{"id":40939,"date":"2016-11-07T23:58:21","date_gmt":"2016-11-08T01:58:21","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=40939"},"modified":"2016-12-14T14:32:18","modified_gmt":"2016-12-14T16:32:18","slug":"entrevista-the-blank-tapes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/11\/07\/entrevista-the-blank-tapes\/","title":{"rendered":"Entrevista: The Blank Tapes"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sob o nome <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/blanktapes\/\" target=\"_blank\">The Blank Tapes<\/a>, Matt Adams lan\u00e7ou 21 t\u00edtulos, entre \u00e1lbuns completos, EPs, trilhas sonoras e singles. Tudo isso em 13 anos. E, nesse meio tempo, conseguiu emplacar dois pequenos hits no Brasil gra\u00e7as a um comercial do chocolate Sonho de Valsa: \u201cListen to the One\u201d e \u201cLong Ago\u201d, ambas do \u00e1lbum \u201cDaydreams\u201d, (2007), tiveram boa difus\u00e3o no Brasil em 2010 e impulsionaram a primeira vinda da banda nesse mesmo ano. Retornariam no ano seguinte para uma turn\u00ea maior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora n\u00e3o tenha voltado mais ao pa\u00eds, Adams n\u00e3o deixou de tratar com carinho o p\u00fablico local. \u201cOjos Rojos\u201d (2016) foi distribu\u00eddo no Brasil pela Honey Bomb Records numa edi\u00e7\u00e3o com uma faixa exclusiva, \u201cEarly Bird\u201d. Em entrevistas a publica\u00e7\u00f5es estrangeiras, o californiano n\u00e3o se furtou a mencionar seguidas vezes o impacto que as temporadas brasileiras tiveram em sua vida e em suas composi\u00e7\u00f5es \u2013 duas coisas que se misturam muito facilmente, ali\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todo o imagin\u00e1rio que vem \u00e0 sua mente quando voc\u00ea escuta uma can\u00e7\u00e3o do The Blank Tapes torna-se real quando voc\u00ea conversa com Matt Adams. O cotidiano simples, as nuvens can\u00e1bicas, a predisposi\u00e7\u00e3o \u00e0 praia e a paix\u00e3o pela m\u00fasica sessentista est\u00e3o em suas palavras e na sua cara \u2013 que estava bastante \u201camassada\u201d pelo fato de Adams ter rec\u00e9m-despertado (eram 13h30 em Los Angeles).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com uma camiseta pu\u00edda, Adams atendeu \u00e0 nossa chamada de Skype enquanto preparava um baseado e dava eventuais espiadelas no celular. N\u00e3o que isso significasse indisposi\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que suas respostas eram longas (dificultando bastante a edi\u00e7\u00e3o dessa mat\u00e9ria) e gentis. Na conversa, ele discorreu detalhadamente sobre a sonoridade que busca, seu processo criativo e seu m\u00e9todo de trabalho. Mas calma, falamos do Brasil tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/6e8RfUATscM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Matt Adams: Brasil, cara! Faz tempo que estivemos a\u00ed da \u00faltima vez!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Foi em 2012, certo?<\/strong><br \/>\nIsso. 2012. Desde ent\u00e3o estamos tentando voltar, mas ainda n\u00e3o conseguimos fazer com que rolasse. (nota: na verdade foi em 2011&#8230;)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pois \u00e9. No come\u00e7o do ano, o pessoal do selo Honey Bomb havia me dito que voc\u00eas talvez viessem \u00e0 Am\u00e9rica do Sul, Brasil inclu\u00eddo, no fim de 2016, mas como n\u00e3o houve nenhuma not\u00edcia at\u00e9 agora, imagino que n\u00e3o vai rolar.