{"id":41276,"date":"2016-12-06T18:16:46","date_gmt":"2016-12-06T20:16:46","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=41276"},"modified":"2017-03-16T10:25:25","modified_gmt":"2017-03-16T13:25:25","slug":"entrevista-os-velhos-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/12\/06\/entrevista-os-velhos-portugal\/","title":{"rendered":"Entrevista: Os Velhos (Portugal)"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/woorman\" target=\"_blank\">Pedro Salgado, de Lisboa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O come\u00e7o d\u00b4Os Velhos remonta a 2006, quando quatro colegas do Col\u00e9gio S\u00e3o Jo\u00e3o de Brito, em Lisboa, se juntaram pelo amor \u00e0 m\u00fasica, tocando vers\u00f5es de Jack Johnson, White Stripes e Red Hot Chilli Peppers, entre outros. A designa\u00e7\u00e3o da banda deve-se a uma ideia global de rudeza que o grupo associou ao nome Os Velhos e que mais tarde se definiria no seu trajeto. A sintonia com Manuel F\u00faria (fundador do selo Amor F\u00faria) resultou na grava\u00e7\u00e3o do primeiro trabalho da banda, o EP \u201cOs Velhos\u201d, de 2009.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dois anos mais tarde, Francisco Xavier (vocalista e guitarrista), Pedro Lucas (baterista), Sebasti\u00e3o Ribeiro (baixista) e Z\u00e9 Tavares (guitarrista) lan\u00e7aram um magn\u00edfico \u00e1lbum hom\u00f4nimo de estreia. Nele, o grupo lisboeta enveredou por um punk dan\u00e7\u00e1vel e luminoso, do qual se destacaram as faixas \u201cConserva\u00e7\u00e3o dos Pregos\u201d, \u201cDeixa-me Dan\u00e7ar\u201d e \u201cSenhora do Monte\u201d. Mais seguros das suas capacidades e propagando shows celebrat\u00f3rios, Os Velhos deixaram a sua marca na emergente cena musical portuguesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo da conversa com Francisco Xavier e o tecladista Frederico Albuquerque (que entrou no grupo ap\u00f3s a sa\u00edda de Z\u00e9 Tavares) num caf\u00e9 lisboeta, a dupla revela simpatia e uma total despreocupa\u00e7\u00e3o relativamente ao percurso da banda. <a href=\"https:\/\/velhos.bandcamp.com\/album\/velhos\" target=\"_blank\">No novo disco hom\u00f4nimo<\/a>, Os Velhos apostaram numa folk-rock relaxante, com influ\u00eancias de Bob Dylan, Tom Petty e at\u00e9 do southern rock dos Black Crowes. Questionado sobre uma eventual incompreens\u00e3o \u00e0 nova sonoridade por parte de alguns f\u00e3s da fase roqueira, Francisco Xavier revela uma postura firme: \u201cNormalmente n\u00e3o esperamos nada de especial em troca, apenas lan\u00e7amos o disco, ele rola e as classifica\u00e7\u00f5es que lhe atribuem s\u00e3o secund\u00e1rias para n\u00f3s\u201d, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No show de apresenta\u00e7\u00e3o na Musicbox, a 17 de Novembro, a comunh\u00e3o entre o p\u00fablico e a banda foi total. Temas como \u201cPreta\u201d, \u201cEstrada Branca\u201d ou \u201cToda\u201d revelaram uma for\u00e7a l\u00edrica e intensidade musical not\u00e1veis, traduzindo uma ideia de liberdade individual que foi recebida com a mesma aclama\u00e7\u00e3o das faixas mais antigas. Relativamente ao posicionamento na nova cena musical portuguesa, o grupo assume a sua autonomia em face do movimento e prefere destacar outros aspectos. \u201cOs Velhos n\u00e3o fazem distin\u00e7\u00e3o entre m\u00fasica portuguesa, anglo-sax\u00f4nica ou outra. Interessa-nos mais se a m\u00fasica nos marca ou traz coisas boas\u201d, explica Francisco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre o futuro do grupo, a perspectiva \u00e9 cautelosa. \u201cPara fazermos este disco demoramos muito tempo, porque temos outra atividade profissional. Assim sendo, a nossa previs\u00e3o \u00e9 que ser\u00e1 cada vez mais dif\u00edcil fazermos ensaios e compor muitas can\u00e7\u00f5es\u201d, afirma Frederico Albuquerque. De Lisboa para o Brasil, Os Velhos conversaram com o Scream &amp; Yell. Confira:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/kGqXBEGbDiM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Porque demoraram cinco anos para gravar um novo disco?