{"id":41086,"date":"2016-11-21T10:02:14","date_gmt":"2016-11-21T12:02:14","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=41086"},"modified":"2017-01-20T10:02:11","modified_gmt":"2017-01-20T12:02:11","slug":"entrevista-xangai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/11\/21\/entrevista-xangai\/","title":{"rendered":"Entrevista: Xangai"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/daniel.tavares.96343\" target=\"_blank\">Daniel Tavares<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Xangai era amigo de Teseu, toureava minotauros, roubava do Rei Lear uma donzela e, montado em seu cavalo, viajava o mundo inteiro nas estampas Eucalol. Eug\u00eanio Avelino \u00e9 cantor, compositor, violeiro e radialista. E, este ano, ator (na novela \u201cVelho Chico\u201d). Xangai, que assumiu como nome art\u00edstico inspirado no nome da sorveteria de seu pai, gravou ao lado de Elomar, Geraldo Azevedo e Vital Farias os hoje cl\u00e1ssicos \u00e1lbuns \u201cCantoria\u201d (1 e 2). \u201cIsso tem 32 anos\u201d, ele relembra em entrevista ao Scream &amp; Yell dias antes do show com os parceiros Elomar, Geraldo Azevedo e Vital Farias em Fortaleza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lan\u00e7ado em 1984 derivado de um show no Teatro Castro Alves, em Salvador, \u201cCantoria\u201d foi t\u00e3o bem recebido na \u00e9poca que ganhou outros dois volumes, o \u201cCantoria 2\u201d, com os quatro m\u00fasicos, e um \u201cCantoria 3\u201d, apenas com Elomar. \u201cOs tr\u00eas s\u00e3o grandes compositores e essa oportunidade de estar junto a eles \u00e9 sempre um motivo de aprender um pouco mais\u201d, confidencia Xangai, que fala sobre o modo de trabalho dos quatro no palco (\u201cGeraldo Azevedo gosta muito de fazer improvisos\u201d) e conta que essa nova turn\u00ea \u201cCantoria\u201d re\u00fane novidades e m\u00fasicas conhecidas da \u00e9poca dos \u00e1lbuns originais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No bate papo abaixo, Xangai fala de sua participa\u00e7\u00e3o na novela \u201cVelho Chico\u201d, da Rede Globo, (\u201cFoi um desafio\u201d), do parceiro de \u201cCantoria\u201d Elomar (\u201cEle n\u00e3o gosta de televis\u00e3o, n\u00e3o gosta que a imagem dele seja superexposta como a maioria das pessoas que est\u00e3o na m\u00eddia e querem mais \u00e9 aparecer\u201d), elenca m\u00fasicos cearenses que admira e avisa: \u201cEu n\u00e3o falo portugu\u00eas\u201d, explicando logo em seguida, de forma po\u00e9tica: \u201cA l\u00edngua brasileira eu chamo de &#8220;brasileran\u00e7a&#8221;. J\u00e1 ao ser questionado sobre o forr\u00f3 &#8220;de hoje&#8221;, Xangai simplesmente arremata: &#8220;n\u00e3o conhe\u00e7o&#8221;. Confira a seguir, na \u00edntegra, a conversa com este mestre da m\u00fasica brasileira.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/QZ4EMO69G0c?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O senhor poderia me adiantar um pouco como vai ser o show, ou melhor, como vai ser esse concerto, como o Elomar prefere falar?<\/strong><br \/>\nRapaz, eu t\u00f4 querendo saber de algu\u00e9m que possa me dizer como \u00e9 que vai ser. S\u00f3 posso dizer depois que fizermos. A gente j\u00e1 fez em Bras\u00edlia e Goi\u00e2nia, em setembro, e al\u00e9m de apresentarmos o repert\u00f3rio de m\u00fasicas j\u00e1 conhecidas, apresentei algumas m\u00fasicas que n\u00e3o constavam nos nossos primeiros encontros e foi muito bem recebido. O povo gostou. Muitas pessoas n\u00e3o v\u00e3o para ouvir as novidades, eles v\u00eam pra relembrar momentos dos encontros anteriores de 32 anos atr\u00e1s. (O show) \u00e9 isso: tem algumas novidades e uma manuten\u00e7\u00e3o do repert\u00f3rio de m\u00fasicas mais conhecidas daquela \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando sobre os dois \u00e1lbuns, \u201cCantoria 1\u201d e \u201cCantoria 2\u201d, como foi gravar esse disco com esses tr\u00eas outros grandes m\u00fasicos, que s\u00e3o o Elomar, Vital Farias e Geraldo Azevedo?