{"id":40818,"date":"2016-10-24T23:39:06","date_gmt":"2016-10-25T01:39:06","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=40818"},"modified":"2023-10-24T15:28:55","modified_gmt":"2023-10-24T18:28:55","slug":"o-blues-dos-rolling-stones","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/10\/24\/o-blues-dos-rolling-stones\/","title":{"rendered":"O blues dos Rolling Stones"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/guilhermeolhier\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Guilherme Olhier<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">No come\u00e7o de outubro, os Rolling Stones acabaram com uma espera de mais de 10 anos e anunciaram um novo disco, \u201cBlue &amp; Lonesome\u201d, que ser\u00e1 lan\u00e7ado no dia 02 de dezembro e contar\u00e1 apenas com covers do blues americano. O primeiro single, \u201cJust Your Fool\u201d, \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o de 1954 de Buddy Johnson, pianista de jazz e blues de Nova York, que se tornou famosa na vers\u00e3o de Little Walter, bluesman de Louisiana, lan\u00e7ada em 1962. Uma das grandes influ\u00eancias dos Stones, Little Walter est\u00e1 no \u00e1lbum com ainda outras duas can\u00e7\u00f5es: &#8220;I Gotta Go&#8221; e &#8220;Hate to See You Go&#8221;.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"little walter- just your fool ( His Best, Chess 50th Anniversary  Collection) # 20\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/L1Umm6fT2ek?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cBlue &amp; Lonesome\u201d \u00e9 um disco muito aguardado pelos f\u00e3s, n\u00e3o s\u00f3 pela longa espera por material novo, mas principalmente pela enorme liga\u00e7\u00e3o dos Rolling Stones com o blues ao longo dos 50 anos de carreira da banda. Esse \u201ccasamento\u201d vai muito al\u00e9m do nome, que nasceu de uma m\u00fasica de 1950 de Muddy Waters, \u201cRollin\u2019 Stone\u201d, lan\u00e7ada como single pela Chess Records.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria oficial contada pelos pr\u00f3prios Keith Richards e Mick Jagger diz que em 1960 os dois se encontraram na esta\u00e7\u00e3o de Dartford, na Inglaterra, e Jagger estava segurando dois LPs debaixo do bra\u00e7o: \u201cRockin at the Hops\u201d (1960), de Chuck Berry, e \u201cThe Best of Muddy Waters\u201d (1958). A partir da\u00ed, Keith e Mick iniciaram uma longa amizade por conta do amor dos dois pelo blues americano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 no primeiro \u00e1lbum do grupo, lan\u00e7ado em abril de 1964, composto apenas por (12) covers, tr\u00eas \u00f3timos blues foram escolhidos: \u201cI\u2019m a King Bee\u201d, de Slim Harpo, \u201cHonest I Do\u201d, de Jimmy Reed (um obsess\u00e3o de Keith) e \u201cI Just Wanna Make Love to You\u201d, de Willie Dixon, mas baseada na vers\u00e3o de Muddy Waters, que foi um dos primeiros grandes hits dos Stones na Inglaterra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se em Liverpool, os Beatles bebiam na fonte do soul da Motown, em Londres os Stones reviravam os discos da Chess Records, selo de Chicago e um dos principais de blues nos Estados Unidos, que contava com praticamente todos os nomes de peso do g\u00eanero: Muddy Waters, Willie Dixon, Little Walter, Howlin Wolf, John Lee Hooker e Buddy Guy \u2013 para citar os principais.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Little Walter - Confessin&#039; The Blues [Digitally Remastered]\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ikOEkIlic2o?