{"id":40880,"date":"2016-10-31T10:06:39","date_gmt":"2016-10-31T12:06:39","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=40880"},"modified":"2016-11-17T09:32:26","modified_gmt":"2016-11-17T11:32:26","slug":"entrevista-pwr-records","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/10\/31\/entrevista-pwr-records\/","title":{"rendered":"Entrevista: PWR Records"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\">Renan Guerra<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa das melhores faixas de 2016, Salma J\u00f4, da banda Carne Doce, canta: \u201cMeu sexo sempre \u00e9 um impasse \/ \u00c9 a raz\u00e3o pra me acusar\u201d. Um impasse desdobrado dentro de \u201c<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=HE0SI04ylsE\" target=\"_blank\">Falo<\/a>\u201d, pen\u00faltima faixa do disco \u201cPrincesa\u201d, que representa uma busca cada vez maior pela voz feminina dentro da m\u00fasica independente. E aqui n\u00e3o se fala em conceitos pr\u00e9-estabelecidos de feminilidade, se fala das mulheres buscando seu espa\u00e7o de fala e de liberdade criativa para falarem sobre o que bem entenderem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido, Hannah Carvalho (19) e Let\u00edcia Tom\u00e1s (20), meninas que t\u00eam movimentado intensamente a cena nordestina, se uniram a Nanda Loureiro, do selo cearense Banana Records, para construir uma lista colaborativa on-line que desse conta de mapear essas mulheres que trabalham com m\u00fasica independente, desde carreiras solo at\u00e9 bandas (que podiam incluir apenas uma integrante feminina). Entre os meses de julho e setembro de 2016, elas registraram 310 grupos com ao menos uma integrante, sendo que 44 s\u00e3o exclusivamente de meninas ou projetos solo. No final das contas, a maioria desses projetos se concentra na cidade de S\u00e3o Paulo, com 83 artistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com esses n\u00fameros em m\u00e3os, Hannah e Let\u00edcia chegaram \u00e0 conclus\u00e3o que mais importante que dados, era a a\u00e7\u00e3o, por isso decidiram fundar, em Recife, a <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pwrlabel\" target=\"_blank\">PWR Records<\/a>, que visa lan\u00e7ar artistas femininas, mas mais que isso, dar suporte a todo o ciclo de lan\u00e7amento e ao fortalecimento dessa cena. Com o conceito de que \u201co futuro \u00e9 feminino\u201d, as garotas lan\u00e7aram esse ano o primeiro single da PAPISA \u2013 a.k.a. Rita Oliva, integrante das bandas Cabana Caf\u00e9 e Parati (ambas em hiato) \u2013 chamado \u201cInstinto\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para compreender melhor essa empreitada das garotas, conversei com Let\u00edcia Tom\u00e1s, uma das metades da PWR. Confira!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/w.soundcloud.com\/player\/?url=https%3A\/\/api.soundcloud.com\/tracks\/287041299&amp;color=ff5500&amp;auto_play=false&amp;hide_related=false&amp;show_comments=true&amp;show_user=true&amp;show_reposts=false\" width=\"100%\" height=\"166\" frameborder=\"no\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A PWR come\u00e7ou inicialmente com uma pesquisa: era um mapeamento da presen\u00e7a feminina na m\u00fasica independente brasileira, certo? Como que surgiu essa ideia (ou mesmo necessidade) da pesquisa?<\/strong><br \/>\nFoi isso mesmo. Era uma planilha que eu fiz pra eu mesma sabe? Para servir de base para uma zine que eu queria fazer, mas eu enrolava demais pra fazer tudo s\u00f3 (haha). Ai chamei Nanda, da Banana Records, e Hannah pra me ajudar a organizar tudo. Da\u00ed a Nanda postou a <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/groups\/sinewave\/\" target=\"_blank\">lista no grupo da Sinewave<\/a> e em horas j\u00e1 tinha umas 100 bandas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas os resultados dessa lista surpreenderam voc\u00eas? O que levou at\u00e9 o desenvolvimento da PWR?