{"id":40976,"date":"2016-11-11T23:58:25","date_gmt":"2016-11-12T01:58:25","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=40976"},"modified":"2017-11-07T12:02:24","modified_gmt":"2017-11-07T14:02:24","slug":"um-breve-olhar-sobre-a-discografia-de-leonard-cohen","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/11\/11\/um-breve-olhar-sobre-a-discografia-de-leonard-cohen\/","title":{"rendered":"Discografia comentada: Leonard Cohen"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/juliosays.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Julio Costello<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Texto publicado originalmente no Scream &amp; Yell em novembro de 2002. Reeditado em 2016 por Marcelo Costa, editor do Scream &amp; Yell, que escreveu sobre os discos p\u00f3s 2004. Colaborou Gabriel Innocentini.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leonard Cohen tinha apenas 15 anos quando conheceu um imigrante espanhol que lhe ensinou por meio dos sons de um viol\u00e3o a conquistar o cora\u00e7\u00e3o das mulheres. Esse professor suicidou-se semanas depois, ensinando a derradeira li\u00e7\u00e3o ao jovem Cohen. Decorrido algum tempo, Leonard tocava nos Buckskin Boys e escrevia poemas. Nos anos 1950, ingressou na faculdade, onde cursou Literatura, apaixonou-se pela poesia de Federico Garcia Lorca e pela cultura hisp\u00e2nica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos anos 1960, j\u00e1 era um respeitado como escritor tendo lan\u00e7ado os livros \u201cThe Spice Box Of Earth\u201d (1956) \u201cLet Us Compare Mythologies\u201d (1956) e \u201cParasites Of Heaven\u201d (1962), mas dividia-se entre a literatura e m\u00fasica. Decidiu cantar com mesmo cuidado de um trovador que conscientemente transige para o pensamento humanista. Escreveu can\u00e7\u00f5es sobre relacionamentos consumados ou imagin\u00e1rios, caos, sexo, morte, religi\u00e3o, profecias ir\u00f4nicas e desola\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1967, apresentou-se no Central Park ao lado da cantora Judy Collins, que havia gravado \u201cSuzanne\u201d. Neste mesmo ano, participou do Newport Folk Festival e tornou-se tema de um document\u00e1rio produzido no Canad\u00e1. Consolidou sua carreira lan\u00e7ando bons \u00e1lbuns nas d\u00e9cadas seguintes, ainda que recluso. Ap\u00f3s um longo intervalo a partir de 1992, voltou a gravar e, no novo s\u00e9culo, lan\u00e7ou cinco \u00e1lbuns de in\u00e9ditas, o \u00faltimo (\u201cYou Want It Darker\u201d) no dia 21 de outubro de 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/leonardcohen24.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Um breve olhar sobre a discografia de Leonard Cohen<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leonard Cohen n\u00e3o \u00e9 um cantor de f\u00e1cil assimila\u00e7\u00e3o \u00e0s primeiras audi\u00e7\u00f5es. Suas can\u00e7\u00f5es s\u00e3o drogas pesadas, dopantes. Sua voz monoc\u00f3rdica e o instrumental sem ornatos n\u00e3o colaboram a princ\u00edpio. No entanto, a quem se dispuser enfrentar o estranhamento inicial, a colheita ser\u00e1 abundante. Talvez valha dizer que gente como Michael Stipe, Bono, Nick Cave e Frank Black sejam f\u00e3s confessos. Ian McCulloch, <a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musica\/ianinterviewmac.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">em entrevista ao S&amp;Y<\/a>, por exemplo, colocou uma can\u00e7\u00e3o de Cohen na sua listinha de cinco preferidas de todos os tempos e confessou, em outra entrevista, tremer ao se imaginar conversando com o bardo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, se o f\u00e3 clube \u00e9 seleto, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma regularidade nos seus lan\u00e7amentos, fato que deixa os f\u00e3s sempre apreensivos e ansiosos. Pior se o f\u00e3 for brasileiro, o que o obriga a sempre importar essas preciosidades a pre\u00e7os nada confort\u00e1veis. Sua discografia possui 14 itens de est\u00fadio, 8 \u00e1lbuns ao vivo e avali\u00e1-la n\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil. O crit\u00e9rio utilizado aqui respeitou a evolu\u00e7\u00e3o natural da obra do artista, tomando como par\u00e2metro os seus melhores \u00e1lbuns.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/leonardcohen1.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"500\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Songs of Leonard Cohen, 1968<\/strong><br \/>\nO disco de estreia do bardo, produzido por John Simon e repleto de folk ultra-rom\u00e2ntico que j\u00e1 foi definido como a melhor trilha sonora para um suic\u00eddio. Da primeira faixa (&#8220;Suzanne&#8221;) at\u00e9 a \u00faltima (&#8220;One of Us Cannot be Wrong&#8221;), a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de isola\u00e7\u00e3o e desespero. N\u00e3o foi por acaso que o diretor Robert Altman utilizou v\u00e1rias faixas do \u00e1lbum na trilha de &#8220;Quando os Homens s\u00e3o Homens&#8221;, de 1971. A capa do \u00e1lbum revela um artista com express\u00e3o grave numa foto feita pelo pr\u00f3prio cantor e os