fasicas em homenagem ao Boi de Maracan\u00e3, uma \u00e9 parceria com o C\u00e9sar Lacerda e d\u00e1 nome ao meu primeiro \u00e1lbum &#8220;A Toada vem \u00e9 Pelo Vento&#8221;, outra est\u00e1 nesse segundo disco, &#8220;T\u00e3o T\u00e1&#8221; e se chama &#8220;Da Janela&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como o seu trabalho solo difere do trabalho da Graveola?<\/strong><br \/>\nParticipo do Graveola cantando, tocando percuss\u00e3o (congas e efeitos) e como compositora. O Graveola \u00e9 uma banda com sonoridade mais el\u00e9trica, pop, bailante. O meu trabalho com o Liquidificador tem uma forma\u00e7\u00e3o talvez mais camer\u00edstica, onde eu atuo, al\u00e9m de compositora e instrumentista, como arranjadora dessa forma\u00e7\u00e3o &#8211; quarteto de sopros, violoncelo, trio de percuss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No ano passado voc\u00ea lan\u00e7ou o single e o clipe de \u201cOra\u00e7\u00e3o 3\u201d. Por que a escolha de \u201cOra\u00e7\u00e3o 3\u201d como m\u00fasica de trabalho?<\/strong><br \/>\nA faixa single \u00e9 a terceira da s\u00e9rie \u201cOra\u00e7\u00f5es\u201d, resultado criativo de um intenso per\u00edodo em que sofri com crises de p\u00e2nico. A \u201cOra\u00e7\u00e3o 3\u201d \u00e9 uma parceria com o Pedro Carneiro. Ele fez a letra da m\u00fasica depois de uma conversa que tivemos em 2012 sobre o fen\u00f4meno do fim do mundo. Ficamos imaginando um apocalipse solit\u00e1rio, o fim do mundo reverberando em forma de solid\u00e3o, ang\u00fastia e esperan\u00e7a em um personagem. A faixa \u00e9 bem diferente do restante do disco, pois n\u00e3o foi gravada com o Liquidificador, ela n\u00e3o teve um arranjo escrito, o arranjo foi sendo criado em est\u00fadio. Eu, o Pedro e o Chico (Neves \u2013 produtor musical do disco) passamos uma tarde inteira no est\u00fadio gravando o que viesse na nossa cabe\u00e7a ali naquele momento. O resultado desse processo ficou bem especial, bem sincero. Talvez seja por isso a escolha dessa faixa para ser lan\u00e7ada como single.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 uma hist\u00f3ria por tr\u00e1s desse clipe?<\/strong><br \/>\nO single vem acompanhado de um v\u00eddeo feito durante uma expedi\u00e7\u00e3o pelas montanhas do bairro S\u00e3o Geraldo, em Belo Horizonte, realizada pelo grupo O Liquidificador. A produ\u00e7\u00e3o desse material ficou a cargo de Sara Lana, respons\u00e1vel tamb\u00e9m pela concep\u00e7\u00e3o de arte do disco e do show \u201cT\u00e3o T\u00e1\u201d, ao lado de Fl\u00e1via Mafra, Clarice G Lacerda e Nina Arag\u00f3n. Ge\u00f3rgia Brant assina o figurino. \u00c9 um trecho de um conjunto de imagens criadas para acompanhar as can\u00e7\u00f5es do disco, que estamos apelidando de &#8220;discometragem&#8221;. Essa s\u00e9rie ser\u00e1 lan\u00e7ada em mar\u00e7o &#8211; logo ap\u00f3s o primeiro show de lan\u00e7amento. A discometragem dialoga com a tem\u00e1tica das imagens do &#8220;T\u00e3o T\u00e1&#8221; &#8211; essas pessoas de branco s\u00e3o, na verdade, astronautas \u2013 e conta a hist\u00f3ria de um percurso aonde realizamos sess\u00f5es de fotos para o encarte do disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por que astronautas? Quem s\u00e3o os astronautas na hist\u00f3ria do disco?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o existe uma conex\u00e3o muito grande entre os astronautas e as can\u00e7\u00f5es, tampouco existe uma conex\u00e3o entre o nome do disco e os astronautas e as m\u00fasicas&#8230; mas \u00e9 uma brincadeira non-sense, gosto disso, nesse mundo onde as conex\u00f5es e explica\u00e7\u00f5es s\u00e3o tantas, porque n\u00e3o brincar com isso? De todo modo, acho que um poss\u00edvel aclaramento desses personagens vem de uma vontade de construir uma nave agroecol\u00f3gica e sair correndo desse mundo maluco que estamos vivendo&#8230; Temer presidente do Brasil?!? socorro! brincadeira&#8230; na verdade acho que n\u00e3o \u00e9 hora de fugir&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais s\u00e3o as \u201clutas pol\u00edticas de esquerda\u201d que voc\u00ea citou anteriormente? Lutas que voc\u00ea trava como artista?