{"id":40857,"date":"2016-10-28T23:59:33","date_gmt":"2016-10-29T01:59:33","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=40857"},"modified":"2016-11-30T14:59:35","modified_gmt":"2016-11-30T16:59:35","slug":"entrevista-lestics-2016","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/10\/28\/entrevista-lestics-2016\/","title":{"rendered":"Entrevista: Lestics (2016)"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eles sugiram despretensiosos com dois bel\u00edssimos <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/11\/23\/dois-discos-para-voce-baixar-agora\/\" target=\"_blank\">discos gravados em home studio em 2007<\/a> (\u201c9 Sonhos\u201d em mar\u00e7o e \u201cles tics\u201d em outubro) e foram, ano a ano, disco a disco, maturando uma sonoridade que alcan\u00e7aria a maturidade em \u201cAos Abutres\u201d (2010) e, de l\u00e1 para c\u00e1, exibiria uma banda ciente de suas pr\u00f3prias necessidades (sonoras e po\u00e9ticas). \u201cA banda faz poucos shows (&#8230;). Nossa produ\u00e7\u00e3o acaba ficando muito focada nos discos, e nisso rola uma urg\u00eancia, quase uma compuls\u00e3o. Os sete \u00e1lbuns em nove anos (fora os singles) s\u00e3o o resultado dessa necessidade compulsiva de produzir\u201d, conta Olavo Rocha, vocalista e letrista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTorto\u201d, o s\u00e9timo disco do Lestics, traz nove can\u00e7\u00f5es compostas em nove ensaios e foi gravado totalmente ao vivo em est\u00fadio. O resultado \u00e9 o disco mais rock, mais encorpado sonoramente da banda. \u201cBem vindo ao desconforto voc\u00ea que acabou de chegar \/ Por aqui quanto mais torto, mais bem vindo algu\u00e9m ser\u00e1\u201d, canta Olavo na primeira frase da faixa t\u00edtulo, que abre o \u00e1lbum e d\u00e1 o tom sombrio que se seguir\u00e1 disco adentro. &#8220;Eu digo que fizemos \u2018Torto\u2019 envenenados pela realidade. Acho que o verso do disco que melhor resume essa sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 o \u2018Isso aqui n\u00e3o \u00e9 pra voc\u00ea, mesmo assim \u00e9 preciso ficar\u2019&#8221;, diz o letrista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como fez em todos os lan\u00e7amentos anteriores, o Lestics liberou \u201cTorto\u201d gratuitamente para download <a href=\"http:\/\/www.lestics.com.br\/\" target=\"_blank\">em seu site oficial<\/a>, mas o \u00e1lbum tamb\u00e9m est\u00e1 dispon\u00edvel nos portais de streaming (<a href=\"https:\/\/play.spotify.com\/album\/3Vg7Ffy55aqgiNf3VzyJ1v\" target=\"_blank\">ou\u00e7a no Spotify<\/a>) tanto quanto ganhou uma bel\u00edssima edi\u00e7\u00e3o especial com fotos do baixista Marcelo Patu (\u201cque j\u00e1 tinham muito essa cara minimalista e seca do disco\u201d) num livreto \u201cem esquema artesanal, costura e papel japoneses, a parada toda\u201d, segundo Olavo. Abaixo ele fala da arte caprichada do \u00e1lbum, dos dias atuais e muito mais. Confira!<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/lestics_torto.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00ea observa a trajet\u00f3ria do Lestics, uma banda que come\u00e7ou como um projeto paralelo, de certa forma despretensioso, e hoje j\u00e1 soma sete discos em uma bela discografia?<\/strong><br \/>\nEu vejo o Lestics meio como um trem desgovernado. De vez em quando a gente at\u00e9 procura o freio, n\u00e3o acha, e ent\u00e3o segue compondo, gravando, lan\u00e7ando discos&#8230; A banda faz poucos shows, porque pra gente \u00e9 emba\u00e7ado tocar fora de S\u00e3o Paulo. Nossa produ\u00e7\u00e3o acaba ficando muito focada nos discos, e nisso rola uma urg\u00eancia, quase uma compuls\u00e3o. Os sete \u00e1lbuns em nove anos (fora os singles) s\u00e3o o resultado dessa necessidade compulsiva de produzir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esse \u00e9 o primeiro disco que voc\u00eas gravam ao vivo em est\u00fadio? Como foi o processo de composi\u00e7\u00e3o de \u201cTorto\u201d?<\/strong><br \/>\nA ideia do \u201cao vivo\u201d j\u00e1 tinha nos tentado antes, mas as m\u00fasicas sempre acabavam ganhando arranjos que n\u00e3o cabiam nesse esquema de grava\u00e7\u00e3o. Em \u201cTorto\u201d a coisa toda foi na dire\u00e7\u00e3o de um disco mais cru, e portanto mais f\u00e1cil de gravar ao vivo. Eu j\u00e1 tinha algumas letras, os guris tinham algumas ideias musicais, e a gente foi construindo as m\u00fasicas nos ensaios, de um jeito absurdamente fluido (foram exatos 9 ensaios pra compor as 9 m\u00fasicas). Cada vez que entr\u00e1vamos no est\u00fadio um de n\u00f3s falava \u201cvejam bem, rapazes, nenhuma obriga\u00e7\u00e3o de sair daqui de novo com uma m\u00fasica pronta, hein?