{"id":40996,"date":"2016-11-11T19:33:29","date_gmt":"2016-11-11T21:33:29","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=40996"},"modified":"2023-11-17T00:15:31","modified_gmt":"2023-11-17T03:15:31","slug":"tres-vezes-wilco-em-quatro-dias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/11\/11\/tres-vezes-wilco-em-quatro-dias\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas vezes Wilco no Brasil em quatro dias"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pref\u00e1cio.<\/strong><br \/>\n<em>Em um dos trechos marcantes do excelente document\u00e1rio \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/01\/28\/tres-filmes-cbgb-svengali-e-nick-cave\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">20 Mil Dias Sobre a Terra<\/a>\u201d (2014), Nick Cave conversa com o psic\u00f3logo Darian Leader e fala sobre seu maior medo: perder a mem\u00f3ria. \u201cPorque a mem\u00f3ria \u00e9 o que somos e acho que a sua alma e a sua pr\u00f3pria raz\u00e3o para estar vivo&#8230; est\u00e1 amarrada na mem\u00f3ria\u201d. Corta para a noite passada com o an\u00fancio da morte de Leonard Cohen. J\u00e1 era esperado, ele havia avisado e disfar\u00e7ado cinicamente, mas sempre choca. Relembrei de uma das duas vezes que tive a sorte de v\u00ea-lo ao vivo, a primeira <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/tag\/fib2008\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">no Festival de Benic\u00e0ssim 2008<\/a>, o show que mais chorei em toda a minha vida. Na madrugada fui reler o texto que escrevi na \u00e9poca e&#8230; chorei de novo. Puta que pariu (risos). N\u00e3o sei explicar o que aconteceu naquele dia e o que ainda provoca essa forte emo\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 algo&#8230; poderoso. Lendo aquele texto de 8 anos atr\u00e1s tive um estalo: preciso escrever sobre os shows do Wilco, tira-los de dentro de mim, porque um dos motivos que me fez escrever ainda quando era menino foi a vontade de cristalizar o momento numa folha de papel, e poder voltar a ele sempre que fosse necess\u00e1rio (por amor, por dor, fuga ou medo de perder a mem\u00f3ria). Desta forma, este texto que segue \u00e9 dedicado a Leonard Cohen e a todos que j\u00e1 se emocionaram a ponto de chorar num show. Tamo junto!<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/wilco5.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Tr\u00eas vezes Wilco no Brasil, por Marcelo Costa<\/strong><br \/>\nFotos: 1, 2, 5 e 6 por <a href=\"http:\/\/lilianecallegari.com.br\/shows\/o-concorrido-show-do-wilco-no-auditorio-ibirapuera\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Liliane Callegari<\/a> \/ 3 por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/bruno.eduardo.12382\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Eduardo<\/a> \/ 4 por Marcelo Costa<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00e1 se v\u00e3o 2016 anos depois de Cristo e alguns 180 milh\u00f5es de anos antes dele e impressiona a capacidade que a m\u00fasica ainda tem de emocionar e encantar pessoas. S\u00e9rio. Vivemos o per\u00edodo m\u00e1ximo de superexposi\u00e7\u00e3o social, um sentimento que fragmenta em centenas de milhares de pedacinhos tudo o que somos na busca do que queremos ser (ou o que achamos que os outros querem que a gente seja). A cena mais corriqueira: a pessoa emburrada abre o sorriso pruma selfie e volta a ficar emburrada ap\u00f3s o clique. Quando cantou que a felicidade era boa, mas durava pouco mais de um hora, Perry Farrel n\u00e3o devia imaginar que a felicidade pudesse ser desconstru\u00edda t\u00e3o rapidamente ao clique da c\u00e2mera digital de um celular. Esse, no entanto, \u00e9 o jogo numa sociedade viciada em consumismo e publicidade, que tudo compra e tudo vende.