versos &#8220;And you want to travel with him \/ And you want to travel blind \/ And you think maybe you\u2019ll trust him for he\u2019s touched your perfect body with his mind&#8221; (&#8220;Suzanne&#8221;), denunciam a paix\u00e3o de Cohen por uma mulher casada, uma Suzanne real. O lirismo amoroso manifestava-se tamb\u00e9m em &#8220;Hey, That\u2019s No Way to Say Goodbye&#8221; e &#8220;So Long, Marianne&#8221;, escritas para a namorada Marianne Jenson. &#8220;Songs of Leonard Cohen&#8221; \u00e9 o disco mais importante de Cohen e da vertente melanc\u00f3lica da m\u00fasica pop. Foi reeditado em 2007 com duas faixas b\u00f4nus: &#8220;Store Room&#8221; e &#8220;Blessed Is the Memory&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou\u00e7a: &#8220;Suzanne&#8221;, &#8220;Sisters of Mercy&#8221;, &#8220;Stories of the Street&#8221;, e &#8220;So Long, Marianne&#8221;<br \/>\nNota: 10<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/leonardcohen2.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"500\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Songs From A Room, 1968<\/strong><br \/>\nProduzido por Bob Johnston, \u201cSongs From A Room\u201d mant\u00e9m a atmosfera do \u00e1lbum anterior. &#8220;Bird On The Wire&#8221;, a primeira faixa, \u00e9 can\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria nas apresenta\u00e7\u00f5es de Cohen e versa sobre a liberdade: &#8220;Like a bird on the wire \/ I have try in my way to be free&#8221;. Em seguida, a narrativa &#8220;b\u00edblica&#8221; de &#8220;Story of Isaac&#8221;, em que Cohen condena os sacrif\u00edcios desnecess\u00e1rios cometidos em nome da vaidade e pede o fim da imola\u00e7\u00e3o de uma gera\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as. &#8220;The Partisan&#8221;, a \u00fanica n\u00e3o assinada pelo compositor, composta em 1944 por Anna Marly e Hy Zaret, narra a hist\u00f3ria de um combatente da Segunda Guerra, que perdeu esposa e filhos e deseja livrar-se de todo o passado e alcan\u00e7ar as fronteiras da pris\u00e3o, o campo de batalha. Tamb\u00e9m foi reeditado em 2007 com duas faixas demo extras: &#8220;Like a Bird (Bird on the Wire)&#8221; e &#8220;Nothing to One (You Know Who I Am)&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou\u00e7a: &#8220;Story of Isaac&#8221;, &#8220;A Bunch of Lonesome Heroes&#8221;, &#8220;The Partisan&#8221;, &#8220;Seems so Long Ago, Nancy&#8221;, &#8220;Bird on the Wire&#8221;<br \/>\nNota: 9<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/leonardcohen3.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"495\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Songs Of Love And Hate, 1970<\/strong><br \/>\nCom um \u00e1lbum muito triste, Leonard Cohen encerra uma esp\u00e9cie de trilogia inicial. &#8220;Avalanche&#8221;(regravada duas vezes por Nick Cave) cobre o ouvinte de uma tristeza profunda; &#8220;Last Year\u2019s Man&#8221; narra o encontro de um jovem com o ex\u00e9rcito de Joana D\u2019Arc, onde \u00e9 bem recebido. &#8220;Famous Blue Raincoat&#8221; \u00e9 uma das melhores composi\u00e7\u00f5es de Cohen, confessional \u00e0 maneira de uma carta: &#8220;It\u2019s four in the mourning, the end of December \/ I\u2019m writing you now just to see if you\u2019re better \/ New York is cold but I like where I\u2019m living \/ There\u2019s music on Clinton Street all thru the evening. \/ I hear that you\u2019re building your little house deep in the desert \/ You\u2019re living for nothing now \/ I hope you\u2019re keeping some kind of record \/ Yes and Jane came by with a lock of your hair \/ She said that you gave it to her \/ That night that you planned to go clear \/ Did you ever go clear?&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou\u00e7a: &#8220;Avalanche&#8221;, &#8220;Last Year\u2019s Man&#8221;, &#8220;Love Calls You By Your Name&#8221;, &#8220;Famous Blue Raincoat&#8221;, &#8220;Joan of Arc&#8221;<br \/>\nNota: 9<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/leonardcohen4.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"500\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Live Songs, 1973<\/strong><br \/>\nPrimeiro registro ao vivo lan\u00e7ado comercialmente por Cohen. Foi gravado entre 1970 e 1972 em Paris, Londres, Berlim e Bruxelas. Apesar da grava\u00e7\u00e3o ser prec\u00e1ria h\u00e1 bel\u00edssimas vers\u00f5es de &#8220;Bird on the Wire&#8221;, com introdu\u00e7\u00e3o em franc\u00eas, &#8220;Story of Issac&#8221; e &#8220;Nancy&#8221; (nova vers\u00e3o de &#8220;Seems So Long Ago, Nancy&#8221;). Nesse tempo, o compositor j\u00e1 vivia em Hydra, ilha grega onde residiu por alguns anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou\u00e7a: &#8220;Story of Isaac&#8221;, &#8220;Nancy&#8221;, &#8220;Minute Prologue&#8221; e &#8220;Bird on the Wire&#8221;.<br \/>\nNota: 7<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/leonardcohen5.