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O segundo \u00e1lbum dos Stones lan\u00e7ado nos Estados Unidos, \u201c12X5\u201d, em outubro de 1964, trazia as primeiras composi\u00e7\u00f5es da parceria Jagger\/Richards, mas o blues tamb\u00e9m est\u00e1 presente no cover de \u201cConfessin the Blues\u201d, de Walter Brown, gravada originalmente em 1941. A vers\u00e3o inglesa do \u00e1lbum, \u201cThe Rolling Stones N\u00ba2\u201d, trazia \u201cI Can\u2019t Be Satisfied\u201d, mais um cover de Muddy Waters.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No document\u00e1rio \u201cKeith Richards: Under the Influence\u201d, o guitarrista conta que, no come\u00e7o os Stones, eles tinham uma miss\u00e3o de conquistar cada vez mais adeptos do blues. \u201cEu sabia que nunca conseguir\u00edamos tocar como Muddy, ent\u00e3o n\u00f3s aceleramos e todo mundo curtiu\u201d, explica Keith.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ideia dos ingleses era justamente prestar uma homenagem a seus grandes \u00eddolos e ao mesmo tempo resgatar o interesse das pessoas pelo blues, que na metade dos anos 60 estava esquecido at\u00e9 mesmo nos Estados Unidos. Ou que no fundo talvez nunca tivesse sido lembrado, j\u00e1 que o Pa\u00eds tinha problemas ser\u00edssimos de segrega\u00e7\u00e3o racial, principalmente no Norte e no Sul, justamente os lugares de onde vinham a maioria dos artistas de blues.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em maio de 1965 essa homenagem entrou para a hist\u00f3ria. Pouco depois de terem lan\u00e7ado o seu terceiro \u00e1lbum nos Estados Unidos, \u201cThe Rolling Stones Now\u201d, que tamb\u00e9m contava com um grande cover de Willie Dixon, \u201cLittle Red Rooster\u201d, os Stones se apresentaram no popular programa Shindig, da rede de TV norte-americana ABC, com a exig\u00eancia de que s\u00f3 participariam se Howlin\u2019 Wolf estivesse junto. Com isso deram \u00e0s boas vindas do blueseiro \u00e0 Am\u00e9rica e essa foi a primeira apari\u00e7\u00e3o de Wolf em um programa de TV em seu pr\u00f3prio pa\u00eds. A m\u00fasica que Wolf tocou foi \u201cHow Many More Years\u201d, que quatro anos mais tarde se transformaria em \u201cHow Many More Times\u201d pelo Led Zeppelin, outro grupo brit\u00e2nico viciado em blues norte-americano.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"&quot;Killing Floor (1964 Single)&quot; - Howlin&#039; Wolf\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3C4PsXoFslM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Buddy Guy, que tocou guitarra no cl\u00e1ssico de Wolf, \u201cKilling Floor\u201d, afirma que foi \u201cuma luz no fim do t\u00fanel\u201d. \u201cHavia uma linha que ningu\u00e9m pensava que poderia ser cruzada e os Rolling Stones a quebraram levando Wolf naquele programa.\u201d O escritor e cr\u00edtico musical Peter Guralnick, especializado na hist\u00f3ria dos prim\u00f3rdios do rock\u2019n roll, listou o epis\u00f3dio como um dos 10 maiores momentos da televis\u00e3o de todos os tempos e um dos mais significantes momentos na hist\u00f3ria cultural. E, de fato, foi muito importante. O bi\u00f3grafo de Brian Jones, Paul Trynka, afirmou que a apari\u00e7\u00e3o de Wolf no Shindig \u201cconstruiu uma ponte em cima de um abismo cultural e conectou a Am\u00e9rica com a sua pr\u00f3pria cultura negra\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em dezembro do mesmo ano, os Stones lan\u00e7aram mais um cover de Muddy Waters no disco \u201cDecember\u2019s Children (And Everybody\u2019s)\u201d. A can\u00e7\u00e3o \u201cLook What You\u2019ve Done\u201d havia sido gravada mais de um ano antes, em Junho de 1964, e reaproveitada para o disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos dois anos seguintes \u2013 com os discos \u201cAftermath\u201d (1966), \u201cBetween the Buttons\u201d (1967), \u201cFlowers\u201d (1967) e \u201cTheir Satanic Magic Request\u201d (1967) \u2013 os Stones decidiram que era a hora de fazer \u00e1lbuns priorizando as composi\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias e assim deram uma pequena pausa nos covers e entraram na onda psicod\u00e9lica do \u201cflower power\u201d, fortemente influenciada pelo LSD e tamb\u00e9m pelos seus padrinhos The Beatles e os cl\u00e1ssicos \u201cRevolver\u201d (1966) e \u201cSgt Peppers Lonely Heart Club Band\u201d (1967).