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Popload 10 Anos - Wilco no Ibirapuera, &quot;Misunderstood&quot;\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/GAvqHV4-upA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Wilco \u00e9 uma banda estranha no contexto do paragrafo anterior, pois parece mais um grupo de tiozinhos seguindo um l\u00edder desajeitado que parece que saiu da horta da fazenda no minuto anterior e segue numa tarefa interessante de tentar desconstruir o classic rock injetando kraut, jazz torto e noise em doses homeop\u00e1ticas que servem tanto para seduzir o descolado que adoraria ver o mundo ao avesso tanto para causar curiosidade a quem ouve m\u00fasica como passa manteiga no p\u00e3o, sem prestar l\u00e1 tanta aten\u00e7\u00e3o. Nesse contexto, se a fase \u00e1urea do Wilco em est\u00fadio, demarcada entre 1996 e 2007, ficou l\u00e1 atr\u00e1s perdida no &#8220;passado&#8221;, o sexteto continua dando caldo onde realmente importa, o palco, transformando at\u00e9 can\u00e7\u00f5es mornas recentes em n\u00fameros merecedores de aplausos efusivos do p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>WILCO NO CIRCO VOADOR \u2013 06\/10\/2016<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/wilco6.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"497\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A turn\u00ea brasileira do Wilco come\u00e7ou numa quinta-feira de tempo agrad\u00e1vel no Rio de Janeiro, naquele que \u00e9 o indiscut\u00edvel melhor local para se ver shows no pa\u00eds, o Circo Voador. Pelas ruas da Lapa, f\u00e3s bebiam, se abra\u00e7avam e torciam por m\u00fasicas. Caravanas isoladas de uma ou duas pessoas vinham de toda parte enquanto integrantes da banda passeavam pela bagun\u00e7a como querendo captar alguma aura b\u00eabado po\u00e9tica da cidade maravilhosa. Ainda assim, apenas metade dos 2500 lugares do Circo Voador estavam ocupados, mas a turma do Queremos, que organizou esse show carioca, estava feliz, o p\u00fablico estava feliz, e a banda estava feliz. Tinha como dar errado? Sempre tem, mas n\u00e3o foi nessa noite, n\u00e3o foi nesse palco e muito menos diante desse p\u00fablico que parecia viver a felicidade real, t\u00e1til e drogadamente viciante.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Wilco - Theologians - Rio de Janeiro 2016\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/x2O4Prca-g0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cRandom Name Generator\u201d, do \u00e1lbum de 2015 \u201cStar Wars\u201d, iniciou a turn\u00ea brasileira do Wilco, e com pouco mais de 1 minuto de show o p\u00fablico j\u00e1 estava urrando pela banda. Ainda assim ningu\u00e9m esperava um set list caprichado que logo na sequencia traria as tempestades \u201cI Am Trying to Break Your Heart\u201d e \u201cArt of Almost\u201d al\u00e9m de uma vers\u00e3o ac\u00fastica suave com slide guitar de \u201cMisunderstood\u201d, um dos cavalos de batalha do \u00e1lbum \u201cBeing There\u201d (1996). J\u00e1 nesse come\u00e7o pode se desenhar a estrutura que faz do Wilco ser uma banda matadora ao vivo, que une os fundadores Jeff Tweedy (voz, viol\u00e3o, guitarra e cora\u00e7\u00e3o da banda) e John Stirratt (baixo) ao baterista monstro Glenn Kotche, que entrou em 2001, ao tecladista Mikael Jorgensen (2002) al\u00e9m do guitarra Nels Cline e o faz tudo Pat Sansone, os dois na banda desde 2004.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Wilco - Random Name Generator - Rio 2016\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/b0o9BY7Ny5A?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, essa \u00e9 uma forma tradicional de ver uma banda pouco tradicional. Na verdade, o Wilco s\u00e3o doces can\u00e7\u00f5es folks de Jeff Tweedy ao viol\u00e3o que passam pela centrifuga experimental de, principalmente, Glenn Kotche e Nels Cline. Sem eles, provavelmente, o Wilco seria um Travis melhor resolvido, mas com os dois causando toda noite eles se transformam numa grande banda de rock\u2019n\u2019roll. N\u00e3o \u00e9 a toa que o p\u00fablico entoou os riffs de guitarra nos shows, uma vibe deliciosa que come\u00e7ou no Rio, com aprova\u00e7\u00e3o de Jeff, cresceu em S\u00e3o Paulo no Popload Festival e se consolidou no show intimista do Audit\u00f3rio Ibirapuera. S\u00f3 quem esteve em algum destes shows entende <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/marcelo.costa.5855\/posts\/1249308478424619\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jeff contando aos belgas, um m\u00eas depois, como o p\u00fablico latino-americano era legal<\/a>.