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"500\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>New Skin For The Old Ceremony, 1974<\/strong><br \/>\nQuebra a tradi\u00e7\u00e3o dos t\u00edtulos do \u00e1lbum do autor, sempre marcados pelo substantivo &#8220;Songs&#8221;. \u00c9 um disco menos taciturno que &#8220;Songs of Love and Hate&#8221; e \u00e9 marcado pela celebra\u00e7\u00e3o do amor. &#8220;Lover Lover Lover&#8221; traz ecos de &#8220;So Long, Marianne&#8221;. A capa (a primeira sem foto de Cohen) reproduz uma c\u00f3pula de anjos, a &#8220;Simb\u00f3lica Representa\u00e7\u00e3o da Conjun\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito, ou o princ\u00edpio da uni\u00e3o Espiritual do Macho e da F\u00eamea, do texto da Alquimia&#8221; de 1550.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou\u00e7a: &#8220;Chelsea Hotel # 2&#8221;, &#8220;Lover Lover Lover&#8221;, &#8220;Who By Fire&#8221;, &#8220;Field Commander Cohen&#8221;,<br \/>\n&#8220;A Singer Must Die&#8221; e &#8220;There\u2019s a War&#8221;<br \/>\nNota: 8<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/leonardcohen6.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"500\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Death Of A Ladies&#8217; Man, 1977<\/strong><br \/>\nGravado sob a produ\u00e7\u00e3o de Phil Spector, conhecido por seus trabalhos com Beatles, Ronettes e Ramones. Spector \u00e9 parceiro de Cohen em todas as can\u00e7\u00f5es, o que imprimiu ao disco uma sonoridade lounge, por vezes country, um pouco distanciada do formato folk e repleta de wall of sound ou Spector Sound. Os motes s\u00e3o relacionamentos e desencontros, como em &#8220;I Left A Woman Waiting&#8221; e &#8220;Memories&#8221;. Bob Dylan participa dos vocais de &#8220;Don\u2019t Go Home With Your Hard-On&#8221;. Nesse disco, Leonard pretendia destruir a imagem de poeta triste (j\u00e1 na capa ele posa ao lado de duas mulheres numa mesa de bar). Apesar de todos os problemas, tudo soa bem. \u00c9 um disco que Lambchop, Tindersticks e Bil Callahan (Smog) desejariam fazer, mas ainda n\u00e3o beberam o suficiente para tal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou\u00e7a: &#8220;True Love Leaves no Traces&#8221;, &#8220;Iodine&#8221;, &#8220;Memories&#8221;, &#8220;I Left a Woman Waiting&#8221; e &#8220;Don\u2019t Go Home With Your Hard-On&#8221;<br \/>\nNota: 9<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/leonardcohen7.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"500\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Recent Songs, 1979<\/strong><br \/>\nCohen, sem a companhia de Spector (o disco foi produzido por Henry Levy), retoma algumas caracter\u00edsticas dos quatro primeiros discos (exce\u00e7\u00e3o de &#8220;Humbled in Love&#8221; e &#8220;Came So Far For Beauty&#8221;). Aqui o bardo surge mais seguro, mas n\u00e3o menos avassalador. A capa \u00e9 um belo retrato pintado por Dianne Lawrence. A partir desse disco, a produ\u00e7\u00e3o do artista torna-se lenta, marcada por longos hiatos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou\u00e7a: &#8220;The Guests&#8221;, &#8220;Humbled In Love&#8221;, &#8220;Gypsy\u2019s Wife&#8221;, &#8220;The Window&#8221; &#8220;Came So Far For Beauty&#8221;, &#8220;The Traitor&#8221; e &#8220;Ballad of Absent Mare&#8221;<br \/>\nNota: 8<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/leonardcohen8.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"500\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Various Positions, 1985<\/strong><br \/>\nPrimeiro disco ap\u00f3s seis anos sem gravar, tempo em que o cantor dirigiu, roteirizou e comp\u00f4s a trilha do curta-metragem &#8220;I Am a Hotel&#8221;. Primeiro lan\u00e7amento do poeta nos anos 1980, &#8220;Various Positions&#8221; peca na &#8220;moderniza\u00e7\u00e3o&#8221; do instrumental, quase sempre em arranjos equivocados. As letras continuam dilacerantes como em &#8220;Dance Me To The End Of Love&#8221; (apesar dos horr\u00edveis vocais de apoio), &#8220;Come Back To You&#8221;, &#8220;Hallelujah&#8221; (magistralmente registrada no \u00fanico \u00e1lbum de Jeff Buckley), &#8220;Heart With No Companion&#8221; (regravada em um delicada vers\u00e3o de Ron Sexsmith) e &#8220;If it Be Your Will&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou\u00e7a: &#8220;Heart With No Companion&#8221;, &#8220;If it Be Your Will&#8221;, &#8220;Dance Me To The End Of Love&#8221; e &#8220;Hallelujah&#8221;<br \/>\nNota: 5<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/leonardcohen9.