<\/strong><br \/>\nGeralmente, n\u00e3o damos nomes aos discos, mas, por vezes, falar de um novo disco hom\u00f4nimo soa um bocado confuso (risos). Isso aconteceu por duas raz\u00f5es, por um lado ocupamos a maior parte do tempo estudando e agora trabalhando juntos como arquitetos. Fazemos m\u00fasica porque \u00e0 parte da nossa vida normal gostamos de m\u00fasica e habitu\u00e1mo-nos a tocar durante v\u00e1rios anos. Por outro lado, quando surgem alguns temas que estejam terminados e justifiquem o lan\u00e7amento de um disco dedicamo-nos a isso e foi o que aconteceu com o novo \u00e1lbum. Como temos outra ocupa\u00e7\u00e3o profissional, o processo musical fica mais lento e s\u00f3 nos dedicamos \u00e0 m\u00fasica no ritmo que interessa ao grupo. Fundamentalmente n\u00e3o t\u00ednhamos a certeza se far\u00edamos este disco nem sabemos se faremos outro, mas somos aut\u00f4nomos relativamente aos calend\u00e1rios editoriais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O novo disco hom\u00f4nimo apresenta uma mudan\u00e7a relativa ao trabalho anterior. Porque voc\u00eas substitu\u00edram a energia do punk por um folk-rock mais calmo?<\/strong><br \/>\nNa realidade, n\u00e3o houve uma op\u00e7\u00e3o consciente de seguir essa via. Foram aparecendo algumas m\u00fasicas e outras ficaram para tr\u00e1s e na sele\u00e7\u00e3o musical apostamos nas can\u00e7\u00f5es de que gost\u00e1vamos mais. Os temas com que nos relacion\u00e1vamos melhor acabaram por ser os mais calmos. Existem diferen\u00e7as n\u00edtidas entre os dois discos e aquilo que mais nos interessava no outro \u00e1lbum manteve-se neste trabalho com diferentes instrumentos, estruturas e tempos musicais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As faixas \u201cManso\u201d e \u201cEstrada Branca\u201d impressionaram-me pela intensidade e emotividade. Foi essa a raz\u00e3o pela qual as escolheram como singles?<\/strong><br \/>\nAs primeiras m\u00fasicas lan\u00e7adas foram as que estavam prontas. O disco foi gravado em duas sess\u00f5es de dois dias separados por alguns meses. A primeira sess\u00e3o teve seis can\u00e7\u00f5es e a segunda teve tr\u00eas. Nesse sentido, come\u00e7\u00e1mos a lan\u00e7ar m\u00fasicas no final do ano passado e \u201cAberta Nova\u201d foi o primeiro tema que liberamos e tivemos de escolher entre as seis primeiras e o \u201cManso\u201d nem sequer estava conclu\u00eddo nessa altura. A raz\u00e3o pela qual sa\u00edram os singles \u201cAberta Nova\u201d e depois \u201cEstrada Branca\u201d foi por serem as can\u00e7\u00f5es que tinham mais for\u00e7a para sair naquele momento. A maneira como fazemos as coisas n\u00e3o implica nenhum calculismo nem pretende obter resultados. Tamb\u00e9m pensamos em avan\u00e7ar com as faixas mais simb\u00f3licas para que o p\u00fablico compreendesse o que est\u00e1vamos fazendo. Por isso, essas can\u00e7\u00f5es sintetizam melhor o sentido do disco, como \u00e9 o caso de \u201cManso\u201d e talvez n\u00e3o sejam t\u00e3o extremadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A edi\u00e7\u00e3o de \u201cOs Velhos\u201d coincide com o encerramento do selo Amor F\u00faria. Que balan\u00e7o fazem da vossa parceria?<\/strong><br \/>\nFazemos um balan\u00e7o positivo. Basicamente, o nosso envolvimento com a Amor F\u00faria coincidiu com o momento em que prepar\u00e1vamos o nosso EP \u201cOs Velhos\u201d, de 2009, bem como o in\u00edcio de atividade desse selo. N\u00f3s j\u00e1 conhec\u00edamos o Manuel F\u00faria e houve logo um sincronismo de vontades. Eles queriam gravar e n\u00f3s pretend\u00edamos lan\u00e7ar a nossa m\u00fasica. Na pr\u00e1tica, a Amor F\u00faria inclu\u00eda tr\u00eas ou quatro pessoas com quem fomos estabelecendo rela\u00e7\u00f5es de amizade e isso era o mais importante para Os Velhos. Uma vez que era um selo independente, n\u00e3o profissionalizado e constitu\u00eddo por amigos, ajudou a desenvolver o processo musical. No que diz respeito \u00e0s atividades da banda, houve uma melhor promo\u00e7\u00e3o para shows e presen\u00e7a na r\u00e1dio, que provavelmente ter\u00edamos mais dificuldade de executar se a fiz\u00e9ssemos sozinhos. O nosso primeiro \u00e1lbum foi gravado pelo t\u00e9cnico de som Jos\u00e9 Fortes (que gravou com os Her\u00f3is do Mar, Rui Veloso e Jorge Palma). N\u00f3s quer\u00edamos ter um som de sala e garagem e a capacidade de concretiza\u00e7\u00e3o da Amor F\u00faria possibilitou que o Fortes montasse o seu est\u00fadio ambulante em nossa casa. O mais importante da rela\u00e7\u00e3o com a Amor F\u00faria foram as rela\u00e7\u00f5es que criamos e embora eles tenham terminado, os seus integrantes continuam ativos e trabalhando na \u00e1rea musical.