{"id":41047,"date":"2016-11-16T15:55:54","date_gmt":"2016-11-16T17:55:54","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=41047"},"modified":"2016-12-06T08:48:59","modified_gmt":"2016-12-06T10:48:59","slug":"balanco-festival-demosul-2016-londrina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/11\/16\/balanco-festival-demosul-2016-londrina\/","title":{"rendered":"Balan\u00e7o: Festival DemoSul 2016, Londrina"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Texto de<a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\"> Leonardo Vinhas<\/a><br \/>\nFotos de Rei Santos e Victor Pedrassoni<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">No movimentado calend\u00e1rio de festivais do segundo semestre, o Demosul, em Londrina, se destaca por duas caracter\u00edsticas em especial: a sua longa dura\u00e7\u00e3o e a sua curadoria que dispensa nomes \u00f3bvios ou figurinhas f\u00e1ceis sem que isso signifique alienar seu p\u00fablico. Sua 16\u00aa edi\u00e7\u00e3o come\u00e7ou no dia 4 de novembro e seguiu at\u00e9 o dia 12. Foram 30 shows em nove dias, em paralelo com simp\u00f3sios, rodadas de neg\u00f3cios, palestras e oficinas. As apresenta\u00e7\u00f5es ao vivo aconteceram em seis locais diferentes, sendo que um deles \u2013 o bar Valentino \u2013 dispunha de dois palcos. O Scream &amp;Yell chegou para acompanhar os shows a partir do dia 10. Ent\u00e3o, para facilitar a compreens\u00e3o do leitor e o trabalho do rep\u00f3rter, o relato fica subdividido pelos palcos do festival, mais uma r\u00e1pida contextualiza\u00e7\u00e3o do \u201cantes\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Concha Ac\u00fastica, Iate Clube e Barbearia \u2013 4, 5 e 5 de novembro<\/strong><br \/>\nNa abertura, na Concha Ac\u00fastica (bem na zona central), a De Um Filho, De Um Cego, de Jacarezinho (PR), deixou uma impress\u00e3o forte com seu pop de guitarras, segundo relatos de alguns jornalistas e espectadores presentes no dia. O destaque maior, por\u00e9m, ficou para a Patife Band, numa apresenta\u00e7\u00e3o considerada \u201chist\u00f3rica\u201d pela imprensa local, gra\u00e7as \u00e0 execu\u00e7\u00e3o impec\u00e1vel de grande parte do seu repert\u00f3rio. Entre os dois, o londrinense Luke De Held &amp; The Lucky Band e a curitibana Central Sistema de Som. No dia seguinte, o Iate Clube recebeu o groove de Di Melo, que tocou acompanhado da banda local Sarar\u00e1 Criolo, precedidos de A Rep\u00fablica Imperial, Motorocker, Phantom Powers e Lolad\u00e9li. O dia 6 foi dedicado ao heavy metal, com Imagery, Hellpath e Poltergat tocando na Barbearia. A organiza\u00e7\u00e3o do festival estima que mais de 2 mil pessoas assistiram a essas apresenta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/andreaperrone.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bar Valentino \u2013 10 de novembro<\/strong><br \/>\nO bar Valentino carrega mais de 30 anos de hist\u00f3ria da produ\u00e7\u00e3o cultural londrinense. O local tem dois ambientes: a \u201ccasinha\u201d, quase toda de madeira e com ambiente mais \u201ccl\u00e1ssico\u201d de bar, e uma pista. A primeira era suficientemente arejada para fazer qualquer um se esquecer do clima abafado. Essa tarefa era auxiliada pela presen\u00e7a da cerveja Demosul, uma IPA de 5% de teor alco\u00f3lico e 42 IBUs produzida pela Cervejaria Amadeus exclusivamente para o festival \u2013 a mesma cervejaria ofereceria ainda uma lager de respeito, batizada com seu pr\u00f3prio nome \u2013 h\u00e1 relatos de uma Pale Ale, mas se ela existia de fato, os consumidores do bar foram mais velozes que o rep\u00f3rter.