{"id":41023,"date":"2016-11-14T10:01:22","date_gmt":"2016-11-14T12:01:22","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=41023"},"modified":"2016-12-12T16:15:30","modified_gmt":"2016-12-12T18:15:30","slug":"entrevista-tagore","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/11\/14\/entrevista-tagore\/","title":{"rendered":"Entrevista: Tagore"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os f\u00e3s que o pernambucano Tagore conquistou com o \u00e1lbum \u201cMovido a Vapor\u201d (2014) e suas muitas apresenta\u00e7\u00f5es ao vivo se encantaram pela sonoridade derivada do udigrudi pernambucano (Alceu Valen\u00e7a, Z\u00e9 Ramalho, Lula C\u00f4rtes) e pela presen\u00e7a de palco inquieta e carism\u00e1tica daquela figura que, apesar de jovem (28 anos), ostenta cabelos e barba grisalhos e longos. Esses f\u00e3s possivelmente tomaram um susto ao ouvir \u201cMudo\u201d, primeiro single do segundo \u00e1lbum, \u201cPineal\u201d (2016). A sonoridade assumidamente influenciada pelos neopsicod\u00e9licos, Tame Impala \u00e0 frente, em nada lembra o que a banda vinha apresentando at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, existe um processo bastante l\u00f3gico nessa mudan\u00e7a, e \u00e9 isso que Tagore Suassuna, cujo prenome batiza um projeto musical mut\u00e1vel em forma\u00e7\u00e3o e sonoridade, explica nessa entrevista telef\u00f4nica ao Scream &amp; Yell. O rep\u00f3rter ouviu \u201cPineal\u201d ainda em fase de mixagem (o \u00e1lbum j\u00e1 est\u00e1 dispon\u00edvel nos portais de streaming &#8211; <a href=\"https:\/\/play.spotify.com\/album\/4V7bEy8Wq977L3ePq9sRvH\" target=\"_blank\">ou\u00e7a no Spotify<\/a>), e p\u00f4de explorar mais o processo caseiro e minucioso de gesta\u00e7\u00e3o do disco, que levou quase tr\u00eas anos. A conversa, claro, n\u00e3o ficou s\u00f3 nisso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao vivo, a banda \u00e9 formada por Tagore (voz, viol\u00e3o e guitarra), Caramur\u00fa Baumgartner (percuss\u00e3o e voz), J\u00falio Castilho (baixo, guitarra e teclados \u2013 substituindo temporariamente Diego Dorneles), Alexandre Barros (bateria) e Jo\u00e3o Cavalcanti (baixo, guitarra e teclados). Agrupamentos diferentes dentro dessa forma\u00e7\u00e3o foram feitos nas turn\u00eas anteriores (com Emerson Calado como baterista), e o impacto que isso teve no novo momento da banda tamb\u00e9m \u00e9 assunto, bem como o contrato com a Sony, respons\u00e1vel pelo lan\u00e7amento digital de \u201cPineal\u201d (ainda n\u00e3o h\u00e1 edi\u00e7\u00e3o f\u00edsica).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tagore est\u00e1 em um momento decisivo da carreira. Com a impressionante repercuss\u00e3o de \u201cMudo\u201d e da faixa-t\u00edtulo no Youtube e nas plataformas de streaming, parece estar prestes a dar um passo firme rumo a uma popularidade que h\u00e1 muito tempo passa longe dos artistas independentes do Brasil. Ele est\u00e1 ciente disso e, surpreendentemente, \u00e0 vontade. Confira o papo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/29d2sDjcO1I?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea j\u00e1 deve ter respondido muito essa pergunta para as pessoas mais pr\u00f3ximas, mas vamos l\u00e1: a sonoridade mudou, e muito. O elemento pop continua, claro, mas n\u00e3o h\u00e1 mais nada de regional no som. O que aconteceu?<\/strong><br \/>\n\u00c9 uma indaga\u00e7\u00e3o que a gente faz entre n\u00f3s mesmos (risos). A gesta\u00e7\u00e3o desse disco come\u00e7ou l\u00e1 em 2013, quando o \u201cMovido a Vapor\u201d n\u00e3o tinha nem sido lan\u00e7ado ainda. A gente gravou o \u201cMovido a Vapor\u201d entre dezembro de 2011 e janeiro de 2012. Depois de gravado, ficamos seis meses mixando, e o disco ficou pronto l\u00e1 por outubro de 2012. A gente come\u00e7ou a fazer o planejamento de lan\u00e7ar, mas aconteceram v\u00e1rios atrasos por fatores sobre os quais n\u00e3o t\u00ednhamos controle. Uma hora a gente estava com tudo arranjado para lan\u00e7ar, s\u00f3 que um amigo nosso faleceu, ficamos super baixo astral, a galera deu uma esfriada no processo&#8230; Foram muitos fatores que fizeram com