<\/strong><br \/>\nN\u00e3o. N\u00e3o sei por qu\u00ea. Eu disse para que me avisassem se soubessem de alguns shows que pudessem nos pagar alguma coisa, e, voc\u00ea sabe, n\u00e3o rolou mais nada depois. Tenho amigos no Brasil, eu poderia ir por minha conta e montar uma banda a\u00ed. Gostaria de ir. Espero ir um dia desses. (Nota: Jonas Bustince, um dos respons\u00e1veis pela Honey Bomb, disse que \u201cacabamos nem falando mais com ele e a ideia foi morrendo\u201d, confirmando a vers\u00e3o de Adams).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando se olha as redes sociais do Blank Tapes, parece que voc\u00eas est\u00e3o constantemente em turn\u00ea. Procede?<\/strong><br \/>\nNa verdade, n\u00e3o. Fazemos turn\u00ea como \u201cjatos\u201d. S\u00e3o poucos dias com muitos shows. Em junho agora fiz uma semana de cinco shows na Calif\u00f3rnia, seguidos por um m\u00eas e meio de turn\u00ea na Europa. Foi meio que s\u00f3 isso nesse ano. N\u00e3o \u00e9 como se sa\u00edssemos para seis meses de turn\u00ea. Mas sempre rolam pequenos shows l\u00e1 e c\u00e1, sempre aparece alguma coisa. Morei em S\u00e3o Francisco, e sempre pinta algo por l\u00e1, eu vou com frequ\u00eancia, mas n\u00e3o \u00e9 algo que eu chamaria de turn\u00ea. Tamb\u00e9m toco muito solo ou com outras bandas, mas, como disse, \u00e9 nos arredores. N\u00e3o viajamos tanto como The Blank Tapes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por muitos anos, a banda foi s\u00f3 voc\u00ea. Quando voc\u00ea decidiu que era o caso de virar uma banda? O que te motivou a isso?<\/strong><br \/>\nDesde o come\u00e7o era um projeto solo. Tanto que costumo tocar todos os instrumentos nos discos. Por outro lado, sempre tive bandas. Ultimamente mais pessoas t\u00eam contribu\u00eddo, especialmente bateristas, mas sempre foi um projeto solo. Quando vim com o nome The Blank Tapes havia muitas bandas que eram apenas o compositor tocando todos os instrumentos. Os m\u00fasicos s\u00e3o uma banda de apoio. Eles s\u00e3o importantes, mas s\u00e3o intercambi\u00e1veis. At\u00e9 porque muitos dos membros da banda n\u00e3o querem passar tempo demais no que \u00e9 um projeto paralelo para eles, \u00e9 por isso que eles n\u00e3o tocam constantemente comigo. Diria que hoje tenho cerca de uma d\u00fazia de integrantes na banda, e chamo quem estiver dispon\u00edvel, quem estiver mais pr\u00f3ximo geograficamente ou quem se adequa melhor \u00e0quele grupo de can\u00e7\u00f5es que estou tocando no per\u00edodo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Suas can\u00e7\u00f5es podem ser mais folk, mais roqueiras, ou mais pop. Em v\u00eddeos ao vivo, d\u00e1 para ver bastante improvisa\u00e7\u00e3o, o que n\u00e3o acontece tanto em est\u00fadio.<\/strong><br \/>\n(longa pausa) Em algumas can\u00e7\u00f5es realmente improvisamos bastante. O que acontece \u00e9 que junto muitas can\u00e7\u00f5es ao vivo. Mas todo \u00e1lbum tem uma can\u00e7\u00e3o na qual d\u00e1 para estender com improvisos. Talvez no \u201cVacation\u201d ou no \u201cOjos Rojos\u201d n\u00e3o tenha isso, que s\u00e3o discos bem pop, mas estou trabalhando num \u00e1lbum que provavelmente ter\u00e1 mais esse lado [do improviso]. Por exemplo, tem uma can\u00e7\u00e3o, \u201cLook Into the Light\u201d, que \u00e9 popular no Youtube, mas nunca gravei uma vers\u00e3o boa dela. Vou entrar em est\u00fadio para tentar