<\/strong><br \/>\nA lista hoje tem 300 bandas, me surpreendeu. Mas percebi que a gente conhecia poucas daquelas bandas, a ideia depois da lista era fazer um site pra fazer mat\u00e9rias sobre cada uma, criar uma forma de separar todas por g\u00eaneros pra ficar mais f\u00e1cil de achar e tal, mas isso era muito complicado, a\u00ed a gente desistiu. Hannah sempre quis fazer um selo e eu sempre quis trabalhar com m\u00fasica feita por mulheres. Depois de muito vai-n\u00e3o-vai e muito apoio dos nossos amigos, criamos o selo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O primeiro lan\u00e7amento do selo foi da PAPISA, que \u00e9 o novo projeto da Rita Oliva, como foi esse processo e a escolha desse nome para marcar o in\u00edcio da trajet\u00f3ria de voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nA gente j\u00e1 estava com tudo idealizado pra lan\u00e7ar o selo, e a Rita j\u00e1 estava com quase tudo pronto para lan\u00e7ar a PAPISA. A\u00ed nossos amigos em comum fizeram a ponte: nos apresentaram o projeto dela, e apresentaram a ela nosso projeto. Desde o in\u00edcio a gente j\u00e1 teve uma sincronia muito massa. O conceito do trabalho dela \u00e9 muito parecido com o nosso, eram duas coisas totalmente novas, femininas e feministas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pelas suas falas, fica claro que parte fundamental do nascimento da PWR tem rela\u00e7\u00e3o com essas trocas de contatos e tudo mais, o que podemos considerar como uma base importante para que o feminismo se estabele\u00e7a, n\u00e3o? Voc\u00ea percebe essa uni\u00e3o como cerne do trabalho de voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nCom certeza! Nada disso aconteceria se fiz\u00e9ssemos tudo s\u00f3s, trabalhamos com troca de conhecimento, ideias e mensagens motivacionais hahah.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma nossa pesquisa agora foi lan\u00e7ada por voc\u00eas, focando nas minas que trabalham no backstage. Como surgiu a necessidade de mapear essa presen\u00e7a?<\/strong><br \/>\nQuero, al\u00e9m de divulgar o som, ajudar a produzir. Criar uma rede de contato, quando uma mina quiser produzir seu som, indicamos uma mina pra ajudar, outra pra mixar, outra pra fazer a arte e tal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Super legal essa ideia! Ontem mesmo eu estava lendo um post da Karina Buhr sobre ela sempre ter que reafirmar que \u00e9 respons\u00e1vel pelo trabalho dela, que comp\u00f4s, que fez aquilo sem o apoio de um homem. E isso \u00e9 ressonante do fato do Brasil muitas vezes ser visto como um &#8220;pa\u00eds de cantoras&#8221;, mas mulheres que sempre precisam estar cercadas de homens. Vejo nestes \u00faltimos anos um debate importante sobre isso (no pr\u00f3prio trabalho da Buhr, do Carne Doce, da A\u00edla). Como voc\u00ea percebe esse cen\u00e1rio? Acredita que esse \u00e9 um momento de mudan\u00e7a e de as mulheres assumirem seu espa\u00e7o de fala sem interlocutores?<\/strong><br \/>\nMulher sempre foi vista como int\u00e9rprete s\u00f3, n\u00e9? \u00c9 foda demais v\u00ea-las se impondo e mostrando sua autonomia art\u00edstica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ap\u00f3s o lan\u00e7amento inicial, voc\u00eas j\u00e1 t\u00eam outros projetos engatilhados ou algum lan\u00e7amento que pode ser adiantado para n\u00f3s?<\/strong><br \/>\nA gente t\u00e1 conversando sobre muitos lan\u00e7amentos e parcerias, mas acho melhor n\u00e3o falar agora n\u00e3o hahaha. Posso adiantar que em breve lan\u00e7amos o pr\u00f3ximo single da PAPISA!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/pwr2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\">Renan Guerra<\/a> \u00e9 jornalista e colabora com o sites <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/YouMeDancin\" target=\"_blank\">You! Me! Dancing!<\/a> e Scream &amp; Yell<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Hannah Carvalho (19) e Let\u00edcia Tom\u00e1s (20) decidiram fundar, em Recife, a PWR Records, que visa lan\u00e7ar artistas femininas. Conhe\u00e7a o trabalho delas!\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/10\/31\/entrevista-pwr-records\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":3,"featured_media":40882,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1423,1422],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40880"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40880"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40880\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":40883,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40880\/revisions\/40883"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/40882"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40880"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40880"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40880"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}