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No show de apresenta\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum, os f\u00e3s cantaram as vossas can\u00e7\u00f5es como se estivessem entoando hinos. Esta devo\u00e7\u00e3o ainda vos surpreende?<\/strong><br \/>\nRelativamente a Os Velhos esperamos que n\u00e3o seja devo\u00e7\u00e3o (risos). O sinal mais importante \u00e9 que as pessoas gostam do disco e identificam-se com ele. N\u00e3o sabemos dizer a raz\u00e3o pela qual fazemos m\u00fasicas, mas acaba por ser uma necessidade. Uma coisa \u00e9 certa, fazemos can\u00e7\u00f5es com as quais nos relacionamos. S\u00e3o importantes para n\u00f3s e como representam algo de profundo e forte, por vezes nem s\u00e3o confort\u00e1veis de tocar ao vivo. A melhor coisa que os temas podem propor \u00e9 um encontro entre a banda e os f\u00e3s nesse lugar \u00edntimo, embora n\u00e3o pensemos nas pessoas quando compomos. No show da Musicbox exibimos a nossa rela\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica e n\u00e3o falamos muito com o p\u00fablico. E n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de statement ou estilo, talvez seja apenas timidez. Quem quiser tirar algo da atua\u00e7\u00e3o \u00e9 livre de o fazer e esperamos que n\u00e3o extraia uma conclus\u00e3o negativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Gostariam de deixar uma mensagem para os leitores do Scream &amp; Yell?<\/strong><br \/>\nEsperamos que as nossas m\u00fasicas possam trazer algo de bom \u00e0s pessoas que nos escutarem no Brasil e, para isso, elas v\u00e3o ter de fazer um esfor\u00e7o de compreens\u00e3o do nosso portugu\u00eas (risos). Gostar\u00edamos de ir ao Brasil e acreditamos que isso \u00e9 poss\u00edvel. Houve uma \u00e9poca em que escut\u00e1vamos Los Hermanos e at\u00e9 j\u00e1 nos cruzamos com o Marcelo Camelo em Lisboa, mas n\u00e3o conhecemos muito bem o seu trajeto solo. No entanto, o Pedro Lucas (baterista) \u00e9 um grande conhecedor de m\u00fasica brasileira e est\u00e1 atento \u00e0s novidades.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DWWrgyG7Wh8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Pedro Salgado (siga <a href=\"http:\/\/twitter.com\/woorman\" target=\"_blank\">@woorman<\/a>) \u00e9 jornalista, reside em Lisboa e colabora com o Scream &amp; Yell contando novidades da m\u00fasica de Portugal. Veja outras entrevistas de Pedro Salgado <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/portugal\/\" target=\"_blank\">aqui<\/a>. A foto que abre o texto \u00e9 de David Caetano \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;N\u00e3o sabemos dizer a raz\u00e3o pela qual fazemos m\u00fasicas, mas acaba por ser uma necessidade&#8221;, avisam os lisboetas. \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/12\/06\/entrevista-os-velhos-portugal\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":7,"featured_media":41293,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1503,47],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41276"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41276"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41276\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":41278,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41276\/revisions\/41278"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/41293"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41276"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41276"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41276"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}