{"id":41598,"date":"2017-01-20T09:53:09","date_gmt":"2017-01-20T11:53:09","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=41598"},"modified":"2017-03-19T22:59:03","modified_gmt":"2017-03-20T01:59:03","slug":"tres-cds-vaiapraia-e-as-rainhas-do-baile-felix-robatto-e-alceu-valenca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/01\/20\/tres-cds-vaiapraia-e-as-rainhas-do-baile-felix-robatto-e-alceu-valenca\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas CDs: Vaiapraia e as Rainhas do Baile, F\u00e9lix Robatto e Alceu Valen\u00e7a"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100011036646439\" target=\"_blank\">Lucas Vieira<\/a><br \/>\n<\/strong><\/h2>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/vaiapraia.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201c1755\u201d, Vaiapraia e as Rainhas do Baile (Spring Toast Records)<\/strong><br \/>\nDireto das terras lusitanas, Vaiapraia e as Rainhas do Baile \u00e9 um trio que mistura influ\u00eancias de p\u00f3s-punk, rock alternativo e indie dos anos 2000. Em \u201c1755\u201d, seu primeiro \u00e1lbum, a melancolia e timbres de baixa defini\u00e7\u00e3o dominam a obra, com um vocal quase incompreens\u00edvel. O portugu\u00eas nativo e a voz arrastada, somados \u00e0 est\u00e9tica lo-fi proposital da grava\u00e7\u00e3o transformam a voz do vocalista Rodrigo Vaiapraia em mais um instrumento musical. O disco oscila entre esses momentos depressivos que soa como um Los Hermanos interpretando Joy Division (\u201cPerfeito\u201d, \u201cYuppie Casado\u201d) e tamb\u00e9m caminha por faixas mais r\u00e1pidas (\u201cSniffa Cola\u201d, \u201cKate Winslet\u201d, \u201cHey Rocky\u201d). Nas 12 faixas, tanto baixo quanto guitarra ficam na m\u00e3o da musicista Frankie Wolf: ambos s\u00e3o sujos, garageiros e atingem o ouvinte como um disco de rock alternativo do fim dos anos 1980. Em quest\u00e3o de timbre, o trio gabaritou o dever de casa. As letras, todas assinadas pelo l\u00edder, s\u00e3o de um portugu\u00eas que passou muito tempo lendo e ouvindo as hist\u00f3rias da blank generation e andando pelos sub\u00farbios de Setubal. Mas a banda n\u00e3o deixa de se aventurar em can\u00e7\u00f5es de amor, como \u201cSinos\u201d e \u201cCosmotusa\u201d, com estrutura de baladas, mas soando com a ess\u00eancia da banda. A arte da capa parece uma fotoc\u00f3pia de uma foto muito dif\u00edcil de identificar em que se l\u00ea a palavra \u201cpol\u00edcia\u201d. Em \u201c1755\u201d \u2013 que sai em vers\u00e3o digital e em um kit que inclui uma fita cassete com as m\u00fasicas e tamb\u00e9m um fanzine \u2013 Vaiapraia e as Rainhas do Baile alcan\u00e7a a fa\u00e7anha de fugir do \u00f3bvio em um bom \u00e1lbum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 7 (<a href=\"https:\/\/vaiapraia.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\">ou\u00e7a no Bandcamp<\/a>)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais sobre a nova m\u00fasica portuguesa no Scream &amp; Yell:<br \/>\n&#8211; Tr\u00eas CDs: Linda Martini, Capit\u00e3o Fausto e Louren\u00e7o Crespo (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/08\/03\/tres-cds-linda-martini-capitao-fausto\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u00a0As quatro garotas do Anarchicks chegam ao segundo \u00e1lbum (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/07\/13\/conexao-portugal-anarchicks-2016\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/robatto.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cBelemgue Banger\u201d, F\u00e9lix Robatto (Natura Musical)<\/strong><br \/>\nN\u00e3o \u00e9 de hoje que o nome de F\u00e9lix Robatto \u00e9 destaque no som paraense, seja \u00e0 frente do La Pupu\u00f1a, combo que misturava guitarrada e surf music no come\u00e7o deste s\u00e9culo, seja como produtor musical do premiado \u201cTreme\u201d (2011), da conterr\u00e2nea Gaby Amarantos. Neste segundo \u00e1lbum da carreira solo, F\u00e9lix entrega um disco com pouca pretens\u00e3o de parecer uma nova descoberta da m\u00fasica brasileira. Apesar da est\u00e9tica guitarrada-hipster, a sonoridade moderninha est\u00e1 muito enraizada na m\u00fasica do norte do Brasil, F\u00e9lix Robatto explora com excel\u00eancia todos os clich\u00eas do g\u00eanero, com uma intensidade maior que em seu antecessor, \u201cEquatorial, Quente e \u00damido\u201d (2015). Felix tira da guitarra o som e o timbre exato que o estilo pede, com a maestria de quem estudou a fundo tanto as sonoridades quanto a hist\u00f3ria de \u00edcones como Mestre Vieira e Pinduca. Da primeira \u00e0 \u00faltima faixa, o ouvinte \u00e9 contagiado por uma guitarra suingada, um teclado totalmente latino e express\u00f5es muito pr\u00f3prias, como \u201cderrame de gelada na guela\u201d e \u201cvou ro\u00e7ar nos cambito dela\u201d. Com o \u00e1lbum, o artista conseguiu deixar o som da lambada menos datado. Enxugou o som da bateria eletr\u00f4nica e transformou os sintetizadores em meros efeitos