\u201d e fazia aquela cara de quem sabe que t\u00e1 ganhando um campeonato na pura sorte&#8230; S\u00f3 que toda vez a gente sa\u00eda com a bendita da m\u00fasica pronta! E no processo fomos sacando que n\u00e3o tinha que ter mais nada ali al\u00e9m de guitarra, baixo, bateria e voz. A\u00ed na hora de gravar n\u00e3o tivemos d\u00favida, fomos pro mesmo est\u00fadio dos ensaios e gravamos ao vivo. Depois o Caio fez um ou outro overdub de guitarra, o trio de cordas gravou em \u201cO Esquim\u00f3\u201d, e pronto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vivemos uma realidade meio \u201ctorta\u201d, n\u00e3o? Ainda que essa coisa de bolha d\u00ea certo conforto, afinal n\u00e3o estamos s\u00f3s, como \u00e9 construir um disco em meio a esse caos?<\/strong><br \/>\nAcho que a gente t\u00e1 vivendo uma esp\u00e9cie de antiutopia. Uma realidade dif\u00edcil de engolir pra quem estava enxergando, ou querendo enxergar, alguns sinais de que as coisas (em termos civilizat\u00f3rios) poderiam melhorar. Agora muita ficha caiu, muitas m\u00e1scaras ca\u00edram, e a gente fica com uma sensa\u00e7\u00e3o de desmoronamento que talvez seja fruto de uma ingenuidade pr\u00e9via nossa. As viol\u00eancias, as arbitrariedades, as omiss\u00f5es e sil\u00eancios criminosos, as intoler\u00e2ncias, as imposturas \u2013 tudo isso que nos abate agora n\u00e3o s\u00e3o dados novos de realidade. Sempre estiveram por a\u00ed e ganharam nova for\u00e7a como rea\u00e7\u00f5es naturais \u00e0 ideia de que alguma coisa poderia sair do script hist\u00f3rico de domina\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o e do foda-se-o-outro. N\u00e3o t\u00f4 aqui falando de pol\u00edtica, ou s\u00f3 de pol\u00edtica, mas de estrutura e organiza\u00e7\u00e3o social. Nessa situa\u00e7\u00e3o, ficar na bolha tamb\u00e9m \u00e9 desconfort\u00e1vel, porque a gente interage com o que rola \u201cl\u00e1 fora\u201d e se sente muito impotente e alienado aqui dentro. Pra voltar a falar de m\u00fasica, isso tudo de uma certa forma est\u00e1 no disco. Eu digo que fizemos o \u201cTorto\u201d envenenados pela realidade. Acho que o verso do disco que melhor resume essa sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 o \u201cisso aqui n\u00e3o \u00e9 pra voc\u00ea, mesmo assim \u00e9 preciso ficar\u201d. A gente t\u00e1 num lugar lament\u00e1vel e vai ter que chupar essa manga.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00f3s vamos sortear no Scream &amp; Yell duas c\u00f3pias da vers\u00e3o limitada de \u201cTorto\u201d, com uma arte bastante especial. Fale um pouco dessa arte e sobre como o trabalho gr\u00e1fico est\u00e1 ligado ao Lestics, afinal voc\u00eas sempre capricham no material final (lembro que \u201cHoje\u201d, o terceiro disco de voc\u00eas, de 2009, teve tr\u00eas capas diferentes)&#8230;<\/strong><br \/>\nA gente sempre tentou cuidar bem das artes, mas essa edi\u00e7\u00e3o especial do \u201cTorto\u201d \u00e9 um caso \u00e0 parte, \u00e9 muito capricho&#8230; Eu estava trabalhando nas artes com uma s\u00e9rie de fotos do Marcelo Patu (nosso baixista-fot\u00f3grafo), que j\u00e1 tinham muito essa cara minimalista e seca do disco. A\u00ed um dia me caiu na m\u00e3o o livro (\u201cAfundo\u201d) que ele tinha editado com as fotos, em esquema artesanal, costura e papel japoneses, a parada toda&#8230; Eu fiquei maluco, falei pra ele que a gente tinha que dar um jeito de fazer uma edi\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum com aquela arte e acabamento. O S\u00e9rgio, irm\u00e3o do Patu, que tinha cuidado do livro, acabou produzindo uma s\u00e9rie limitada, que a gente est\u00e1 distribuindo a conta-gotas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Senti falta das letras no encarte, muito porque acho as letras do Lestics repletas de imagens interessantes, algo que \u00e9 meio dif\u00edcil encontrar no cen\u00e1rio nacional nos \u00faltimos anos. Algum motivo para deixa-las de fora?