{"id":41354,"date":"2016-12-14T19:10:23","date_gmt":"2016-12-14T21:10:23","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=41354"},"modified":"2017-01-24T16:26:12","modified_gmt":"2017-01-24T18:26:12","slug":"cantoria-ao-vivo-em-fortaleza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/12\/14\/cantoria-ao-vivo-em-fortaleza\/","title":{"rendered":"&#8220;Cantoria&#8221; ao vivo em Fortaleza"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/daniel.tavares.96343\" target=\"_blank\">Daniel Tavares<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 quanto um artista pode expressar sua pr\u00f3pria opini\u00e3o em um palco? E se ele o fizer, deve ser hostilizado pelo p\u00fablico? E se isso acontecer, deve devolver a hostilidade? Ou um artista deve apenas se restringir a fazer aquilo para que foi pago: cantar suas can\u00e7\u00f5es, tocar seu instrumento, seguir o script de uma apresenta\u00e7\u00e3o? \u00c9 falta de respeito para com o p\u00fablico exagerar na defesa de suas convic\u00e7\u00f5es pol\u00edticas? Mais que isso, quando acontece o exagero? Quando se pode perceber que ele aconteceu? E quanto aos outros m\u00fasicos, amigos de banda, colegas de apresenta\u00e7\u00e3o, o qu\u00e3o se deve envolver em rompantes prejudicando o que havia sido previamente acordado? Bem, cada um tem sua verdade, e at\u00e9 quando \u00e9 coerente atacar algu\u00e9m defendendo sua verdade contra a verdade dele? Em Fortaleza, no show \u201cCantoria\u201d, revivendo os c\u00e9lebres \u00e1lbuns lan\u00e7ados em 1984\/1985 pelo pernambucano Geraldo Azevedo ao lado do paraibano Vital Farias e dos baianos Elomar e Xangai, quatro grandes nomes da m\u00fasica nordestina, alguns limites foram ultrapassados. E depois que os cora\u00e7\u00f5es voltam a bater como uma can\u00e7\u00e3o de Elomar \u00e9 poss\u00edvel refletir um pouco e entender melhor o que aconteceu na noite de 12 de novembro no Centro de Eventos do Cear\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pra come\u00e7o de conversa, o show come\u00e7ou atrasado. Fato. E, apesar das reclama\u00e7\u00f5es, um mea-culpa do pr\u00f3prio p\u00fablico (ou parte dele) tamb\u00e9m se faz necess\u00e1ria. Com o show programado para come\u00e7ar \u00e0s 9 da noite, at\u00e9 cerca de 9h30 a casa ainda n\u00e3o estava cheia. Talvez j\u00e1 estivesse ali apenas metade do p\u00fablico e quem chegou na hora se sente prejudicado (e tem direito a tanto), mas, se o show come\u00e7asse na hora marcada, quantas pessoas n\u00e3o iriam reclamar da produtora? \u00c9 quase um costume no Brasil, tanto por parte dos artistas (que eles reconhe\u00e7am tamb\u00e9m sua participa\u00e7\u00e3o nisso) quanto por parte do p\u00fablico, s\u00f3 chegar depois do hor\u00e1rio marcado pra festa. Esta \u00e9 a primeira das verdades deste texto, o que n\u00e3o quer dizer que seja uma verdade para voc\u00ea tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0s 22h, sem malabarismos de ilumina\u00e7\u00e3o, os quatro menestr\u00e9is come\u00e7aram com o &#8220;Desafio do Alto da Catingueira&#8221; chamando uns aos outros para a &#8220;briga&#8221;, aquela que todo p\u00fablico queria h\u00e1 muito tempo ver (ou rever). Xangai \u00e9 quem d\u00e1 in\u00edcio &#8220;pedindo licen\u00e7a pra puxar viola rasa&#8221; contando seus feitos. Na parte de Elomar, com seu &#8220;canto t\u00e3o significante sem fama sem atrevimento&#8221;, muitos gritos em rever\u00eancia ao mais veterano dos quatro cantadores. Vital Farias &#8220;pediu licen\u00e7a aos senhores&#8221; e avisou que o que ia &#8220;falar n\u00e3o era franc\u00eas nem ingl\u00eas, apenas o portugu\u00eas que aprendera em seu sert\u00e3o&#8221;. Geraldo, por sua vez, subverte (num acorde forte, bruto, inesperado) o desafio com &#8220;Novena&#8221; como se apaziguasse e n\u00e3o quisesse saber da briga sugerida no desafio. E, at\u00e9 aquele momento, tudo era apenas figura liter\u00e1ria. N\u00e3o havia como prever o que aconteceria minutos depois.