{"id":40877,"date":"2016-10-31T23:37:59","date_gmt":"2016-11-01T01:37:59","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=40877"},"modified":"2016-12-02T11:41:54","modified_gmt":"2016-12-02T13:41:54","slug":"conexao-latina-a-band-of-bitches","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/10\/31\/conexao-latina-a-band-of-bitches\/","title":{"rendered":"Conex\u00e3o Latina: A Band of Bitches"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma banda de putas. N\u00e3o \u00e9 o melhor dos nomes para se ter quando voc\u00ea pensa em expor sua m\u00fasica em pa\u00edses onde o ingl\u00eas \u00e9 falado ou amplamente compreendido, mesmo sem ser o idioma oficial. Mas, de muitas formas, n\u00e3o havia nome melhor para <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/aboboficial\/\" target=\"_blank\">A Band of Bitches<\/a>, projeto paralelo de integrantes de v\u00e1rias bandas famosas mexicanas que, em menos de quatro anos, conseguiu uma proje\u00e7\u00e3o muito maior do que imaginavam ao montar o grupo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A identidade dos integrantes permanece oculta sob diferentes m\u00e1scaras. Em princ\u00edpio, elas serviam para dissociar a m\u00fasica nova do A Band of Bitches dos trabalhos que consagraram os m\u00fasicos. Agora, j\u00e1 se tornaram parte da identidade, forjada em v\u00eddeos de alta rota\u00e7\u00e3o no Youtube e em apresenta\u00e7\u00f5es que j\u00e1 passaram por festivais como o estadunidense South by Southwest e muitos mexicanos, Vive Latino, Desert Fest, Festival Internacional del Globo e outros. A m\u00fasica, dan\u00e7ante, moderna e t\u00e3o bem-executada quanto vulgar, \u00e9 um am\u00e1lgama de rapid\u00edssimos beats eletr\u00f4nicos, folclore local, rock e hip-hop.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cThe Pre End of the World Sountrack\u201d \u00e9 o \u00fanico \u00e1lbum at\u00e9 o momento. Dois EPs, os volumes 1 e 2 de \u201cChingadazos Musicales\u201d, se seguiram (um terceiro deve sair em breve) e agora, em 2016, causam com \u201cEl Diablo G\u00fcero\u201d, can\u00e7\u00e3o que pega pesado no tema da imigra\u00e7\u00e3o latina para os EUA e que foi feita sob encomenda para a trilha sonora do filme \u201cDesierto\u201d, de Jonas Cuar\u00f3n (roteirista do premiado \u201cGravidade\u201d) e estrelada por Gael Garc\u00eda Bernal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O vocalista Ushka Rappat atendeu \u00e0 chamada por Skype mascarado e fumando um cigarro eletr\u00f4nico. N\u00e3o escondeu sua surpresa em estar falando com um ve\u00edculo brasileiro \u2013 algo que, em seu entender, s\u00f3 foi poss\u00edvel porque a ind\u00fastria musical mudou. Leia a entrevista e saiba que ele quer dizer com isso.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/dHPcIStBnzY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cEl Diablo Guero\u201d \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o bastante direta sobre o momento atual. O que voc\u00eas esperam gerar com essa can\u00e7\u00e3o? A quem voc\u00eas esperam que ela chegue?