{"id":40931,"date":"2016-11-04T08:29:39","date_gmt":"2016-11-04T10:29:39","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=40931"},"modified":"2016-11-28T14:25:28","modified_gmt":"2016-11-28T16:25:28","slug":"tres-perguntas-os-gringos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/11\/04\/tres-perguntas-os-gringos\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas perguntas: Os Gringos"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/cristianobastos\" target=\"_blank\">Cristiano Bastos<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Formada por quatro nativos dos EUA e um brasileiro nato em Itajub\u00e1, interior de Minas Gerais, a banda Os Gringos, radicada no Brasil desde 2013, j\u00e1 tem um disco lan\u00e7ado e agora prepara um segundo lan\u00e7amento, previsto para meados de 2017. Com o primeiro \u00e1lbum, que re\u00fane 14 m\u00fasicas autorais, a banda j\u00e1 se apresentou em festivas no interior de Minas e S\u00e3o Paulo. Inspirados pelo blues, rock, funk americano, country, hip-hop, jazz e uma boa dose de m\u00fasica brasileira, os shows da banda chamam aten\u00e7\u00e3o pela performance da banda ao vivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Os Gringos&#8221; (2014), o disco de estreia dos caras, pode ser baixado gratuitamente no site oficial da banda (<a href=\"http:\/\/www.osgringos.com\" target=\"_blank\">http:\/\/www.osgringos.com<\/a>). Mas logo mais tem coisa nova, afinal eles est\u00e3o trabalhando no est\u00fadio Little Big America, de propriedade da banda, na produ\u00e7\u00e3o do segundo \u00e1lbum, que j\u00e1 tem nome: \u201cThe Animal Kingdom\u201d. Para este pr\u00f3ximo registro, o quinteto acrescenta \u00e0 receita sonora uma boa dose de \u201crock-blues psicod\u00e9lico\u201d, o que injeta uma boa dose de \u201cveneno\u201d ao som cheio de punch da banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o guitarrista Daniel Friend, que respondeu a entrevista abaixo, o nome do novo trabalho \u00e9 uma met\u00e1fora em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o tanto pessoal quanto art\u00edstica pelas quais t\u00eam passado os integrantes da banda em suas jornadas musicais. \u201cAo vivo costumamos desdobrar os temas em n\u00fameros mais pesados, alongados e\/ou improvisados\u201d. O resultado \u00e9 pura nitroglicerina. Tais caracter\u00edsticas voc\u00ea poder\u00e1 conferir acessando o canal do na banda Youtube: <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/c\/OsGringos\" target=\"_blank\">www.youtube.com\/c\/OsGringos<\/a>.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/NuhnLMdUEwo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00eas avaliam o resultado obtido com o primeiro disco?<\/strong><br \/>\nA recep\u00e7\u00e3o ao disco foi excelente. Sempre prezamos pelo trabalho autoral, e nossos f\u00e3s conhecem as m\u00fasicas e as letras, e pedem m\u00fasicas do primeiro \u00e1lbum durante nossos shows. Lan\u00e7ado no final de 2015, o \u00e1lbum serve como uma amostra viva da qualidade que sempre procuramos imprimir em nossas composi\u00e7\u00f5es, al\u00e9m do profissionalismo que empenhamos para fazer o disco ficar bonito, tanto em termos sonoros quanto em termos visuais e de acabamento f\u00edsico. O que talvez tenha faltado ao primeiro disco foi uma distribui\u00e7\u00e3o maior. Estamos no Spotify, iTunes, Deezer, entre outras plataformas, por\u00e9m, n\u00e3o sab\u00edamos as melhores t\u00e1ticas para fazer o disco rodar fora de nossa regi\u00e3o geogr\u00e1fica com maior impacto. Vivendo e aprendendo. Por conta disso, estamos constantemente estudando o mercado. Em termos de produ\u00e7\u00e3o e composi\u00e7\u00e3o, consideramos que o disco representa nossa musicalidade e diversidade sonora, suas origens e ra\u00edzes. Cada um na banda tinha um gosto e influ\u00eancia nata. Os sons v\u00e3o do rockabilly, country, hip-hop at\u00e9 o funk americano, mais tudo com uma costura comum de blues e rock cl\u00e1ssico. Realiz\u00e1-lo foi bem experimental em alguns pontos. A letra da m\u00fasica \u201cPolyglot\u201d, por exemplo, usa nove l\u00ednguas. J\u00e1 \u201cBrazilian English\u201d mistura rock com uma levada parecida com samba, e as letras tratam das experi\u00eancias de n\u00f3s d\u2019Os Gringos no Brasil, inclusive com a inser\u00e7\u00e3o de instrumentos tipicamente brasileiros, a exemplo da cu\u00edca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que a m\u00fasica brasileira tem de especial? D\u00e1 para tra\u00e7ar diferen\u00e7as (ou semelhan\u00e7as) entre a m\u00fasica brasileira e a norte-americana?