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"500\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I&#8217;m Your Man, 1988<\/strong><br \/>\n\u00c9 o segundo e \u00faltimo disco de Cohen na d\u00e9cada de 1980. A sonoridade do \u00e1lbum \u00e9 uma evolu\u00e7\u00e3o natural do anterior. A utiliza\u00e7\u00e3o de teclados, sintetizadores e bateria eletr\u00f4nica s\u00e3o coerentes com as composi\u00e7\u00f5es (o que n\u00e3o aconteceu em &#8220;Various Positions&#8221;). \u00c9 um disco cruel e ir\u00f4nico. A voz, muito mais grave do que de costume, cospe algumas farpas em &#8220;First We Take Manhattan&#8221;: &#8220;You loved me as a loser \/ but now you worried that just might win\/ You know the way to stop me \/ but you don\u2019t have the discipline. \/ How many nights I pray for this: \/ to let my work begin&#8221;. Em &#8220;Everybody Knows&#8221;, o fim do amor \u00e9 desacreditado enquanto &#8220;Ain\u2019t No Cure For Love&#8221; e a faixa t\u00edtulo evocam lirismo c\u00ednico e cafajestice: &#8220;If you want a boxer. I will step into the ring for you \/ And if you want a doctor, I&#8217;ll examine every inch of you. \/ If you want a driver, climb inside. \/ Or if you want to take me for a ride, \/ you know you can. I\u2019m your man&#8221;. A bela &#8220;Take This Waltz&#8221; \u00e9 o poema &#8220;Pequena Valsa Vienense&#8221;, de Federico Garcia Lorca (do livro &#8220;O Poeta em Nova Iorque&#8221;), magistralmente musicado. O grande momento do \u00e1lbum, por\u00e9m, \u00e9 &#8220;Tower Of Song&#8221;, uma das can\u00e7\u00f5es mais pessoais de Cohen: &#8220;Well, my friends are gone and my hair is grey. \/ I ache in the places where I used to play. \/ And I crazy for love but I\u2019m not coming on. \/ I\u2019m just paying my rent everyday in The Tower Of Song.&#8221; A capa mostra Cohen, na \u00e9poca 55 anos, comendo banana, situa\u00e7\u00e3o repetida pelos seus f\u00e3s ilustres (Pixies, Nick Cave, R.E.M., entre outros) no encarte do disco tributo &#8220;I&#8217;m Your Fan&#8221;, de 1992.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou\u00e7a: &#8220;First We Take Manhattan&#8221;, &#8220;Take This Waltz&#8221; e &#8220;Tower of Song&#8221;<br \/>\nNota: 8<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/leonardcohen10.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"500\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>The Future, 1992<\/strong><br \/>\nO \u00fanico disco de in\u00e9ditas de Cohen na d\u00e9cada de 90 \u00e9 consistente e bem gravado. As letras falam sobre viol\u00eancia (&#8220;The Future&#8221;), sordidez sentimental (&#8220;Waiting For The Miracle&#8221;), fim de farras (&#8220;Closing Time&#8221;) e liberdade (&#8220;Anthem&#8221; e &#8220;Democracy&#8221;). As faixas &#8220;The Future&#8221; e &#8220;Waiting For The Miracle&#8221; foram inclu\u00eddas na trilha sonora do filme &#8220;Assassinos Por Natureza&#8221;, de Oliver Stone. O \u00e1lbum teve v\u00e1rios produtores, incluindo a contribui\u00e7\u00e3o da atriz Rebecca de Mornay, naquele tempo esposa do cantor, na produ\u00e7\u00e3o e arranjo de algumas faixas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou\u00e7a: &#8220;Waiting For The Miracle&#8221;, &#8220;The Future&#8221; e &#8220;Closing Time&#8221;<br \/>\nNota: 8<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/leonardcohen11.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"500\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cohen Live \u2013 Leonard Cohen in Concert, 1994<\/strong><br \/>\nSegundo \u00e1lbum ao vivo de Cohen, registra apresenta\u00e7\u00f5es entre 1988 e 1993 em Toronto, Vancouver, Austin, San Sebastian e Amsterd\u00e3. A m\u00fasicas assinalam as v\u00e1rias fases do artista, de &#8220;Suzanne&#8221;, do primeiro \u00e1lbum, at\u00e9 &#8220;Everybody Knows&#8221; de &#8220;I&#8217;m Your Man&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou\u00e7a: &#8220;Everybody Knows&#8221;, &#8220;There is a War&#8221;, &#8220;Sisters of Mercy&#8221; e &#8220;Who By Fire&#8221;<br \/>\nNota: 7<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/leonardcohen12.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"500\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Field Commander Cohen: Tour Of 1979, 2000<\/strong><br \/>\nUm dos melhores discos ao vivo de Leonard Cohen \u00e9 o registro dos melhores momentos da turn\u00ea do \u00e1lbum &#8220;Recent Songs&#8221;, em 1979. Respeita os arranjos originais das can\u00e7\u00f5es e confirma a perenidade das composi\u00e7\u00f5es de Cohen. O artista est\u00e1 muito mais seguro do que de costume e a voz em sua plenitude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou\u00e7a: &#8220;Field Commander Cohen&#8221;, &#8220;The Window&#8221;, &#8220;The Stranger Song&#8221; e &#8220;The Guests&#8221;<br \/>\nNota: 8<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/leonardcohen13.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"500\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ten New Songs, 2001<\/strong><br \/>\nPrimeiro \u00e1lbum de in\u00e9ditas em nove anos (e do novo s\u00e9culo). Nesse tempo silencioso, o cantor passou por longos per\u00edodos de medita\u00e7\u00e3o e reclus\u00e3o entre monges budistas num mosteiro na Calif\u00f3rnia. O \u00e1lbum n\u00e3o difere muito de &#8220;The Future&#8221;, equilibrando folk e soul intimistas. O que surpreende \u00e9 que suas medita\u00e7\u00f5es n\u00e3o o elevaram ao nirvana espiritual. Suas composi\u00e7\u00f5es (contribui\u00e7\u00e3o com Sharon Robinson, a mulher que est\u00e1 ao seu lado na capa) est\u00e3o ainda mordazes, e os melhores exemplos s\u00e3o &#8220;In My Secret Life&#8221;: &#8220;I bite my lip \/ I buy what I&#8217;m told \/ From the latest hit \/ to the wisdom of old \/ But I&#8217;m always alone \/ and my heart is like ice \/ and it&#8217;s crowded and cold&#8221; e &#8220;A Thousand Kisses Deep&#8221;: &#8220;Confined to sex, we pressed against \/ The limits of the sea: \/ I saw there were no oceans left \/ For scavengers like me. \/ I made it to the forward deck \/ I blessed our remnant fleet &#8211; \/ And then consented to be wrecked, \/ A thousand kisses deep.