{"id":41286,"date":"2016-12-06T15:21:59","date_gmt":"2016-12-06T17:21:59","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=41286"},"modified":"2017-03-10T10:18:52","modified_gmt":"2017-03-10T13:18:52","slug":"entrevista-o-duo-canadense-les-deuxluxes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/12\/06\/entrevista-o-duo-canadense-les-deuxluxes\/","title":{"rendered":"Entrevista: Les Deuxluxes (Canad\u00e1)"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\">Renan Guerra<\/a><br \/>\nColabora\u00e7\u00e3o <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/nycolas.ribeiro\" target=\"_blank\">Nycolas Ribeiro <\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A dupla canadense Les Deuxluxes est\u00e1 rodando pela primeira vez pela Am\u00e9rica Latina e traz no bolso seu disco de estreia, \u201c<a href=\"https:\/\/deuxluxes.bandcamp.com\/releases\" target=\"_blank\">Springtime Devil<\/a>\u201d (2016), trabalho que mescla rock, country e uma boa quantidade de glitter e paet\u00ea. Ainda quase desconhecidos por aqui, os dois trabalham na constru\u00e7\u00e3o de uma identidade bem espec\u00edfica, numa busca direta por apresentar-se como artistas e vender esse universo quase de magia. Para isso, Etienne Barry e Anna Frances Meyer tem um olhar curioso sobre o passado: glam rock, casacos de franjas e Dolly Parton misturam-se de forma natural a refer\u00eancias do hip-hop, do rock alternativo e da m\u00fasica pop.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa busca, o disco \u201cSpringtime Devil\u201d re\u00fane uma for\u00e7a e uma delicadeza capaz de lev\u00e1-los longe. Com can\u00e7\u00f5es que falam sobre amores, juventude e qualquer outro tema cl\u00e1ssico do rock, Les Deuxluxes conseguem trazer divers\u00e3o e entusiasmo naquilo que a um primeiro momento poderia parecer mais do mesmo. E \u00e9 isso que eles trar\u00e3o ao Brasil: Les Deuxluxes se apresentam em S\u00e3o Paulo no dia 10 de dezembro, na Noite Canadense, que ocorrer\u00e1 no Centro Cultural Rio Verde. Parte da Semana Internacional de M\u00fasica \u2013 SIM SP, a dupla se apresentar\u00e1 ao lado das bandas conterr\u00e2neas Chocolat, Foreign Diplomats e Randon Recipe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s conversamos com eles via e-mail, quando eles j\u00e1 estavam viajando pela Am\u00e9rica do Sul, e falamos sobre rock, moda, expectativas e representatividade feminina. Confira abaixo:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/jmS0HaehUpg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Duas guitarras, uma bateria e apenas dois integrantes. Essa n\u00e3o \u00e9 uma forma\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica de uma banda de rock, em que momento voc\u00eas decidiram por esse formato? Ali\u00e1s, Etienne, como voc\u00ea desenvolveu a coordena\u00e7\u00e3o motora para tocar bateria e ainda ter a guitarra sempre ali a postos?<\/strong><br \/>\nPor que essa forma\u00e7\u00e3o? Por que isso \u00e9 tudo que precisa para fazer rock\u2019n\u2019roll! Tudo esta presente: a batida, a guitarra r\u00edtmica, a guitarra principal e os vocais. Esta \u00e9 apenas uma vers\u00e3o mais compacta da cl\u00e1ssica forma\u00e7\u00e3o de uma banda de rock de quatro instrumentos. Tudo surgiu naturalmente com a gente tentando ser o mais eficiente musicalmente poss\u00edvel. Quanto \u00e0 coordena\u00e7\u00e3o motora, \u00e9 realmente como tocar bateria, mas ao inv\u00e9s das baquetas, eu uso a guitarra!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas se utilizam tanto de refer\u00eancias de rock cl\u00e1ssico como de m\u00fasica country. O que voc\u00eas escutam e utilizam como refer\u00eancia para a banda?