{"id":40958,"date":"2016-11-09T11:02:26","date_gmt":"2016-11-09T13:02:26","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=40958"},"modified":"2017-01-20T09:59:19","modified_gmt":"2017-01-20T11:59:19","slug":"entrevista-samuca-e-a-selva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/11\/09\/entrevista-samuca-e-a-selva\/","title":{"rendered":"Entrevista: Samuca e a Selva"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <\/strong><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/marcos.paulino.313?\" target=\"_blank\"><strong>Marcos Paulino<\/strong><\/a><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/samucaeaselva\/\" target=\"_blank\">Em sua p\u00e1gina no Facebook<\/a>, a banda Samuca e a Selva descreve o g\u00eanero que habita como \u201cgroove latino-americano\u201d. Foi a forma que seus 10 integrantes \u2013 sim, 10! \u2013 encontraram para definir um caldeir\u00e3o sonoro que inclui afrobeat, soul, funk e ritmos brasileiros e latinos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O coletivo, que est\u00e1 lan\u00e7ando seu primeiro disco, \u201c<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=bsuFkt7omYM\" target=\"_blank\">Madurar<\/a>\u201d, nasceu em 2014, anos ap\u00f3s Samuel Samuca, que tinha um grupo de m\u00fasica nordestina em Guaratinguet\u00e1, ter se mudado para S\u00e3o Paulo. Aos poucos, ele foi conhecendo, e agregando ao seu conv\u00edvio musical, gente de bandas como <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/07\/08\/entrevista-bixiga-70\/\" target=\"_blank\">Bixiga 70<\/a>, Ba-Boom e Orquestra Brasileira de M\u00fasica Jamaicana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Juntos, os 10 integrantes gravaram as 12 faixas que recheiam o CD de estreia, cheio de suingue e que, conforme conta Samuca nesta entrevista ao <a href=\"http:\/\/www.mundoplug.com\/\" target=\"_blank\">Plug<\/a>, parceiro do Scream &amp; Yell, vem angariando um p\u00fablico dos mais ecl\u00e9ticos. Confira!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mmS31xdZeT0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea \u00e9 paulista, mas sempre bebeu da fonte de ritmos do Norte e Nordeste, como forr\u00f3, maracatu e bai\u00e3o. Conte um pouco sobre sua hist\u00f3ria musical.<\/strong><br \/>\nNa verdade, mais do Nordeste do que do Norte. Minha hist\u00f3ria na m\u00fasica se inicia atrav\u00e9s da poesia. Comecei a escrever cedo e de forma bem emp\u00edrica, com 9 anos de idade. Na \u00e9poca, tive duas professoras, Evely e Suely Monteiro, que me incentivaram demais. Tudo que fazia na escola tinha verso. Depois comecei a enveredar pra m\u00fasica mesmo. No come\u00e7o dos anos 2000, a febre do forr\u00f3 invadiu o Brasil inteiro e a gente era adolescente na \u00e9poca, ficou maluco. Juntei uma turma de amigos de Guar\u00e1 e criamos a Chinela de Palha, que era uma banda de forr\u00f3 p\u00e9 de serra. A partir disso, abriu-se um horizonte para conhecer a obra de grandes \u00eddolos, como Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Jo\u00e3o do Vale, Dominguinhos, Zezum, Gil, Alceu, Caetano, entre outros geniais compositores da m\u00fasica nordestina e brasileira. O tempo foi passando e comecei a ampliar meu leque de pesquisa e interesse em outras coisas, sempre me relacionando e trocando muita informa\u00e7\u00e3o com outros artistas. Sempre gostei muito de soul music, RnB e de reggae tamb\u00e9m, m\u00fasicas com linhas de baixo mais marcantes, e fui escrevendo coisas para esses g\u00eaneros. Quando vim pra S\u00e3o Paulo, a\u00ed minha cabe\u00e7a abriu de vez, comecei a fazer teatro, a frequentar os bares e me relacionar com outros cantautores e artistas em geral, trocar influ\u00eancias e embutir na minha m\u00fasica. De repente, conheci a turma da Selva e a coisa virou o que virou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o, quando se mudou de Guaratinguet\u00e1 pra S\u00e3o Paulo \u00e9 que ampliou seu leque de influ\u00eancias?