<\/strong><br \/>\nPara ser sincero, n\u00e3o compus a can\u00e7\u00e3o pensando na situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica atual dos Estados Unidos. A inspira\u00e7\u00e3o \u00e9 sobre a quest\u00e3o migrat\u00f3ria do M\u00e9xico aos Estados Unidos, e tampouco foi uma cr\u00edtica ao governo norte-americano, e sim ao governo do M\u00e9xico. Aqui n\u00e3o h\u00e1 oportunidades de vida, ent\u00e3o temos que buscar a imigra\u00e7\u00e3o. A can\u00e7\u00e3o foi escrita sob encomenda para o filme \u201cDesierto\u201d e nos baseamos em assuntos de conhecidos que passaram por esse tipo de situa\u00e7\u00e3o. A can\u00e7\u00e3o nada mais que \u00e9 uma fotografia. Inevitavelmente, ela pode ser associada com os Estados Unidos, ou at\u00e9 com o que est\u00e1 acontecendo em outros pa\u00edses, mas a\u00ed dizer se essa associa\u00e7\u00e3o \u00e9 certa ou errada n\u00e3o \u00e9 algo que me cabe. \u00c9 uma can\u00e7\u00e3o t\u00e3o subjetiva que qualquer um pode buscar seu significado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dada essa subjetividade, n\u00e3o custa ent\u00e3o perguntar como as pessoas est\u00e3o entendendo e aceitando essa can\u00e7\u00e3o a\u00ed no M\u00e9xico.<\/strong><br \/>\nAs pessoas gostam! Acho que algumas pessoas se identificam com a letra, mas acho que as pessoas se pegam mais pela m\u00fasica mesmo, porque ela \u00e9 bastante, digamos, aut\u00f3ctona \u2013 ou regional \u2013 e est\u00e1 relacionada com a m\u00fasica moderna, dan\u00e7ante, at\u00e9 roqueira. Aqui no M\u00e9xico, por muito tempo, os gostos estavam divididos entre o que era a m\u00fasica estrangeira e o que era a m\u00fasica regional, e, afinal de contas, todo mundo gosta dos dois estilos. Sempre buscamos encontrar a maneira de fazer esses estilos se encontrarem, e \u00e9 exatamente isso que estamos tentando fazer agora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Algumas reportagens recentes sobre A Band of Bitches comparam a banda com Caf\u00e9 Tacuba ou Molotov exatamente por essa premissa de combinar o folcl\u00f3rico e o moderno. O som de voc\u00eas n\u00e3o t\u00eam uma sonoridade que remeta diretamente a essas duas bandas, mas de alguma maneira voc\u00eas se sentem herdeiros dessa tradi\u00e7\u00e3o que lhes apontam?<\/strong><br \/>\nSim, eles definitivamente s\u00e3o influ\u00eancias, e s\u00e3o bandas que est\u00e3o tomando suas ra\u00edzes folcl\u00f3ricas e levando para rumos modernos. Vamos dizer que isso j\u00e1 virou um subg\u00eanero na m\u00fasica mexicana, e somos muito tentando dar nosso aporte para expandir isso. Me sinto fortuitamente relacionado com Molotov, Caf\u00e9 Tacuba, Nortec Collective e outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o me lembro qual foi o artista brasileiro que disse que \u201cas pessoas pensam melhor quando dan\u00e7am\u201d (ri). Passa por a\u00ed a ideia de voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nSim, definitivamente sim. E eu tenho uma teoria que fazemos m\u00fasica para dan\u00e7ar porque n\u00e3o sabemos dan\u00e7ar (risos). Ficamos envolvidos na dan\u00e7a quando criamos. A dan\u00e7a \u00e9 importante em nossas can\u00e7\u00f5es, n\u00e3o o g\u00eanero que estamos tocando. Veja que todas as nossas can\u00e7\u00f5es tem 100, 130 beats por minuto. N\u00e3o importa se \u00e9 hip hop ou m\u00fasica local, tudo acaba em m\u00fasica dan\u00e7ante. Isso gera uma euforia e faz com que nossos shows terminem sendo um baile.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1XMWUzFs4pw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A identidade mexicana da banda est\u00e1 clara no som, mas tamb\u00e9m no visual. S\u00f3 que os v\u00eddeos est\u00e3o tendo boa divulga\u00e7\u00e3o at\u00e9 fora de seu pa\u00eds. Est\u00e3o fazendo algo diretamente focado no p\u00fablico estrangeiro?