<\/strong><br \/>\nN\u00f3s somos verdadeiramente apaixonados por m\u00fasica e ouvimos quase todos os estilos. Gostamos de m\u00fasica Disco da mesma forma que gostamos de Gangsta Rap. O jeito que trabalhamos \u00e9 alinhar algum aspecto de qualquer estilo de m\u00fasica que possa nos interessar (pode ser um efeito na voz, um tom de guitarra) e isso \u00e9 o suficiente para nos inspirar. Atualmente estamos ouvindo muito o som das bandas de nossos amigos de Quebec, como Les H\u00f4tesses d\u2019Hilaire, Les Hay Babies ou Gazoline, assim como artistas cl\u00e1ssicos, como Dolly Parton, Willie Nelson e ABBA.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A est\u00e9tica da banda \u00e9 uma parte fundamental do conceito criado em torno da m\u00fasica e voc\u00eas utilizam coisas que n\u00e3o est\u00e3o diretamente ligadas ao rock. Nesse sentido, o que inspira voc\u00eas na cria\u00e7\u00e3o desse visual?<\/strong><br \/>\nSomos inspirados pelo glamour old school e showmanship. Acreditamos que o visual \u00e9 uma parte importante do nosso show e da nossa identidade enquanto uma banda. Liberace, Little Richard ou Tina Turner jamais subiriam no palco vestindo uma cal\u00e7a jeans e uma camiseta, porque o figurino tamb\u00e9m \u00e9 uma grande parte da qualidade de um show. Al\u00e9m disso, adoramos roupas no estilo funky e estamos sempre buscando por pe\u00e7as especiais quando estamos em turn\u00ea. Nossa maior influencia vem do look cl\u00e1ssico do rock, o glamour das bandas dos anos 70 e o cl\u00e1ssico strass de cowboy. N\u00f3s amamos tudo que brilha!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dos anos 2000 pra c\u00e1, o jornalismo musical n\u00e3o pode ver uma dupla homem + mulher que j\u00e1 quer fazer compara\u00e7\u00f5es com o The White Stripes ou mesmo com o The Kills. Voc\u00eas acham inc\u00f4modo esse tipo de compara\u00e7\u00e3o? E esses artistas s\u00e3o influ\u00eancias para voc\u00eas?<\/strong><br \/>\n\u00c9 comum surgir essa compara\u00e7\u00e3o com o White Stripes e The Kills, mas n\u00e3o nos incomoda muito porque historicamente n\u00e3o existem muitas bandas de duas pessoas formadas por um homem e uma mulher. Essa ainda \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o menos explorada no rock. Entretanto, a compara\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 muito coerente, porque apesar de gostarmos do The Kills e White Stripes, n\u00f3s n\u00e3o baseamos nossa m\u00fasica no que eles fazem. Gostamos de pensar que nosso som vem das mesmas referencias deles. N\u00f3s provavelmente ouvimos muito as mesmas m\u00fasicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As discuss\u00f5es sobre as representa\u00e7\u00f5es do corpo feminino s\u00e3o bastante acaloradas atualmente, por\u00e9m fica bem claro que a Anna n\u00e3o tem nenhum problema com suas curvas, ent\u00e3o essa pergunta \u00e9 para ela: voc\u00ea j\u00e1 teve problemas em lidar com o seu corpo? Como voc\u00ea acha que a m\u00fasica, e o rock principalmente, s\u00e3o importantes para desmistificar esses padr\u00f5es?<\/strong><br \/>\n[Anna] Eu tive sorte de crescer em um lar que meu deu apoio. Meus pais nunca me colocaram deliberadamente em ambientes que fossem prejudiciais \u00e0 minha autoestima. Meu tamanho nunca foi um ponto que gerava stress ou infelicidade. Eu costumava ser bem mais magra, mas fazer turn\u00ea n\u00e3o nos permite fazer refei\u00e7\u00f5es saud\u00e1veis com frequ\u00eancia ou exerc\u00edcios f\u00edsicos, uma vez que estamos sempre nos preparando para o pr\u00f3ximo destino, e meu corpo obviamente mudou com essa rotina. Em um mundo que parece estar mais e mais r\u00edgido, polido