<\/strong><br \/>\nIsso tem 32 anos. Foi em 1984. Gravamos no Teatro Castro Alves, em Salvador, acho que foi de quinta a domingo. Quatro apresenta\u00e7\u00f5es (n\u00e3o tenho bem certeza). E em mar\u00e7o daquele ano o LP j\u00e1 estava pronto. A\u00ed n\u00f3s lan\u00e7amos na Sala Cec\u00edlia Meireles, e em S\u00e3o Paulo, no Teatro Cultura Art\u00edstica. Depois fizemos Campinas, S\u00e3o Bernardo do Campo, Goi\u00e2nia, Bras\u00edlia e, me parece, Belo Horizonte. No decorrer dessa viagem foram gravados os outros espet\u00e1culos, dos quais se conseguiu colher m\u00fasicas que fazem parte do \u201cCantoria 2\u201d. Naquela ocasi\u00e3o o Elomar mostrou muita m\u00fasica nova em cada concerto que fizemos. Da\u00ed saiu o disco \u201cCantoria 3\u201d, s\u00f3 com m\u00fasicas dele, s\u00f3 ele, lan\u00e7ado pela Kuarup.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00eas decidiram quem canta o que? Basearam-se em quem cantou as m\u00fasicas originalmente ou houve algum outro crit\u00e9rio? Como voc\u00eas dividem entre si quem quanto o que, quem toca que parte, quem faz solo, quem faz acompanhamento?<\/strong><br \/>\nTodos os quatro (fazem acompanhamento). Acontece que h\u00e1 momentos de algum de n\u00f3s cantar uma m\u00fasica in\u00e9dita que os outros n\u00e3o conhecem, dai a gente canta s\u00f3. E toca s\u00f3. Mas sempre gostei e tenho mais tend\u00eancia e dom\u00ednio da parte vocal. Ent\u00e3o praticamente canto todas as m\u00fasicas dos outros tr\u00eas fazendo vocal, abrindo a voz. Em compensa\u00e7\u00e3o, Geraldo Azevedo tem um talento, uma capacidade de improvisa\u00e7\u00e3o, no grande viol\u00e3o que ele toca&#8230; Al\u00e9m de cantar, Geraldo gosta muito de fazer improvisos. Vital Farias e Elomar t\u00eam um estilo mais cl\u00e1ssico. Nem sempre eles participam (dos improvisos), mas todos cantam as m\u00fasicas que os outros estejam cantando. A divis\u00e3o \u00e9 essa. Os tr\u00eas s\u00e3o grandes compositores e essa oportunidade de estar junto a eles \u00e9 sempre um motivo de aprender um pouco mais, porque s\u00e3o tr\u00eas grandes mestres da m\u00fasica brasileira. Inquestionavelmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>S\u00e3o quatro, n\u00e9? Permita-me corrigi-lo.<\/strong><br \/>\nN\u00e3o. Eu estou dizendo que eu aprendo com os tr\u00eas. Estou falando de mim. Estou falando de aprendizado. Pra mim n\u00e3o soa pedantismo, como uma for\u00e7a\u00e7\u00e3o de barra, de dizer que \u00e9 coisa de humildade. Aprendo porque eles s\u00e3o tr\u00eas mestres mesmo. E acho natural que eles possam tamb\u00e9m aprender alguma coisa que eu fa\u00e7a.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/yuziFJt0wMU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Entendi. Voc\u00ea tamb\u00e9m recentemente teve uma experi\u00eancia como ator na novela \u201cVelho Chico\u201d. Foi uma novela que, de certa forma, resgatou um pouco da cultura nordestina, principalmente da regi\u00e3o do S\u00e3o Francisco.<\/strong><br \/>\nBastante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>[A novela] Terminou de uma forma bastante triste com o falecimento do principal ator, Domingos Montagner. Eu queria saber de voc\u00ea como foi essa experi\u00eancia de ter participado dessa novela, dessa obra.