{"id":40863,"date":"2016-10-29T07:55:29","date_gmt":"2016-10-29T09:55:29","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=40863"},"modified":"2016-12-14T14:32:28","modified_gmt":"2016-12-14T16:32:28","slug":"tres-perguntas-phillip-long","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/10\/29\/tres-perguntas-phillip-long\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas perguntas: Phillip Long"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por\u00a0<a href=\"http:\/\/twitter.com\/renata_arruda\" target=\"_blank\">Renata Arruda<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o seis anos de carreira, 10 \u00e1lbuns e elogiadas participa\u00e7\u00f5es em diversas colet\u00e2neas. Neste ano de 2016, <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/philliplongfolk\/\" target=\"_blank\">Phillip Long<\/a> lan\u00e7ou \u201cCat Days\u201d, seu \u00faltimo registro em ingl\u00eas, e ainda os singles \u201cTalvez\u201d, \u201cN\u00e3o faz Seu Estilo\u201d e \u201cM\u00fasica de Superf\u00edcie\u201d \u2013 faixas para um disco que acabou ficando congelado, \u00e0 espera de um outro momento para ganhar a luz do dia. Neste momento, Phillip j\u00e1 est\u00e1 em outra sintonia: seu interesse agora \u00e9 voltar \u00e0s ra\u00edzes e lan\u00e7ar um \u00e1lbum \u201cbem folk e purista, com gaita pra caramba\u201d, como define. Com campanha ativa no Catarse (<a href=\"https:\/\/www.catarse.me\/pt\/manifesto_de_uma_pequenina_vida_0785\" target=\"_blank\">apoie aqui<\/a>), seu pr\u00f3ximo disco, batizado de \u201cManifesto de Uma Pequenina Vida\u201d, ser\u00e1 o primeiro todo em portugu\u00eas, marcando n\u00e3o apenas uma fase em que o m\u00fasico ambiciona se comunicar melhor com o p\u00fablico brasileiro, como tamb\u00e9m um momento de maior liberdade criativa e art\u00edstica em sua carreira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para dar vida \u00e0s can\u00e7\u00f5es, que considera as melhores que j\u00e1 escreveu, Phillip Long tem se reunido com um time de m\u00fasicos amigos: Rafael Elfe (viol\u00e3o, viola, bandolim, guitarra e gaita), Felipe Pizzutiello (baixo) e Mateus Rahal Sala Polati (bateria e piano), todos trabalhando coletivamente na produ\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum, sob o comando de Phillip. \u201cVai ser uma produ\u00e7\u00e3o coletiva, comigo guiando o processo\u201d, conta ele. Por conta disso, o compositor resolveu apostar pela primeira vez no financiamento coletivo \u2013 menos por uma quest\u00e3o de escolha e mais por necessidade: depois de passar todos esses anos trabalhando \u201cna faixa\u201d com um produtor que tomava conta de todo o processo, foi necess\u00e1rio encontrar uma forma de bancar sua autonomia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Phillip, as can\u00e7\u00f5es de \u201cManifesto de Uma Pequenina Vida\u201d ir\u00e3o tratar de temas como juventude e vida simples, mantendo sempre o vi\u00e9s pol\u00edtico que vem adotando desde \u201cZeitgeist\u201d (2015). Na p\u00e1gina da <a href=\"https:\/\/www.catarse.me\/pt\/manifesto_de_uma_pequenina_vida_0785\" target=\"_blank\">campanha criada no Catarse<\/a>, o m\u00fasico escreve que o \u00e1lbum \u201cn\u00e3o \u00e9 um manual. \u00c9 a minha vida e a vida de muita gente, e essas coisas n\u00e3o podem ser calculadas em mesas frias, quer dizer, uma vida \u00e9 muito maior do que qualquer outra coisa\u201d. E continua: \u201c\u00e9 sobre crescer dentro de um sistema que nos empurra pra baixo e que nos violenta, sobre inadequa\u00e7\u00e3o, sobre escapar, sobre dirigir at\u00e9 os limites da cidade e fazer amor na carroceria, contar estrelas, sobre ser jovem dentro disso tudo. \u00c9 sobre desejar viver com apenas o que importa, e o que realmente importa \u00e9 quase sempre invis\u00edvel e livre de qualquer hierarquia ou jogos de poder\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta entrevista exclusiva para o Scream &amp; Yell, o m\u00fasico fala sobre autonomia e avalia com franqueza o seu trabalho at\u00e9 o momento. Ele tamb\u00e9m continua n\u00e3o poupando cr\u00edticas \u00e0 cena independente brasileira, que em sua opini\u00e3o faz uma m\u00fasica meramente decorativa: \u201c\u00e9 uma m\u00fasica que n\u00e3o fala sobre nada\u201d. Para Phillip Long, a m\u00fasica \u00e9 uma via ideol\u00f3gica e ele n\u00e3o tem nenhum medo de parecer panflet\u00e1rio ao introduzir pol\u00edtica em suas can\u00e7\u00f5es: \u201ca m\u00fasica tem que servir para uma fun\u00e7\u00e3o\u201d, defende.