<\/strong><br \/>\nEstamos tratando de preparar algumas viagens. Vamos passar 15 dias na Espanha fazendo promo\u00e7\u00e3o de nosso trabalho, vamos tocar na Argentina no in\u00edcio do ano que vem&#8230; Queremos exportar nossa m\u00fasica porque acreditamos que ela funciona em v\u00e1rios lugares, e porque n\u00f3s, como m\u00fasicos, logicamente queremos expor nosso trabalho em outros lugares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas tocaram em muitos festivais. Sei que n\u00e3o falam muito de suas identidades \u201creais\u201d, mas imagino que foi justamente por terem um retrospecto com suas outras bandas que os ajudou a estarem presentes em tantos palcos importantes em relativamente pouco tempo.<\/strong><br \/>\nSim. N\u00e3o todos, mas a metade da banda toca em projetos conhecidos, eu estou em um projeto que est\u00e1 estabelecido h\u00e1 20 anos, e todos somos caras de 30 e poucos, 40 anos. De muitas formas, j\u00e1 sab\u00edamos algumas coisas que davam certo e outras que n\u00e3o quer\u00edamos ter que repetir. Por outro lado, quer\u00edamos apagar completamente isso da percep\u00e7\u00e3o do p\u00fablico para que nos reconhecessem apenas pela m\u00fasica. E todo o music business mudou, as redes sociais n\u00e3o existiam quando come\u00e7amos [com as outras bandas], ent\u00e3o t\u00ednhamos que ver como funcionaria tudo isso. Tivemos sorte com isso, porque se fosse no passado, ter\u00edamos que ter uma companhia grande para fazer com que nossa m\u00fasica chegasse at\u00e9 voc\u00ea no Brasil, por exemplo. Estou fazendo essa entrevista contigo gra\u00e7as \u00e0 internet, e nossa m\u00fasica chegou at\u00e9 voc\u00ea por ela. N\u00e3o precisamos dos esfor\u00e7os e dos investimentos de uma gravadora para chegar a isso, o que \u00e9 alentador. E te permite tentar e fazer mais coisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Certamente. Ali\u00e1s, \u00e9 justamente a internet que permite que voc\u00eas possam ir \u00e0 Argentina. Seria bom se pudessem vir ao Brasil tamb\u00e9m&#8230;<\/strong><br \/>\nSeria maravilhoso! Com nossas outras bandas j\u00e1 tocamos na Am\u00e9rica do Sul, mas nunca pudemos ir ao Brasil, ent\u00e3o seria b\u00e1rbaro. A m\u00fasica do Brasil nos influenciou muito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bem, ent\u00e3o \u00e9 justo dizer o que chegou de brasileiro at\u00e9 voc\u00eas que os impactou, especialmente algo moderno.<\/strong><br \/>\nUh, um mont\u00e3o de coisas! Moderno eu n\u00e3o sei assim de cabe\u00e7a, mas gosto das partes mais funkeadas do Jota Quest, e gosto demais do Marcelo D2. J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 moderno tamb\u00e9m, mas gosto do Carlinhos Brown, Seu Jorge, tenho os discos de Chico Science &amp; Na\u00e7\u00e3o Zumbi. E, claro, Antonio Carlos Jobim, Jo\u00e3o Gilberto, Marcos Valle&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voltando a quest\u00e3o de levar a banda para mais pa\u00edses: o nome pode ser um problema, n\u00e3o? O Facebook chegou a apagar a comunidade oficial da banda por causa do nome (risos).<\/strong><br \/>\nNo princ\u00edpio, n\u00e3o nos importamos muito. Em parte porque n\u00e3o conhec\u00edamos esse sistema novo e pens\u00e1vamos que a internet ia ser realmente sem censura, e j\u00e1 vimos que n\u00e3o \u00e9 bem assim, h\u00e1 uma censura relativa. E em outra medida porque a banda come\u00e7ou como nosso escape criativo, procur\u00e1vamos fazer o que t\u00ednhamos de fazer e ponto. Mas logo come\u00e7aram a nos aparecer muitas possibilidades, e o nome se tornou um problema mesmo no M\u00e9xico, ent\u00e3o estamos vendo todas as possibilidades quanto ao nome, para que possamos modific\u00e1-lo sem que se mude radicalmente a ideia ou o logo (nota: no Facebook, o nome da banda agora aparece abreviado: <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/aboboficial\/\" target=\"_blank\">A.B.O.B.