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou\u00e7a: &#8220;In My Secret Life&#8221;, &#8220;A Thousand Kisses Deep&#8221;, &#8220;Alexandra Leaving&#8221;<br \/>\nNota: 8<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/leonardcohen14.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"500\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dear Heather, 2004<\/strong><br \/>\nPraticamente um disco de sobras, ainda que in\u00e9ditas, o que faz com o que o conjunto soe menor. Tr\u00eas faixas sa\u00edram das sess\u00f5es de \u201cTen New Songs\u201d (2001) e \u201cThe Faith\u201d, baseada em uma antiga can\u00e7\u00e3o folk do Quebec, remonta as sess\u00f5es de \u201cRecent Songs\u201d (1979). H\u00e1 ainda uma (boa) faixa ao vivo, \u201cTennessee Waltz\u201d, um grande sucesso com Patti Page nos anos 50, que aqui recebe versos de Cohen num show de 1985. Leonard queria batizar o \u00e1lbum de \u201cOld Ideas\u201d, mas devido ao material de v\u00e1rias \u00e9pocas ficou com receio dos f\u00e3s confundirem o disco com uma colet\u00e2nea. A cr\u00edtica n\u00e3o se animou com o disco criticando a produ\u00e7\u00e3o \u201ccaseira\u201d de um \u00e1lbum que, realmente, soa menor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou\u00e7a: \u201cBecause Of\u201d, \u201cOn That Day\u201d, \u201cTennessee Waltz\u201d<br \/>\nNota: 5<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/leonardcohen15.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"455\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Live in London, 2009<\/strong><br \/>\nSe dependesse de Cohen, ele nunca voltaria aos palcos, preferindo meditar. Por\u00e9m, seus cinco anos de retiro espiritual lhe custaram caro quando ele descobriu que seu agente o havia roubado. Para saldar as d\u00edvidas, Cohen voltou para a estrada, e este \u00e1lbum brilhante flagra o bardo tirando sarro da pr\u00f3pria desgra\u00e7a em gags c\u00f4micas deliciosas. Na \u00e9poca, os shows de Cohen invariavelmente batiam 3 horas de dura\u00e7\u00e3o e traziam praticamente todos os seus maiores cl\u00e1ssicos. Antes das can\u00e7\u00f5es, Cohen declama parte das letras num show (\u00e1lbum e DVD) que exibe uma das melhores vers\u00f5es de \u201cDance Me To End Of Love\u201d, despida do arranjo piegas original e mais pr\u00f3xima da m\u00fasica flamenca, al\u00e9m de excelentes recria\u00e7\u00f5es de \u201cHallelujah\u201d e &#8220;The Future&#8221;, entre muitas outras. Um disco perfeito para ne\u00f3fitos mergulharem na obra de Leonard Cohen.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou\u00e7a: \u201cDance Me To End Of Love\u201d, \u201cHallelujah\u201d, \u201cThe Future\u201d, &#8220;Everybody Knows&#8221;, &#8220;Sisters of Mercy&#8221;, \u201cFirst We Take Manhattan&#8221;, &#8220;So Long, Marianne&#8221;&#8230;<br \/>\nNota: 9<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/leonardcohen16.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"491\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Live at the Isle of Wight 1970, 2009<\/strong><br \/>\nImpulsionado pelo sucesso na Inglaterra de seus dois primeiros \u00e1lbuns, Leonard Cohen foi convencido a participar do m\u00edtico e complicado festival da Ilha de Wight, que, hoje se sabe, foi um imenso caos com mais de 600 mil pessoas num lugar sem a m\u00ednima estrutura. N\u00e3o bastasse, Leonard iria se apresentar depois de Jimi Hendrix em um de seus shows lend\u00e1rios. Quando subiu ao palco, por volta das 5 da manh\u00e3, a plateia estava furiosa com a produ\u00e7\u00e3o, mas Cohen domou o p\u00fablico como um m\u00e1gico em um circo: contou hist\u00f3rias de inf\u00e2ncia, falou sobre suas can\u00e7\u00f5es e alternou n\u00fameros de seus ent\u00e3o dois \u00fanicos \u00e1lbuns e algumas que estariam presentes em \u201cSongs to Love and Hate\u201d. Apesar da banda montada as pressas para a turn\u00ea e do inusitado do caos, esse \u00e9 um dos shows mais importantes da carreira de Cohen, que foi capturado magistralmente pelas lentes do premiado diretor Murray Lerner.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assista o show inteiro<br \/>\nNota: 10<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/leonardcohen17.