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Crowdfunding: <a href=\"https:\/\/www.catarse.me\/pt\/manifesto_de_uma_pequenina_vida_0785\" target=\"_blank\">https:\/\/www.catarse.me\/pt\/manifesto_de_uma_pequenina_vida_0785<\/a><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/bJ_pIbzT1EU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Depois de tantos lan\u00e7amentos, voc\u00ea resolveu apostar no financiamento coletivo para viabilizar o pr\u00f3ximo disco. Voc\u00ea pode falar um pouco sobre esta escolha? Por que agora e por que especificamente para esse \u00e1lbum? E como \u00e9 essa hist\u00f3ria de ter escrito suas melhores m\u00fasicas?<\/strong><br \/>\nA escolha de fazer uma campanha no Catarse para lan\u00e7ar esse disco vem porque eu trabalhei durante muito tempo dentro de uma estrutura em que um produtor fazia todos os arranjos e tudo mais e eu sentia vontade de fazer uma coisa que fosse bem diferente, que rompesse um pouco com os estigmas que eu constru\u00ed dentro da minha carreira. Para fazer isso, eu tinha que tomar \u00e0 frente das coisas e trabalhar um pouco mais criando os espa\u00e7os, criando os arranjos. Ter um pouco mais de autonomia. Ent\u00e3o, pra fazer isso, eu precisava mesmo dar esse passo de lan\u00e7ar uma campanha e conseguir captar recursos para poder gravar um disco \u00e0 moda antiga, com tempo pra arranjar, para pensar nos caminhos e tudo mais. Na verdade, n\u00e3o foi nem uma escolha, foi uma quest\u00e3o de necessidade mesmo. N\u00e3o dava para fazer antes porque, como eu tinha uma parceria eu gravava 100% na faixa. Eu tinha esse tipo de privil\u00e9gio enquanto compositor. Mas sentia falta de estar mais envolvido dentro de todo o processo, que \u00e9 uma coisa que h\u00e1 muito tempo eu n\u00e3o conseguia fazer. E nesse disco eu tenho essa possibilidade. Eu montei uma banda e a gente est\u00e1 ensaiando e arranjando as coisas e eu estou tomando conta do processo, o que \u00e9 uma coisa bem diferente pra mim. E eu sinto que escrevi as melhores m\u00fasicas para esse disco porque eu estou mais maduro, n\u00e9? J\u00e1 tem quase seis anos de tentativa e erro, trabalhando em discos e gravando coisas e tentando uma carreira. Ent\u00e3o eu acho que descobri como encaminhar uma mensagem melhor. Com essa coisa de trabalhar h\u00e1 muito tempo, a gente vai ficando mais experiente. Hoje eu acho que sei como abordar uma m\u00fasica melhor, sei o que eu quero dizer, consigo colocar isso numa letra com mais tranquilidade. Eu acho que cheguei num ponto em que eu estou mais maduro. At\u00e9 penso que, depois de ter lan\u00e7ado tanta coisa sem freio, hoje eu realmente apagaria algumas coisas que lancei se pudesse, porque eu n\u00e3o tomei muita conta do processo. Acho que eu estava aprendendo muito durante esse tempo, ent\u00e3o tem muita coisa que acaba se tornando um rascunho, sabe? Eu at\u00e9 falo na internet e nos shows sobre as coisas que eu considero irrelevantes. \u201cRapaz do interior\u201d \u00e9 uma m\u00fasica que eu eu acho completamente bizarra e que acabou entrando no meu repert\u00f3rio. Se eu pudesse apagaria. Mas depois eu acabei percebendo que as pessoas criaram uma rela\u00e7\u00e3o com essas can\u00e7\u00f5es e quase sempre quando me abordam, o sentido \u00e9 completamente diferente do que eu pensei. De certa forma, essa m\u00fasica ganhou uma sobrevida na vida das pessoas, pela forma como essas pessoas lidam com ela. Se eu pudesse eu deletaria. Mas&#8230;deixa pra l\u00e1, n\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em um post no Facebook, voc\u00ea afirmou ter escrito um disco de letras, de of\u00edcio de composi\u00e7\u00e3o. \u201cFui atr\u00e1s daquilo que todo mundo jogou fora. Tratei de dar ouvidos \u00e0quilo que ningu\u00e9m v\u00ea\u201d. O que voc\u00ea quis dizer com isso?<\/strong><br \/>\nQuando eu disse isso eu queria dizer que eu estou a fim de resgatar essa coisa do of\u00edcio do compositor, sabe? De dizer a verdade, de n\u00e3o ter tantos roteiros. Aquela coisa de n\u00e3o ser mediada apenas pela imagem, que \u00e9 o que a gente v\u00ea o tempo inteiro hoje. A molecada ouve o som mais pela imagem do que pela verdade, do que por letras que dizem sobre eles. Ent\u00e3o eu acho que, para a cr\u00edtica daqui a vinte anos, a nossa m\u00fasica vai ser irrelevante porque ela n\u00e3o fala sobre a nossa hist\u00f3ria, n\u00e3o fala sobre os nosso pecados, sobre o quadro social, sobre depress\u00e3o. N\u00e3o fala sobre nada. \u00c9 uma m\u00fasica decorativa, que