{"id":40807,"date":"2016-10-23T23:45:29","date_gmt":"2016-10-24T01:45:29","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=40807"},"modified":"2016-12-07T09:38:58","modified_gmt":"2016-12-07T11:38:58","slug":"entrevista-ricardo-coimbra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/10\/23\/entrevista-ricardo-coimbra\/","title":{"rendered":"Entrevista: Ricardo Coimbra"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cViciado em chorume\u201d, \u201cfrangote de classe m\u00e9dia\u201d, \u201cpicareta de internet\u201d, \u201combudsman do mundo\u201d: as auto-defini\u00e7\u00f5es que o cartunista Ricardo Coimbra apresenta em uma conversa de pouco mais de uma hora grudam na cabe\u00e7a com for\u00e7a, em especial porque o homem enuncia cada uma dela com autodepreciativa convic\u00e7\u00e3o. Para aliviar, em seu site \u201c<a href=\"http:\/\/vidaeobrademimmesmo.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\">Vida e Obra de Mim Mesmo<\/a>\u201d, ele se apresenta como o \u201cObina do Amor\u201d. OK, pensando bem, isso n\u00e3o alivia nada&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mineiro de Recreio, mas radicado em S\u00e3o Paulo, Coimbra come\u00e7ou a publicar suas tiras online em 2009 e segue com elas at\u00e9 hoje, sem periodicidade fixa. N\u00e3o h\u00e1 qualquer indulg\u00eancia em seu trabalho, muito pelo contr\u00e1rio: seu humor n\u00e3o toma lados. Religiosos, ateus, militantes e gente que ainda divide o mundo em esquerda e direita, jovens empreendedores, velhos empres\u00e1rios, pr\u00f3-ativos, jogadores de futebol e muitos outros: todo mundo tem seu momento sob a \u00f3tica do autor, que \u00e9 uma lupa muito eficaz ao evidenciar incoer\u00eancias, miudezas e momentos rid\u00edculos dessas figuras. E, evidentemente, sobra muita virul\u00eancia para ele pr\u00f3prio \u2013 n\u00e3o \u00e0 toa, o seu blog foi batizado de \u201cVida e Obra de Mim Mesmo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A produ\u00e7\u00e3o online de Coimbra entre 2009 e 2014 foi compilada em um livro, \u201c<a href=\"http:\/\/www.gato-preto.com\/loja\/livro\/vida\/\" target=\"_blank\">Vida de Pr\u00e1stico<\/a>\u201d, que inclui tamb\u00e9m trabalhos publicados na revista independente Xula (que publica tamb\u00e9m os quadrinhos de Bruno Maron, Bruno Di Chico e Calote). Recentemente, tamb\u00e9m foi respons\u00e1vel pelo s\u00e9timo volume da cole\u00e7\u00e3o de livros de bolso UGRITOS, com a hist\u00f3ria \u201cFIRED\u201d. Lidos na sequencia, s\u00e3o prova inequ\u00edvoca da indisposi\u00e7\u00e3o do autor com o universo corporativo, mas funcionam tamb\u00e9m como um documento, ir\u00f4nico e impiedoso, de nossos tempos superficiais. Por isso, mesmo que ele se arrependa de sua auto-defini\u00e7\u00e3o como \u201combudsman do mundo\u201d imediatamente ap\u00f3s cri\u00e1-la, n\u00e3o d\u00e1 para n\u00e3o dizer que ele n\u00e3o cumpra tal prop\u00f3sito. Se a sociedade humana veio com defeito de fabrica\u00e7\u00e3o, ele n\u00e3o est\u00e1 disposto a aceitar tranquilamente o preju\u00edzo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais que isso, impressiona a agudez de seu racioc\u00ednio, desacostumado a respostas conciliat\u00f3rias ou discursos prontos. A conversa com o Scream &amp; Yell, mineiramente cheias de reminisc\u00eancias e pontuada por sua fala pausada, foi tranquila e