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A \u201cnoite instrumental\u201d, como era informalmente referida pela organiza\u00e7\u00e3o, come\u00e7ou com a ga\u00facha Andrea Perrone (foto). De cara, a mo\u00e7a abriu com uma livre improvisa\u00e7\u00e3o e em seguida desfilou suas pe\u00e7as, sempre precedidas por uma breve hist\u00f3ria das circunst\u00e2ncias da composi\u00e7\u00e3o. As influ\u00eancias cruzadas de flamenco, blues, folk rock, m\u00fasica erudita e outros estilos conferia vigor mesmo \u00e0s m\u00fasicas menos aceleradas, e foi incr\u00edvel notar a aten\u00e7\u00e3o que a plateia e at\u00e9 os gar\u00e7ons lhe dedicaram, parando para ver sua t\u00edmida e carism\u00e1tica figura enfileirar uma boa faixa atr\u00e1s da outra. Em 2017 ela lan\u00e7ar\u00e1 seu primeiro LP, \u201cTinhosidade\u201d. Fique de olho \u2013 e enquanto isso, ou\u00e7a os dois EPs j\u00e1 lan\u00e7ados, <a href=\"http:\/\/andreaperrone.com\/musicas\/\" target=\"_blank\">dispon\u00edveis em seu Soundcloud<\/a>. Um excelente come\u00e7o de noite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">The Greengrass Brothers, quarteto representante da forte cena folk e country local, veio em seguida com banjo, baixo ac\u00fastico, viol\u00e3o e violino para entregar um repert\u00f3rio coeso e reverente de bluegrass. \u00c9 tudo divertido e bem executado, mas ainda sem uma personalidade distingu\u00edvel. De qualquer modo, teve grande ades\u00e3o do p\u00fablico, que, mais numeroso, j\u00e1 se espremia entre as mesas da \u201ccasinha\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os shows se transferem para a pista, e a partir da\u00ed, o festival vive seu momento mais forte, com tr\u00eas shows desprovidos de sen\u00f5es ou pontos baixos, hipn\u00f3ticos at\u00e9 a \u00faltima ressoada de microfonia. O Octopus Trio, de Londrina, foi uma baita surpresa: sem sequer ter disco lan\u00e7ado, fizeram um showza\u00e7o, trazendo um som imprevis\u00edvel, com peso e groove que remetem tanto \u00e0 psicodelia como aos power trios maluquetes dos anos 90, como Prong ou Primus (v\u00e1rias m\u00fasicas t\u00eam quebras r\u00edtmicas e finais falsos). \u00c9 verdade que Londrina t\u00eam tradi\u00e7\u00e3o de abrigar \u00f3timos instrumentistas, mas a din\u00e2mica do Octopus Trio est\u00e1 muito acima da \u201cmera\u201d efici\u00eancia. M\u00fasica para a cabe\u00e7a e, se voc\u00ea for um pouquinho receptivo, para o corpo tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Muntchako!, do Distrito Federal, quase perdeu esse embalo, brigando com problemas t\u00e9cnicos de seus equipamentos no come\u00e7o de seu show. Mas j\u00e1 na terceira m\u00fasica haviam recuperado a m\u00e3o firme que guia sua combina\u00e7\u00e3o de afrobeat, funk, dubstep e at\u00e9 batid\u00e3o, e a\u00ed foi s\u00f3 festa. Tocaram todos os seus singles (\u201cCardume de Volume\u201d \u00e9 um \u201ccl\u00e1ssico vulgar\u201d, se tal coisa \u00e9 poss\u00edvel) e faixas in\u00e9ditas. Quem n\u00e3o se entregou ao bail\u00e3o do grupo pelo menos n\u00e3o tirou os olhos do palco, porque a m\u00fasica desses brasilienses realmente impede a indiferen\u00e7a. Seu primeiro LP, produzido por Curumim e ainda sem t\u00edtulo definido, \u00e9 outro lan\u00e7amento previsto para 2017 que merece sua aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/macacobong.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c10 minutos de Macaco Bong eu acho genial. 