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"450\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Songs From The Road, 2010<\/strong><br \/>\nDois anos ap\u00f3s gravar o show de retorno em Londres, Leonard Cohen despeja mais um \u00e1lbum ao vivo nas prateleiras, e como diz o amigo do All Music, \u201cs\u00f3 um rabugento iria reclamar disso dado \u00e0s circunstancias que Cohen precisou voltar aos palcos, roubado pelo empres\u00e1rio\u201d. Ainda assim, \u201cSongs From The Road\u201d tem seu valor por reunir 12 can\u00e7\u00f5es de 11 shows diferentes em lugares como Glasgow, Tel Aviv, Helsinki, Gotemburgo, Londres e at\u00e9 no Coachella (\u00e9 de l\u00e1 que saiu a vers\u00e3o de \u201cHallelujah\u201d presente neste disco, tamb\u00e9m lan\u00e7ado em DVD). Mais do que um disco ao vivo, \u201cSongs From The Road\u201d mostra como Cohen estava curtindo a estrada na \u00e9poca, j\u00e1 que ele brinca de alterar versos de \u201cSuzanne\u201d ou mesmo de incluir novos em &#8220;Bird on a Wire&#8221;. H\u00e1 can\u00e7\u00f5es pouco executadas como \u201cHeart with No Companion&#8221; e &#8220;That Don&#8217;t Make It Junk&#8221; assim como duas can\u00e7\u00f5es gravadas no O2 Arena na \u00e9poca do \u201cLive in London\u201d, mas que ficaram de fora do disco, entre elas &#8220;Famous Blue Raincoat&#8221;, uma das cinco can\u00e7\u00f5es favoritas de Ian McCulloch, do Echo and The Bunnymen, em todos os tempos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou\u00e7a: &#8220;Famous Blue Raincoat&#8221;, \u201cSuzanne\u201d, &#8220;Bird on a Wire&#8221; e \u201cHallelujah\u201d<br \/>\nNota: 7<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/leonardcohen18.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"500\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Old Ideas, 2012<\/strong><br \/>\nPrimeiro disco de in\u00e9ditas em oito anos, em \u201cOld Ideas\u201d a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de ouvir um grande mon\u00f3logo, uma grande medita\u00e7\u00e3o sobre a exist\u00eancia, j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 grandes sobressaltos com a melodia e a harmonia das can\u00e7\u00f5es. \u00c9 a depura\u00e7\u00e3o de um processo que come\u00e7ou em \u201cVarious Positions\u201d (1984), com a ado\u00e7\u00e3o de sintetizadores, e se aprofundou com \u201cI\u2019m Your Man\u201d (1988), quando Cohen uniu bases eletr\u00f4nicas e orquestra\u00e7\u00f5es. Neste sentido, como n\u00e3o apresenta novidades nem arranjos complexos, \u201cOld Ideas\u201d pode levar algu\u00e9m a pensar que \u00e9 um disco mais para ser lido do que ouvido. Mas h\u00e1 a voz de Cohen. \u201cDarkness\u201d \u00e9 uma das can\u00e7\u00f5es mais empolgantes do disco, apesar do tema: \u201cApanhei as trevas \/ bebendo do seu copo \/ e perguntei: \u00e9 contagiosa? \/ Voc\u00ea disse: beba-a\u201d. \u201cCrazy Love\u201d reverte a decep\u00e7\u00e3o nost\u00e1lgica enquanto \u201cAmen\u201d o aproxima de uma expectativa rilkeana por Deus: \u201cEstamos sozinhos e estou ouvindo \/ ouvindo com tanta for\u00e7a que chega a doer\u201d. \u201cCome Healing\u201d \u00e9 o centro espiritual do disco e flutua num espa\u00e7o quase sagrado. \u201cOld Ideas\u201d diz respeito \u00e0 exist\u00eancia. Comportar-se com dignidade na hora da morte, este \u00e9 apenas um dos legados de Leonard Norman Cohen.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou\u00e7a: \u201cDarkness\u201d, \u201cAmen\u201d<br \/>\nNota: 9<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/leonardcohen19.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"500\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Live in Dublin, 2014<\/strong><br \/>\nSe at\u00e9 2008, em 40 anos de carreira, Cohen s\u00f3 tinha tr\u00eas \u00e1lbuns ao vivo no curr\u00edculo, de l\u00e1 pra c\u00e1 se somaram mais quatro registros de shows (um quinto disco seria lan\u00e7ando em 2015!), mas como pontuou muito bem a Rolling Stone norte-americana, \u201cLive in Dublin\u201d vale seu pre\u00e7o por exibir can\u00e7\u00f5es novas de Cohen ao vivo como &#8220;Amen&#8221;, &#8220;Alexandria Leaving&#8221;, &#8220;Come Healing&#8221; e a excelente &#8220;The Darkness&#8221; em meio aos \u201chits\u201d de sempre (o repert\u00f3rio \u00e9 praticamente um repeteco do disco show \u201cLive in London\u201d). Outro ponto a se observar \u00e9 que se \u201cLive in London\u201d flagrava o in\u00edcio de uma maratona de shows de um artista h\u00e1 muito longe do palco, \u201cLive in Dublin\u201d j\u00e1 o exibe muito mais \u00e0 vontade, o que faz com as can\u00e7\u00f5es soem mais soltas, assim como o pr\u00f3prio Cohen, o que funciona em muitos n\u00fameros, mas corre o risco de tirar a for\u00e7a dram\u00e1tica de outros, o que fica mais n\u00edtido no DVD. Ainda assim, (mais) um grande show.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou\u00e7a: &#8220;Come Healing&#8221;, &#8220;The Darkness&#8221;, \u201cChelsea Hotel 2\u201d<br \/>\nNota: 7<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/leonardcohen20.