<\/strong><br \/>\nOlha a\u00ed, outro momento de aprendizado. Pela possibilidade de estar sempre lidando com o p\u00fablico, muitos m\u00fasicos n\u00e3o tem tanta dificuldade de se adaptar e representar algum papel, teatralmente falando. N\u00e3o estou falando s\u00f3 de mim n\u00e3o. V\u00e1rios cantores lidam com o p\u00fablico representando. O que? Interpretando as m\u00fasicas. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o ato de cantar, \u00e9 o ato de mostrar o que aquele texto, o que aquela m\u00fasica est\u00e1 querendo dizer. Eu tamb\u00e9m fa\u00e7o isso e gosto muito de usar este tipo de recurso. Acho que tenho uma voca\u00e7\u00e3o ou algo assim parecido. O Luiz Fernando Carvalho fez o convite dizendo que admira minha arte. Foi um desafio. Ele tamb\u00e9m me deu, vamos dizer um direito, n\u00e3o sei se essa \u00e9 a palavra, de sugerir uma pessoa pra fazer uma parceria comigo como um cantador da novela e indiquei Maciel Melo. E foi brilhante. Correspondeu maravilhosamente. Mas, para voc\u00ea ver como \u00e9 que isso ocorre, Mariene de Castro [que interpretou Dalva na novela] \u00e9 uma cantora. Lucy Alves \u00e9 uma cantora e musicista. E foram brilhantes na novela. O h\u00e1bito de ter que encarar e ficar cara a cara com o p\u00fablico todo dia e tal \u00e9 exatamente o que comprova essa condi\u00e7\u00e3o dos m\u00fasicos, dos cantores, de realizar e poder dar conta desse recado. Pra mim foi isso. Uma experi\u00eancia maravilhosa. \u00c9 um trabalho que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, mas quando o time \u00e9 bom e um t\u00e9cnico sabe botar esse time pra jogar bem, o resultado \u00e9 o que a gente pode comprovar nesse trabalho a\u00ed, nessa novela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma das suas m\u00fasicas que s\u00e3o mais famosas \u00e9 de C\u00e1tia de Fran\u00e7a, \u201cKukukaia\u201d. Ela tamb\u00e9m d\u00e1 nome a uma casa de forr\u00f3 onde voc\u00ea j\u00e1 esteve em Fortaleza&#8230;<\/strong><br \/>\nIn\u00fameras vezes. \u00c9 dos meus amigos, meus compadres Walter e Elaine.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pois \u00e9, eu queria saber qual \u00e9 exatamente o significado da palavra Kukukaia. E nessa casa de forr\u00f3 em especial, ainda se escuta o forr\u00f3 tradicional, o forr\u00f3 nordestino..<\/strong><br \/>\nDe verdade. Forr\u00f3 de verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A gente tem artistas de sucesso que est\u00e3o fazendo turn\u00ea no Brasil, est\u00e3o fazendo turn\u00ea internacional que j\u00e1 recebeu o nome de &#8220;forr\u00f3 de pl\u00e1stico&#8221;&#8230; Eu queria saber o que voc\u00ea acha desse forr\u00f3 que n\u00e3o \u00e9 exatamente forr\u00f3&#8230;<\/strong><br \/>\nEu n\u00e3o conhe\u00e7o. Eu n\u00e3o conhe\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E sobre o significado dessa palavra, Kukukaia.<\/strong><br \/>\nO Brasil tem, todo ele, uma l\u00edngua s\u00f3. O que difere \u00e9 o sotaque. Cada lugar tem a sua maneira de entona\u00e7\u00e3o, sotaque, h\u00e1bitos, o regionalismo, mas n\u00f3s sabemos. Qual a l\u00edngua que a gente fala no Brasil?<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Acr3Hd4dNwI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 bem diferente o portugu\u00eas que a gente fala no Cear\u00e1, do portugu\u00eas que voc\u00eas falam na Bahia, do portugu\u00eas que \u00e9 falado em S\u00e3o Paulo&#8230;<\/strong><br \/>\nEu n\u00e3o falo portugu\u00eas. A l\u00edngua que a gente fala aqui n\u00e3o \u00e9 portugu\u00eas n\u00e3o. N\u00f3s tamb\u00e9m falamos portugu\u00eas, mas a l\u00edngua brasileira eu chamo de &#8220;brasileran\u00e7a&#8221;. \u00c9 a heran\u00e7a que n\u00f3s temos. Tudo o que a gente tem aqui no Brasil \u00e9 brasileran\u00e7a. \u00c9 heran\u00e7a porque o Brasil \u00e9 muito novo, o Brasil tem 500 anos. A l\u00edngua brasileira na verdade \u00e9 a l\u00edngua dos \u00edndios. Quer ver? Cariri. Messejana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tiangu\u00e1.