agrad\u00e1vel. Nem por isso seu conte\u00fado deixa de ser bastante contundente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/ricardo_coimbra1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"503\" \/><strong>Quando se l\u00ea o \u201cVida de Pr\u00e1stico\u201d, d\u00e1 para notar a evolu\u00e7\u00e3o do seu trabalho. No come\u00e7o, suas tiras eram mais rabugentas e mais autocentradas. Hoje, elas t\u00eam outro timing e s\u00e3o mais despersonalizadas. Voc\u00ea tamb\u00e9m nota essa mudan\u00e7a?<\/strong><br \/>\nEsse foi o principal problema da montagem do livro. Sou desses caras que vai para entrevistas de emprego dizendo \u201csou perfeccionista\u201d e tal, mas tenho muita vergonha das coisas mais antigas. Na verdade, tenho vergonha de coisa que desenhei ontem. Na hora que estou fazendo acho maravilhoso, mas na hora que publiquei passo a n\u00e3o gostar. As coisas mais antigas, ent\u00e3o, s\u00e3o um problema complicado: tem piadas que eu nunca faria hoje em dia. Quando fui montar o livro, sentei com o Z\u00e9 Rodolfo e a Ana Muriel (ambos da Editora Gato Preto) e decidimos que a miss\u00e3o da colet\u00e2nea era justamente essa, a de mostrar o que eu vinha fazendo nos \u00faltimos anos, inclusive o que eu considerasse embara\u00e7oso. N\u00e3o sei se foi realmente uma evolu\u00e7\u00e3o. Concordo que teve uma mudan\u00e7a, e que ficou menos autocentrada. S\u00f3 que quando vejo algumas coisas antigas, apesar de uma qualidade lament\u00e1vel, vejo um pouco mais de espontaneidade, de descompromisso com a pr\u00f3pria linguagem. Me explico: quando voc\u00ea come\u00e7a a fazer alguma coisa do nada, ainda n\u00e3o se comprometeu com nenhum tipo de linguagem, e a\u00ed parece que a coisa sai mais solta. Depois de seis, sete anos fazendo o blog, voc\u00ea come\u00e7a a se localizar dentro do pr\u00f3prio trabalho, e a\u00ed come\u00e7a o que eu chamo de \u201cs\u00edndrome de Iron Maiden\u201d (risos), que \u00e9 virar cover de si mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea chega a ter esse tipo de trava quando est\u00e1 criando? De pensar algo como \u201cisso n\u00e3o est\u00e1 \u201cRicardo Coimbra\u201d o suficiente?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o sei se chego a pensar desse jeito. Esse talvez seja um dos problemas do meu trabalho (ri): s\u00f3 come\u00e7o a pensar nas coisas depois que j\u00e1 fiz.. Na hora que estou fazendo, procuro desligar qualquer tipo de filtro e de auto-censura e produzir de uma maneira mais solta. Mesmo assim, depois que voc\u00ea fez uma quantidade de vezes a mesma coisa por v\u00e1rios anos, vem aquela de \u201ctalvez voc\u00ea esteja se repetindo\u201d ou \u201ctalvez isso n\u00e3o combine com teu trampo\u201d. N\u00e3o \u00e9 nem pensar \u201cvoc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 sendo \u2018Ricardo Coimbra\u2019 o suficiente\u201d, como se fosse uma marca. \u00c9 que procuro ver o espectro dentro do qual trabalho, porque n\u00e3o adianta eu ficar muito fora disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tive contato com seu trabalho em 2013, quando eu estava saindo do mundo corporativo, um de seus alvos mais frequentes nas tiras, e&#8230;<\/strong><br \/>\nVoc\u00ea trabalhou no mundo corporativo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por muito tempo. Em editora, ag\u00eancia, multinacional, tudo isso. \u00c9 um mundo exasperador. Pagou minhas contas, mas \u00e9 dif\u00edcil. Enfim, tomei contato com seu trabalho nesse momento, e logo fui atr\u00e1s do material mais antigo. E encontrei nele muito rancor. Era mais rancor que mordacidade. O que n\u00e3o vejo hoje no seu trabalho atual. Logo, imagino que voc\u00ea come\u00e7ou a fazer a tira por um misto de falta do que fazer, como voc\u00ea j\u00e1 disse, com muita raiva.