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o quatro violas, quatro cantadores extraindo o m\u00e1ximo de seus instrumentos e at\u00e9 utilizando os viol\u00f5es n\u00e3o apenas como instrumentos de cordas. Em &#8220;Novena&#8221;, Vital faz do tampo de seu viol\u00e3o um instrumento percussivo, salientando ainda mais a conex\u00e3o da m\u00fasica sertaneja com a m\u00fasica flamenca. E continua transformando seu viol\u00e3o num caj\u00f3n em &#8220;Matan\u00e7a&#8221;, na voz de Xangai, com Elomar e Geraldo Azevedo nos viol\u00f5es. Em seguida, Elomar canta &#8220;Quadrada das \u00c1guas Perdidas&#8221; e sai. N\u00e3o pareceu ser um grande acontecimento. Num show em que h\u00e1 quatro grandes artistas dividindo o palco, \u00e9 normal que haja momentos em que os quatro participem, outros em que sejam um trio, duetos, momentos solos e at\u00e9 que recebam outros convidados (como Francisco Aafa, que marcou presen\u00e7a com a can\u00e7\u00e3o &#8220;Arruma\u00e7\u00e3o&#8221; eternizada em um dos \u00e1lbuns originais). Parecia ser um momento normal, previsto no script da apresenta\u00e7\u00e3o. N\u00e3o era.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vital Farias recordou que fazia bastante tempo que n\u00e3o voltava a Fortaleza, &#8220;A minha aus\u00eancia marcou muito a minha presen\u00e7a&#8221;, e falou sobre a pr\u00f3xima can\u00e7\u00e3o. &#8220;Faz 35 anos que a fiz, tentando barrar como uma formiguinha o que estava acontecendo l\u00e1 atr\u00e1s e ainda acontece\u201d. Ele ent\u00e3o canta &#8220;Saga da Amaz\u00f4nia&#8221; sozinho, com Xangai e Geraldo observando. Na can\u00e7\u00e3o, Vital denuncia males como o do grileiro que matou posseiro, do seringueiro que virou pe\u00e3o, do castanheiro que perdeu seu lugar para um estrangeiro. Enquanto isso, do lado esquerdo da pista, parte do p\u00fablico, um grupo de pessoas mal-educadas, come\u00e7a a se acumular junto \u00e0 grade. O espa\u00e7o tinha ficado vazio porque n\u00e3o havia uma boa visibilidade para espectadores sentados naquele local. No entanto, quem ficasse em p\u00e9 tamb\u00e9m tinha a chance de ficar mais perto dos quatro artistas, quase tanto quanto como quem tinha pagado os ingressos do setor mais caro. O que essas pessoas sequer cogitaram pensar foi que haviam pessoas sentadas logo atr\u00e1s. Talvez a produtora tenha falhado em n\u00e3o prever o problema isolando aquela \u00e1rea, mas quem espera que num show de alto n\u00edvel como o proposto haja sujeitos t\u00e3o desprovidos de respeito pelo pr\u00f3ximo como aqueles? Quem seriam, nessa can\u00e7\u00e3o, essas pessoas. Este pessoal mal educado estaria em que papel nessa can\u00e7\u00e3o? Seriam o grileiro, o posseiro, o seringueiro, o estrangeiro? Gritariam &#8220;Fora Dilma&#8221; h\u00e1 meses atr\u00e1s? Gritariam &#8220;Fora Temer&#8221; agora? Gritar\u00e3o &#8220;Fora&#8221; para o pr\u00f3ximo? N\u00e3o deixam de ser como o grileiro que matou posseiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vital \u00e9 aplaudido de p\u00e9 ao final da can\u00e7\u00e3o por todos os presentes, todos os que respeitosamente ficaram em seus lugares quanto por aquelas duas dezenas que se acharam mais importantes ou mais espertos que os outros. O show continua com Geraldo (e Xangai fazendo os backing vocais) e &#8220;Semente de Ad\u00e3o&#8221;. Ao fim da can\u00e7\u00e3o, Xangai comenta que &#8220;muitas das vezes que a gente faz m\u00fasica, \u00e9 inspirado pela for\u00e7a musical de algum amigo&#8221;. &#8220;A Pedra e o Linho&#8221;, pr\u00f3xima na sequ\u00eancia, tem