<\/strong><br \/>\nExtremamente! Apesar de Guar\u00e1 estar no eixo SP-RJ, muita coisa n\u00e3o chega l\u00e1. \u00c9 uma cidade com um potencial de cultura ainda aqu\u00e9m do que pode entregar. Claro que com a chegada da internet fomos tendo acesso a muita coisa e eu sempre gostei de fu\u00e7ar, de pesquisar. Mas a viv\u00eancia \u00e9 muito importante e isso n\u00e3o rola muito por l\u00e1. A gente, junto de uma pequena parcela do pessoal de l\u00e1, \u00e9 que criava nossos pr\u00f3prios movimentos. \u00c9 incompar\u00e1vel o choque, o fasc\u00ednio de chegar em S\u00e3o Paulo e ver tanta diversidade, tanta op\u00e7\u00e3o, tanta coisa boa em termos de cultura que a cidade tem a oferecer. Estou h\u00e1 10 anos aqui, j\u00e1 vi e vivi muito, mas acho que ainda \u00e9 pouco. Em S\u00e3o Paulo, se vive uma vida inteira e n\u00e3o se conhece tudo. Mas \u00e9 um lugar que te oferece muito e que tamb\u00e9m te desafia. Tento sempre seguir aprendendo mais, observando, conhecendo gente, gosto muito de gente, e aproveitando esse caleidosc\u00f3pio cultural da cidade da melhor maneira poss\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi a entrada da Selva na sua vida?<\/strong><br \/>\nMudou tudo. Mudei planos. Abdiquei de uma s\u00e9rie de coisas, de outros caminhos bem s\u00f3lidos que vinha trilhando. Mas mudou pra melhor. Hoje sou mais livre, mais aberto, mais confiante, mais inspirado, me conhe\u00e7o mais e de quebra ainda estou vivendo um sonho, fazendo o que mais gosto de fazer, que \u00e9 cantar e estar em contato com o povo, ao lado de grandes amigos que a vida me deu. A Selva \u00e9 felicidade pura!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A banda est\u00e1 lan\u00e7ando o primeiro disco ap\u00f3s dois anos de carreira. Foi dif\u00edcil maturar esse projeto?<\/strong><br \/>\n\u00c9 duro. \u00c9 sempre um esfor\u00e7o, em termos de tempo, grana, dedica\u00e7\u00e3o e dificuldades que uma banda independente precisa enfrentar. Fizemos tudo na ra\u00e7a, bem suado mesmo. Mas, sinceramente, n\u00e3o diria que \u201cdif\u00edcil\u201d \u00e9 a t\u00f4nica desse projeto, n\u00e3o. Todo mundo se doa tanto pra coisa, com tanto tes\u00e3o, com sorriso no rosto, que as coisas v\u00e3o fluindo com uma naturalidade \u00edmpar. Superar dificuldades e desafios juntos, com um dando for\u00e7a pro outro, faz a coisa andar, e perceber isso \u00e9 como desvendar um segredo. Foi e tem sido gostoso saborear esses momentos. Desde os primeiros shows at\u00e9 aqui, todo o processo de cria\u00e7\u00e3o, apresenta\u00e7\u00e3o, grava\u00e7\u00e3o, produ\u00e7\u00e3o, finaliza\u00e7\u00e3o do disco, e agora soltar o \u201cfilho\u201d no mundo. \u00c9 gratificante demais e vale a pena. \u00c9 um processo de matura\u00e7\u00e3o mesmo, e que ainda nem terminou, talvez nunca termine. N\u00e3o \u00e0 toa o nome do disco \u00e9 \u201cMadurar\u201d, que \u00e9 o que estivemos, estamos e estaremos buscando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Com 10 integrantes, como voc\u00eas fazem pra todo mundo se entender, n\u00e3o s\u00f3 musicalmente, mas tamb\u00e9m nos relacionamentos pessoais?<\/strong><br \/>\nA gente conversa muito e a gente realmente se gosta. Bateu, sabe? Tem uma caracter\u00edstica comum a todos, e que fomos evoluindo com o tempo de banda tamb\u00e9m, que \u00e9 o saber ouvir e respeitar muito a opini\u00e3o do outro. Em geral, as opini\u00f5es de cada um s\u00e3o sempre consideradas, respeitadas. Ningu\u00e9m se anula de cara, sabe? Ningu\u00e9m descarta a opini\u00e3o do outro por achismo. Tudo se considera e se debate. Isso \u00e9 bonito por aqui. O clima tamb\u00e9m, em 90% das ocasi\u00f5es \u00e9 de pura descontra\u00e7\u00e3o e muita musicalidade. O tempo todo est\u00e1 surgindo algo, alguma ideia. Uma melodia aqui, um verso acol\u00e1, uma harmonia bonita que algu\u00e9m traz. Fora isso, fora a banda, a gente est\u00e1 sempre tentando se ver, fazendo coisas juntos. As namoradas s\u00e3o todas amigas tamb\u00e9m, os pais d\u00e3o a maior for\u00e7a. S\u00f3 tem amigo mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cada um dos membros da banda t\u00eam suas influ\u00eancias e gostos. Como funciona esse caldeir\u00e3o no momento de compor as