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Wilco - Circo Voador - 06 Oct 2016 - &quot;California Stars&quot; - participa\u00e7\u00e3o Cesar de Couto (guitarra)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/j00Iu15jtaM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa rendi\u00e7\u00e3o \u00e0 guitarra rende o momento mais celebrado do show, o j\u00e1 m\u00edtico solo de Nels Cline em \u201cImpossible Germany\u201d. A como\u00e7\u00e3o foi tanta que, olhando a como\u00e7\u00e3o da plateia, Jeff fez quest\u00e3o de se dirigir a Nels Cline, dar-lhe um tapinha nas costas e dizer: \u201cIsso tudo \u00e9 pra voc\u00ea\u201d. Provavelmente ainda mergulhado na adrenalina do solo, Nels olhou o p\u00fablico e num gesto de reverencia agradeceu os aplausos. Tudo funcionou nessa noite: os hits, os cl\u00e1ssicos e at\u00e9 as can\u00e7\u00f5es novas: \u201cCry All Day\u201d, com Nels tirando som das cordas quase nos trastes, a \u00f3tima \u201cSomeone to Lose\u201d e at\u00e9 mesmo \u201cIf I Ever Was a Child\u201d, em que Nels surge tocando como uma guitarrista comum. Pode-se reclamar da simplicidade de \u201cLocator\u201d? Pode, mas n\u00e3o \u00e9 o fim do mundo \u2013 e passa r\u00e1pido, e tem um riff de guitarra que d\u00e1 pra cantar&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Wilco - Jesus, Etc. - Rio de Janeiro 2016\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ZG0Gcj8vrjs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de tudo teve tamb\u00e9m &#8220;ol\u00ea ol\u00ea ol\u00ea, Wilco, Wilco&#8221;, \u201cTheologians\u201d, \u201cAshes of American Flags\u201d, \u201cJesus, Etc.\u201d, \u201cHeavy Metal Drummer\u201d, \u201cI&#8217;m the Man Who Loves You\u201d al\u00e9m do trio rock\u2019n\u2019roll do bis formado por \u201cRed-Eyed and Blue\u201d, \u201cI Got You (At the End of the Century)\u201d e \u201cOuttasite (Outta Mind)\u201d. Em \u201cCalifornia Stars\u201d, Jeff puxou um rapaz da plateia que levou um cartaz no melhor modelo Bruce Springsteen e se saiu bem ao dividir uns solos com Nels Cline. Para fechar uma noite perfeita, \u201cSpiders\u201d, que transformaria a historinha de cantar os riffs da banda em ponto obrigat\u00f3rio da turn\u00ea (islandeses, japoneses, holandeses, austr\u00edacos e canadenses, agora \u00e9 com voc\u00eas). Se fosse s\u00f3 esse show j\u00e1 seria sensacional, mas ainda havia outros dois.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>WILCO NO POPLOAD FESTIVAL \u2013 08\/10\/2016<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-40998\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/wilco4.jpg\" alt=\"wilco4\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/wilco4.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/wilco4-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se n\u00e3o fosse o Popload Festival n\u00e3o haveria Wilco no Brasil, e ainda que fosse not\u00f3rio que seria imposs\u00edvel bater a grandiosidade do show no Circo Voador, centenas de f\u00e3s que estavam no Rio na quinta bateram ponto no Urban Stage, em S\u00e3o Paulo, para testar a sorte. Realizado pela primeira vez\u00a0em um grande estacionamento localizado ao lado do Terminal Rodovi\u00e1rio Tiet\u00ea, o Popload Festival caprichou na estrutura. Ao grande Bixiga 70 coube a tarefa de substituir o grande Battles, que cancelou a vinda para a Am\u00e9rica do Sul poucos dias antes, e os paulistanos fizeram sua tradicional festa afrobeat. Ava Rocha fez um show muito mais perform\u00e1tico do que musical enquanto o Ratatat tocou a mesma m\u00fasica por quase uma hora \u2013 nos 10 primeiros minutos \u00e9 legal, nos outros 50 \u00e9 esquec\u00edvel e chato.