um geraldoazevedismo, conclui o cantador. Elomar volta, mas ainda n\u00e3o participa quando Geraldo e Xangai levam &#8220;O Menino e os Carneiros&#8221;. Ent\u00e3o, o professor d\u00e1 in\u00edcio a &#8220;Cantiga do Boi Encantado&#8221;, que divide com Xangai, seu mais aplicado aluno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vital assume novamente o protagonismo do show comentando o prazer de estar em Fortaleza e a coisa grandiosa que era aquele show. &#8220;Esse \u00e9 o Brasil de verdade&#8221;. O paraibano tamb\u00e9m convidou para a missa dos agricultores que promove. &#8220;\u00c9 uma missa com respeito a Deus, sem aquela festividade que eu n\u00e3o gosto&#8221;, comentou. &#8220;Quando a pessoa procura Deus tem que ser com muita seriedade&#8221;, concluiu, mas tamb\u00e9m informou que a missa (e a pr\u00f3xima can\u00e7\u00e3o) baseia-se na premissa &#8220;venham todos que estais cansados que eu vos aliviarei&#8221;. Em seus versos, n\u00e3o apenas religiosidade, mas tamb\u00e9m mais cr\u00edtica social: &#8220;camponeses, agricultores, ju\u00edzes, doutores, suas leis t\u00e3o fora da lei&#8221;. E continuou para o ato penitencial, outra parte musicada do rito cat\u00f3lico em sua vers\u00e3o da celebra\u00e7\u00e3o. Vital falou que falava da Igreja Cat\u00f3lica porque nascera e se criara nela, fora at\u00e9 coroinha. E nos versos de &#8220;Senhor, tende piedade de n\u00f3s&#8221;, mais preocupa\u00e7\u00f5es com o povo, com o pobre, com o desvalido e indefeso, &#8220;Senhor, protegei a agricultura, n\u00e3o deixai que ela seja a sepultura&#8221;, mas tamb\u00e9m um tra\u00e7o de deseleg\u00e2ncia. Conclamando pela participa\u00e7\u00e3o do p\u00fablico (o velho &#8220;s\u00f3 os homens \/ s\u00f3 as mulheres \/ s\u00f3 estes \/s\u00f3 aqueles&#8221;) &#8220;Senhor, tende piedade de n\u00f3s, Senhor, tende piedade de n\u00f3s&#8221;, alfineta &#8211; a primeira vez que foi um tanto descort\u00eas &#8211; quem, entre o p\u00fablico, n\u00e3o comungasse de sua f\u00e9. &#8220;Agora s\u00f3 os ateus&#8221;. &#8220;Senhor, tende piedade de n\u00f3s&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Finda a parte religiosa do show (e ainda sem grandes contratempos), Geraldo Azevedo lembrou que tem um parceiro no Cear\u00e1, tamb\u00e9m arquiteto, como Elomar, referindo-se a Fausto Nilo, ao que \u00e9 corrigido por Vital Farias. &#8220;Desculpe atrapalhar, ele \u00e9 de Quixeramobim, terra de Antonio Conselheiro&#8221; \u2013 e recebeu ainda muitos aplausos. &#8220;Chorando e Cantando&#8221;, indiscutivelmente o sucesso mais popular at\u00e9 ali da noite foi cantado por todos. &#8220;Estampas Eucalol&#8221;, na voz de Xangai, com Geraldo Azevedo improvisando no viol\u00e3o enquanto Vital continua no seu caj\u00f3n-viol\u00e3o, tamb\u00e9m teve uma boa recep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elomar Figueira de Melo, lenda viva da m\u00fasica nordestina, se pudesse talvez n\u00e3o tivesse fama nenhuma. Mas n\u00e3o pode. Sua obra \u00e9 imortal demais para que fique guardada apenas em sua cabe\u00e7a, no passado que viveu ou na Casa dos Carneiros, onde vive (recluso, o adjetivo que j\u00e1 faz parte de qualquer texto que se escreva sobre ele). Mas pode ainda manter um r\u00edgido controle sobre a pr\u00f3pria imagem. N\u00e3o permite fotos, n\u00e3o permite filmagens, n\u00e3o d\u00e1 entrevistas (segundo Xangai, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/11\/21\/entrevista-xangai\/\" target=\"_blank\">depende da maneira como for abordado<\/a>). E, por um lado, de certa maneira, Elomar est\u00e1 certo em n\u00e3o querer que as pessoas que v\u00e3o aos seus concertos os percam porque est\u00e3o ocupados demais mexendo em bot\u00f5es em seus smartphones ou porque algum