que o \u201cMovido a Vapor\u201d ficasse pronto por dois anos sem ser lan\u00e7ado, saca? E a gente tocando muitas das m\u00fasicas dos discos, fomos maturando o show ao vivo&#8230; Quando o disco foi lan\u00e7ado, o show estava bem legal, por\u00e9m o ponto negativo \u00e9 que a gente perdeu muito a \u201cinstiga\u201d de lan\u00e7ar um produto que t\u00e1 fresco. Isso deixou a gente meio angustiado, mas beleza, continuamos rodando com o \u201cMovido a Vapor\u201d at\u00e9 agora. Em 2013, o disco n\u00e3o estava lan\u00e7ado, est\u00e1vamos com poucos shows, eu estava terminando minha faculdade, ent\u00e3o dei in\u00edcio a um processo de \u201cpr\u00e9-pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o\u201d do que seria o \u201cPineal\u201d j\u00e1 muito influenciado por essa psicodelia que veio com o Kevin Parker. Conheci o som deles no meio de 2012 e me fascinou desde o come\u00e7o. Reuniu refer\u00eancias que eu curti muito: a parada do vocal ser meio John Lennon, a parada das guitarras ser meio Cream, de Eric Clapton, no come\u00e7o&#8230; Fui muito capturado pela vibe geral. Comecei ent\u00e3o a olhar muito para essas influ\u00eancias, que eu j\u00e1 curtia, mas agora com outro olhar. Beatles mesmo, Hendrix, Floyd de Syd Barrett: essas coisas que constituem o b\u00e1sico da psicodelia. Fui produzindo as musicas j\u00e1 com essa est\u00e9tica. Em 2014, quando fomos para S\u00e3o Paulo, tivemos a oportunidade de montar o est\u00fadio na casa onde a gente estava, e eu e o Jo\u00e3o come\u00e7amos a lapidar essas can\u00e7\u00f5es que tinham sido feitas em 2013. Surgiram a\u00ed vers\u00f5es bem parecidas com as que entraram no \u201cPineal\u201d. Em 2015 foi a \u00faltima leva de pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o, quando a gente definiu os arranjos e a\u00ed partiu pra gravar. N\u00e3o sei se consegui me explicar bem, mas o processo foi esse pra mudan\u00e7a do som. A gente ficou muito tempo com a parada do regional sem poder lan\u00e7ar, e isso ficou meio que engasgado at\u00e9 que uma hora saturou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cansou.<\/strong><br \/>\nCansou. E foi muito rotulado tamb\u00e9m. Foi calcado muito no udigr\u00fadi daqui [de Pernambuco], e realmente tem muita influ\u00eancia, sou muito orgulhoso disso. S\u00f3 que em algum momento ficou muito restritivo para o nosso som. \u201cAh, a pegada Alceu Valen\u00e7a\u201d (repete v\u00e1rias vezes)&#8230; Acho do caralho, acho <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/07\/06\/download-tributo-a-alceu-valenca\/\" target=\"_blank\">Alceu Valen\u00e7a<\/a> foda, mas quero que a gente seja conhecido por mais coisas do que isso. Talvez o \u201cPineal\u201d ser completamente diferente seja uma rea\u00e7\u00e3o a isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A sonoridade antiga, ent\u00e3o, morreu?<\/strong><br \/>\nA gente pode at\u00e9 voltar ao regional, mas se isso rolar, vai ser um regional desconstru\u00eddo. Tipo esse \u00faltimo da Elza Soares, saca? Bem l\u00f3gico-matem\u00e1tico, todo quebrad\u00e3o, com uns moogs no lugar do baixo&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/22t2Y2v0CKM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Com o que voc\u00ea contou do processo do \u201cPineal\u201d agora, parece que foi tudo caseiro. Foi?<\/strong><br \/>\nDuas m\u00fasicas tiveram sua bateria gravada num est\u00fadio de Recife, o Carranca, ainda com o Emerson Calado na bateria. A masteriza\u00e7\u00e3o foi feita pelo Felipe Tichauer num est\u00fadio em Miami. Mas toda a capta\u00e7\u00e3o e mixagem foi em casa. Gravamos tudo em linha, inclusive microfone. Gravamos tudo no Logic (Pro, um programa de produ\u00e7\u00e3o musical da Apple).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essas grava\u00e7\u00f5es foram, basicamente, voc\u00ea, o Jo\u00e3o e o Benke, do Boogarins, certo?