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Rev Robert Wilkins - Prodigal Son\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/A7SDdMo9BTU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Problemas com o passado<\/strong><br \/>\nPercebendo que a praia deles era mesmo o blues e o country, os Stones voltam \u00e0s ra\u00edzes em 1968 e lan\u00e7am um de seus melhores \u00e1lbuns, \u201cBeggars Banquet\u201d (que abre o per\u00edodo de ouro da hist\u00f3ria da banda, que se seguir\u00e1 at\u00e9 \u201cExile on Main Street\u201d, de 1972), que em sua maioria conta com m\u00fasicas ac\u00fasticas recheadas de passagens blues. O \u00e1lbum seria o \u00faltimo com a participa\u00e7\u00e3o de Brian Jones, que j\u00e1 estava afundado nas drogas e mal aparecia nas sess\u00f5es de grava\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das faixas de \u201cBeggars Banquet\u201d tem uma hist\u00f3ria curiosa e que lhes rendeu um processo na justi\u00e7a. \u201cProdigal Son\u201d \u00e9 uma vers\u00e3o encurtada da original gravada pelo blueseiro Robert Wilkins em 1964, ao vivo no Festival de Newport, que por sua vez \u00e9 uma vers\u00e3o estendida e com letra diferente de \u201cThats No Way To Get Along\u201d, tamb\u00e9m dele, gravada 35 anos antes. Em 1\u00ba de Mar\u00e7o de 1969, o cr\u00edtico musical Tony Glover escreveu uma mat\u00e9ria sobre o caso na revista Rolling Stone, afirmando que no primeiro encarte do disco, com a famosa capa do banheiro e que havia sido censurada nos Estados Unidos, a faixa estava corretamente creditada \u00e0 Wilkins. Com a mudan\u00e7a da capa, o cr\u00e9dito passou para Jagger\/Richards, o que acarretou no processo para os ingleses e muito dinheiro para Wilkins. Anos mais tarde, no in\u00edcio dos anos 80, na reedi\u00e7\u00e3o de \u201cBeggars Banquet\u201d com a capa original, o cr\u00e9dito retornou \u00e0 Wilkins, que aproveitou para lan\u00e7ar um \u00e1lbum com m\u00fasicas antigas batizado de \u201cThe Original Rolling Stone\u201d (1980), incluindo, \u00e9 claro, \u201cThat\u2019s No Way to Get Along\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em julho de 1969, a banda fica abalada com a morte de Brian Jones, que foi encontrado morto na piscina de sua fazenda em Cotchford Farm, em Sussex na Inglaterra. Em dezembro do mesmo ano \u00e9 lan\u00e7ado o \u00e1lbum \u201cLet It Bleed\u201d e com ele vieram mais problemas com direitos autorais. Desta vez com um cover de Robert Johnson, \u201cLove in Vain\u201d, originalmente gravada em 1937 e lan\u00e7ada com o nome \u201cLove in Vain Blues\u201d em 1939, ap\u00f3s a morte de Johnson (aos 27 anos em agosto de 1938), sendo um de seus \u00faltimos singles 78 RPM oficiais.