15 eu acho um porre\u201d. A frase, dita por um amigo curitibano h\u00e1 oito anos, nunca me saiu da cabe\u00e7a. Porque fazia sentido: por muito tempo, o trio mato-grossense era uma tremenda barulheira com mais boa vontade que bons resultados. Por\u00e9m, tudo nesse mundo \u00e9 pass\u00edvel de mudan\u00e7a, e a que eles atravessaram \u2013 que envolveu v\u00e1rias troca de integrantes, uma traum\u00e1tica sa\u00edda do coletivo Fora do Eixo e problemas s\u00e9rios de sa\u00fade do l\u00edder Bruno Kayapy \u2013 parece ter sido mais que ben\u00e9fica para a m\u00fasica da banda. Permeando o setlist com boa parte das faixas que comp\u00f5em seu \u00e1lbum hom\u00f4nimo lan\u00e7ado em 2016 pelo selo Sinewave (<a href=\"http:\/\/sinewave.com.br\/2016\/11\/macaco-bong-macaco-bong-2016\/\" target=\"_blank\">baixe aqui<\/a>), o trio mostrou que dominou as altern\u00e2ncias de climas que outrora n\u00e3o se encaixavam a contento. Flertando com o hipn\u00f3tico e o introspectivo, em alguns momentos eles soavam como um Explosions In the Sky que abdicou dos sonhos e tomou um choque de realidade. N\u00e3o d\u00e1 para saber ainda se esse \u00e9 o melhor momento da banda ou o ponto de partida para algo ainda mais marcante, mas o fato \u00e9 que, hoje, o Macaco Bong faz um show imperd\u00edvel, que foi um apropriado encerramento para aquela que seria a melhor noite do festival. Mas ainda havia boas surpresas (e algumas decep\u00e7\u00f5es) por vir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/montauk.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Audit\u00f3rio do SESI \u2013 11 de novembro<\/strong><br \/>\nSexta-feira \u00e9 dia de pocket shows (de 20 minutos cada) entre simp\u00f3sios sobre produ\u00e7\u00e3o musical e cong\u00eaneres. A atividade nos palcos come\u00e7a \u00e0s 18h30 com a londrinense Montauk, uma banda de folk pop de tons MPBistas. N\u00e3o d\u00e1 para negar que se esfor\u00e7aram: habitualmente um quinteto, encorparam a forma\u00e7\u00e3o com teclados e metais para essa apresenta\u00e7\u00e3o, e as duas primeiras faixas funcionam bem. As tr\u00eas \u00faltimas, por\u00e9m, descambam para um som ing\u00eanuo demais, com melodias simples e letras t\u00e3o \u201cboazinhas\u201d que uma delas chega a soar como balada gospel. Nada contra bons sentimentos, pelo contr\u00e1rio \u2013 esse \u00f3dio gratuito dos dias atuais faz mal para todo mundo. Mas desenhar um mundo que parece uma vers\u00e3o neohippie dos Ursinhos Carinhosos \u00e9 um pouco demais. Pena. O come\u00e7o tinha sido bem bom.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/weird-family.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">The Weird Family, por sua vez, mant\u00e9m a const\u00e2ncia do come\u00e7o ao fim. Era a primeira apresenta\u00e7\u00e3o do quarteto folk em um palco \u2013 a banda toca apenas nas ruas. As tr\u00eas mo\u00e7as e o rapaz que integram o grupo n\u00e3o se intimidaram, e deixaram que a seguran\u00e7a adquirida nas ruas ditasse o rumo de suas can\u00e7\u00f5es, que trazem influ\u00eancias de trilhas de spaghetti western (com direito a trechos de letras em italiano) na mistura de country e bluegrass. S\u00e3o todos bons instrumentistas, de estilos complementares: o senso pop e o toque intuitivo da compositora Taci Bernardi funciona bem com a t\u00e9cnica da baixista Mariana Franco, que, a modo do bandolinista Nahem Facioli, sabe que notas tocar e, principalmente, quais n\u00e3o tocar. Uma economia que funciona a favor da festa, completada pelo carisma da vocalista e violonista Suy Bernardi, que come\u00e7ou o show com uma classuda e insuspeita peruca e, uns dez minutos depois, a tirou para mostrar a cabe\u00e7a raspada. Os vinte minutos eram regulamentares, mas a banda merecia bem mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/abacate.