insens\u00edvel colega resolveu empunhar o aparelho bem na frente. Uma foto ou outra, um selfie para provar que estava l\u00e1, n\u00e3o machuca ningu\u00e9m, mas Elomar resolveu ser a voz (provavelmente de forma involunt\u00e1ria) de quem quer assistir os shows com os pr\u00f3prios olhos. Um breve aviso da produ\u00e7\u00e3o antes do show era imprescind\u00edvel, mas diante da gana de alguns pelo melhor selfie, era imposs\u00edvel esperar que teria tido todo o efeito desejado. \u00c0 aquela altura do show, a paci\u00eancia do poeta se esgotara. &#8220;Se eles n\u00e3o se importam \u2013 referindo-se aos tr\u00eas companheiros de palco \u2013 eu me importo&#8221;. Ele ainda explicou que sa\u00eda constantemente do palco por n\u00e3o gostar que lhe registrassem a imagem. E, gerando um temor de que o espet\u00e1culo fosse encerrado de forma abrupta ali mesmo, amea\u00e7ou: &#8220;Se n\u00e3o apagar eu vou me retirar&#8221;. Vital Farias defendeu o mestre: &#8220;\u00c9 o direito dele&#8221;. Mas at\u00e9 pareceu por mais lenha da fogueira: &#8220;Eu n\u00e3o me incomodo. A mim, pode filmar&#8221;. Elomar continuou a bronca: &#8220;Eu, verbo e gra\u00e7a, me importo&#8221;. E apontando para o p\u00fablico: &#8220;Tem um aqui&#8230; Outro ali&#8230; Se n\u00e3o apagarem n\u00e3o vou cantar&#8221;. O show at\u00e9 ali merecia um DVD, um registro visual profissional, mas isso \u00e9 coisa que nunca vai acontecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E Elomar conseguiu um milagre. Num show (ou melhor, num concerto &#8211; &#8220;show, x\u00f4, \u00e9 o que se diz com galinha&#8221;, ele dissera em um programa de r\u00e1dio), naquele show, todo mundo assistindo com seus pr\u00f3prios olhos, n\u00e3o pela tela dos celulares. E, milagre feito, Elomar canta &#8220;Campo Branco&#8221;. No entanto, este ainda n\u00e3o seria o ponto cr\u00edtico da noite. Vital emendou um discurso: \u201cEu sou um cidad\u00e3o brasileiro e como cidad\u00e3o tenho a obriga\u00e7\u00e3o de &#8220;homenagear&#8221; as coisas que est\u00e3o acontecendo no Brasil. A minha presen\u00e7a aqui eu quero agradecer a Lava-Jato\u201d. Foi a senha para que parte do p\u00fablico come\u00e7asse as vaias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Tu N\u00e3o Engana de Novo&#8221;, a pr\u00f3xima can\u00e7\u00e3o que Vital cantou, tem versos como &#8220;Tu enganasse uma vez, mas n\u00e3o engana de novo&#8221; e &#8220;Tu foste desonesto com o povo que te elegeu&#8221;. Vital foi militante petista por muitos anos. Desiludiu-se com o partido (e teve suas raz\u00f5es) antes ainda de candidatar-se a uma vaga para representar sua Para\u00edba no Senado pelo PSOL. Agora mostra uma revolta grande contra o partido que ele considera que o traiu. Convic\u00e7\u00f5es \u00e0 parte, estando certo ou n\u00e3o em suas pr\u00f3prias verdades, Vital esqueceu por alguns momentos que era um artista, um cantador, e que pessoas pagaram caro para v\u00ea-lo cantar sua m\u00fasica. N\u00e3o fora ali para fazer discurso pol\u00edtico a favor de A ou de B, nem stand-up comedy, nem dar aula de matem\u00e1tica nem rezar sua missa. Vital desrespeitou o p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o p\u00fablico esqueceu que, antes de ser um cantador, Vital \u00e9 tamb\u00e9m uma pessoa, com suas opini\u00f5es, com a vida j\u00e1 vivida e a que ainda espera viver. Se a citada opera\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Federal \u00e9 parcial (s\u00f3 investiga pessoas relacionadas a um partido e faz vista-grossa a outros) ou se \u00e9 o Salvador da P\u00e1tria (assim mesmo, no masculino, como a novela), uma apologia ou uma cr\u00edtica n\u00e3o seriam motivo para que o artista fosse vaiado. Ningu\u00e9m vaiou quando Vital desrespeitou os ateus