nas faixas. \u00c9 uma grava\u00e7\u00e3o bastante coesa que traz novos ares para as futuras colet\u00e2neas. \u201cHoje Vai Ter Frita\u00e7\u00e3o\u201d, \u201cA Gente Chama de Lambada\u201d e \u201cInterior do Par\u00e1\u201d s\u00e3o tr\u00eas exemplos de cl\u00e1ssicos imediatos que fazem o ouvinte ter a sensa\u00e7\u00e3o boa de \u201ceu j\u00e1 ouvi isso antes em alguma r\u00e1dio cafona nos anos 1980\u201d. A \u00fanica can\u00e7\u00e3o que destoa da obra \u00e9 \u201cQuando Te Vejo (Brega da Cerveja)\u201d, uma aventura bem sucedida pelas balada bregas dos anos 80 que encerra o disco. \u201cBelemgue Banger\u201d \u00e9 um disco feito para dan\u00e7ar do in\u00edcio ao fim. N\u00e3o \u00e9 uma obra cult para ser contemplada, mas sim um disco para os quadris.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 7,5 (download gratuito do \u00e1lbum <a href=\"http:\/\/www.naturamusical.com.br\/baixe-e-ouca-o-disco-belemgue-banger-do-felix-robatto\" target=\"_blank\">aqui<\/a>)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/alceu.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cSaudade de Pernambuco\u201d, Alceu Valen\u00e7a (Deck Disc)<\/strong><br \/>\nLan\u00e7ado somente em 1998, em um fasc\u00edculo de jornal, o disco que seria o sexto de Alceu Valen\u00e7a foi gravado no ano de 1979 e agora finalmente recebe uma reedi\u00e7\u00e3o \u00e0 altura, 37 anos depois, em meio \u00e0s comemora\u00e7\u00f5es dos 70 anos de Alceu. Com uma capa em preto e branco trazendo o artista com um traje que parece a mistura de cangaceiro com pirata, \u201cSaudade de Pernambuco\u201d \u00e9 o in\u00edcio da transi\u00e7\u00e3o de Alceu da psicodelia nordestina para o cantor de hits como \u201cAnuncia\u00e7\u00e3o\u201d e \u201cLa Belle de Jour\u201d. Gravado em Paris num momento de autoex\u00edlio na Fran\u00e7a, o antecessor cronol\u00f3gico de \u201cCora\u00e7\u00e3o Bobo\u201d (1980) traz o cantor mais calmo que em grava\u00e7\u00f5es como \u201cAgalopado\u201d e \u201cVou Danado Pra Catende\u201d. Com a companhia de feras que estiveram ao seu lado na fase mais agressiva de sua carreira, como o Ave Sangria Paulo Rafael (guitarra e violas) e Z\u00e9 da Flauta (flauta), o pernambucano entrega um lado mais melanc\u00f3lico e introspectivo do que mostrara at\u00e9 ent\u00e3o. Por\u00e9m, a energia roqueira do cantor tamb\u00e9m est\u00e1 viva no \u00e1lbum, em uma roupagem mais ac\u00fastica, ainda longe dos arranjos pop e radiof\u00f4nicos da d\u00e9cada de 1980. Em momentos como a faixa t\u00edtulo e em \u201cO Ovo e a Galinha\u201d, a tradi\u00e7\u00e3o dos repentistas d\u00e1 a forma; um dedilhado em tom de desespero e uma liberdade de improviso marcam \u201cColcha de Retalhos\u201d e tamb\u00e9m \u201cCasa de Buinha\u201d, com muitas vocaliza\u00e7\u00f5es. A grava\u00e7\u00e3o em vinil est\u00e1 inclusa no rec\u00e9m-lan\u00e7ado box Alceu Valen\u00e7a 70 e tamb\u00e9m est\u00e1 sendo vendida avulsa \u2013 o que, infelizmente, n\u00e3o ocorre com os outros cl\u00e1ssicos da caixa \u2013 em CD.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 8,5 (ou\u00e7a o \u00e1lbum completo <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=XcZI-gMF_jI&amp;list=PLTaRWr5sdDvmEeoifyFvZ4jI_dXOyCaiT\" target=\"_blank\">no Youtube<\/a>)<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/k1K2PvffIKI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/GFHXHbgKAsw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/XcZI-gMF_jI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8211; Lucas Vieira (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100011036646439\" target=\"_blank\">Facebook<\/a>) est\u00e1 no \u00faltimo per\u00edodo da faculdade de jornalismo, escreve sobre m\u00fasica desde 2010 e assina o blog <a href=\"https:\/\/dizconauta.wordpress.com\/\">Dizconauta<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A estreia dos tugas do Vaiapraia e as Rainhas do Baile; o segundo disco de F\u00e9lix Robatto; um \u00e1lbum perdido de Alceu Valen\u00e7a\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/01\/20\/tres-cds-vaiapraia-e-as-rainhas-do-baile-felix-robatto-e-alceu-valenca\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":37,"featured_media":41599,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[825,1381,47,1618],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41598"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/37"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41598"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41598\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":41956,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41598\/revisions\/41956"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/41599"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41598"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41598"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41598"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}