<\/strong><br \/>\nSim. O Benke participou de duas m\u00fasicas, e participou da mixagem de uma terceira. E mesmo quando ele n\u00e3o gravava, ele estava bem presente, dando opini\u00e3o, servindo como refer\u00eancia de ouvido novo no processo. Era muito importante a opini\u00e3o dele porque ele n\u00e3o estava enfiado no processo, ent\u00e3o ele vinha com a parada fresca, sem v\u00edcios. \u00c9 um cara que eu admiro muito, foi \u00f3timo contar com ele. O Dinho [Almeida, vocalista do Boogarins] tamb\u00e9m gravou vocal em uma m\u00fasica, \u201cReflexo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 engra\u00e7ado que voc\u00ea e o Caramur\u00fa viajaram muito para promover o anterior, e ele acabou participando pouco desse novo. O Julio e o Alexandre tamb\u00e9m n\u00e3o viajaram tanto. Acha que isso pode ser um problema para executar esse material novo ao vivo?<\/strong><br \/>\nO Alexandre n\u00e3o gravou com a gente, as baterias foram com o Emerson Calado ainda, s\u00f3 que ele n\u00e3o pode acompanhar a gente ent\u00e3o o Alexandre entrou agora. O Alexandre passou uma semana com o Jo\u00e3o, ficaram diret\u00e3o s\u00f3 para tirar bateria e baixo. Quando isso estava fechado, eu entrei, e ficamos tocando muito como bateria, baixo e guitarra. Quando estava bem legal, passamos a ensaiar no est\u00fadio com tudo mundo: cinco pessoas mais a utiliza\u00e7\u00e3o de sampler. O processo do ao vivo foi constru\u00eddo em conjunto, com todo mundo tentando entender o material e contribuir com a sua pegada. O Tagore funciona basicamente como um duo na sua concep\u00e7\u00e3o art\u00edstica, e como um quinteto na execu\u00e7\u00e3o dessa cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A banda est\u00e1 dividida geograficamente. Voc\u00eas j\u00e1 chegaram a morar todos juntos em S\u00e3o Paulo, depois voltaram para o Recife. Agora est\u00e1 dividido de novo, n\u00e3o? E mais que antes.<\/strong><br \/>\nEu e Julio estamos em S\u00e3o Paulo, Jo\u00e3o e Alexandre em Recife e Caramur\u00fa em Curitiba.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o. Na turn\u00ea do \u201cMovido a Vapor\u201d, voc\u00ea variava os formatos, tocando como duo com Caramur\u00fa, trio com ele mais o Jo\u00e3o, ou com a banda completa. S\u00f3 que o som mudou muito, e talvez n\u00e3o acomode essa flexibilidade. Como voc\u00eas v\u00e3o excursionar para promover o \u201cPineal\u201d?<\/strong><br \/>\nCom a banda inteira. Vamos manter o quinteto. Minha fixa\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Paulo vai facilitar, eu acho, porque agora temos tr\u00eas integrantes no \u201ceixo\u201d, no Sudeste. O trajeto de \u00f4nibus fica mais f\u00e1cil, s\u00f3 dois integrantes precisam de avi\u00e3o, o que deixa a coisa menos custosa. Mas vamos fazer uma tour baseada em \u00f4nibus mesmo, que \u00e9 mais vi\u00e1vel do que em avi\u00e3o, como v\u00ednhamos fazendo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essa foi a raz\u00e3o pela qual voc\u00ea voltou a S\u00e3o Paulo?<\/strong><br \/>\nIsso. Tanto isso como a necessidade de manter um networking constante, ficar perto das bandas que a gente gosta&#8230; <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/10\/19\/entrevista-francisco-el-hombre\/\" target=\"_blank\">Francisco, el Hombre<\/a> t\u00e1 l\u00e1, v\u00e1rias outras galeras. Muita gente que eu curto t\u00e1 l\u00e1, ent\u00e3o me sinto mais imerso no meu habitat de cria\u00e7\u00e3o, de arte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando voc\u00eas foram todos para divulgar o \u201cMovido a Vapor\u201d, acabou n\u00e3o rolando tudo o que voc\u00eas esperavam e acabaram voltando para o Recife. Com voc\u00ea e Julio de volta \u00e0 capital paulista, o que mudou? Ou seja, o que est\u00e1 diferente agora, tornando esse momento paulistano vi\u00e1vel?<\/strong><br \/>\nEu diria que a experi\u00eancia de conhecer a cidade, ter um dom\u00ednio maior de deslocamento, um c\u00edrculo social de amigos, um networking constante. O Julio j\u00e1 morava l\u00e1 quando fomos em 2014, e ficamos todos no mesmo apartamento para fazer a concentra\u00e7\u00e3o, tent\u00e1vamos fazer os pr\u00e9-shows ali s\u00f3 com os viol\u00f5es, esse tipo de coisa. Como a gente ficou bem mais entrosado, a gente j\u00e1 n\u00e3o precisa estar toda hora junto, d\u00e1 para nos vermos mais perto dos shows. Acho que a banda est\u00e1 bem mais madurona, essa \u00e9 a diferen\u00e7a. E o som menos regional \u2013 S\u00e3o Paulo consome o regional, mas acho que consome mais essas coisas cosmopolitas, universais. \u00c9 o lugar onde a semente deve ser plantada. L\u00e1 e no Sul, onde a gente tamb\u00e9m tem um p\u00fablico bem forte (nota: Tagore fez muitos shows na regi\u00e3o da Serra Ga\u00facha nos \u00faltimos dois anos \u2013 mais que muitos artistas locais). E tamb\u00e9m ajuda a fazer tudo da maneira mais econ\u00f4mica poss\u00edvel, j\u00e1 que t\u00e1 todo mundo meio quebrado.