{"id":40961,"date":"2016-11-09T11:32:56","date_gmt":"2016-11-09T13:32:56","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=40961"},"modified":"2019-03-31T21:51:31","modified_gmt":"2019-04-01T00:51:31","slug":"domingos-oliveira-1971-1998-2005","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/11\/09\/domingos-oliveira-1971-1998-2005\/","title":{"rendered":"Domingos Oliveira: 1971, 1998, 2005"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renan Guerra<\/a><\/strong><\/h2>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/culpa.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"686\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cA Culpa\u201d, de Domingos Oliveira (1971)<\/strong><br \/>\nUm casal de irm\u00e3os decide matar seu pai tendo como c\u00famplice o noivo da irm\u00e3 em busca de uma heran\u00e7a de milh\u00f5es de d\u00f3lares. Por\u00e9m, depois de enterrarem o pai numa cova rasa em um palacete (meio despeda\u00e7ado) no Rio de Janeiro, os tr\u00eas acabam tendo que lidar com o medo, a culpa e o remorso. Com claras influ\u00eancias freudianas, \u201cA Culpa\u201d \u00e9 o filme menos \u201cDomingos\u201d de Domingos Oliveira, sendo constru\u00eddo de forma distinta, com uma linearidade meio distorcida, trazendo preceitos da trag\u00e9dia grega, mas apropriando-as ao espectro nacional, como nas pe\u00e7as de Nelson Rodrigues. A sustenta\u00e7\u00e3o dessa hist\u00f3ria se concentra no trio de atores: Paulo Jos\u00e9, Dina Sfat e Nelson Xavier, todos com atua\u00e7\u00f5es estonteantes. \u00c9 certamente o filme com mais pretens\u00f5es de Domingos, que busca aqui arroubos filos\u00f3ficos, criando paralelos entre essa vida vazia dos irm\u00e3os ricos com a constru\u00e7\u00e3o social das cidades. Vale aten\u00e7\u00e3o para a bela e claustrof\u00f3bica fotografia do filme, bem como os cen\u00e1rios cariocas da d\u00e9cada de 70 (aten\u00e7\u00e3o ao Elevado do Jo\u00e1 ainda em constru\u00e7\u00e3o). Se voc\u00ea n\u00e3o for cativado pela hist\u00f3ria, nem pelos arroubos dostoievskianos do filme, certamente n\u00e3o passar\u00e1 inc\u00f3lume pela beleza e for\u00e7a do olhar de Dina Sfat, a real dona desse filme.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: ****<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/amores.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"632\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cAmores\u201d, de Domingos Oliveira (1998)<\/strong><br \/>\nEste filme \u00e9 um dos culpados da eterna compara\u00e7\u00e3o de Domingos com Woody Allen: os di\u00e1logos \u00e1geis e inteligentes, as neuroses modernas, os arroubos filos\u00f3ficos em meio a conversas banais, est\u00e1 tudo aqui (mas para defesa de Domingos, tudo isso j\u00e1 estava l\u00e1 em \u201cTodas as Mulheres do Mundo\u201d, de 1969, antes ainda do estilo \u201cWoody Allen\u201d ser delimitado). Fazia quase 20 anos que Domingos n\u00e3o lan\u00e7ava um filme, por n raz\u00f5es, quando \u201cAmores\u201d nasceu em 1988 de um roteiro escrito ao lado de sua musa e esposa, Priscilla Rozenbaum, versando sobre uma ciranda de rela\u00e7\u00f5es: um pai protetor (Domingos), uma filha em busca de liberdade e de uma carreira (Maria Mariana), uma atriz em busca do amor (Clarice Niskier) e um casal em busca de salvar sua rela\u00e7\u00e3o (Priscila e Ricardo Kosovski). No meio do caminho, esses personagens se embaralham e criam conflitos completamente cotidianos, que d\u00e3o um ar de simplicidade ao filme, mas que nas entrelinhas da verborragia do roteiro, escondem uma obra de apurada delicadeza e de um olhar certeiro sobre o seu tempo. Destaca-se a encantadora beleza juvenil de Maria Mariana, filha de Domingos, em seu \u00fanico filme ao lado do pai. Vale aten\u00e7\u00e3o especial tamb\u00e9m a trilha sonora de Nico Nicolaiewsky, que traz um ar (um tanto melanc\u00f3lico) de galhofa ao longa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: ****<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/carreiras.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"649\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cCarreiras\u201d, de Domingos Oliveira (2005)<\/strong><br \/>\nDa d\u00e9cada de 90 at\u00e9 os dias atuais n\u00e3o se pode considerar o cinema de Domingos sem ater-se a figura de Priscilla Rozenbaum, que, mais que atriz-musa do diretor, \u00e9 tamb\u00e9m parceira de vida, de roteiros e de cria\u00e7\u00e3o. Ela \u00e9 uma artista t\u00e3o inteligente e multifacetada quanto o pr\u00f3prio Domingos e n\u00e3o merece nunca ficar apenas a sua sombra, como apenas \u201cesposa do diretor\u201d. E \u00e9 aqui em \u201cCarreiras\u201d que ela brilha sozinha, num filme que \u00e9 quase um mon\u00f3logo. Produzido de forma ultra-independente, o filme se utiliza de certos recursos do teatro (que ali\u00e1s integra uma discuss\u00e3o inicial do filme: quais os limites e as diferen\u00e7as entre teatro e cinema?) para contar a hist\u00f3ria de Ana Laura, uma jornalista de meia-idade que se v\u00ea apavorada pelos padr\u00f5es de beleza da TV em que trabalha, entrando numa espiral de autodestrui\u00e7\u00e3o durante o ciclo de uma noite, completamente regada pelas carreiras de coca\u00edna. Com uma c\u00e2mera trepidante e closes longos sobre a face de Rozembaum, Domingos soa um Bergman \u00e0 carioca, mais efusivo e sob efeitos da coca\u00edna. Limita\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas \u00e0 parte, \u201cCarreiras\u201d consegue dar espa\u00e7o para discuss\u00f5es politizadas e intensas sobre mercado de trabalho, fam\u00edlia, drogas e escolhas (algo meio relegado na obra de Domingos, em fun\u00e7\u00e3o de uma, quase saud\u00e1vel, aliena\u00e7\u00e3o de suas personagens). Suficientemente c\u00f4mico, \u201cCarreiras\u201d \u00e9 um espa\u00e7o para Priscilla mostrar que \u00e9 uma estrela desvalorizada, que domina a c\u00e2mera com a for\u00e7a de uma Geena Davis e que nos mant\u00e9m encantados durante todo o filme, entre o deslumbramento e a paralisia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: ****\u00bd<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/PuH_XjSYmsI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renan Guerra<\/a> \u00e9 jornalista e colabora com o sites <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/YouMeDancin\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">You! Me! Dancing!<\/a> e Scream &amp; Yell. A foto de Domingos de Oliveira \u00e9 de Lucca Pougy \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O freudiano \u201cA Culpa\u201d, os conflitos cotidianos (que remetem a Woody Allen) de &#8220;Amores&#8221; e o ultra-independente &#8220;Carreiras&#8221;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/11\/09\/domingos-oliveira-1971-1998-2005\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":3,"featured_media":40962,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[1445],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40961"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40961"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40961\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":50881,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40961\/revisions\/50881"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/40962"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40961"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40961"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40961"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}