{"id":41095,"date":"2016-11-22T09:06:29","date_gmt":"2016-11-22T11:06:29","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=41095"},"modified":"2017-02-01T11:10:41","modified_gmt":"2017-02-01T13:10:41","slug":"entrevista-noporn","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/11\/22\/entrevista-noporn\/","title":{"rendered":"Entrevista: NoPorn"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\">Renan Guerra<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 faz 10 anos que o <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/noporn.musica\/\" target=\"_blank\">NoPorn<\/a> lan\u00e7ou seu primeiro disco, registro sobre a noite de S\u00e3o Paulo, olhar sedutor sobre uma gera\u00e7\u00e3o banhada em paet\u00eas e electroclash, poesia cantada para coreografias poderosas. Aquilo que parecia algo de um nicho espec\u00edfico foi ganhando significados m\u00faltiplos nessa \u00faltima d\u00e9cada. Uma nova gera\u00e7\u00e3o, dessas que j\u00e1 cresceu em frente ao computador, foi descobrindo sua sexualidade e sua liberdade ao som de faixas do NoPorn.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de uma d\u00e9cada, o NoPorn era quase algo m\u00edtico da noite de S\u00e3o Paulo dos anos 2000, uma refer\u00eancia cl\u00e1ssica no universo gay e uma trilha sonora constante para monta\u00e7\u00f5es. Nessa atual dicotomia \u2013 entre liberdade sexual e de g\u00eanero e um fortalecimento do conservadorismo religioso dentro da pol\u00edtica \u2013, Liana Padilha e Luca Lauri resolveram expor sua \u201cBoca\u201d, segundo e provocativo disco do duo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Produzido entre Rio (morada de Liana) e S\u00e3o Paulo (morada de Luca), \u201cBoca\u201d fala sobre encontros distintos, amores quase auto-destrutivos e sexualidade \u00e0 flor da pele, tudo com camadas e camadas de sintetizadores, que fazem a cama para a voz provocativa de Liana, em seu spoken word quase lit\u00fargico. Para entender o que motivou esse retorno, os novos caminhos e as mudan\u00e7as do NoPorn, leia a nossa entrevista com a dupla:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/pZj0Qu7UL_k?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Foram dez anos de hiato, nesse meio tempo voc\u00eas j\u00e1 deixaram claro que seguiram produzindo e compondo, mas quais as circunst\u00e2ncias levaram ao lan\u00e7amento de um segundo disco apenas agora?<\/strong><br \/>\nLiana \u2013 Acho que foi um conjunto de fatores&#8230; Vemos o Noporn como um projeto de arte, teatro e m\u00fasica. Pra mim sempre foi importante escrever sobre a \u00e9poca que a gente vive e ter o que falar (uma hist\u00f3ria, uma sinopse). O Luca sempre pesquisou e estudou m\u00fasica, \u00e9 DJ. Acho que se tiv\u00e9ssemos feito outro trabalho logo ap\u00f3s o primeiro, seria repetitivo, ainda est\u00e1vamos na mesma dobra espa\u00e7o-tempo. Agora j\u00e1 temos um distanciamento, \u00e9 um outro momento, uma outra onda. Fizemos outras coisas nesse intervalo, eu voltei pro Rio de janeiro, depois de 20 anos morando em SP, sou artista pl\u00e1stica e comecei a fazer trabalhos de arte sonora. O Luca continuou tocando, eu sempre escrevi muito e mandava coisas pra ele, fizemos algumas trilhas e m\u00fasicas. Quando eu voltei pro Rio, vi que tinha uma cena forte eletr\u00f4nica, bem livre, que aceitava outras sonoridades e que conhecia o NoPorn. No ano passado, o povo do Drag-se fez um clipe de \u201cSonia\u201d, teve o filme \u201c<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Tk07bt6iWGU\" target=\"_blank\">Beira-Mar<\/a>\u201d que resgatou [a faixa] \u201cXingu\u201d e uma leva de pessoas que eram crian\u00e7as na \u00e9poca do primeiro disco come\u00e7ou a curtir. E fizemos um show na Festa REBOLA, que foi meio divisor pra gente sentir que tinha um p\u00fablico querendo ouvir nossas hist\u00f3rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nesse meio tempo, o NoPorn se tornou um \u00edcone underground, criando uma nova rela\u00e7\u00e3o com um p\u00fablico jovem que nem frequentava a noite naquela \u00e9poca (eu mesmo tinha apenas 13 anos quando o primeiro disco foi lan\u00e7ado e morava no interior do Rio Grande do Sul, mesmo assim o disco fez parte da minha forma\u00e7\u00e3o musical e est\u00e9tica). Isso foi um pontap\u00e9 para esse retorno?