<\/strong><br \/>\nExato. Os elementos de rancor e ressentimentos s\u00e3o muito fortes mesmo. Sou daquele grupo de frangotes de classe m\u00e9dia, como meu amigo Bruno Maron costuma falar. Tava falando com ele que o que nos uniu n\u00e3o foi nem os quadrinhos \u2013 que a gente gosta muito \u2013 mas sim esse ressentimento de frangote de classe m\u00e9dia. E esse ressentimento aumentou quando trabalhei no mercado corporativo. Perdi a conta de quantas tirinhas e ideias de gags eu tive enquanto estava rabiscando bloquinho em reuni\u00e3o de trabalho, ou sentado no refeit\u00f3rio da empresa. O ressentimento me movia muito. Tenho que admitir que sou muito rabugento mesmo. Tem gente que me conhece e acha que sou tipo aquele Cl\u00e1udio Assis (risos), um cara que vem cuspindo na sua cara, com bafo de pinga. Mas n\u00e3o sou assim, cara. Acho que me encaixo mais num registro passivo-agressivo. (nota: Assis \u00e9 o diretor de filmes como \u201cAmarelo Manga\u201d, \u201cBaixio das Bestas\u201d e \u201cBig Jato\u201d).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/ricardo_coimbra2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"338\" \/><strong>Defina \u201cfrangote de classe m\u00e9dia\u201d, por favor.<\/strong><br \/>\n(ri) \u00c9 assim, cara: tenho 38 anos. Passei por esse per\u00edodo de uma adolesc\u00eancia localizada ali por 92, 93, mais ou menos. Era um moleque de classe m\u00e9dia do interior, o cl\u00e1ssico moleque apaixonado por rock, s\u00f3 queria saber de Rush, Led Zeppelin, Iron Maiden e tal, e vivia nesse nosso pa\u00eds dominado pela ostensividade sexual da ax\u00e9 music. Sou da gera\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se identificava muito com essa coisa corporal do brasileiro m\u00e9dio. Acho que est\u00e1 um pouco a\u00ed a coisa do ressentimento do frango de classe m\u00e9dia. Com meus amigos, era uma coisa muito parecida: enquanto o resto dos moleques estava jogando futebol e tentando namorar umas gatinhas, eu estava trancado no quarto lendo revista Mad, ouvindo Rush e coisa e tal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bem, esse \u00e9 o mesmo universo de onde venho. Tenho, inclusive, a mesma idade que voc\u00ea. Mas acho que esse ressentimento n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3 nisso. Tem uma coisa meio \u201cClube da Luta\u201d: \u00e0 essa gera\u00e7\u00e3o foram prometidos muitos \u201cEl Dorados\u201d. Seja o \u201cEl Dorado\u201d do mundo corporativo, o da fal\u00e1cia da \u201crealiza\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do que se gosta\u201d&#8230;<\/strong><br \/>\nEnt\u00e3o: por um lado, eu odeio o mundo corporativo. Mas por outro, n\u00e3o aderi muito a esse lado de \u201cvamos abandonar tudo para ir em busca do sonho\u201d e tal. As pessoas sempre me falam que odeio tudo, critico tudo. Acho que \u00e9 por a\u00ed (ri), nada t\u00e1 bom mesmo. Esse \u201cEl Dorado\u201d de \u201cvou abandonar tudo para viver minha vida e ser meu pr\u00f3prio chefe\u201d, n\u00e3o confio muito nisso n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Imagino ent\u00e3o que todo esse movimento atual que envolveu a Bel Pesce deve ter te dado vontade de fazer muitas tiras, n\u00e3o?