fazer certo. Tenho umas tr\u00eas boas can\u00e7\u00f5es para fazer jams longas e estendidas, as quais pretendo gravar. N\u00e3o saiu ainda, mas gravei uma que costumamos tocar ao vivo e est\u00e1 com nove minutos nessa vers\u00e3o de est\u00fadio. Quando fa\u00e7o um setlist mais rock\u2019n\u2019roll, sempre vai ter uma can\u00e7\u00e3o com um solo para que eu possa esticar mais. \u201cThe One\u201d, \u201cHoly Roller\u201d, essas s\u00e3o algumas das can\u00e7\u00f5es onde d\u00e1 para fazer isso. Posso fazer um show em que cada can\u00e7\u00e3o ter\u00e1 um solo. Mas a maioria das minhas composi\u00e7\u00f5es s\u00e3o pop songs de tr\u00eas ou quatro minutos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/JLE3erYWs5E?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sabe-se que voc\u00ea \u00e9 um apaixonado por m\u00fasica, que escuta muita coisa diferente. E igualmente, produz e lan\u00e7a muita m\u00fasica. Apesar de adotar majoritariamente esse formato pop que voc\u00ea falou, imagino que exista uma vontade de explorar outras sonoridades.<\/strong><br \/>\nSim! Se voc\u00ea pegar os primeiros \u00e1lbuns, \u201cLandfair\u201d e \u201cDaydreams\u201d, vai ver que eles s\u00e3o bem ecl\u00e9ticos. Quer dizer, ainda s\u00e3o discos de rock e folk, mas&#8230; Voc\u00ea j\u00e1 ouviu meu \u00e1lbum \u201cHwy 9\u201d?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o, n\u00e3o ouvi.<\/strong><br \/>\nEsse \u00e9 o mais ecl\u00e9tico de todos. \u00c9 um \u00e1lbum duplo, mas que \u00e9 cheio de can\u00e7\u00f5es de um minuto, um minuto e meio. S\u00e3o 40 faixas. Diria que esse \u00e9 o maior exemplo dos outros tipos de m\u00fasica que fa\u00e7o. Tem elementos de erudito, de barroco, coisas experimentais, ambient. Ali tem uma amostra de todos os estilos que eu gosto. Comecei a tocar m\u00fasica cl\u00e1ssica ao piano quando era crian\u00e7a, mas ouvia Guns \u2018n\u2019 Roses e tocava air guitar. Uma hora finalmente peguei uma guitarra, acho que com 14 anos, e comecei a tocar. Aprendi can\u00e7\u00f5es dos Eagles, fui aprendendo aos poucos. Ouvia m\u00fasica pop dos anos 60, Beach Boys, essas coisas. Mas eu tinha um amigo que escutava m\u00fasica country antiga, como Johnny Cash, Hank Williams e um monte de outros, e peguei essa influ\u00eancia tamb\u00e9m, adoro country antigo! Os alternativos dos anos 90, Nirvana e tal, tamb\u00e9m ouvi muito. Agora quase n\u00e3o ou\u00e7o esse tipo de m\u00fasica, mas foi uma influ\u00eancia. Via todo tipo de m\u00fasica na MTV, tinha um irm\u00e3o f\u00e3 de Doors&#8230; Acho que os tipos de m\u00fasica que mais gosto s\u00e3o as coisas dos anos 60 \u2013 digo, o rock, a psicodelia e a m\u00fasica dan\u00e7ante desse per\u00edodo \u2013 soul da Motown e da Stax. O country antigo tamb\u00e9m, tanto que tenho umas can\u00e7\u00f5es country nos meus discos. Gravei um disco \u2013 o qual n\u00e3o devo lan\u00e7ar t\u00e3o cedo, pra dizer a verdade \u2013 ao vivo, de country, com uma banda, s\u00f3 com can\u00e7\u00f5es originais minhas, mas nesse estilo antigo. Gosto tamb\u00e9m de sintetizadores, de baterias eletr\u00f4nicas. N\u00e3o ou\u00e7o muita m\u00fasica eletr\u00f4nica, mas tenho curiosidade em fazer minha vers\u00e3o do g\u00eanero. Tenho l\u00e1 minha curiosidade pela produ\u00e7\u00e3o moderna \u2013 n\u00e3o ou\u00e7o muito, mas sei que tem coisa realmente fant\u00e1stica rolando, e eu poderia explorar isso num projeto paralelo com outra pessoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bem, voc\u00ea produz muitos artistas novos.