serve pra distrair. Eu acho que grande parte dos compositores modernos est\u00e3o mais preocupados em tapear e encher o bolso de dinheiro do que outra coisa. E eu n\u00e3o quero ser assim. Quero fazer uma coisa que seja realmente profunda, que cause algum impacto nas pessoas. Isso me chateia muito porque como compositor voc\u00ea vai percebendo que tem muita coisa em jogo al\u00e9m de uma m\u00fasica verdadeira e honesta. Ent\u00e3o isso \u00e9 uma coisa que me perturba e me deixa inconformado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Seus posts costumam ser bastante politizados. Voc\u00ea j\u00e1 chegou a afirmar que no dia que o p\u00fablico descobrir que a m\u00fasica que a gente escuta tamb\u00e9m \u00e9 uma to pol\u00edtico, \u201ctoda essa cena independente roda\u201d, dizendo que os compositores de hoje servem apenas para ganhar edital de cartas marcadas e lamentando que o cidad\u00e3o se diz politizado mas continua ouvindo \u201ca mesma musiquinha imag\u00e9tica brasileira de sempre, que engana todo mundo\u201d. Voc\u00ea n\u00e3o tem receio de acabar soando panflet\u00e1rio no seu trabalho?<\/strong><br \/>\nEu n\u00e3o tenho medo de soar panflet\u00e1rio, n\u00e3o. Porque eu acho que realmente a m\u00fasica, e pelo menos o que eu entendo sobre m\u00fasica, de onde eu bebi e me formei musicalmente, eu acho que m\u00fasica \u00e9 uma via ideol\u00f3gica. \u00c9 uma forma de combate contra as coisas que a gente v\u00ea no mundo. Ent\u00e3o eu realmente acho que a m\u00fasica tem que ser ideol\u00f3gica, tem que servir a alguma fun\u00e7\u00e3o. \u00c9 isso que eu estou querendo e \u00e9 isso que eu estou procurando. E eu tamb\u00e9m me sentia muito distante disso, sabe? Por mais que eu ainda abordasse quest\u00f5es como depress\u00e3o, que eu sempre abordei por ter uma viv\u00eancia disso, eu sentia que a minha m\u00fasica n\u00e3o tinha uma fun\u00e7\u00e3o t\u00e3o clara, at\u00e9 porque eu cantava em ingl\u00eas e para um p\u00fablico brasileiro cuja l\u00edngua nativa \u00e9 o portugu\u00eas e eu acho que essas coisas dificultavam o entendimento. Quando eu falo sobre os editais e tudo mais \u00e9 porque depois de seis anos de carreira a gente come\u00e7a a ver como funcionam essas coisas. Voc\u00ea percebe que muitos compositores modernos \u00e0s vezes at\u00e9 abra\u00e7am causas mas a m\u00fasica n\u00e3o reflete o que eles est\u00e3o abra\u00e7ando. N\u00e3o \u00e9 verdade? Ent\u00e3o eu acho que isso \u00e9 uma imagem em detrimento da m\u00fasica. Parece que tudo \u00e9 mais imag\u00e9tico do que musical. Isso, de certa forma, \u00e9 uma coisa que eu tento evitar, principalmente nesse disco. Quero construir uma coisa amarrada ao que eu sou e o que a minha m\u00fasica \u00e9. N\u00e3o quero que exista essa dualidade.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/VaJEZTDEpNs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Renata Arruda (<a href=\"http:\/\/twitter.com\/renata_arruda\" target=\"_blank\">@renata_arruda<\/a>) \u00e9 jornalista e assina o blog <a href=\"http:\/\/www.mardemarmore.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\">Prosa Espont\u00e2nea<\/a>.<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Phillip Long: &#8220;N\u00e3o aceitei participar do The Voice porque n\u00e3o acredito na proposta&#8221; (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/08\/25\/entrevista-o-zeitgeist-de-phillip-long\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Com campanha no Catarse para apoiar seu primeiro totalmente em portugu\u00eas, Phillip Longo avisa: &#8220;Acho que descobri como encaminhar uma mensagem melhor&#8221;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/10\/29\/tres-perguntas-phillip-long\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":27,"featured_media":40864,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1416],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40863"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/27"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40863"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40863\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":40865,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40863\/revisions\/40865"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/40864"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40863"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40863"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40863"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}