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"500\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Popular Problems, 2014<\/strong><br \/>\nSe \u201cOld Ideas\u201d j\u00e1 trazia um discurso que mostrava um Leonard Cohen ciente do fim pr\u00f3ximo, n\u00e3o estranha que seu 13\u00ba disco de in\u00e9ditas tenha vindo apenas dois anos depois e mantenha o tom sombrio do \u00e1lbum anterior. Lan\u00e7ado \u00e0s v\u00e9speras dele completar 80 anos e com produ\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica de Patrick Leonard (um dos respons\u00e1veis pelo sucesso de Madonna, diretor musical das turn\u00eas The Virgin Tour, de 1985, e Who&#8217;s That Girl World Tour, de 1987, al\u00e9m de v\u00e1rios \u00e1lbuns \u2013 e tamb\u00e9m produtor de \u201cOld Ideas\u201d), \u201cPopular Problems\u201c valoriza o tom l\u00fagubre da voz do bardo, que abre o disco intimando no blues \u201cSlow\u201d: \u201cEstou desacelerando o tom \/ Eu nunca gostei dele r\u00e1pido \/ Voc\u00ea deseja que chegue logo \/ Eu s\u00f3 quero ser o \u00faltimo\u201d. Em \u201cAlmost Like the Blues\u201d, o poeta faz um \u201cbalan\u00e7o das trag\u00e9dias\u201d, de forma ir\u00f4nica, que acompanhou durante a vida: \u201cEu vi pessoas passando fome \/ Houve assassinatos \/ Estupros \/ Tortura \/ Morte \/ E todas as minhas cr\u00edticas negativas\u201d. No geral, \u201cPopular Problems\u201d soa quase como uma valsa (blues, soul, levemente eletr\u00f4nica) para se dan\u00e7ar com o assassino, sejam eles soldados da guerra \u00e1rabe israelense (\u201cNevermind\u201d), seja o mundo p\u00f3s 11 de setembro (\u201cA Street\u201d), seja o amor (\u201cDid I Ever Love You\u201d).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou\u00e7a: \u201cAlmost Like the Blues\u201d, \u201cSlow\u201d, \u201cSamson in New Orleans\u201d<br \/>\nNota: 8<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/leonardcohen21.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"500\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Can&#8217;t Forget: A Souvenir of the Grand Tour, 2015<\/strong><br \/>\nSe \u201cSongs From The Road\u201d (2010) pode ser apresentado como o lado b ou o disco de sobras de \u201cLive in London\u201d, o mesmo pode ser dito de \u201cCan&#8217;t Forget: A Souvenir of the Grand Tour\u201d (on quinto ao vivo em seis anos) em refer\u00eancia a \u201cLive in Dublin\u201d. Assim como em \u201cSongs From The Road\u201d, Leonard roda o mundo (h\u00e1 can\u00e7\u00f5es registradas na Dinamarca, Irlanda, Canad\u00e1, Nova Zel\u00e2ndia, Australia e Estados Unidos, entre outros pa\u00edses). S\u00e3o 10 can\u00e7\u00f5es, duas delas in\u00e9ditas, os blues &#8220;Never Gave Nobody Trouble&#8221; e &#8220;Got a Little Secret&#8221;, mais vers\u00f5es de n\u00fameros menos \u00f3bvios como &#8220;I Can&#8217;t Forget&#8221; e &#8220;Night Comes On&#8221; apresentadas por uma banda cada vez mais entrosada. Vale a audi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou\u00e7a: Never Gave Nobody Trouble&#8221;, &#8220;Got a Little Secret&#8221;, &#8220;I Can&#8217;t Forget&#8221;<br \/>\nNota: 7<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/leonardcohen22.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"500\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>You Want It Darker, 2016<\/strong><br \/>\nSe os dois \u00e1lbuns de est\u00fadio anteriores traziam, com um q de ironia, acenos romantizados \u00e0 mortalidade, \u201cYou Want It Darker\u201d soa como uma direta carta de despedida. Numa excelente entrevista concedida \u00e0 New Yorker algumas semanas atr\u00e1s, Cohen avisava: \u201c<a href=\"http:\/\/www.newyorker.com\/magazine\/2016\/10\/17\/leonard-cohen-makes-it-darker\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Estou pronto para morrer<\/a>\u201d. E \u201cYou Want It Darker\u201d apenas reitera isso (com os blues, souls e valsas habituais alfinetadas por levadas eletr\u00f4nicas): &#8220;Estou com raiva e estou cansado o tempo todo&#8221;, ele declama em \u201cTreaty\u201d, uma de suas mais belas can\u00e7\u00f5es recentes, que crava no peito da amante: \u201cN\u00f3s nos vendemos por amor, mas agora estamos livres \/ Eu sinto muito pelo fantasma que eu te fiz ser \/ S\u00f3 um de n\u00f3s era real e esse era eu\u201d. No country lento e choroso &#8220;Leaving the Table&#8221; ele canta, partindo o cora\u00e7\u00e3o do ouvinte: \u201cEstou deixando a mesa, estou fora do jogo\u201d. O refr\u00e3o da faixa t\u00edtulo, ent\u00e3o, \u00e9 explicito: &#8220;Aqui estou, aqui estou, estou pronto, meu Senhor\u201d, ele canta em hebraico. Produzido pelo filho Adam Cohen, \u201cYou Want It Darker\u201d \u00e9 um \u00e1lbum de uma pessoa que \u201cj\u00e1 leu (e escreveu) todos os livros e descobriu que a carne \u00e9 triste\u201d e sabia que \u201cviver \u00e9 acumular tristezas\u201d. Nestes tr\u00eas \u00faltimos acenos discogr\u00e1ficos, Cohen resolveu contar os problemas do mundo atrav\u00e9s de can\u00e7\u00f5es. Conseguiu. E partiu. Descanse em paz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou\u00e7a: \u201cYou Want It Darker\u201d, \u201cTreaty\u201d, &#8220;Traveling Light&#8221;<br \/>\nNota: 9<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/leonardcohen23.