<\/a>). A ideia \u00e9 ressignificar o nome. Tamb\u00e9m temos outras ideias, ficamos debatendo se \u00e9 melhor nos mantermos mascarados ou se mostramos a cara e fazemos algo mais formal e mais p\u00fablico. N\u00e3o queremos que a banda fique estagnada ou perca oportunidades porque n\u00f3s mesmos fomos n\u00e9scios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Estar lan\u00e7ando mais EPs que discos t\u00eam a ver com essa adequa\u00e7\u00e3o ao momento atual do music business, no qual as pessoas est\u00e3o se importando menos com \u00e1lbuns?<\/strong><br \/>\nNos demos conta que funcionava assim. Vimos que pessoas estavam ansiosas para escutar uma can\u00e7\u00e3o da qual gostassem r\u00e1pido porque estavam a fim de j\u00e1 seguir para a pr\u00f3xima e encontrar algo na banda que viesse depois. Me lembro que t\u00ednhamos quatro can\u00e7\u00f5es, e faltavam oito mais para completar um LP. Fomos gravando aos poucos, mas a\u00ed colegas mais jovens foram nos dizendo que n\u00e3o fazia sentido esperar para lan\u00e7ar um disco, que hoje n\u00e3o era mais assim. Na verdade, hoje n\u00e3o s\u00e3o nem EPs, s\u00e3o os singles que as pessoas querem ouvir. Mas fazer singles me causa muito problema, porque sou de outra escola (risos). Por outro lado, voc\u00ea j\u00e1 n\u00e3o tem a limita\u00e7\u00e3o f\u00edsica de tempo dos CDs. Lembro-me que a \u00faltima faixa de cada lado do vinil tinha que ser uma can\u00e7\u00e3o lenta, porque se fosse r\u00e1pida, podia danificar a agulha (risos). Esse \u00e9 o bom do formato atual: sem limita\u00e7\u00e3o f\u00edsica, voc\u00ea pode fazer o que quiser. Mas gostamos de fazer can\u00e7\u00f5es de tr\u00eas ou quatro minutos, ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 problema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea se sente anacr\u00f4nico?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o! Eu aproveito! \u00c9 como come\u00e7ar a fumar esse cigarro eletr\u00f4nico aqui (risos). Me sinto bem, n\u00e3o estou preso a um disco. Tudo muda, e o legal \u00e9 abra\u00e7ar isso. A tecnologia tamb\u00e9m permite at\u00e9 tocar num samples instrumentos que minha banda n\u00e3o toca, ent\u00e3o aproveito isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que acontece se a banda crescer demais? Sei que esse \u00e9 um cen\u00e1rio hipot\u00e9tico, mas&#8230; Ou melhor, refa\u00e7o a pergunta: o quanto A Band of Bitches \u00e9 importante para voc\u00eas, como artistas e como indiv\u00edduos, hoje?<\/strong><br \/>\nEra uma fuga no come\u00e7o, se transformou em algo maior. Conseguimos musicalmente e publicamente coisas que em outro momento n\u00e3o nos seriam poss\u00edveis e que sempre quisemos. Claro que \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o delicada se tivermos que pesar entre A Band of Bitches e o que j\u00e1 temos constru\u00eddo com outras bandas, mas \u00e9 um problema bem melhor para se ter do que estar na merda e n\u00e3o saber como sair (risos). Acho que, se acontecer isso, teremos cuidado ao conduzir as coisas.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/nAS9mtDlV-c?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/p3sHgqnAW6A?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/hKKEiASUgS0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/leovinhas\" target=\"_blank\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Uma banda de putas. 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