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Robert Johnson - Love In Vain Blues (Takes 1&amp;2) (1937)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-BkPm8JIJJQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1969 n\u00e3o havia tanta informa\u00e7\u00e3o circulando sobre Robert Johnson, e muita gente acreditava que todo o material gravado pelo bluesmen havia sido reunido na hist\u00f3rica colet\u00e2nea lan\u00e7ada pela Columbia em 1961, incluindo Keith. \u201cPor um tempo pensamos que as m\u00fasicas que estavam naquele primeiro \u00e1lbum, \u2018King of the Delta Blues\u2019 (1961), eram as \u00fanicas grava\u00e7\u00f5es que Robert Johnson tinha feito. Ent\u00e3o de repente, em torno de 67 ou 68, come\u00e7a a circular uma segunda vers\u00e3o de \u2018King of the Delta Blues\u2019, bootleg, que trazia \u2018Love in Vain\u2019 (essa vers\u00e3o seria oficializada em 1970), uma can\u00e7\u00e3o t\u00e3o bonita que eu e Mick amamos. Eu e Gram Parsons procuramos uma maneira nova de toca-la\u201d, explica Keith. \u201cMudamos bastante o arranjo\u201d, comentou Mick Jagger em 1995. \u201cColocamos acordes extras e a deixamos mais country\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Creditada em \u201cLet It Bleed\u201d a Woody Payne, um dos pseud\u00f4nimos de Robert Johnson, \u201cLove in Vain\u201d reapareceu no disco ao vivo \u201cGet Yer Ya-Ya&#8217;s Out!\u201d, lan\u00e7ada em 1970, com cr\u00e9dito de \u201cCan\u00e7\u00e3o Tradicional\u201d (sem men\u00e7\u00e3o a Johnson) e arranjo de Jagger \/ Richard, o que levou ao processo. A banda acreditava que a m\u00fasica j\u00e1 havia entrado em dom\u00ednio p\u00fablico, mas uma a\u00e7\u00e3o judicial foi aberta e posteriormente, apenas no ano 2000, decidiu-se que a m\u00fasica, juntamente com \u201cStop Breakin\u2019 Down Blues\u201d, tamb\u00e9m de Johnson (que os Stones regravariam mais pra frente, sem cr\u00e9dito), n\u00e3o entrariam em dom\u00ednio p\u00fablico e os direitos pertenceriam aos sucessores do m\u00fasico.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Stop Breakin&#039; Down Blues by Robert Johnson\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/NMD9wUWpKsA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mostrando a l\u00edngua<\/strong><br \/>\nOs anos 70 come\u00e7aram muito bem para os Stones, que romperam o contrato com a gravadora Decca e agora teriam mais liberdade na produ\u00e7\u00e3o dos seus discos com o seu pr\u00f3prio selo Rolling Stones Records. O primeiro \u00e1lbum desta nova fase foi \u201cSticky Fingers\u201d, lan\u00e7ado em abril de 1971, e tamb\u00e9m foi a estreia do novo guitarrista, Mick Taylor, que tinha uma grande bagagem no blues, j\u00e1 que havia tocado durante dois anos no John Mayall &amp; The Bluesbreakers. Outros grandes nomes que tamb\u00e9m passaram pelos Bluesbreakers foram Eric Clapton e Jack Bruce, que mais tarde formariam o Cream, e tamb\u00e9m Peter Green, que acabou se tornando o l\u00edder da primeira fase mais blues do Fleetwood Mac. Clapton, inclusive, tocaria no \u00e1lbum, mais precisamente em \u201cBrown Sugar\u201d \u2013 a vers\u00e3o seria liberada apenas na reedi\u00e7\u00e3o comemorativa do \u00e1lbum lan\u00e7ada em 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voltando a 1971, ao comandar o pr\u00f3prio selo, os Stones n\u00e3o precisavam mais se preocupar com palpites externos, incluindo a capa dos \u00e1lbuns, que haviam sido um problema no passado. Para \u201cSticky Fingers\u201d, a arte marcante ficou por conta de Andy Warhol e a primeira vers\u00e3o do LP trazia um z\u00edper na foto da cal\u00e7a, que podia ser aberto e ent\u00e3o era revelada uma cueca com o nome do artista escrito. Foi neste \u00e1lbum tamb\u00e9m que um dos logos mais famosos da m\u00fasica apareceu pela primeira vez: a ic\u00f4nica l\u00edngua de fora, criada pelo art designer ingl\u00eas John Pasche.