em seu disparo a esmo minutos antes (diferen\u00e7as religiosas agora at\u00e9 s\u00e3o toleradas, mas pol\u00edticas jamais, n\u00e3o \u00e9 mesmo?). O p\u00fablico (parte dele, fique isso claro) tamb\u00e9m desrespeitou Vital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E nessa guerra de desrespeito m\u00fatuo, entre vaias e aplausos, Vital n\u00e3o se conteve. &#8220;Esse pessoal que t\u00e1 vaiando \u00e9 do PT&#8221;, atacava no microfone. &#8220;Fora Temer. Fora Temer&#8221;, devolvia o p\u00fablico indignado. &#8220;Aqui \u00e9 um cidad\u00e3o. Eu pago a justi\u00e7a, o congresso e voc\u00eas tamb\u00e9m [pagam]&#8221;. Elomar, com mais anos vividos, tenta acalmar o amigo. &#8220;Vital, Vital&#8221;, e com sua experi\u00eancia e anos vividos, ergue a m\u00e3o para cima tentando mostrar autoridade parecendo um av\u00f4 em meio a uma briga de fam\u00edlia. Mas o filho-neto Vital, completamente fora de controle, ainda partia para o ataque pessoal (apenas em palavras \u2013 pelo menos isso) contra uma pessoa no p\u00fablico. &#8220;Voc\u00ea t\u00e1 \u00e9 b\u00eabo[sic]. V\u00e1-se embora&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A &#8220;Eu Pe\u00e7o Licen\u00e7a Pra Falar Alguma Coisa&#8221;, acudiu Xangai. &#8220;Cada um tem o direito de falar o que quer, as pessoas fazem um sacrif\u00edcio, saem de casa pra realizar esse desejo de nos ver. A minha obriga\u00e7\u00e3o \u00e9 dar um espet\u00e1culo pra essas pessoas. Ele [Vital] tem a opini\u00e3o dele, eu tenho a minha, mas jamais vou falar de pol\u00edtica num palco. Canta Geraldo, canta&#8221;. E &#8220;Dia Branco&#8221; apazigua os \u00e2nimos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 exatamente pelo sucesso, pelo menos n\u00e3o dessa vez, mas a m\u00fasica realmente foi um momento para acalmar os \u00e2nimos acirrados, as m\u00e3os tr\u00eamulas. Geraldo levanta e, em p\u00e9, improvisa enquanto o p\u00fablico canta a resposta aliviado. Segue-se a su\u00edte do S\u00e3o Francisco \u2013 &#8220;Barcarola do S\u00e3o Francisco&#8221; e &#8220;Caravana&#8221;, sem &#8220;Talism\u00e3&#8221; \u2013 e &#8220;Caravana&#8221;, a qual Xangai divide o vocal com Geraldo. &#8220;O Bolero de Isabel&#8221; tamb\u00e9m foi cantada antes de &#8220;Veja (Margarida)&#8221;, de Vital Farias, outra cantada a plenos pulm\u00f5es pelo p\u00fablico, at\u00e9 pelo sucesso com \u201cO Grande Encontro\u201d. O cantador parecia perdoado pelo rompante, mas ainda se ouvia &#8220;Golpista, golpista&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vital come\u00e7a a falar novamente: &#8220;Infelizmente estamos chegando ao fim&#8230;&#8221;. Geraldo j\u00e1 come\u00e7a a tocar e at\u00e9 a cantar \u2013 interrompendo o amigo (antes que ele ponha tudo a perder outra vez) e aparentemente impedindo outro discurso. O show se encaminha pro final. Xangai reedita o desafio inicial em uma breve reprise e parte para os agradecimentos. &#8220;Agradecemos ao povo do Cear\u00e1. Agradecemos ao povo que \u00e9 uma autoridade de conhecimento na m\u00fasica brasileira&#8221;. E os quatro cantam a nordestin\u00edssima &#8220;A Volta da Asa Branca&#8221;. Xangai lembrou que cantava tamb\u00e9m a m\u00fasica por causa da vers\u00e3o de Cristiano Pinho, guitarrista cearense. &#8220;Me fez chorar&#8221; <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/11\/21\/entrevista-xangai\/\" target=\"_blank\">ele havia confidenciado em entrevista dias antes<\/a>. Vital canta tamb\u00e9m &#8220;Acau\u00e3&#8221;, de Luiz Gonzaga. Teria sido um belo momento n\u00e3o fossem os \u00e2nimos ainda acirrados e uma nova tentativa de discurso ao final, &#8220;agradecendo \u00e0s pessoas que aqui est\u00e3o de uma forma muito carinhosa. As discuss\u00f5es que v\u00e3o acontecendo