<\/strong><br \/>\nLiana \u2013 Quanto mais careta \u00e9 o momento do mundo, mais precisamos de escapes e de festas. A comunidade Gay sempre soube disso e sempre soube rir de si mesma. A liberdade do corpo \u00e9 uma arma muito poderosa. A comunica\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da m\u00fasica e das palavras tamb\u00e9m. O NoPorn \u00e9 uma troca, uma Boca querendo falar pra quem quiser ouvir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Outra coisa que, como f\u00e3, me deixou doido foi ver a <a href=\"https:\/\/globoplay.globo.com\/v\/4880267\/\" target=\"_blank\">Fernanda Lima cantando &#8220;Baile de Peruas&#8221; no Amor &amp; Sexo<\/a>, da Rede Globo. Como voc\u00eas reagiram a isso, foi divertido?<\/strong><br \/>\nLiana \u2013 Foi lindo, \u201cBaile de Peruas\u201d \u00e9 especial, \u00e9 um hino ao excesso de julgamento sobre o trabalho alheio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O primeiro disco do NoPorn \u00e9 um reflexo muito forte de uma \u00e9poca e de uma cena noturna de SP, na hora de lan\u00e7ar um novo disco voc\u00eas n\u00e3o ficaram receosos de repetir f\u00f3rmulas ou mesmo cair em chav\u00f5es datados?<\/strong><br \/>\nLiana \u2013 Foi tudo bem org\u00e2nico, gostamos de pensar no disco como um filme, uma hist\u00f3ria de amor, com come\u00e7o, meio e fim. Como todas as hist\u00f3rias de amor&#8230; A gente cria com muita facilidade junto e agora, temos outras cenas, outros atores e outras hist\u00f3rias pra contar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em &#8220;Boca&#8221;, o sexo e a sexualidade aparecem de formas complexas, relacionadas tamb\u00e9m as discuss\u00f5es sobre aceita\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia, liberdade, esse foi um caminho que voc\u00eas buscavam ou que surgiu de forma natural durante a produ\u00e7\u00e3o do disco?<\/strong><br \/>\nLiana \u2013 Foi tudo natural, falamos dos assuntos que est\u00e3o na nossa pauta afetiva, sexo, aceita\u00e7\u00e3o, ci\u00fame, viol\u00eancia e um estado escravizado que s\u00f3 a paix\u00e3o \u00e9 capaz de fazer com o ser humano, coisas que n\u00f3s e nossos amigos vivem, sobre car\u00eancia, solid\u00e3o e necessidades f\u00edsicas. A gente faz umas jams, o Luca vai criando a atmosfera e eu vou lendo e adaptando os textos, o que a gente gosta, trabalhamos at\u00e9 virar m\u00fasica. V\u00e1rias m\u00fasicas ficaram fora desse \u00e1lbum, talvez a gente lance depois como singles.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/16-5HulXRaQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nesse novo lan\u00e7amento h\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o visual grande: voc\u00eas j\u00e1 lan\u00e7aram v\u00e1rios clipes e buscam uma identidade art\u00edstica bem marcante, essa era uma vontade de voc\u00eas: poder lan\u00e7ar um trabalho que viesse ancorado numa linha est\u00e9tica bem forte, que marcasse a atualidade do NoPorn?<\/strong><br \/>\nLiana \u2013 Sim, sempre misturamos, sou artista pl\u00e1stica e o Luca \u00e9 designer. No primeiro \u00e1lbum tamb\u00e9m tinha essa busca, tivemos a sorte de ter o Fernando Zarif, um grande artista e amigo, que morreu precocemente, e que fez toda a arte e a capa. Neste, desde o in\u00edcio, associamos as m\u00fasicas com imagens. Os desenhos e pinturas s\u00e3o meus e a arte gr\u00e1fica \u00e9 do Luca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco conta com in\u00fameras participa\u00e7\u00f5es e refer\u00eancias, o que at\u00e9 poder\u00edamos chamar de uma &#8220;marca NoPorn&#8221;, pois o primeiro disco era constru\u00eddo quase como um emaranhado de di\u00e1logos com outras frentes. Isso \u00e9 uma forma de produzir que voc\u00eas desenvolveram ou surgiu de uma necessidade natural de criar essa conversa entre as refer\u00eancias de voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nLiana \u2013 O primeiro disco tinha um roteiro de colagens e uma hist\u00f3ria de amor e de perda, era mais \u00edntimo, como um segredo. O segundo saiu essa coisa mais safada, mais solta, p\u00f3s gay. Na real a gente vai fazendo e cria uma p\u00f3s sinopse do que vai sendo feito, muito \u00e9 improvisado, sentido, n\u00e3o pensamos: \u201cah, vamos fazer uma m\u00fasica falando disso, etc.