<\/strong><br \/>\nCear\u00e1. Piau\u00ed. Para\u00edba.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mossor\u00f3.<\/strong><br \/>\nO que n\u00e3o falta \u00e9 nome de \u00edndios. Essa l\u00edngua vem se formando ao longo desses 500 anos com a chegada de outras l\u00ednguas. A l\u00edngua portuguesa, a principal, foi a que se oficializou. Mas tem a espanhola quando se fala &#8220;pregunta&#8221;, &#8220;entonce&#8221;, &#8220;ancho&#8221;, por exemplo. Tem um pouco de franc\u00eas. O ingl\u00eas agora \u00e9 o que mais chega, porque somou tudo. A tecnologia \u00e9 toda em ingl\u00eas. E ainda tem o latim, que \u00e9 a m\u00e3e da l\u00edngua portuguesa. E tribos de ciganos perambulam por esse sert\u00e3o brasileiro. Os ciganos brasileiros vem de uma origem romani. Elomar \u00e9 muito conhecedor de alguns aspectos da l\u00edngua que os ciganos falam \u2013 tem at\u00e9 uma m\u00fasica chamada &#8220;Duv\u00ea Esse Ch\u00e3o Qu\u00eama Meus P\u00e9&#8221;. Duv\u00ea, na l\u00edngua romani, quer dizer Deus. Jesus Duv\u00ea Baron. Na verdade \u00e9 Duv\u00eal. Duv\u00ea \u00e9 uma forma reduzida de Duv\u00eal. Eu mesmo tenho um filho que se chama Duv\u00ea. E na religi\u00e3o que se estabeleceu no Brasil, que \u00e9 a cat\u00f3lica, desde a chegada dos portugueses, a coloniza\u00e7\u00e3o, tem, por exemplo, uma hist\u00f3ria de que uma mulher quando est\u00e1 pr\u00f3xima a parir, costumeiramente algumas pessoas dizem: &#8220;Nossa Senhora do Bom Parto lhe d\u00ea uma boa hora&#8221;. Voc\u00ea j\u00e1 deve ter ouvido isso. Na linguagem dos ciganos romani, Nossa Senhora do Bom Parto \u00e9 Kukukaia.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/YkNTNxk4H4g?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A gente n\u00e3o vai ter a oportunidade de conversar com o Elomar, a gente sabe que ele prefere n\u00e3o dar entrevistas&#8230;<\/strong><br \/>\nElomar n\u00e3o gosta de televis\u00e3o, mas de conversar com jornalistas eu n\u00e3o sei se ele est\u00e1 indisposto n\u00e3o. Alias, dependendo de como se chega, da abordagem, Elomar \u00e9 uma bagagem de audi\u00e7\u00e3o imensa. Um homem de uma cultura impressionante. \u00c9 um mestre de conhecimento erudito. Ele \u00e9 t\u00e3o erudito que tem a vis\u00e3o se colocar numa postura de humildade, que ao inv\u00e9s de estar cantando nos pal\u00e1cios dos chamados \u201cdoutos\u201d, ele, na obra que realiza, vem com a erudi\u00e7\u00e3o tratar de um assunto muitas vezes desassistido e descriminado pelos intelectuais. Este \u00e9 o meu parecer, \u00e9 como eu entendo o Elomar. N\u00e3o tenho nada contra os intelectuais. S\u00e3o todos importantes. Mas o Elomar vem falar do povinho mais desassistido. Povinho, v\u00edrgula. Entre aspas. \u00c9 o povo do sert\u00e3o, povo da caatinga. Ele fala com uma compet\u00eancia, com uma beleza. \u00c9 um ato de doa\u00e7\u00e3o, um ato de uma sensibilidade que me encanta. Acho isso uma coisa maravilhosa. \u00c9 como se Elomar fosse um Patativa do Assar\u00e9, um poeta natural\u00edssimo. Elomar tem um conhecimento vast\u00edssimo de tudo. \u00c9 um arquiteto. Um homem que conhece o universo de uma forma diferente da maioria dos nossos intelectuais. \u00c9 respeit\u00e1vel, admir\u00e1vel. E admir\u00e1vel \u00e9 a obra que ele faz. Ele n\u00e3o gosta de televis\u00e3o, n\u00e3o gosta que a imagem dele seja superexposta como a maioria das pessoas que est\u00e3o na m\u00eddia e querem mais \u00e9 aparecer. Ele j\u00e1 passou desta fase h\u00e1 muito tempo e \u00e9 um direito. Por que que ele n\u00e3o quer? Pergunte a ele. Est\u00e1 errado? N\u00e3o acredito. Est\u00e1 certo? Ele faz o que ele quer. E eu n\u00e3o discordo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Se voc\u00ea fosse um jornalista e fosse fazer uma pergunta para ele, o que voc\u00ea perguntaria? E, pelo tanto que voc\u00ea o conhece, provavelmente qual seria a resposta dele?