<\/strong><br \/>\nVou ser sincero: acho que devia ser mais antenado com as coisas que acontecem, sobretudo na internet, levando em conta que publico primordialmente para esse p\u00fablico. Vi um pouco por alto a hist\u00f3ria dessa menina a\u00ed, e tem comunica\u00e7\u00e3o com o que eu falo. Quer dizer: quem sou eu para dar receita para algu\u00e9m ser feliz ou dizer como ela tem que viver para ser feliz? Meu papel como cartunista \u00e9 no m\u00e1ximo criticar, desconstruir, fazer piada. Eu at\u00e9 admito que pode ter algu\u00e9m que se encontra nesse modelo de abandonar tudo para ser empreendedor individual. O que me irrita e que tanto no mundo corporativo como nesse mundo da felicidade pelo empreendedorismo individual \u00e9 que as pessoas criam fantasias em torno dessas op\u00e7\u00f5es de vida e elas acabam virando uma esp\u00e9cie de religi\u00e3o. As pessoas come\u00e7am a criar cacoetes de discursos que v\u00e3o ficando caricaturais. De certa forma, em todos os assuntos que abordo, toco nessa necessidade que as pessoas t\u00eam em encontrar um discurso pronto no mundo, um discurso no qual elas possam adotar em sua integralidade e n\u00e3o precisem pensar mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/ricardo_coimbra3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"490\" \/><strong>Na sua s\u00e9rie \u201cHer\u00f3is do Nosso Tempo\u201d, voc\u00ea aborda muito esse tipo de comportamento&#8230;<\/strong><br \/>\nO que me incomoda, e que vejo na maioria das pessoas, \u00e9&#8230; (pausa) Olha, algum cr\u00edtico pode dizer, \u201cah, voc\u00ea est\u00e1 se achando superior \u00e0s pessoas\u201d, e talvez eu esteja, mas no meu trabalho n\u00e3o me sinto obrigado a deixar de criticar as coisas que acho erradas ou que n\u00e3o curto porque as pessoas v\u00e3o me achar arrogante. Mas enfim, essa estrutura religiosa de pensamento para todos os assuntos me deixa irritado. Principalmente por vivermos numa sociedade da informa\u00e7\u00e3o em que as modas circulam de uma maneira muito acelerada, e ao mesmo tempo muito eficaz, as pessoas adotam essa estrutura de rebanho com muita facilidade. Ent\u00e3o o cara que vai discutir pol\u00edtica com voc\u00ea, ele n\u00e3o est\u00e1 realmente debatendo, e sim repetindo o discurso pronto de outras pessoas. O mesmo vale para o cara que te coloca dentro de uma reuni\u00e3o motivacional no mundo corporativo, a Bel Pesce t\u00e1 fazendo a mesma coisa, falando o discurso bonitinho que as pessoas querem ouvir. Eu ataco essa artificialidade nas tirinhas. E sempre antecipando aos espert\u00f5es da internet: talvez o meu pr\u00f3prio discurso seja pronto. Sei l\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tudo isso que voc\u00ea disse me leva a duas perguntas: a primeira aproveita um gancho da entrevista que a revista Trip publicou nesse m\u00eas com o Marcius Melhem, redator dos programas Zorra e T\u00e1 no Ar, da Globo. Ali ele fala que os programas precisam estar \u201cdo lado certo da piada\u201d, meio que \u201ctemos que bater em todo mundo, mas n\u00e3o bem \u2018todo mundo\u2019\u201d (risos). Voc\u00ea n\u00e3o diferencia alvos: tem alvos preferenciais, mas nas suas tiras, todo mundo leva o seu. Existe lado certo da piada?