e de cabelos escovados, \u00e9 importante desafiar as percep\u00e7\u00f5es das pessoas \u00e0s colocando frente \u00e0 diversidade. Para mulheres jovens como eu, \u00e9 especialmente importante verem pessoas de diferentes tamanhos se orgulhando de tudo que t\u00eam e se exibindo publicamente. Tudo! As pessoas est\u00e3o muito preocupadas com o espa\u00e7o que as mulheres est\u00e3o ocupando, seja sobre o que elas est\u00e3o vestindo ou como elas est\u00e3o se vestindo, ou se s\u00e3o grandes ou pequenas ou se s\u00e3o barulhentas. Eu amo a Beyonc\u00e9, mas n\u00e3o tenho nada em comum com ela. As \u201cmulheres fortes\u201d famosas que admiramos na m\u00fasica t\u00eam muito dinheiro para investir nelas mesmas, e elas t\u00eam lindos squads, personal trainers e cirurgias. Esse n\u00e3o \u00e9 um padr\u00e3o de beleza que \u00e9 muito acess\u00edvel \u00e0 maioria das pessoas, e ainda assim n\u00f3s devemos nos sentir belos e aceitar como n\u00f3s somos mesmo que n\u00e3o tenhamos tudo isso. Acredito que o rock pode ser um poderoso canal para trazer essas mudan\u00e7as, porque \u00e9 simplesmente sobre se divertir e n\u00e3o se preocupar com o que as pessoas pensam sobre voc\u00ea, em ser forte e refor\u00e7ar sua presen\u00e7a. Tamb\u00e9m acredito que as pessoas t\u00eam muito mais a oferecer do que apenas seus corpos. Eu quero que a minha m\u00fasica seja t\u00e3o confiante quanto como eu me apresento. Quero ser a mudan\u00e7a positiva que eu gostaria de ver: se eu sendo eu mesma no palco e aproveitando tudo \u00e9 algo que far\u00e1 a diferen\u00e7a para outras mulheres, ent\u00e3o \u00e9 isso que farei!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essa \u00e9 a primeira vez que voc\u00eas est\u00e3o fazendo uma turn\u00ea pela Am\u00e9rica Latina? Como tem sido essa viagem?<\/strong><br \/>\nEssa \u00e9 a PRIMEIRA vez que estamos fazendo uma turn\u00ea fora da Am\u00e9rica do Norte! At\u00e9 agora estamos amando aqui. Todo mundo tem sido muito gentil e parceiro. As pessoas parecem gostar do que n\u00f3s fazemos. N\u00f3s adorar\u00edamos voltar aqui quando pudermos!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A pergunta clich\u00ea: voc\u00eas escutam m\u00fasica brasileira? H\u00e1 algum artista que voc\u00eas s\u00e3o f\u00e3s e gostariam de encontrar por aqui?<\/strong><br \/>\n[Etienne] Eu sou f\u00e3 d\u2019Os Mutantes desde que eu era adolescente e a Anna Frances gosta muito de Vanessa da Mata e Seu Jorge, mas com exce\u00e7\u00e3o da bossa nova dos anos 60 e m\u00fasicas de samba que s\u00e3o bem famosas na Am\u00e9rica do Norte, temos que admitir que nosso conhecimento da m\u00fasica brasileira \u00e9 bem limitado. Entretanto, estamos aqui para conhecer mais! Todas as sugest\u00f5es s\u00e3o bem-vindas!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/qfxuatkb2UA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\">Renan Guerra<\/a> \u00e9 jornalista e colabora com o sites <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/YouMeDancin\" target=\"_blank\">You! Me! Dancing!<\/a> e Scream &amp; Yell. A foto que abre o texto \u00e9 de <span tabindex=\"0\" data-ft=\"{&quot;tn&quot;:&quot;K&quot;}\"><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/franklamphotography\/\" target=\"_blank\" data-hovercard-prefer-more-content-show=\"1\" data-hovercard=\"\/ajax\/hovercard\/page.php?id=212559415620022&amp;extragetparams=%7B%22directed_target_id%22%3A0%7D\">Frank Lam Photography<\/a><\/span> \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Essa \u00e9 a PRIMEIRA vez que estamos fazendo uma turn\u00ea fora da Am\u00e9rica do Norte! 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