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Wilco - Cry All Day - Popload Festival 2016 Brazil\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/UfCrSxB05ME?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 ent\u00e3o o som estava impec\u00e1vel, alto e deliciosamente n\u00edtido em toda a arena improvisada, mas bastou o Wilco pisar no palco para a situa\u00e7\u00e3o mudar&#8230; por culpa da banda. <a href=\"http:\/\/consequenceofsound.net\/2016\/08\/a-wilco-state-of-touring-on-going-acoustic-rotating-setlists-and-patient-fans\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Em entrevista ao Consequence of Sound<\/a> em agosto, Jeff Tweedy contou do desejo da banda em diminuir o material e as tralhas que carrega em turn\u00ea. \u201cN\u00f3s nos divertimos com amplificadores maiores, mas a ideia da tour \u2018Schmilco\u2019 \u00e9 fazer shows em pequenos teatros, um mais pr\u00f3ximo do outro, apertado\u201d, explicou. \u201cEstamos tocando calmamente e curtindo ouvir o outro mais pr\u00f3ximo ao inv\u00e9s de s\u00f3 ouvir pelos monitores\u201d, completou Pat Samsone. Bacana a atitude, mas para um grande palco de festival a coisa complica, e o som do show do Wilco no Popload Festival, principalmente na primeira metade, mais calma, sofreu para se adaptar \u00e0 banda.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Wilco - I Am Trying To Break Your Heart - Popload Festival 2016 Brazil\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/RcrNcOi_fqQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos f\u00e3s n\u00e3o se incomodaram e fizeram a festa t\u00edpica sul-americana exprimindo paix\u00e3o pela banda a cada break. Se no Rio, o repert\u00f3rio chegou a 29 can\u00e7\u00f5es, a preocupa\u00e7\u00e3o de um show em festival ser incrivelmente menor n\u00e3o se realizou e o grupo mostrou 27 can\u00e7\u00f5es, entre elas uma execu\u00e7\u00e3o pungente de \u201cEither Way\u201d e a inclus\u00e3o surpresa de \u201cSide With the Seeds\u201d, tocada pela segunda vez na turn\u00ea \u2013 a pedido de um f\u00e3. Os grandes momentos se repetiram: o longo e m\u00e1gico solo de \u201cImpossible Germany\u201d, a melancolia de \u201cJesus Etc&#8230;\u201d, a empolga\u00e7\u00e3o de \u201cHummingbird\u201d, o mesmo tour de force rock\u2019n\u2019roll do bis no Rio e, claro, \u201cSpiders\u201d com direito a corinho da plateia incentivado por Tweedy. Como disse um amigo: \u201cCriamos um monstro\u201d (risos). Na sequencia, o Libertines parecia um avi\u00e3o desgovernado que a qualquer momento poderia se espatifar no ch\u00e3o. N\u00e3o o fez e, mesmo capenga, &#8220;Can&#8217;t Stand Me Now&#8221; emocionou.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>WILCO NO AUDITORIO IBIRAPUERA \u2013 09\/10\/2016<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/wilco2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com pre\u00e7o do ingresso a R$ 20, os tickets simplesmente desapareceram alguns minutos ap\u00f3s terem sido colocados \u00e0 venda uma semana antes. O burburinho, no entanto, tentava diminuir o valor dessa apresenta\u00e7\u00e3o: \u201cSer\u00e1 um pocket show\u201d, dizia um. \u201cEles v\u00e3o tocar apenas can\u00e7\u00f5es do \u201cSchmilco\u201d, dizia outro. \u201cVai ser um show de covers\u201d, opinava outro com a mesma certeza de Danilo Gentili na vit\u00f3ria de A\u00e9cio Neves. Outro ponto tamb\u00e9m circulava nos bastidores dos f\u00e3s antes da apresenta\u00e7\u00e3o: se houvesse um ranking de apostas antes do show, a expectativa geral era de que essa apresenta\u00e7\u00e3o no belo, por\u00e9m sisudo, Audit\u00f3rio Ibirapuera n\u00e3o tinha a menor chance de bater a emo\u00e7\u00e3o olho no olho do Circo Voador. E ent\u00e3o, senhoras e senhores, fomos surpreendidos. Felizmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/wilco3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sabe