<\/strong><br \/>\nEsse \u00e9 especificamente mais um caso em que se repete discurso pronto. O cara que t\u00e1 falando isso sabe que \u00e9 um discurso que vai soar bem e que as pessoas v\u00e3o gostar de ouvir. Na internet, eu identifico o come\u00e7o dessa conversa fiada num document\u00e1rio \u2013 que eu acho bem ruim \u2013 que \u00e9 \u201cO Riso dos Outros\u201d, um filme que reuniu pessoas que trabalham com humor para perguntar justamente essa hist\u00f3ria que voc\u00ea est\u00e1 me perguntando. Parece que, de uma maneira politicamente enviesada, chegou-se \u00e0 conclus\u00e3o de que o humor tem que atacar o opressor e n\u00e3o o oprimido. Isso para mim \u00e9 s\u00f3 mais uma maneira pol\u00edtica de tentar instrumentalizar o discurso do humor. O humor n\u00e3o \u00e9 uma linguagem instrumentalitaz\u00e1vel. \u00c9 claro que voc\u00ea pode usar o humor para fazer pol\u00edtica, mas essa \u00e9 apenas uma das facetas poss\u00edveis. At\u00e9 concordo com esse pensamento de que o humor precisa atacar o status quo, mas esse document\u00e1rio, por exemplo, vem me dizer do que eu posso ou n\u00e3o rir, ele se torna tamb\u00e9m status quo e portanto pass\u00edvel de ataque. O humor \u00e9 uma linguagem vol\u00e1til e n\u00e3o t\u00e3o facilmente legisl\u00e1vel quanto essa galera quer definir. Do mesmo jeito que acho que um oligarca rico, um banqueiro ou algu\u00e9m da elite \u00e9 pass\u00edvel de ser ridicularizado, acho tamb\u00e9m que quem define o que \u00e9 ou n\u00e3o alvo do humor \u00e9 pass\u00edvel do mesmo rid\u00edculo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vira a tal caga\u00e7\u00e3o de regras que \u00e9 justamente contr\u00e1ria \u00e0 ess\u00eancia do humor. Ent\u00e3o temos o humor a servi\u00e7o de causas, o que pode ser bem perigoso.<\/strong><br \/>\nPra mim, a regra de ouro do humor \u00e9: nada \u00e9 sagrado. Tudo que est\u00e1 ficando sacralizado \u00e9 alvo do humor. Um exemplo pr\u00e1tico: enquanto esse discurso que a gente localiza hoje como reacion\u00e1rio, conservador, ele era alvo, e ainda \u00e9. A partir do momento que surge um discurso em contraposi\u00e7\u00e3o a esse e come\u00e7a a se achar muito sagrado, esse segundo discurso tamb\u00e9m vira alvo. \u00c9 um processo din\u00e2mico e imposs\u00edvel de ser parado. Por isso que digo que se voc\u00ea tenta domesticar o humor para uma causa ou outra, uma hora essa bomba vai explodir na sua m\u00e3o. Tudo que come\u00e7a a adquirir essa arrog\u00e2ncia de discurso inatac\u00e1vel, o humor vai atacar. E tem outro detalhe: quem diz que o humor deve atacar o opressor e n\u00e3o o oprimido n\u00e3o define quem vai te dizer quem \u00e9 um e quem \u00e9 outro. Isso n\u00e3o vem explicado. A pessoa que fala isso j\u00e1 definiu essas posi\u00e7\u00f5es para voc\u00ea a priori. Ent\u00e3o a pessoa que tem esse discurso est\u00e1 dizendo: seu humor deve atacar quem eu quero que voc\u00ea ataque. E essa domestica\u00e7\u00e3o o humorista n\u00e3o pode aceitar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/ricardo_coimbra4.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"280\" \/><strong>O Andr\u00e9 Forastiei sempre repete nos textos dele que \u201cliberdade de express\u00e3o \u00e9 a liberdade de uma pessoa que voc\u00ea despreza dizer algo absolutamente repugnante\u201d. \u00c9 por a\u00ed?