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 o Abacate Contempor\u00e2neo&#8230; Bom, o nome da banda faz pensar em uma \u201creleitura de guacamole\u201d feita por restaurante \u201cgourmet\u201d (aspas pela ironia, caso n\u00e3o tenha ficado evidente). Faz pensar tamb\u00e9m em som cabe\u00e7udo com influ\u00eancia dos anos 80, e \u00e9 quase isso: a Vanguarda Paulista \u00e9 refer\u00eancia \u00f3bvia j\u00e1 nos primeiros acordes, e a compet\u00eancia dos m\u00fasicos, principalmente da cozinha, \u00e9 not\u00e1vel. Mas tudo que o instrumental constr\u00f3i de bom \u00e9 jogado fora com a teatralidade excessiva da vocalista Raquel Palma. A mo\u00e7a subiu ao palco parecendo uma cosplay de pav\u00e3o sadomas\u00f4 e cantou. Cantou, cantou e cantou, com seus trejeitos de Tet\u00ea Esp\u00edndola grave. Cantou tanto, com tanta interpreta\u00e7\u00e3o, com tantos exageros vocais e trejeitos de corpo, que ficou dif\u00edcil lembrar que ali tinha uma banda \u2013 n\u00e3o s\u00f3 porque ela ofuscava os (repito, \u00f3timos) m\u00fasicos, mas porque era tanto teatro que a m\u00fasica era quase auxiliar. Aparentemente, a proposta do quinteto \u00e9 essa mesma, e encontra f\u00e3s hardcore na cidade \u2013 que quase lotaram o audit\u00f3rio. Se \u00e9 assim, bom para eles \u2013 banda e f\u00e3s. Eu, por\u00e9m, n\u00e3o conseguia afastar da minha cabe\u00e7a horr\u00edveis associa\u00e7\u00f5es com a \u201ccena\u201d autocelebrat\u00f3ria e mitoman\u00edaca da Pra\u00e7a Roosevelt, em S\u00e3o Paulo e daqueles ambientes cheio de gente que saiu das faculdades de artes para viver um pastiche de \u201cvida loka\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/demosul2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cemit\u00e9rio de Autom\u00f3veis \u2013 11 de novembro<\/strong><br \/>\nTroca de ambientes: sai o pequeno audit\u00f3rio do SESC, entra a \u201cvila cultural\u201d Cemit\u00e9rio de Autom\u00f3veis, uma esp\u00e9cie de bar e espa\u00e7o para mostras e eventos parcialmente financiado pela Prefeitura de Londrina. Ainda que simples em decora\u00e7\u00e3o e estrutura, o espa\u00e7o tem uma distribui\u00e7\u00e3o bastante inteligente de ambientes, e s\u00f3 peca no servi\u00e7o pela pouca op\u00e7\u00e3o de comida (nada que uma enorme pastelaria na cal\u00e7ada em frente n\u00e3o resolva). Embora habitualmente dedicado a eventos liter\u00e1rios, o local funcionou bem para a \u201cperna\u201d mais underground do festival.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/etnyah.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A melhor banda ali foi logo a primeira. O Etnyah \u00e9 um sexteto londrinense que est\u00e1 na ativa desde o fim da d\u00e9cada de 90 e, adequadamente, traz influ\u00eancias daquela \u00e9poca em seu som \u2013 na verdade, mais daquela turma da \u201ccorrente da mistureba\u201d da metade da d\u00e9cada: o manguebit, O Rappa, Planet Hemp&#8230; E n\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 pastiche nem datado: soam mais como uma banda que seguiu firme em sua proposta inicial do que algu\u00e9m que parou no tempo. Depois do show, fiquei sabendo que tocaram desfalcados de seu tecladista. Espero v\u00ea-los ao vivo de novo para ver a banda com a forma\u00e7\u00e3o completa, mas honestamente n\u00e3o deu para sentir falta, n\u00e3o. A combina\u00e7\u00e3o de guitarras pesadamente funky e uma trama extremamente criativa de percuss\u00e3o e bateria era especialmente eficaz nas faixas de seu \u00faltimo disco, \u201cO Homem do Outro Lado do Espelho\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/mucambo.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m de Londrina, Mocambo de Bantu \u00e9 outro que remete aos anos 90, s\u00f3 que com as muitas vertentes da m\u00fasica afro-brasileira como ingrediente principal. A voz poderosa de Ana Paula da Costa e as percuss\u00f5es chamam a aten\u00e7\u00e3o de cara, por\u00e9m a banda saiu prejudicada pelo som alto demais, que acabou deixando os graves dominarem o ambiente e apagarem as nuances dos teclados e guitarra. Falta, tamb\u00e9m, um pouco de \u201cedi\u00e7\u00e3o\u201d \u00e0s composi\u00e7\u00f5es, que come\u00e7am hipn\u00f3ticas, mas se alongam tanto que acabam dispersando o ouvinte. Ainda assim, com um som melhor equalizado, teria sido mais interessante. Potencial para isso eles t\u00eam, sem d\u00favida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/bandinha.