<\/strong><br \/>\nA maioria das pessoas que produzo tem esse estilo rock. Veronica Bianqui, que toca na minha banda, ela tem uma mistura de Beatles com uma coisa ao estilo da Amy Winehouse, com metais e tal, e isso \u00e9 um lance meio diferente. Mas existe um estilo no pessoal que produzo. De qualquer forma, se eu lan\u00e7ar algo diferente musicalmente, provavelmente ser\u00e1 com o nome The Blank Tapes, porque a essa altura da vida j\u00e1 n\u00e3o faz sentido adotar outros nomes. Isso deixaria tudo ainda mais obscuro. Tudo o que fa\u00e7o est\u00e1 ligado ao Blank Tapes, ent\u00e3o n\u00e3o me incomoda que o nome, a \u201cmarca\u201d, esteja ligado a um projeto muito variado, como \u00e9 o caso do Ween ou mesmo do Beck, por exemplo. Eles s\u00e3o pessoas que t\u00eam liberdade para fazer o que querem e seus f\u00e3s, ou a maior parte deles, aceita isso. S\u00e3o pessoas multifacetadas. O Beck pode fazer \u00e1lbuns super mel\u00f3dicos como pode fazer um de hip hop, seja qual for ele vai estar fazendo o lance dele. Me vejo como esse tipo de artista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea \u00e9 m\u00fasico e produtor em tempo integral. Creio que, para muitos artistas brasileiros, seria interessante saber como voc\u00ea consegue fazer isso e de maneira t\u00e3o prol\u00edfica, lan\u00e7ando tantos discos diferentes. Digo isso porque as cenas n\u00e3o s\u00e3o diferentes quanto se julga aqui: um artista independente nos EUA t\u00eam tamb\u00e9m dificuldades, e n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil lan\u00e7ar tantos discos \u2013 mesmo que digitalmente \u2013 e viver deles.<\/strong><br \/>\nFa\u00e7o bastante coisa mesmo. Tamb\u00e9m desenho, mas a m\u00fasica toma conta da minha vida. S\u00e3o tantas as partes da m\u00fasica que me mant\u00e9m ocupado&#8230; Compor, por exemplo, \u00e9 algo que me toma muito tempo. N\u00e3o tenho feito muito isso ultimamente porque tem muita coisa j\u00e1 gravada que estou lan\u00e7ando ou tentando lan\u00e7ar. Gravar tamb\u00e9m consome muito tempo e dinheiro, bem como as turn\u00eas. Toco em shows e turn\u00eas de outros m\u00fasicos, e isso me ocupa muito. Mas a maior parte do meu dinheiro vem do licenciamento das can\u00e7\u00f5es para comerciais e programas de TV. Quando eu emplaquei minhas can\u00e7\u00f5es no comercial do Sonho de Valsa, eu comprei essa bateria aqui (gira a webcam e mostra um enorme kit no meio da sua sala). Foi uma das primeiras vezes em que consegui algo assim. Foi uma bela grana e foi bem legal. Mas ao menos que voc\u00ea seja grande e toque em grandes arenas, esse \u00e9 o \u00fanico jeito de fazer algum dinheiro com m\u00fasica mesmo. Tamb\u00e9m fa\u00e7o algumas coisas customizadas: um artista pede algo num determinado estilo, ou \u00e9 algo para uma trilha sonora. Isso tamb\u00e9m ajuda.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/wf94tKE2zRM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Brasil parece ter tido um grande impacto em voc\u00ea. N\u00e3o s\u00f3 em can\u00e7\u00f5es que falam obviamente sobre sua passagem aqui, como \u201cBrazilia\u201d ou \u201cThe Biggest Blunt in Brazil\u201d, mas na sonoridade, no imagin\u00e1rio da banda.