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">V\u00e1rias colet\u00e2neas compilam algumas das preciosidades do bardo. &#8220;The Best Of Leonard Cohen&#8221;, 1975, \u00e9 a primeira, surgindo como uma s\u00edntese dos momentos mais bem sucedidos do artista. Se musicalmente n\u00e3o traz nenhuma novidade, o destaque \u00e9 que Cohen conta, no encarte, as circunst\u00e2ncias em que comp\u00f4s as can\u00e7\u00f5es. Em algumas edi\u00e7\u00f5es europeias, o \u00e1lbum recebe o nome de \u201cGreatest Hits\u201d \u2013 ela foi relan\u00e7ada em 2007 com cinco can\u00e7\u00f5es a mais. &#8220;More Best Of&#8221;, 1997, compila m\u00fasicas de &#8220;I&#8217;m Your Man&#8221;, &#8220;The Future&#8221; e &#8220;Cohen Live&#8221;. \u00c9 menos did\u00e1tica do que a primeira colet\u00e2nea e despreza o conte\u00fado de &#8220;Various Positions&#8221; \u2013 lembrado apenas pelas belas vers\u00f5es ao vivo de &#8220;Dance Me To The End Of Love&#8221; e &#8220;Hallelujah&#8221;, no entanto, traz duas boas can\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas: &#8220;Never Any Good&#8221; e &#8220;The Great Event&#8221;. Mais caprichada \u00e9 \u201cThe Essencial\u201d, colet\u00e2nea tripla lan\u00e7ada em 2004 com 38 can\u00e7\u00f5es cobrindo da estreia at\u00e9 \u201cDear Heather\u201d. No setor tributos, tr\u00eas t\u00edtulos se destacam: &#8220;I&#8217;m Your Fan&#8221; (1991) que traz R.E.M., Pixies, James, John Cale, Ian McCulloch (Ian tamb\u00e9m gravou &#8220;Lover Lover Lover&#8221; em seu segundo \u00e1lbum solo, &#8220;Mysterio&#8221;, e numa edi\u00e7\u00e3o francesa desse mesmo disco, &#8220;There is a War&#8221;) e Nick Cave (que tamb\u00e9m gravou &#8220;Avalanche&#8221; em sua estreia, &#8220;From Her To Eternity&#8221;, e regravou para uma s\u00e9rie de TV em 2015). Bacana tamb\u00e9m \u00e9 \u201cTower of Songs&#8221; (1995) que traz Bono do U2, Sting, Tori Amos, Elton John e Suzanne Vega. Mais recente, mas n\u00e3o menos imperd\u00edvel, \u201cLeonard Cohen: I&#8217;m Your Man\u201d \u00e9 a trilha sonora de um excelente document\u00e1rio lan\u00e7ado em 2005, que juntava depoimentos intercalados a uma apresenta\u00e7\u00e3o que juntava Nick Cave, Jarvis Cocker, Beth Orton, Rufus Wainwright e Antony, entre outros.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"What Leonard Cohen Did For Me 1\/3 (BBC4 Documentary)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/j0iptvcbuEA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"What Leonard Cohen Did For Me 2\/3 (BBC4 Documentary)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/r573bW5a-2E?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"What Leonard Cohen Did For ME 3\/3 (BBC4 Documentary)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/EDxO0LQeTwQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/6B2iq3Psz8M?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n\u2013 Tr\u00eas horas de Leonard Cohen em Paris, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2009\/07\/09\/tres-horas-de-leonard-cohen-em-paris\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Leonard Cohen ao vivo no Festival de Benic\u00e0ssim, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/tag\/fib2008\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Os tr\u00eas primeiros discos de Leonard Cohen\u2026 em vers\u00f5es remasterizadas (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/06\/11\/primeiros-discos-de-leonard-cohen-ganham-reedicao-luxuosa\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Leonard Cohen \u2013 I\u2019m Your Man, o document\u00e1rio (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2006\/10\/26\/leonard-cohen-em-sao-paulo\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Aos 74 anos, o poeta canadense lan\u00e7a seu quarto registro ao vivo (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/08\/23\/conor-oberst-peter-doherty-e-leonard-cohen\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 \u201cTen New Songs\u201d, Leonard Cohen: uma voz grave desfilando belos versos (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musica\/leonardcohenresenha.html\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Leonard Cohen em &#8220;Old Ideas&#8221;: classe, dignidade e eleg\u00e2ncia (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/02\/17\/cohen-classe-dignidade-e-elegancia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Leonard Cohen tinha 15 anos quando conheceu um imigrante espanhol que lhe ensinou atrav\u00e9s dos sons de um viol\u00e3o, a conquistar o cora\u00e7\u00e3o das mulhere\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/11\/11\/um-breve-olhar-sobre-a-discografia-de-leonard-cohen\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":40977,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1448],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40976"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40976"}],"version-history":[{"count":13,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40976\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":44970,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40976\/revisions\/44970"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/40977"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40976"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40976"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40976"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}