<\/strong><br \/>\nRitmicamente, a m\u00fasica brasileira \u00e9 extremamente \u00fanica e contagiante. As batidas do samba, tropic\u00e1lia, bai\u00e3o, entre outros ritmos, s\u00e3o uma fus\u00e3o de culturas e hist\u00f3rias que somente o Brasil poderia proporcionar. Quanto ao instrumental h\u00e1 mistura muito forte de sons e batidas africanas e de melodias e levadas europeias, o que muitas vezes cria uma levada caracterizada por se solta e subdivis\u00f5es muito marcantes. \u00c9 dif\u00edcil ficar parado. A respeito de letras, a l\u00edngua portuguesa tem em si uma poesia natural e verdadeiramente muito bonita, que atravessa a imensa gama de estilos musicais presentes na musicalidade brasileira. Tamb\u00e9m \u00e9 marcante o fato de que grandes brasileiros, como Chico Buarque, Milton Nascimento, Raul Seixas e Criolo, t\u00eam letras que, al\u00e9m de sua grande carga po\u00e9tica, abordam temas relevantes com grande impacto. Existe, sim, um paralelo entre a m\u00fasica brasileira e a norte-americana, no sentido de que os dois pa\u00edses criaram suas pr\u00f3prias identidades musicais a partir de uma fus\u00e3o das matrizes africanas e europeias. H\u00e1 certas semelhan\u00e7as na hist\u00f3ria de surgimento de blues e samba, vindo de comunidades e culturas de escravos, que contam hist\u00f3rias de tristeza, sofrimento, opress\u00e3o, reden\u00e7\u00e3o e esperan\u00e7a. Para n\u00f3s, a quest\u00e3o do rock n\u00e3o \u00e9 de imposi\u00e7\u00e3o cultural. Buscamos sempre introduzir em nossa sonoridade elementos de v\u00e1rios estilos (jazz, blues, samba, flamenco, funk americano), mas tudo com uma dosagem boa de rock. Quando se fala a palavra \u201croqueiro\u201d, no Brasil, a imagem que vem em mente \u00e9 do sujeito de cabelo comprid\u00e3o, camisetas pretas e coturnos, mas a quest\u00e3o \u00e9 que existem outros vertentes de rock que tamb\u00e9m podem ser exploradas e se pudermos deixar isso claro ao nosso p\u00fablico, ficaremos felizes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como \u00e9 ter uma banda de rock no interior de Minas Gerais? Imagino que deve ter sido um tanto \u00e1rduo formar um p\u00fablico.<\/strong><br \/>\nPelo fato de que quatro dos cinco integrantes da banda v\u00eam dos EUA, isso acaba chamando um pouco de aten\u00e7\u00e3o. H\u00e1 certa expectativa ou cren\u00e7a que, do mesmo jeito que o brasileiro \u201cdeve\u201d nascer sabendo sambar, o estadunidense \u201cdeve\u201d nascer sabendo mandar aquele rock-and-roll. N\u00e3o estamos dizendo que isso seja sempre uma verdade, mas, de certa forma, acaba nos ajudando a divulgar nosso som. A cena de rock aqui da regi\u00e3o Sul de Minas Gerais \u00e9 potente, apesar de n\u00e3o sobrepujar os gostos musicais principais da popula\u00e7\u00e3o em geral, que est\u00e3o na conta do sertanejo e da m\u00fasica pop. Existem alguns festivais tradicionais com v\u00e1rios anos por aqui, tais como o Bloco do Pink Floyd (Pedralva), o Ro\u00e7a N\u2019 Roll (Varginha), Pedrock (Pedralva), Rock Nas Alturas (Maria da F\u00e9) e o Showrrasco (Santa Rita do Sapuca\u00ed). Obviamente, para estes festivais existirem, precisa existir um p\u00fablico para sustent\u00e1-los, e este \u00e9 o mesmo p\u00fablico que tamb\u00e9m tem abra\u00e7ado nosso som. Somos muito gratos ao reconhecimento que conquistamos por aqui, inicialmente com o p\u00fablico em Itajub\u00e1 e depois em outras cidades aqui da regi\u00e3o. Tudo isso acaba sendo um combust\u00edvel que s\u00f3 faz alimentar ainda mais nossa paix\u00e3o pela m\u00fasica. Por outro lado, percebemos que, se quisermos continuar crescendo e semeando o som, tamb\u00e9m temos que tocar em cidades fora da regi\u00e3o. Quanto ao nosso som, n\u00f3s procuramos ser aut\u00eanticos com nossas composi\u00e7\u00f5es e shows ao vivo. O que voc\u00ea v\u00ea em nossas apresenta\u00e7\u00f5es, e o qu\u00ea voc\u00ea sente quando escuta uma grava\u00e7\u00e3o nossa, \u00e9 algo que todos n\u00f3s processamos de forma profunda antes de compartilhar com o p\u00fablico. Como n\u00f3s colocamos muito valor neste conte\u00fado e o processo da sua interpreta\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m temos como proposta apoiar a cena autoral aqui no Brasil, pois hoje conhecemos outras bandas que t\u00eam a mesma preocupa\u00e7\u00e3o em fazer algo aut\u00eantico. Hoje em dia n\u00e3o h\u00e1 muito espa\u00e7o para bandas novas e queremos mostrar para as pessoas que, na sua cidade, e na sua regi\u00e3o, voc\u00ea est\u00e1 rodeado por artistas de muitos g\u00eaneros de m\u00fasica, e eles est\u00e3o fazendo coisas legais que n\u00e3o est\u00e3o tocando na r\u00e1dio.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/WlQE-LnDehM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Cristiano Bastos (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/cristianobastos\" target=\"_blank\">@cRISTIANObASTOS<\/a>) \u00e9 jornalista e autor dos livros &#8220;Gauleses Irredut\u00edveis&#8221; e &#8220;Julio Reny: Hist\u00f3rias de Amor e Morte&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Conhe\u00e7a uma banda formada por quatro nativos dos EUA e um brasileiro nato em Itajub\u00e1, interior de Minas Gerais! \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/11\/04\/tres-perguntas-os-gringos\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":34,"featured_media":40932,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1431],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40931"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40931"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40931\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":40936,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40931\/revisions\/40936"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/40932"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40931"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40931"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40931"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}