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No som, a maior parte de \u201cSticky Fingers\u201d foi gravada no est\u00fadio m\u00f3vel criado pela banda e contava com mais um cover de peso: \u201cYou Gotta Move\u201d, baseada na vers\u00e3o com guitarra slide gravada em 1965 pelo blueseiro Fred McDowell, mas a m\u00fasica \u00e9 uma tradicional can\u00e7\u00e3o gospel dos anos 40 que ganhou diversas regrava\u00e7\u00f5es de artistas do g\u00eanero, incluindo uma vers\u00e3o de 1950 da guitarrista Sister Rosetta Sharpe, considerada a verdadeira precursora do rock n\u2019 roll, que influenciou Chuck Berry e Elvis Presley.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Rosetta Tharpe - You Gotta Move\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tdAABjVJRRU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSticky Fingers\u201d tamb\u00e9m trazia \u201cI Got the Blues\u201d, um blues\/soul composto por Mick e Keith e que contou com a participa\u00e7\u00e3o de Billy Preston no \u00f3rg\u00e3o Hammond. A m\u00fasica \u00e9 bastante semelhante a uma balada do soulmen Otis Redding, \u201cI\u2019ve Been Loving You Too Long\u201d, que j\u00e1 havia sido gravada pelos pr\u00f3prios Stones em 1965.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No ex\u00edlio<\/strong><br \/>\nNa primavera de 1971, atolados em d\u00edvidas por conta dos altos impostos da receita inglesa (e desejando fugir dos traficantes que abasteciam o cotidiano do grupo), a banda decide se exilar no sul da Fran\u00e7a e alugar uma mans\u00e3o perto de Nice. L\u00e1 foram feitas intermin\u00e1veis sess\u00f5es de grava\u00e7\u00e3o \u2013 regadas a drogas de todos os tipos (eles conseguiram fugir da receita, mas n\u00e3o dos traficantes) \u2013 que se tornariam o \u00e1lbum duplo \u201cExile on Main St.\u201d, lan\u00e7ado em maio de 1972 e considerado por muitos o melhor \u00e1lbum da banda at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/05\/11\/garimpo-sonoro-os-50-anos-de-exile-on-main-street-dos-rolling-stones\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cExile on Main St.\u201d<\/a> conta com dois \u00f3timos covers: \u201cShake Your Hips\u201d, gravada originalmente em 1965 por Slim Harpo e presente aqui numa vers\u00e3o que quase n\u00e3o traz mudan\u00e7a nenhuma em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 original, incluindo os vocais de Mick, que se aproximam muito do timbre de Harpo. A segunda \u00e9 \u201cStop Breaking Down\u201d, de 1938, composta por Robert Johnson, mas que no \u00e1lbum dos Stones seguiu o padr\u00e3o de registro de \u201cGet Yer Ya-Ya&#8217;s Out!\u201d, com a banda creditada como arranjadora e a can\u00e7\u00e3o como \u201cTraditional\u201d (de dom\u00ednio p\u00fablico), o que levou ao processo movido \u2013 e ganho \u2013 pelo esp\u00f3lio de Johnson (na reedi\u00e7\u00e3o de \u201cSticky Fingers\u201d de 2015, Robert Johnson aparece corretamente creditado). A \u00fanica vez que os Stones tocaram \u201cStop Breaking Down\u201d ao vivo foi durante a turn\u00ea do \u00e1lbum \u201cVoodoo Lounge\u201d, em 1994, que foi filmada e se tornou um DVD mais tarde.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma noite de blues<\/strong><br \/>\nDurante a metade dos anos 70 e praticamente toda a d\u00e9cada de 80, os Stones decidem flertar com outros ritmos musicais, nadando na corrente das batidas eletr\u00f4nicas e m\u00fasica disco da \u00e9poca. Mas em novembro de 1981, no auge das turn\u00eas gigantescas e come\u00e7ando a lotar est\u00e1dios por onde passavam, a hist\u00f3ria foi outra e mais uma vez os Stones jogaram todos os holofotes nos seus her\u00f3is do blues em um show intimista em Chicago.