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A\u00ed veio a Bandinha Di Da D\u00f3, do Rio Grande do Sul. Sabe \u201cbanda-piada\u201d? Ent\u00e3o. Existe bastante gente que gosta \u2013 e a pista lotada do Cemit\u00e9rio de Autom\u00f3veis, com muita gente dan\u00e7ando, comprova isso. O quarteto tem estrada e vem conquistando p\u00fablico a cada nova turn\u00ea, mas a sonoridade dilu\u00edda de um Gogol Bordello (eles mesmos uma banda bem ins\u00edpida) cruzada com uma vers\u00e3o chula do Tangos &amp; Trag\u00e9dias d\u00f3i no ouvido de quem n\u00e3o est\u00e1 calibrado por litros de \u00e1lcool e outros aditivos. \u201cParece banda de casamento\u201d, confidencia um produtor musical ao lado. Solicitado a se explicar, diz: \u201caquele tipo de som que toca quando os pais e tios da noiva j\u00e1 est\u00e3o bem b\u00eabados e sai todo mundo pulando pelo sal\u00e3o, sabe?\u201d. Sei. Por isso eu, ele e mais alguns achamos que a noite j\u00e1 tinha dado o que tinha que dar. Na metade do show, deixamos um monte de gente imitando aquele \u201cmascote\u201d da Net, o Skarvuska, e cada um tomou seu rumo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/rodadadenegocios.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Iate Clube \u2013 Dia 12<\/strong><br \/>\nO s\u00e1bado come\u00e7ou frio e com tempo para fu\u00e7ar nos \u00f3timos sebos de Londrina. Antes dos shows, houve uma rodada de neg\u00f3cios envolvendo os 15 produtores de festivais presentes e bandas da regi\u00e3o \u2013 uma iniciativa que contribui muito para a circula\u00e7\u00e3o de artistas e fortalecimento do circuito alternativo de shows.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/mocho.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os shows aconteceram mais uma vez sal\u00e3o do Iate Clube Londrina. O espa\u00e7o, amplo e azulejado, acaba virando uma \u201csala de reverbera\u00e7\u00e3o\u201d, o que espalha os agudos e embola os graves, dificultando a vida principalmente de quem toca alto. Frio, chuva e o fato de ser feriado prolongado (emendando com 15 de novembro) roubaram parte consider\u00e1vel do poss\u00edvel p\u00fablico, e a primeira atra\u00e7\u00e3o, o Red Mess (Londrina \u2013 PR) tocou para menos de 30 pessoas. O p\u00fablico s\u00f3 aumentaria com a terceira banda, a tamb\u00e9m londrinense Convuls\u00e3o, com os paulistanos da Mocho Diablo entre os dois.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/redmess.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O som pesado com reminisc\u00eancias noventistas deu o tom dessas tr\u00eas primeiras bandas. \u00c0s duas primeiras, falta mais experi\u00eancia que talento. A Red Mess, um power trio de aspira\u00e7\u00f5es stoner, tem um som facilmente distingu\u00edvel, com um conceito claro e riffs viciantes at\u00e9 para quem n\u00e3o \u00e9 muito chegado nesse tipo de som \u2013 o \u00fanico sen\u00e3o ficou por conta de alguns poucos desencontros instrumentais, principalmente do baterista, que perdeu alguns tempos e atravessou mudan\u00e7as de andamento. O Mocho Diablo, por sua vez, \u00e9 bem mais acelerado e tem inspira\u00e7\u00e3o garagista, e, mesmo com o bom ingl\u00eas do vocalista Guilherme Klaussner, anharia muito se cantasse em portugu\u00eas. A apresenta\u00e7\u00e3o zelou pelo bom nome do som de garagem, mas teria sido mais adequado v\u00ea-los num palco menor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/convulsao.