<\/strong><br \/>\nPelo conhecimento que ele tem, pelo grau de intelig\u00eancia, se voc\u00ea quiser saber alguma coisa, meia palavra dele basta. Pra um bom entendedor meia palavra basta. N\u00e3o tem esse dito? Ent\u00e3o, qualquer coisa que se pergunta, ele tem uma capacidade de mastigar o assunto e trazer \u00e0 baila uma aula. Acho que n\u00e3o seria uma pergunta que eu poderia fazer pra ele. Qualquer pergunta, \u00e9 um mestre falando a respeito daquilo que a gente queira indagar. Ent\u00e3o \u00e9 uma palavra pesada em termos de conte\u00fado. Pesada em termos de grandeza. De valor. Claro que se perguntar como \u00e9 que se joga baseball, eu n\u00e3o sei se ele vai falar. Mas, coisas, realmente que a pessoa queira saber, ele \u00e9 grandioso. Qualquer assunto que eu lhe perguntar dentro do universo dele, ele tem uma palavra muito importante. Estar com ele \u00e9 muito legal, muito bacana, muito enriquecedor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pra gente terminar essa entrevista, eu queria s\u00f3 que voc\u00ea comentasse um pouco sobre artistas cearenses, que artistas cearenses tiveram alguma influ\u00eancia na sua carreira, que voc\u00ea goste, que voc\u00ea escute na sua casa&#8230;<\/strong><br \/>\nRapaz, o Cear\u00e1 \u00e9 um manancial de arte. N\u00e3o s\u00f3 pra mim, mas para o Brasil e pra esse mund\u00e3o todo. O Cear\u00e1 tem uma import\u00e2ncia muito significativa, de verdade. Na \u00e1rea da m\u00fasica existem muitos grandes m\u00fasicos cearenses. Julinho do Acordeom [Jo\u00e3o Aguiar Sampaio, nascido em Itapag\u00e9, CE] parece que \u00e9 cearense e era meu amigo, tocava com Jo\u00e3o do Vale. Tem Evaldo Gouveia&#8230; Tarc\u00edsio Sardinha, maravilhoso&#8230; Adelson Viana&#8230; Tem um m\u00fasico fant\u00e1stico da\u00ed que eu j\u00e1 ouvi em uma m\u00fasica de Z\u00e9 Dantas e Luis Gonzaga, que \u00e9 \u201cA Volta da Asa Branca\u201d, chama-se Cristiano Pinho, que toca guitarra. \u00c9 surpreendente o arranjo que eles fizeram, ele e Adelson, pra essa m\u00fasica. Eu sinto vontade at\u00e9 de chorar quando ou\u00e7o essa m\u00fasica. E eu sempre ou\u00e7o. Tem uma grava\u00e7\u00e3o que consegui, uma pessoa me deu de presente, que \u00e9 uma maravilha. Tem Falc\u00e3o que \u00e9 um grande artista cearense&#8230; J\u00e1 falei do Patativa&#8230; Tem o grande, o grande, o grande, o maior de todos, Chico An\u00edsio. \u00c9 por a\u00ed. Admiro todos. O que n\u00e3o falta no Cear\u00e1 s\u00e3o grandes artistas. Geraldo Am\u00e2ncio, um grande repentista, e outros tantos que tem por a\u00ed que eu adoro, uns caras que tem import\u00e2ncia muito grande e que nos d\u00e1 muita alegria de saber que s\u00e3o brasileran\u00e7as de verdade.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/y2N511EXe8o?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Daniel Tavares (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/daniel.tavares.96343\" target=\"_blank\">Facebook<\/a>) \u00e9 jornalista e mora em Fortaleza.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Eu n\u00e3o falo portugu\u00eas. A l\u00edngua que a gente fala aqui n\u00e3o \u00e9 portugu\u00eas n\u00e3o. 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