<\/strong><br \/>\nExatamente. Dependendo da situa\u00e7\u00e3o que a gente se encontra no momento, as conquistas do Ocidente come\u00e7am a ser relativizadas. Por exemplo: quando as pessoas tentam enquadrar um humorista quando ele est\u00e1 dizendo o que a gente n\u00e3o quer ouvir, as pessoas come\u00e7am a relativizar o valor da liberdade de express\u00e3o. N\u00e3o sei se voc\u00ea j\u00e1 reparou nisso. Agora mais recentemente com essa coisa dos \u201cjusticeiros sociais\u201d come\u00e7ou essa hist\u00f3ria de \u201cn\u00e3o existe direito absoluto\u201d, \u201ca liberdade de express\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um direito absoluto\u201d. \u00c9 assim que vai a coisa. Concordo com o Forastieri, e essa ideia nem \u00e9 nova. Tem pelo menos 100 anos que se fala que a liberdade de express\u00e3o n\u00e3o existe para blindar as pessoas que falam coisas complicadas de ouvir. Ela serve justamente para proteger as pessoas que est\u00e3o falando coisas inc\u00f4modas, que causam embara\u00e7o. Tenho um problema s\u00e9rio com as pessoas que criaram essa categoria de \u201cdiscurso de \u00f3dio\u201d. Parece ter sido criada com boa inten\u00e7\u00e3o, mas na pr\u00e1tica funciona como cerceamento de linguagem. Porque tudo que desagrada \u00e0 pessoa, ela coloca na prateleira do discurso de \u00f3dio, entendeu? \u201cA gente n\u00e3o quer censurar, s\u00f3 n\u00e3o queremos que seja veiculado discurso de \u00f3dio\u201d. Mas beleza, o que \u00e9 discurso de \u00f3dio? Quem define? \u00c9 nessa hora que a maionese desanda. Porque qualquer coisa que desagrada a qualquer grupo passa a ser discurso de \u00f3dio. A\u00ed vem essa coisa que temos agora dos \u201ctrigger warnings\u201d (nota: literalmente, \u201cavisos de gatilho\u201d, que s\u00e3o avisos de que determinado conte\u00fado pode despertar emo\u00e7\u00f5es latentes), tudo que \u00e9 desagrad\u00e1vel para algu\u00e9m tem que ser precedido por um aviso, um disclaimer. Para o caso espec\u00edfico do humor, isso \u00e9 um assassinato, pois uma de suas caracter\u00edsticas \u00e9 usar o elemento surpresa. Um aspecto biol\u00f3gico do riso vem de pegar a pessoa de surpresa. E como vou pegar a pessoa de surpresa se antes eu digo: \u201colha, pessoal, eu vou fazer uma piada pesada, cuidado que voc\u00eas podem se ofender, hein?\u201d. Voc\u00ea j\u00e1 matou a piada a\u00ed.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tenho certeza que, por seu trabalho estar na internet, ele tem resposta imediata, e que essa sempre tem a presen\u00e7a de gente cobrando postura, de haters e coisas do tipo.<\/strong><br \/>\nA internet \u00e9 esse terreno livre, pro bem e pro mal. Acho at\u00e9 bom. N\u00e3o sou desses caras cheio de frescurinhas, \u201cai meu deus, tudo que se comenta na internet \u00e9 chorume\u201d, \u201co que eu leio nos coment\u00e1rios afeta minha sensibilidade\u201d. T\u00f4 cagando e andando, cara (o rep\u00f3rter ri). Quero mais \u00e9 que as pessoas falem, des\u00e7am a lenha mesmo, falem o que querem falar! E sim, as pessoas falam coisas horrorosas para mim, cara (risos), tanto nos coment\u00e1rios abertos como por inbox. Vou te dizer: n\u00e3o sei se sou um masoquista ou um adicto, porque sou um viciado em