\u201d N\u00e3o, a m\u00fasica e a letra se criam atrav\u00e9s de n\u00f3s. N\u00f3s somos o Cavalo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando em refer\u00eancias, certamente nesses 10 anos muitas coisas mudaram a forma de ambos visualizarem o mundo, o que tem influenciado o NoPorn atualmente e o que disso tudo ressoou no disco?<\/strong><br \/>\nLiana \u2013 Tenho pensado muito em liberdades individuais e coletivas, vidas simult\u00e2neas, experi\u00eancias espirituais, corpos livres, amores paralelos, tanta coisa que passa pelo corpo e as formas de demonstrarmos esse afeto fisicamente, politicamente, de forma \u00fanica e ao mesmo tempo comum a todos. O porqu\u00ea do sexo e da sexualidade ainda serem tabu? O porqu\u00ea da viol\u00eancia ser melhor aceita que a sexualidade? Por que uma pessoa acha que pode bater ou matar outra por essa pessoa ser o que \u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O NoPorn est\u00e1 t\u00e3o relacionado ao universo gay e a cena clubber que eu acho fundamental que drag queens dublem as can\u00e7\u00f5es da banda, rs, por isso eu pergunto: voc\u00eas tamb\u00e9m s\u00e3o f\u00e3s de RuPaul&#8217;s Drag Race? Se sim, quais as suas drags preferidas? E voc\u00eas acompanham a cena atual brasileira, como o Academia de Drags, da Silvetty Montilla, ou mesmo todas as drags jovens que est\u00e3o surgindo pelo pa\u00eds? A Liana <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=RIWP4Cvym6M&amp;index=3&amp;list=PLqW7NtqdKkF9xcekHJSEVsa5gv7oJT67S\">cedeu uma entrevista<\/a> para o canal Drag-se&#8230;<\/strong><br \/>\nLuca &#8211; Sim! Sou muito f\u00e3 de Ru Paul&#8217;s Drag Race. Minhas drags favoritas s\u00e3o Katya e Detox. Na nossa hist\u00f3ria em clubes de S\u00e3o Paulo e do Rio a gente acabou conhecendo e trabalhando com v\u00e1rias delas. A Renata Bastos \u00e9 nossa musa desde os tempos do Xingu. A Alma Negrot fez um clipe lindo para uma m\u00fasica do novo disco, junto com as manas. E as meninas do Drag-se, um coletivo de drags da nova gera\u00e7\u00e3o do Rio, foram respons\u00e1veis por impulsionar a nossa vontade de fazer um novo disco quando fizeram um clipe para a m\u00fasica &#8220;Sonia&#8221;, de 2006. A gente ama se divertir com elas. \u00c9 uma rela\u00e7\u00e3o de admira\u00e7\u00e3o m\u00fatua, eu acho.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/WdTO9LfnyvU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mIWbv0By_6Y?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/lIzAz2aK3SE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\">Renan Guerra<\/a> \u00e9 jornalista e colabora com o sites <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/YouMeDancin\" target=\"_blank\">You! Me! Dancing!<\/a> e Scream &amp; Yell. A foto que abre o texto \u00e9 de Cand\u00e9 Salles \/ Divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Boca&#8221;, segundo disco do NoPorn, fala sobre encontros distintos, amores quase auto-destrutivos e sexualidade \u00e0 flor da pele\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/11\/22\/entrevista-noporn\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":3,"featured_media":41107,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1401],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41095"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41095"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41095\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":41108,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41095\/revisions\/41108"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/41107"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41095"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41095"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41095"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}