can\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\n\u00c9 nesse caldeir\u00e3o funcionando que mora o segredo da Selva. \u00c9 muita gente aberta em termos de refer\u00eancia musical, e utilizamos isso a nosso favor. Cada um soma como pode, com o que tem e com o que aprende individualmente. Algumas can\u00e7\u00f5es eu j\u00e1 trouxe mais prontas e s\u00f3 arranjamos, em outras a gente quebrou a cabe\u00e7a, mudou tudo e foi por um caminho impensado anteriormente. Criar junto \u00e9 algo que a gente curte e faz, mod\u00e9stia a parte, bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em tempos em que a divulga\u00e7\u00e3o das bandas \u00e9 basicamente virtual, voc\u00ea j\u00e1 consegue identificar um perfil do p\u00fablico que consome Samuca e a Selva?<\/strong><br \/>\nO que a gente percebe desse nosso p\u00fablico que est\u00e1 se formando \u00e9 uma heterogeneidade interessant\u00edssima. Tem de tudo, mesmo no virtual. Tem crian\u00e7a que curte a gente, manda v\u00eddeo, os pais mandam mensagem. Tem muita galera de 20 a 30 e poucos anos que \u00e9 a mo\u00e7ada que vai pros shows e vara as madrugadas conosco, e tem tamb\u00e9m muita gente da idade dos nossos pais que est\u00e1 vindo falar conosco, cinquent\u00f5es e sessent\u00f5es. Como nosso trabalho tamb\u00e9m \u00e9 bem abrangente no aspecto de g\u00eanero musical, facilita pra que isso aconte\u00e7a. Tem gente que gosta mais de brasilidades, outros s\u00e3o mais da veia de soul, outros gostam da latinidade. Cada m\u00fasica \u00e9 porta de entrada pra um p\u00fablico, e a possibilidade de ter tudo isso num \u00fanico trabalho acaba sendo meio que curioso para as pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ainda pensando nesse cen\u00e1rio, lan\u00e7ar um disco f\u00edsico continua sendo importante?<\/strong><br \/>\nAh, sim! O mundo \u00e9 t\u00e3o virtual, que um material tang\u00edvel faz diferen\u00e7a, emociona as pessoas. Tem cheiro, cor, textura. As pessoas ainda querem ler o encarte, pegar o disco, colecionar, ouvir a ordem original do \u00e1lbum, fugir do shuffle. Se for em vinil, ent\u00e3o, del\u00edcia. O vinil \u00e9 a nova m\u00eddia! J\u00e1 \u00e9 uma realidade esse mercado. \u00c9 um material lindo, que premia nosso trabalho enquanto artista e que s\u00f3 se valoriza com o tempo. Teremos o nosso tamb\u00e9m em 2017 e estamos ansiosos por isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas v\u00e3o viajar pelo Brasil para espalhar sua m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nCom certeza! Em 2016, a agenda j\u00e1 est\u00e1 apertada com compromissos em S\u00e3o Paulo capital e interior. Mas para 2017, se der tudo certo, os planos s\u00e3o rodar com o \u201cMadurar\u201d n\u00e3o s\u00f3 no Brasil como fora tamb\u00e9m. Aguardemos!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/8iilFtNLkfM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/marcos.paulino.313?\" target=\"_blank\">Marcos Paulino<\/a> \u00e9 editor do caderno Plug (<a href=\"http:\/\/www.mundoplug.com\/\" target=\"_blank\">www.mundoplug.com)<\/a>, da Gazeta de Limeira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em sua p\u00e1gina no Facebook, a banda Samuca e a Selva descreve o g\u00eanero que habita como \u201cgroove latino-americano\u201d\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/11\/09\/entrevista-samuca-e-a-selva\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":5,"featured_media":40959,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1444],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40958"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40958"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40958\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":40960,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40958\/revisions\/40960"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/40959"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40958"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40958"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40958"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}