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ZXcsNRNhHHY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00f4 olhando no Youtube agora (24 de outubro) e estou vendo que o v\u00eddeo de cada single tem mais de 130 mil visualiza\u00e7\u00f5es cada (nota: j\u00e1 passava de 240 mil ainda antes do fim do mesmo m\u00eas).<\/strong><br \/>\nAcredito que esse n\u00famero \u2013 absurdamente grande para uma banda do nosso n\u00edvel \u2013 \u00e9 fruto do investimento da Sony, do direcionamento que eles est\u00e3o fazendo. Eles est\u00e3o impulsionando junto a um p\u00fablico que \u00e9 mais alvo, mais direcionado. T\u00e1 tendo um alcance maior, e para pessoas mais certeiras, e esse processo que est\u00e1 fazendo a expans\u00e3o da parada. Quando eles param de impulsionar, d\u00e1 uma desacelerada, mas continua pegando mais gente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como a Sony entrou nessa jogada?<\/strong><br \/>\nEles est\u00e3o lan\u00e7ando exclusivamente digital, mas temos o direito de uso da marca na vers\u00e3o f\u00edsica. Quando lan\u00e7amos o \u201cMovido a Vapor\u201d, o Marcelo Monteiro \u2013 na \u00e9poca n\u2019O Globo \u2013 colocou o \u00e1lbum como melhor do ano na lista dele. A\u00ed surgiu a oportunidade de ele incluir um som nosso numa colet\u00e2nea que ele estava lan\u00e7ando \u2013 a \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/05\/04\/de-olho-na-nova-musica-brasileira\/\" target=\"_blank\">Nov\u00edssima M\u00fasica Brasileira<\/a>\u201d, que tamb\u00e9m \u00e9 o nome do selo que est\u00e1 abrigado na Sony. Entramos com \u201cVagabundo Iluminado\u201d, e a\u00ed fui chamado ao Rio de Janeiro para gravar um clipe para promover a faixa como single. Eles gostaram muito da performance, perguntaram se n\u00e3o t\u00ednhamos um trabalho pronto para ser lan\u00e7ado, e mostramos o \u201cPineal\u201d para eles. Foi a\u00ed que surgiu a proposta de fazer o lan\u00e7amento digital e o impulsionamento dos clipes. Estamos a\u00ed, fazendo esse trabalho e tateando para ver no que vai dar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o que est\u00e1 dando, at\u00e9 o momento?<\/strong><br \/>\nT\u00f4 me sentindo&#8230; como diria, n\u00e3o explorado, como muita gente fala das grandes gravadoras. N\u00e3o t\u00f4 me sentindo sugado na minha arte, e sim que est\u00e1 havendo um trabalho de parceria. T\u00f4 vendo que eles t\u00eam um trabalho mercadol\u00f3gico, mas preocupado com a cria\u00e7\u00e3o, com a arte mesmo. Por exemplo: n\u00e3o pediram para a gente remixar nada no nosso trabalho, entenderam que a est\u00e9tica \u00e9 mais caseira, mais lo-fi. Achei muit\u00edssimo positivo que eles aceitaram isso como uma caracter\u00edstica e n\u00e3o como um defeito. Achava que eles iriam pedir uma mudan\u00e7a, e nada disso aconteceu. Acho que est\u00e3o confiando bastante no nosso trampo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/BTUcd787zJo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando saiu o \u201cNov\u00edssima M\u00fasica Brasileira\u201d, teve muita gente do meio musical celebrando as gravadoras grandes voltarem a olhar para o meio independente. Por outro lado, houve muitos que chiaram, tanto artistas como produtores, dizendo que uma colet\u00e2nea era \u201cmuito pouco\u201d, era um \u201cretrocesso aos anos 80\u201d, entre outras cr\u00edticas mais ou menos pesadas. A mim, me parece uma colet\u00e2nea bastante adequada. Se n\u00e3o representa toda a produ\u00e7\u00e3o atual \u2013 o que seria imposs\u00edvel de qualquer forma \u2013 pelo menos traz um panorama bem interessante do que est\u00e1 sendo feito.