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Convuls\u00e3o, banda de Marcelo Domingues, um dos organizadores do festival, t\u00eam volume para segurar um espa\u00e7o maior. Foi o retorno do quarteto aos palcos depois de quase 20 anos sem tocar. Helmet, Biohazard, e bandalheiras a fim est\u00e3o na raiz do som da banda, e a receita funciona bem na primeira metade do som, principalmente nas faixas com mais groove. Por\u00e9m, o trecho final fica \u201ccabe\u00e7udo\u201d e denso demais, dispersando o p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/rosario2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso, por\u00e9m, n\u00e3o foi problema para a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/11\/16\/tres-discos-macoco-moreira-las-diferencias-rosario-smowing\/\" target=\"_blank\">Rosario Smowing<\/a>. Bastou apenas uma can\u00e7\u00e3o para que a big band (oito m\u00fasicos e uma dan\u00e7arina em pernas-de-pau) argentina conseguisse chamar todo o Iate Clube, j\u00e1 bem mais cheio, para a frente do palco. Na segunda can\u00e7\u00e3o, j\u00e1 tinha gente dan\u00e7ando, e no final do show \u2013 o \u00fanico a ter pedidos de bis, atendido pela banda \u2013 virou um fest\u00e3o. Ao som de baile inspirado por swing, jazz e dixieland, a banda acrescenta doses (maiores ou menores) de ska, be bop e rockabilly, mantendo o ritmo e o astral alto em todos os momentos. Cada m\u00fasico \u00e9, visualmente, um espet\u00e1culo \u00e0 parte, dan\u00e7ando sem que os movimentos atrapalhem sua execu\u00e7\u00e3o impec\u00e1vel. Ainda assim, \u00e9 injusto n\u00e3o destacar o vocalista e trumpetista Diego Casanova, um cruzamento visual de John Travolta com Robert DeNiro que toca seu instrumento de sopro com uma m\u00e3o enquanto usa a segunda para segurar o copo de cerveja, dan\u00e7a como poucos e exibe as tatuagens e as pelancas como se fosse uma vers\u00e3o \u201cbaile da saudade radical\u201d de um gal\u00e3 latino. Disparado, o melhor show do festival (e um dos shows do ano).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/siba.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Felizmente para todos, quem vinha na sequ\u00eancia n\u00e3o era nenhum novato. Siba tem dom\u00ednio de palco desde os tempos do Mestre Ambr\u00f3sio, e sua releitura moderna dos ritmos pernambucanos costuma render shows impec\u00e1veis. No Demosul n\u00e3o foi diferente: come\u00e7ou com algumas das can\u00e7\u00f5es mais cadenciadas e cheias de nuances de seu \u00faltimo \u00e1lbum, \u201cDe Baile Solto\u201d, e foi progressivamente acelerando os temas e as execu\u00e7\u00f5es, at\u00e9 chegar aos improvisos de uma esp\u00e9cie de \u201celectro-frevo-repente\u201d do final. A rea\u00e7\u00e3o do p\u00fablico, ainda suado e animado pela entrega da Rosario Smowing, comprovava: Siba era, sem d\u00favida, o headliner da noite, e o artista e sua \u00f3tima banda corresponderam \u00e0s expectativas. Terminado o show, o pernambucano ainda desceu para atender aos f\u00e3s um por um na sua barraquinha de merchandising. Independ\u00eancia \u00e9 isso a\u00ed \u2013 e n\u00e3o precisa vir acompanhada de emp\u00e1fia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/defalla.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, ainda tinha uma das bandas mais superestimadas pela cr\u00edtica brasileira na sequ\u00eancia, O sal\u00e3o do Iate Clube j\u00e1 havia perdido boa parte do seu p\u00fablico quando subiu ao palco o Defalla. Ou alguma coisa parecida com o Defalla: reduzido a um trio (Edu K, Castor Daudt e o baterista Vandinho Carvalho \u2013 Biba Meira e Carlo Pianta est\u00e3o fora de novo), os ga\u00fachos fizeram um show constrangedor, abundado de covers, com Edu e Vandinho adotando um visual de \u201cmalaco street\u201d t\u00e3o caricato que parecia uma piada planejada antecipadamente. Mas n\u00e3o era: transformando um monte de can\u00e7\u00f5es alheias, e bem poucas