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, os ingleses foram assistir a um show de Muddy Waters no Checkerboard Lounge e n\u00e3o demorou muito, cinco m\u00fasicas para ser exato, para um a um serem chamados ao palco para se juntar ao blueseiro em \u201cBaby Please Don\u2019t Go\u201d. Depois disso, o gelo estava quebrado e finalmente a banda fez uma verdadeira jam com o seu her\u00f3i em um palco pequeno, colocando tamb\u00e9m um pouco do estilo ingl\u00eas em cl\u00e1ssicos como \u201cHoochie Coochie Man\u201d e \u201cMannish Boy\u201d. O show ainda conta com as participa\u00e7\u00f5es de Buddy Guy e Junior Wells. Felizmente o encontro foi gravado e posteriormente se tornou o CD e DVD \u201cLive at Checkerboard Lounge, Chicago 1981\u201d e \u00e9 um belo registro para admirador nenhum do blues botar defeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se em discos de est\u00fadio, os Stones se concentrariam em material pr\u00f3prio a partir dos anos 80, ao vivo a banda continuaria rendendo homenagens aos seus her\u00f3is. \u201cStill Life\u201d, o \u00e1lbum que registra a turn\u00ea de 1981 da banda, \u00e9 mais voltado ao soul com can\u00e7\u00f5es de Smokey Robinson and The Miracles (\u201cGoing to a Go-Go&#8221;) e dos Temptations (\u201cJust My Imagination\u201d), entre outras. Em \u201cFlashpoint\u201d (1991), \u00e1lbum que flagra a turn\u00ea mundial do \u00e1lbum \u201cSteel Wheels\u201d (1989), a banda mostra &#8220;Little Red Rooster&#8221;, de Willie Dixon, que volta a ser reverenciado em \u201cStripped\u201d, o \u00e1lbum ac\u00fastico lan\u00e7ado em 1995, com uma vers\u00e3o de &#8220;Little Baby&#8221;, gravada originalmente por Howlin&#8217; Wolf \u2013 \u201cLove in Vain\u201d, de Robert Johnson, tamb\u00e9m \u00e9 revista no \u00e1lbum.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Rolling Stones &amp; Buddy Guy - Champagne &amp; Reefer (live)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/FBiYrvZ330A?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Willie Dixon seria lembrando pelos Stones ainda na turn\u00ea \u201cNo Security\u201d, de 1997\/1998, com uma vers\u00e3o de &#8220;I Just Want to Make Love to You&#8221; (presente apenas na vers\u00e3o japonesa do \u00e1lbum), enquanto BB King seria homenageado na turn\u00ea \u201cLive Licks\u201d, de 2004, com uma vers\u00e3o de \u201cRock Me Baby\u201d. Para o filme \u201cShine a Light\u201d, registrado por Martin Scorsese em 2006 e lan\u00e7ado em 2008, a banda escolheu &#8220;Champagne &amp; Reefer&#8221;, de Muddy Watters, e convocou Buddy Guy para tocar na can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Corte para 2016. A expectativa dos f\u00e3s aumenta a cada dia para o lan\u00e7amento de \u201cBlue &amp; Lonesome\u201d, que mais uma vez reverenciar\u00e1 o blues por uma das maiores bandas de rock de todos os tempos. S\u00f3 o tempo dir\u00e1 se o disco ser\u00e1 um grande cl\u00e1ssico na extensa discografia da banda, mas \u00e9 certo que os Stones sempre estiveram junto do blues, mas nunca solit\u00e1rios. Abaixo voc\u00ea confere as 12 faixas que estar\u00e3o no disco, e que encerram um ciclo de mais de 50 anos n\u00e3o s\u00f3 dos Stones, mas da pr\u00f3pria m\u00fasica pop. Afinal se eles estrearam em 1964 com um disco que trazia 12 covers, \u201cBlue &amp; Lonesome\u201d, com suas 12 covers, leva o Stones de volta ao in\u00edcio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">01 \u2013 &#8220;Just Your Fool&#8221; , de Buddy Johnson (2:16)<br \/>\n02 \u2013 &#8220;Commit a Crime&#8221;, de Howlin&#8217; Wolf (3:38)<br \/>\n03 \u2013 &#8220;Blue and Lonesome&#8221;, de Memphis Slim (3:07)<br \/>\n04 \u2013 &#8220;All of Your Love&#8221;, de Magic Sam (4:46)<br \/>\n05 \u2013 &#8220;I Gotta Go&#8221;, de Little Walter (3:26)<br \/>\n06 \u2013 &#8220;Everybody Knows About My Good Thing&#8221;, de