<\/strong><br \/>\nBem, eu e alguns dos integrantes da banda sempre tivemos curiosidade pelo Brasil. A m\u00fasica \u00e9 realmente \u00fanica e tem fama mundial. Samba, bossa nova, Tropic\u00e1lia, essas coisas. \u00c9 uma cultura musical \u00fanica, e isso muito nos interessava. Mas escrevo can\u00e7\u00f5es onde quer que eu v\u00e1, tenho can\u00e7\u00f5es sobre estar no Jap\u00e3o, fiz algumas na Europa \u2013 embora n\u00e3o mencione nenhuma cidade europeia. S\u00f3 que n\u00e3o sei dizer por que o Brasil parece ter tido mais&#8230; (hesita, esbo\u00e7a o come\u00e7o de um racioc\u00ednio por duas vezes e desiste). Olha, posso te contar a hist\u00f3ria por tr\u00e1s de \u201cBrazilia\u201d. Incialmente eu tinha escrito a melodia e saquei que ela tinha uma cara de Tropic\u00e1lia, e isso foi antes de eu ter visitado o Brasil. Escrevi a letra j\u00e1 de volta do Brasil. Acho que estava no M\u00e9xico. N\u00e3o tinha visitado Bras\u00edlia \u2013 ali\u00e1s, ainda n\u00e3o conhe\u00e7o a cidade \u2013 mas achei que o nome soava bem. Sabe, Brasil e M\u00e9xico s\u00e3o lugares que conjuram uma imagem de uma esp\u00e9cie de para\u00edso tropical: as praias, as mulheres, o clima. \u00c9 como o sul da Calif\u00f3rnia, tem um tipo de fantasia que vem junto com esses lugares. Idealizei o para\u00edso de ver\u00e3o no Brasil. Brasil e M\u00e9xico, na verdade. Quando estive a\u00ed foi inspirador. O \u00e1lbum \u201cVacation\u201d \u00e9 muito inspirado pelo pa\u00eds \u2013 a can\u00e7\u00e3o \u201cVacation\u201d eu j\u00e1 tinha a melodia antes de ir, mas depois fiz com que a letra fosse sobre o Brasil. A segunda ida ao Brasil inspirou tamb\u00e9m muito do \u00e1lbum \u201cOjos Rojos\u201d: \u201cLa Baby\u201d, \u201cSexxy Skyype\u201d, \u201cThe Biggest Blunt in Brazil\u201d, \u201cLet Me Hear You Rock\u201d, \u201cPass the Potato\u201d, isso tudo foi escrito da \u00faltima vez que estive a\u00ed. Na primeira vez foram tr\u00eas semanas de turn\u00ea pra valer, j\u00e1 na segunda fiquei bastante tempo, foi um m\u00eas e meio em que eu tocava uns shows e depois ficava de bobeira curtindo a cidade. Isso foi inspirador. Porque foi minha fantasia tropical, saca?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Suas letras, ali\u00e1s, trazem refer\u00eancias \u00e0s drogas. O que \u00e9 comum \u00e0 psicodelia, mas n\u00e3o tanto \u00e0 m\u00fasica pop como a que voc\u00ea toca, pelo menos n\u00e3o atualmente. E as men\u00e7\u00f5es s\u00e3o sempre muito naturais, nunca apolog\u00e9ticas. Ent\u00e3o imagino que drogas sejam parte da sua vida. S\u00e3o tamb\u00e9m parte de seu processo criativo?<\/strong><br \/>\nEu bebo cerveja, fumo muita maconha, mas n\u00e3o diria que&#8230; Sabe, eu n\u00e3o diria que escrevo melhores can\u00e7\u00f5es quando estou chapado ou algo do tipo. Se tanto, diria que componho mais quando n\u00e3o estou chapado. Ocasionalmente curto uns psicod\u00e9licos, mas n\u00e3o escrevo m\u00fasica sob o efeito deles. Pode ser que depois da viagem eu use a informa\u00e7\u00e3o ou a experi\u00eancia para escrever as letras, ou para levar minha mente a um lugar diferente, ou para desenhar, mas na verdade escrevo can\u00e7\u00f5es sobre tudo. \u00c0s vezes elas s\u00e3o embara\u00e7osas, outras pessoais demais, e t\u00eam at\u00e9 as meio bestas ou bobonas. Tem at\u00e9 as que escrevo como piada e acabo gostando depois, e n\u00e3o vejo raz\u00e3o para mudar. N\u00e3o tenho um filtro quando componho ou mesmo quando lan\u00e7o. Devem