das suas pr\u00f3prias, em um rap torto e repetitivo, eles conseguiram a infeliz proeza de deixar o fum\u00f3dromo mais cheio do que o sal\u00e3o. Ao fim do show, 18 pessoas resistiam em frente ao palco. Uma delas insistia que \u201cdaqui a 50 anos v\u00e3o entender a genialidade desse show\u201d. Se eu ainda estiver vivo (o que eu duvido) e tal fato se confirmar, por favor me procure para contar. Para a enorme maioria ali presente, foi um intermin\u00e1vel momento de vergonha alheia, piorado pela insist\u00eancia de Edu K em se comportar como um mega star mundial do n\u00edvel de um Drake. Estava mais para \u201co doidinho da vila\u201d, aquele cujas excentricidades j\u00e1 n\u00e3o causam mais impacto e leva os conterr\u00e2neos a ignor\u00e1-lo. Voltaram para um bis n\u00e3o solicitado, com todas as luzes da casa j\u00e1 aceso. OK, concedo: um show hist\u00f3rico pela sua atipicidade. Da\u00ed a ser bom&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Encerrado o festival, fica a oportunidade de um balan\u00e7o bastante interessante. \u00c9 \u00f3timo ver que uma cidade fora do circuito de shows como Londrina tenha um festival t\u00e3o variado e com uma proposta t\u00e3o particular. Melhor ainda \u00e9 ver que, mesmo com tal \u201cisolamento\u201d, a cidade continua produzindo bandas. Por outro lado, o amadorismo de muitas delas \u00e9 latente, como se viu nas rodadas de neg\u00f3cios \u2013 mais da metade dos grupos e solistas chegavam para falar com produtores e empres\u00e1rios sem ter sequer uma \u00fanica can\u00e7\u00e3o gravada. Ainda \u00e9 muito dif\u00edcil viver de m\u00fasica, mas nomes mais veteranos ali presentes, como Siba, Rosario Smowing, Macaco Bong e a pr\u00f3pria Bandinha Di Da D\u00f3 provam que isso \u00e9 poss\u00edvel, desde que os artistas tomem as r\u00e9deas das suas carreiras de maneira profissional<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ficou patente tamb\u00e9m que, mesmo n\u00e3o tendo batido nenhum recorde de p\u00fablico da sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria, o Demosul ainda \u00e9 capaz de movimentar a cidade e atrair bastante aten\u00e7\u00e3o, tanto local como de fora. Demanda por m\u00fasica nova e vibrante, e fora dos v\u00edcios de grandes centros urbanos, continua existindo. O que \u00e9 necess\u00e1rio \u00e9 gente capaz de canalizar a boa produ\u00e7\u00e3o e lev\u00e1-la at\u00e9 onde essa demanda est\u00e1. Tarefa dific\u00edlima, mas est\u00e3o a\u00ed Demosul, Se Rasgum, Sat\u00e9lite061 e outros bons festivais para provar que isso \u00e9 poss\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/simposio.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" \/><\/p>\n<p>\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/leovinhas\" target=\"_blank\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell. Fotos<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"No movimentado calend\u00e1rio de festivais do segundo semestre, o Demosul, em Londrina, merece um destaque especial\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/11\/16\/balanco-festival-demosul-2016-londrina\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":41048,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41047"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41047"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41047\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":41053,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41047\/revisions\/41053"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/41048"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41047"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41047"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41047"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}