<\/strong><br \/>\nVerdade. Teve essas cr\u00edticas, sim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o. Voc\u00ea acha que ainda persiste esse, digamos assim, \u201ccoitadismo\u201d, esse \u201ccomplexo de outsider\u201d no cen\u00e1rio brasileiro? O pr\u00f3prio Tame Impala: no come\u00e7o, cr\u00edtica, artistas e f\u00e3s saudavam a banda, agora desdenham porque eles v\u00eam seguidamente ao Brasil, \u201cparece Jimmy Cliff\u201d, essas coisas. Parece que as pessoas querem porque querem ser \u201ccoitadas\u201d e valorizar s\u00f3 quem est\u00e1 \u201cfora\u201d.<\/strong><br \/>\nAcho que esses exemplos existem, sim. Eu mesmo conhe\u00e7o muita gente que era bastante f\u00e3 n\u00e3o s\u00f3 do Tame Impala, mas de outras bandas de levas muito importantes, e que hoje em dia caem nessa onda de modismo, uma parada mais recorrente \u00e0 superficialidade, e n\u00e3o uma aprofundada na arte mesmo. \u00c9 realmente dif\u00edcil deixar de existir isso, \u00e9 uma rea\u00e7\u00e3o natural a muitos fatores. Tem gente que acha que faz um trampo massa e que devia ter um alcance muito grande, e que por n\u00e3o conseguir esse alcance fica ressentido com isso. Tem gente que preza pela parada bem obscura, quer que seja bem \u201cjogada\u201d e n\u00e3o se preocupa com timbres, com volumes, com mixagem. O do-it-yourself cruz\u00e3o tem esse tipo de gente meio ranzinza e que come\u00e7o a dizer esse tipo de coisa. A galera n\u00e3o procura ver a arte pela arte, s\u00f3 porque ela t\u00e1 numa vitrine grande, saca? Gente que vem falar mal de um cara como o Drake, por exemplo, com aquela m\u00fasica do \u201cme, myself and my millions\u201d (\u201cHeadlines\u201d). A letra \u00e9 besta, mas vai sacar a melodia que t\u00e1 sendo usada ali, os timbres! O cara t\u00e1 numa grande gravadora, estourado, e t\u00e1 fazendo uma parada de qualidade. N\u00e3o \u00e9 porque ele est\u00e1 num mainstream pesado que ele \u00e9 um cara ruim. Ent\u00e3o acho que existe, sim, preconceito contra o mainstream, contra a ideia do mainstream. Essa colet\u00e2nea nem toca nesse patamar de mercado, \u00e9 um n\u00facleo bem menor, mas atrai esse mesmo preconceito: gente que vai falar mal do The Baggios porque \u201ct\u00e1 passando da onda\u201d. Tem gente que segue por si s\u00f3, e eu admiro. A gente n\u00e3o almejou chegar na Sony. Uma vez que chegou, est\u00e1 curtindo, mas n\u00e3o est\u00e1 achando a melhor coisa do mundo nem a salva\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 estar nela que vai fazer a gente \u201cacontecer\u201d no sentido material. Mas segue esse preconceito besta. Sabe, como quem fala \u201cargentino \u00e9 chato\u201d. Bicho, argentino \u00e9 ser humano, e tem ser humano chato e ser humano legal! N\u00e3o tem esse tipo de bitola\u00e7\u00f5es. \u00c9 v\u00edcio de pensamento.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Pocy_rHyKTc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/leovinhas\" target=\"_blank\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell. Foto que abre o texto: Reprodu\u00e7\u00e3o Facebook \/ Divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Tagore est\u00e1 em um momento decisivo da carreira lan\u00e7ando &#8220;Pineal&#8221;, seu segundo \u00e1lbum, pela Sony e mudando radicalmente o som\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/11\/14\/entrevista-tagore\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":41024,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[839],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41023"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41023"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41023\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":41025,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41023\/revisions\/41025"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/41024"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41023"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41023"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41023"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}