Miles Grayson e Lermon Horton (4:30)<br \/>\n07 \u2013 &#8220;Ride &#8216;Em On Down&#8221;, de Eddie Taylor ( 2:48)<br \/>\n08 \u2013 &#8220;Hate to See You Go&#8221;, de Little Walter (3:20)<br \/>\n09 \u2013 &#8220;Hoo Doo Blues&#8221;, de Otis Hicks e Jerry West (2:36)<br \/>\n10 \u2013 &#8220;Little Rain&#8221;, de Ewart G. Abner Jr. e Jimmy Reed ( 3:32)<br \/>\n11 \u2013 &#8220;Just Like I Treat You&#8221;, de Willie Dixon (3:24)<br \/>\n12 \u2013 &#8220;I Can&#8217;t Quit You Baby&#8221;, de Willie Dixon (5:13)<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Rolling Stones \u2013 Hate To See You Go \u2013 Blue &amp; Lonesome (60\u201d clip)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/WXR_SFxMUss?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Guilherme Olhier (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/guilhermeolhier\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@guilhermeolhier<\/a>) \u00e9, segundo descri\u00e7\u00e3o no Twitter, um jornalista saudosista<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m<\/strong><br \/>\n&#8211; The Rolling Stones ao vivo em Copacabana: &#8220;Um show hist\u00f3rico&#8221; (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musicadois\/stonesinrio.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; &#8220;A Bigger Bang&#8221; \u00e9 um trabalho coeso, fudidamente bem gravado e produzido (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2005\/09\/21\/critica-a-bigger-bang-um-discaco-de-rock-dos-stones\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Original vs Vers\u00e3o: The Rolling Stones e Bar\u00e3o Vermelho (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/08\/17\/original-vs-versao-the-rolling-stones-e-barao-vermelho\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cShine a Light\u201d traz um dos melhores repert\u00f3rios j\u00e1 apresentados ao vivo pela banda (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2008\/04\/07\/disco-da-semana-shine-a-light-live-rolling-stones\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Jean-Luc Godard e os Rolling Stones: &#8220;Sympathy For The Devil&#8221; e &#8220;One Plus One&#8221; (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/11\/03\/jean-luc-godard-e-os-rolling-stones\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cStones In Exile\u201d \u00e9 um excelente retrato na linha da s\u00e9rie Classic \u00c1lbuns (aqui)<br \/>\n&#8211; &#8220;Keit Richards &#8211; Rolling Stone Alone&#8221; (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2012\/08\/22\/keith-richards-rolling-stone-alone\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Eles iniciaram a carreira lan\u00e7ando um disco com 12 covers em 1964 e agora, em 2016, retornam ao in\u00edcio com outro disco de 12 covers\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/10\/24\/o-blues-dos-rolling-stones\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":33,"featured_media":40819,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1395],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40818"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/33"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40818"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40818\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":77458,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40818\/revisions\/77458"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/40819"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40818"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40818"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40818"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}