ter umas duas can\u00e7\u00f5es que n\u00e3o lancei porque s\u00e3o completamente rid\u00edculas ou vergonhosas, mas lan\u00e7o 99,99% do que escrevo. O \u00e1lbum \u201cGeodesic Dome Piece\u201d come\u00e7ou como um \u00e1lbum de piadas, a maioria das can\u00e7\u00f5es s\u00e3o sobre fumar maconha ou ficar chapada, mas depois ele acabou ficando. Escrevi mais umas can\u00e7\u00f5es [para o disco] para que ficasse at\u00e9 mais exagerado. Drogas fazem parte da minha vida, mas n\u00e3o \u00e9 uma parte t\u00e3o grande. Talvez maior que na de outras pessoas, mas n\u00e3o sou um freak das drogas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Suas can\u00e7\u00f5es s\u00e3o bem cotidianas. E autobiogr\u00e1ficas.<\/strong><br \/>\nOs Beatles s\u00e3o minha banda favorita, mas das letras gosto mais das do Ray Davies, dos Kinks. As letras dos Beatles s\u00e3o muito impessoais \u2013 John Lennon era mais pessoal, mas o Paul McCartney era aquele lance de criar personagens e mundos: \u201cEleanor Rigby\u201d, \u201cMaxwell sei -l\u00e1-das-quantas&#8230;\u201d. Eram sempre fantasias sobre outras pessoas. Ray Davies cantava sempre sobre as experi\u00eancias pessoais com seus amigos, sobre sua vida. Tinha menos a ver com fantasia e mais a ver com a realidade. Tinha mais brincadeira, tinha muitas can\u00e7\u00f5es engra\u00e7adas. Ele \u00e9 meu compositor preferido, e me influenciou. Tamb\u00e9m tem o lance que para mim \u00e9 mais f\u00e1cil falar sobre minha pr\u00f3pria vida, assim como para alguns \u00e9 mais f\u00e1cil inventar coisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ray Davies \u00e9 tua maior influ\u00eancia. Da mesma maneira, j\u00e1 encontrei com m\u00fasicos que me disseram que s\u00e3o influenciados por voc\u00ea. Voc\u00ea j\u00e1 se deu conta que, ap\u00f3s ter tantos anos de estrada e tantas can\u00e7\u00f5es gravadas, pode ter se tornado refer\u00eancia para algu\u00e9m, assim como o l\u00edder dos Kinks foi para voc\u00ea?<\/strong><br \/>\n\u00c9! Quer dizer, eu n\u00e3o sei&#8230; \u00c9&#8230; P\u00f4, isso \u00e9 louco! Eu ainda nem acredito nisso. J\u00e1 ouvi aqui e ali, de amigos e de gente que toca comigo. Porque eu tamb\u00e9m sou influenciado pelos meus amigos, pela minha comunidade. Acho que faz sentido que isso aconte\u00e7a no meu meio, mas \u00e9 uma loucura pensar que isso pode acontecer no Brasil, porque eu n\u00e3o&#8230; \u00c9 bem bacana, para falar a verdade. Mas na mesma sinceridade, te digo que vivo na minha pr\u00f3pria bolha, ent\u00e3o muita coisa n\u00e3o me chega. Adoraria ouvir a m\u00fasica de quem se diz influenciado por mim! Sinto que plantei umas sementes, porque deixei muitos CDs a\u00ed e toquei em v\u00e1rios lugares, e saber que h\u00e1 quem responda positivamente a isso \u00e9 incr\u00edvel.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4jFPpg4QQ-0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/AMYglgBfPtU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/AQibwM50_G0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/leovinhas\" target=\"_blank\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell. A foto que abre o texto \u00e9 de Kristin Cofer \/ Divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Sob o nome The Blank Tapes, Matt Adams lan\u00e7ou 21 t\u00edtulos, entre \u00e1lbuns completos, EPs, trilhas sonoras e singles. 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