<\/strong><br \/>\nNeste caso a gente preferiu deixar as fotos estabelecerem o clima. Colocar as letras ali ia embolar um pouco o discurso, foi esse o racioc\u00ednio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Al\u00e9m do Lestics, voc\u00ea tamb\u00e9m acabou de lan\u00e7ar o segundo disco d\u2019Os Gianoukas Papoulas. Que doidera \u00e9 essa de lan\u00e7ar dois \u00e1lbuns praticamente ao mesmo tempo? Onde come\u00e7a uma banda e onde termina a outra?<\/strong><br \/>\nFoi doideira, mas foi sem querer, haha! Come\u00e7amos a trabalhar no disco dos <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/09\/28\/tres-perguntas-os-gianoukas-papoulas\/\" target=\"_blank\">Gianoukas Papoulas<\/a> bem antes do \u201cTorto\u201d, mas em algum momento, por coincid\u00eancia, os processos se parearam. A\u00ed foi bem maluco, arranjando, gravando, mixando os dois discos ao mesmo tempo. Quase deu tilt aqui na cachola&#8230; O legal \u00e9 que as duas bandas t\u00eam hist\u00f3rias, propostas e m\u00e9todos bem diferentes. Apesar do trancet\u00ea de pessoas (o Caio, guitarrista do Lestics, gravou o Olinka Stutz; o Umberto veio comigo dos Gianoukas para o Lestics, depois saiu do Lestics e agora est\u00e1 s\u00f3 nos Gianoukas), cada uma tem seu territ\u00f3rio bem delimitado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em nove anos de banda, o Lestics j\u00e1 lan\u00e7ou sete \u00e1lbuns. Seria poss\u00edvel voc\u00ea selecionar uma m\u00fasica de cada \u00e1lbum (explicando o motivo) para observarmos essa trajet\u00f3ria sonoramente?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Legal!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cElefantes\u201d (\u201c9 sonhos\u201d): bom, essa \u00e9 uma m\u00fasica sobre elefantes voadores baseada em um sonho que eu realmente tive, e \u00e9 muito simp\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEgo\u201d (\u201cles tics\u201d): a faixa que fecha o nosso segundo disco soa esquisita, mas de um jeito interessante. Gosto da batida tosca e do slide que o Umba fez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPlano de Fuga\u201d (\u201cHoje\u201d): \u201cUm fiapo de fuma\u00e7a se desprende dos escombros do seu \u00faltimo projeto\u201d. Acho legal termos feito um disco que come\u00e7a assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cParto Normal\u201d (\u201cAos Abutres\u201d): a gente tem muita m\u00fasica sombria, mas essa \u00e9 uma janela aberta pra um dia ensolarado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cMedo\u201d (\u201cHist\u00f3ria Universal do Esquecimento\u201d): falando em m\u00fasicas sombrias, o nosso quinto disco \u00e9 cheio delas. Talvez por isso ele tenha passado meio batido, o que eu acho uma pena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTempo de Partir\u201d (\u201cSeis\u201d): tem uma das letras que eu mais gosto, narrativa, com algumas imagens bem boas. E o instrumental \u00e9 uma boniteza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDivers\u00e3o Dominical\u201d (\u201cTorto\u201d): curto como tudo se encaixou direitinho pra construir o clima dessa faixa.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/w.soundcloud.com\/player\/?url=https%3A\/\/api.soundcloud.com\/playlists\/271061589&amp;color=ff5500&amp;auto_play=false&amp;hide_related=false&amp;show_comments=true&amp;show_user=true&amp;show_reposts=false\" width=\"100%\" height=\"450\" frameborder=\"no\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\">Calmantes com Champagne<\/a>. A foto que abre o texto \u00e9 de Gabriele Diola; a foto do \u00e1lbum &#8220;Torto&#8221; \u00e9 de Olavo Rocha \/ Divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O Lestics retorna com &#8220;Torto&#8221;, seu s\u00e9timo \u00e1lbum, um disco envenenado pela realidade dos dias atuais. Olavo Rocha conta mais. \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/10\/28\/entrevista-lestics-2016\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":40858,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[899],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40857"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40857"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40857\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":40952,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40857\/revisions\/40952"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/40858"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40857"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40857"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40857"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}