aquela coisa de tocar em palcos menores que o Jeff falou na entrevista da CoS? Ent\u00e3o, aquilo se explicou a perfei\u00e7\u00e3o no Audit\u00f3rio Ibirapuera. O som estava t\u00e3o n\u00edtido que as notas pareciam flutuar na atmosfera do local \u2013 mais um pouco e seria poss\u00edvel toca-las. Jeff cantava distante do microfone e sua voz saia l\u00edmpida e clar\u00edssima pelas caixas do audit\u00f3rio. Os m\u00ednimos detalhes dos arranjos (um xilofone aqui, viradas de bateria suaves ali, banjo acol\u00e1) surgiam comoventes numa ac\u00fastica simplesmente perfeita. Dispostos na melhor proposta de shows menores, um pr\u00f3ximo do outro, sem grandes apetrechos, uma bateria b\u00e1sica e nada de grandes amplificadores, o Wilco fez nada menos que seu show definitivo no Brasil, aquele que ficar\u00e1 na mem\u00f3ria de quem estava presente por vidas e s\u00e9culos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Wilco - Reservations @ Audit\u00f3rio Ibirapuera\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ZetgHmVjSos?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O show abriu de forma tempestuosamente s\u00f4nica com uma vers\u00e3o exuberante de \u201cVia Chicago\u201d e se seguiram vers\u00f5es inspiradas de \u201cI Am Trying to Break Your Heart\u201d, \u201cKamera\u201d, \u201cMisunderstood\u201d e \u201cRadio Cure\u201d. O primeiro golpe forte veio com \u201cReservations\u201d, uma balada silenciosa e comovente que fecha o \u00e1lbum \u201cYankee Hotel Foxtrot\u201d e \u00e9 pouco tocada ao vivo, e aqui ganhou uma vers\u00e3o de arrepiar e derrubar l\u00e1grimas. Na sequencia, a vers\u00e3o definitiva de \u201cImpossible Germany\u201d, um solo estendido por quase 8 minutos que, ao final, culminou com todo o Audit\u00f3rio em p\u00e9 aplaudindo e urrando o nome de Nels Cline \u2013 a sensa\u00e7\u00e3o ao final da can\u00e7\u00e3o foi a do grito de um gol em final de campeonato. Impressionado, Jeff brincou: \u201cEssa \u00e9 a plateia brasileira que eu me lembro da \u00faltima noite\u201d. Est\u00e1 tudo no v\u00eddeo ai embaixo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Wilco - Impossible Germany - Audit\u00f3rio Ibirapuera\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/46HM0uuHIUI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este terceiro show do Wilco no Brasil acontecia na noite do segundo debate presidencial nos EUA e, incomodado, Jeff Tweedy falou abertamente pela primeira vez na turn\u00ea brasileira: \u201cH\u00e1 algo que est\u00e1 me incomodando demais, h\u00e1 um idiota laranja no fundo da minha mente, e isso est\u00e1 me deixando maluco\u201d, desabafou em rela\u00e7\u00e3o ao ent\u00e3o candidato Donald Trump. Gritos de \u201cFora Temer\u201d come\u00e7aram a ecoar pelo audit\u00f3rio. \u201cEu sei que voc\u00eas tamb\u00e9m tem problemas aqui e \u00e9 exatamente disso que estou falando: estamos presos entre idiotas\u201d. Mais \u00e0 frente, contemporizou: \u201cEstamos aqui reunidos pela m\u00fasica e isso \u00e9 bonito, vamos dividir esse momento, mas eu precisava dizer que essa bola laranja (tal qual um c\u00e2ncer) no fundo do meu c\u00e9rebro est\u00e1 me incomodando muito\u201d. A pr\u00f3xima can\u00e7\u00e3o: \u201cWe Aren&#8217;t the World\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Popload 10 Anos: Wilco no Ibira, Temer, Trump e &quot;We Aren&#039;t the World&quot;\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Qnu3_N7K5ds?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2010\/05\/31\/wilco-ao-vivo-em-roma\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Seis anos atr\u00e1s num audit\u00f3rio similar em Roma<\/a>, o Parco De la M\u00fasica, a certa altura da noite, Jeff Tweedy provocou: \u201c\u00c9 muito legal para n\u00f3s tocarmos em um lugar incr\u00edvel como esse, mas&#8230; \u00e9 foda tocar e ver voc\u00eas todos estirados nas poltronas como se tivessem dormindo\u201d. Em S\u00e3o Paulo, um pouco antes de \u201cImpossible Germany\u201d, ele tentou algo semelhante: \u201cVoc\u00eas n\u00e3o precisam ficar t\u00e3o comportados, voc\u00eas sabem, n\u00e9?