<\/strong><br \/>\nO pensamento de esquerda esteve sempre presente na minha vida, na minha fam\u00edlia, no meu jeito de compreender as rela\u00e7\u00f5es, o mundo, a natureza, no jeito de me vestir, no jeito de me posicionar. E isso tudo obviamente reflete nas minhas can\u00e7\u00f5es e na maneira de produzir. Mas quando eu disse sobre as can\u00e7\u00f5es desse disco que falam sobre lutas pol\u00edticas de esquerda estava me referindo especificamente \u00e0 m\u00fasica chamada &#8220;Costi&#8221;, que compus depois de conhecer uma prima-av\u00f3 guerrilheira espanhola: Em 2014, depois de fazer uma turn\u00ea com o Graveola pela Europa resolvi ir conhecer a fam\u00edlia do meu av\u00f4 na Espanha. Peguei ent\u00e3o um trem em Madri e cheguei at\u00e9 Brazatortas, cidade do interior. Ao descer do trem perguntei pelas ruas se conheciam a fam\u00edlia e um senhor me convidou para entrar no seu carro, ele me levaria at\u00e9 algu\u00e9m, afinal, de acordo com ele, para chegar l\u00e1 eu teria que pegar uma carreteira. Eu n\u00e3o sabia o que era carreteira, mas quando ele pegou uma estrada eu rezei muito para que este fosse o significado. E era. Cheguei ent\u00e3o numa chacarazinha, e uma senhora de 90 anos, cabelo branco, me recebeu. Eu me apresentei a ela, que, com um abra\u00e7o me colocou num outro carro, e saiu pela carreteira a 250 Km\/H at\u00e9 uma outra cidade, Puertollano. Bebemos um bocado, ela, de 90 anos, bem mais do que eu. E enquanto isso ela me contava sobre suas milit\u00e2ncias: foi do movimento anarquista quando jovem, viajou pela Espanha envolvida com a luta feminista, e num determinado momento da vida entrou para o partido socialista e virou prefeita da cidade. Ela era muito viva, me contava as coisas com muita gana, sempre me dizendo: \u201cVoc\u00ea tem que lutar! Seja uma mulher forte, v\u00e1 atr\u00e1s dos seus desejos, lute!\u201d Peguei o trem de volta escrevendo a letra da can\u00e7\u00e3o, que musiquei assim que cheguei ao Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual sua opini\u00e3o sobre a situa\u00e7\u00e3o da cultura e da pol\u00edtica no Brasil atualmente? Como tem visto o cen\u00e1rio pol\u00edtico atual, com esse conservadorismo e tradicionalismo cada vez mais presente?<\/strong><br \/>\nTrabalhar com cultura de maneira independente sempre foi uma tarefa muito dif\u00edcil. Mas o atual momento pol\u00edtico est\u00e1 nos mostrando que tudo pode ainda piorar. N\u00e3o s\u00f3 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura, mas tamb\u00e9m no que diz respeito aos direitos fundamentais como sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o. Neste governo ileg\u00edtimo do Temer, estamos observando medidas que v\u00e3o totalmente contra o bem estar da popula\u00e7\u00e3o, das rela\u00e7\u00f5es sociais, das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e das minorias, enquanto as grandes empresas, bancos e corpora\u00e7\u00f5es s\u00e3o privilegiados. Neste quadro, ent\u00e3o, o que devemos esperar dos investimentos em cultura? De todo modo, j\u00e1 faz tempo que quem dita os rumos da cultura no Brasil \u00e9 a iniciativa privada, que reverte verba de imposto para patroc\u00ednios e escolhe arbitrariamente o perfil art\u00edstico que vai melhor representar a sua marca para o p\u00fablico. Acredito que seja necess\u00e1ria a luta pela cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas mais democr\u00e1ticas e plurais, que possibilitem \u00e0 qualquer cidad\u00e3o o acesso \u00e0 cultura e ao fazer cultura, afinal a arte pode ser transformadora dos pensamentos, das cren\u00e7as, da for\u00e7a enquanto ser humano.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7wJHz5HdwvI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allow=\"encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Rafael Donadio (Facebook: <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/rafael.p.donadio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">rafael.p.donadio<\/a>) \u00e9 jornalista do Di\u00e1rio do Norte do Paran\u00e1. A foto que abre o texto \u00e9 de Sara Braga.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/category\/musica\/\">MAIS SOBRE M\u00daSICA, ENTREVISTAS E REVIEWS NO SCREAM &amp; YELL<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Come\u00e7ando 2017 com um belo disco, conhe\u00e7a &#8220;T\u00e3o T\u00e1&#8221; (download gratuito), segundo \u00e1lbum solo da mineira Luiza Brina\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/01\/26\/scream-yell-recomenda-luiza-brina\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":38,"featured_media":45567,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[354,1627],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41961"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/38"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41961"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41961\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":45568,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41961\/revisions\/45568"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/45567"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41961"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41961"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41961"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}