precisamos discutir&#8221;. Nova chuva de vaias. Elomar, que tinha sa\u00eddo novamente, chega. &#8220;Vamos, gra\u00e7as a Deus, pra gente terminar&#8221;, dizem os quatro e come\u00e7am &#8220;Cantiga de Amigo&#8221;. Deus, como os quatro tocam. Somos levados \u00e0 Casa dos Carneiros, onde mora Elomar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fim de show. Fim de concerto. Fim de espet\u00e1culo. Fim do desafio do alto do Centro de Eventos, mas os \u00e2nimos est\u00e3o acirrados demais para que todo mundo v\u00e1 em paz para casa. Xangai ainda tenta fazer um merchandising, mas a gritaria &#8220;Fora Temer, fora Temer&#8221; se faz ouvir mais alto. Geraldo Azevedo, com os punhos para o ar, acompanhava os gritos de Fora Temer. Ele e Xangai tinham-se mostrado \u00edntegros, convictos de suas opini\u00f5es, mas respeitaram o p\u00fablico e foram respeitados por ele. Eles e os presentes que souberam se comportar, mesmo sem concordar com Vital Farias, merecem elogios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois do show, toda sorte de coment\u00e1rios foram tecidos (adivinha onde?) nas redes sociais. Muitos injustos. De reclama\u00e7\u00f5es acerca da postura de Vital Farias ao som do local e aos fatos j\u00e1 relatados aqui. A respeito do som. E entre vivos, mortos e mortos vivos, 25 can\u00e7\u00f5es foram executadas na \u00edntegra ou enxertadas em medleys numa noite \u2013 de diferen\u00e7as pol\u00edticas e boa m\u00fasica \u2013 que vale ser reprisada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Setlist<br \/>\n1. Desafio do Alto da Catingueira \/ Novena<br \/>\n2. Matan\u00e7a<br \/>\n3. Quadrada das \u00c1guas Perdidas<br \/>\n4. Saga da Amaz\u00f4nia<br \/>\n5. Semente de Ad\u00e3o<br \/>\n6. A Pedra e o Linho<br \/>\n7. O Menino e os Carneiros<br \/>\n8. Cantiga do Boi Encantado<br \/>\n9. &#8220;Missa dos Agricultores&#8221;<br \/>\n10. Senhor, tende piedade de n\u00f3s<br \/>\n11. Chorando e Cantando<br \/>\n12. Estampas Eucalol<br \/>\n13. Campo Branco<br \/>\n14. Tu n\u00e3o engana de novo<br \/>\n15. Dia Branco<br \/>\n16. Barcarola do S\u00e3o Francisco \/ Caravana<br \/>\n17. O Bolero de Isabel<br \/>\n18. Veja (Margarida)<br \/>\n19. Ai Que Saudade d&#8217;Oc\u00ea<br \/>\n20. Desafio do Alto da Catingueira (reprise\/encerramento)<br \/>\n21. A Volta da Asa Branca \/ Acau\u00e3<br \/>\n22. Cantiga de Amigo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/cantoria1.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Daniel Tavares (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/daniel.tavares.96343\" target=\"_blank\">Facebook<\/a>) \u00e9 jornalista e mora em Fortaleza.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Elomar, Geraldo Azevedo, Vitor Farias e Xangai tocam 25 can\u00e7\u00f5es numa noite de diferen\u00e7as pol\u00edticas e boa m\u00fasica em Fortaleza\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/12\/14\/cantoria-ao-vivo-em-fortaleza\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":10,"featured_media":41355,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1471,1539,1540,1541,1470],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41354"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/10"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41354"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41354\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":41358,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41354\/revisions\/41358"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/41355"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41354"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41354"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41354"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}