\u201d. N\u00e3o surtiu o efeito desejado. Mas bastou o baterista Glenn Kotche subir na bateria (um ritual que havia deixado de fazer, mas voltou a realizar nos shows da turn\u00ea latina a pedidos de Mariana Neri, respons\u00e1vel pela p\u00e1gina \u201c<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/iswilcocomingtobrazil\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Is Wilco coming to Brazil<\/a>?\u201d) e sinalizar para o p\u00fablico descer que o audit\u00f3rio todo deixou as poltronas e foi pra frente do palco tornando a apresenta\u00e7\u00e3o ainda mais intimista.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Popload 10 Anos: Wilco no Ibira, &quot;Hummingbird&quot;\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/BCl4WXoL1t0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Visivelmente inseguro com os f\u00e3s aos seus p\u00e9s, Jeff foi adquirindo confian\u00e7a conforme o show seguia, e se a apresenta\u00e7\u00e3o nesse trecho final perdeu em qualidade sonora, ganhou em clima, devo\u00e7\u00e3o e paix\u00e3o, com Jeff regendo o p\u00fablico em \u201cHummingbird\u201d, tirando mais um coelho da cartola com \u201cHate It Here\u201d (outra da lista de pedidos de f\u00e3s que eles realmente leem no site oficial) e voltando a reger o coro da plateia no acompanhamento dos riffs em \u201cSpiders (Kidsmoke)\u201d. O set list oficial aos p\u00e9s dos integrantes guardava para o final &#8220;California Stars&#8221; e &#8220;A Shot in The Arm&#8221;, sendo que a segunda, muito querida pelos f\u00e3s, seria tocada pela primeira vez nessa turn\u00ea Brasil. Por\u00e9m o adiantado da hora vitimou as duas can\u00e7\u00f5es e a banda voltou para um segundo bis despedindo-se com \u201cI&#8217;m a Wheel\u201d. Era o fim do melhor dos tr\u00eas shows do Wilco no Brasil em 2016. Saudades. Ser\u00e1 que podemos voltar no tempo? : )<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Popload 10 Anos - Wilco no Ibirapuera, &quot;Spiders (Kidsmoke)&quot;\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/sSX-pCQr8MI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Posf\u00e1cio.<\/strong><br \/>\n<em>Duas coisas martelavam a ideia ao fim de show. Primeiro a sensa\u00e7\u00e3o de que a classe cultural est\u00e1 sofrendo um enorme baque com os recentes epis\u00f3dios na Inglaterra (o Brexit), Estados Unidos (a vit\u00f3ria de Trump e a derrota de Bruce Springsteen, Jeff Tweedy e outros) e no Brasil (todo dia um novo golpe). E d\u00f3i. Segundo que nas confus\u00f5es do mundo moderno, a m\u00fasica ainda tem um poder revigorante impressionante. &#8220;A m\u00fasica \u00e9 a vida em c\u00f3digo&#8221;, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/secoes\/bahiana.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">escreveu certa vez Ana Maria Bahiana<\/a>. &#8220;A\u00a0m\u00fasica nos mostra um mundo que merece os nossos anseios, ela nos mostra como deveriam ser os nossos eus, se f\u00f4ssemos dignos do mundo\u201d, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2016\/10\/14\/nos-queremos-uma-vida-boa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">pontuou Salman Rushdie certa vez<\/a>. A m\u00fasica aproxima pessoas, nos faz sorrir, chorar, abra\u00e7ar. E foram tr\u00eas shows do Wilco em quatro dias de l\u00e1grimas, abra\u00e7os e sorrisos. Sim, estamos presos entre idiotas, mas n\u00e3o podemos desistir de viver, de lutar, de sonhar, de sorrir, de acreditar, de ouvir e dan\u00e7ar e sonhar m\u00fasica. Nunca.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Obrigado, Wilco, obrigado.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em outubro, o Wilco finalmente matou sua saudade do Brasil e aportou no pa\u00eds para tr\u00eas shows inesquec\u00edveis. 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