chorume (o rep\u00f3rter gargalha), eu gosto mesmo. N\u00e3o tenho fanpage: desde que comecei a colocar quadrinhos online posto no meu perfil pessoal, e aceito todo pedido de amizade. N\u00e3o filtro o feed, ent\u00e3o meu feed \u00e9 um caos, \u00e9 nego falando loucura o tempo inteiro: feminista radical de um lado, neonazista de outro, empreendedor de um lado&#8230; Eu n\u00e3o t\u00f4 nem a\u00ed, cara. \u00c9 nesse universo ca\u00f3tico que quero transitar. O interessante \u00e9 que de um lado acham que sou um reacion\u00e1rio de extrema direita, as pessoas de direita acham que eu sou anarquista (ri), as pessoas do centro acham que eu sou ma\u00e7on (ri mais). \u00c9 assim que funciona, e por mais bizarro que possa parecer, eu acho divertido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Outro alvo preferencial das suas tiras \u00e9 o pessoal que vive a adolesc\u00eancia tardia, os nerds que brigam entre si porque uns preferem filmes da Marvel aos da DC, gastam fortunas com produtos inspirados por \u201cStar Wars\u201d&#8230; Voc\u00ea acha que a gera\u00e7\u00e3o dos \u201cfrangotes de classe m\u00e9dia\u201d demorou a crescer?<\/strong><br \/>\nPois \u00e9, isso a\u00ed \u00e9 uma discuss\u00e3o que j\u00e1 vem de muito tempo. Tem uma liga\u00e7\u00e3o, sim. Muitas das coisas que estou criticando leva as pessoas a pensarem que me acho superior, mas \u00e0s vezes o que estou criticando \u00e9 algo que concerne a mim, t\u00f4 criticando a mim mesmo, de certa forma. Costumo dizer que venho de um grupo no qual voc\u00ea tinha duas op\u00e7\u00f5es: em 1992, ou voc\u00ea virava um \u201cplayboy\u201d ou um \u201cnerd\u201d, e esclare\u00e7o para as pessoas de hoje que em 92 nerd significava outra coisa. Eu tinha elementos de playboy e elementos de nerd, ent\u00e3o eu ficava num limbo. N\u00e3o consegui ser nem um nem outro, mas em mim ficou muito dessa coisa de nerd, de gostar de Rush, de quadrinhos, essa coisa de frangotinho que se acha inteligente e depois v\u00ea que n\u00e3o \u00e9 inteligente porra nenhuma, que em qualquer esquina tem algu\u00e9m que sabe mais sobre tudo do que voc\u00ea. Mas voltando: isso que a gente chama hoje de geek e nerd \u00e9 um nicho de mercado, de consumismo. \u00c9 algo estimulado por grandes empresas, porque o ser que se entende por nerd \u00e9 um bicho extremamente consumista. Acho que n\u00e3o sou nada original falando nisso. E essa \u00e9 uma gera\u00e7\u00e3o que tem vantagens e desvantagens: essa infantiliza\u00e7\u00e3o, essa incapacidade de lidar com alguns aspectos do mundo adulto \u00e9 negativo. Mas depende do que a gente entende por mundo adulto, n\u00e9 Leo? Porque uma coisa \u00e9 ser um nerd pr\u00e9-internet, outra \u00e9 ser p\u00f3s-internet. Somos uma gera\u00e7\u00e3o de transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/ricardo_coimbra5.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"287\" \/><strong>De fato. Eu mesmo s\u00f3 fui ter internet em casa \u2013 e discada \u2013 l\u00e1 por 2003.<\/strong><br \/>\nPois \u00e9. Como sou um humorista muito vagabundo, e como voc\u00ea mesmo disse, muito ressentido, fa\u00e7o piadinha passivo-agressiva. Mas vejo j\u00e1 um desgaste dessa cr\u00edtica, viu? Todo mundo, quando quer aparecer muito \u201cmauz\u00e3o\u201d, muito \u00e1cido, muito sarc\u00e1stico, joga essa carta de criticar essa adolesc\u00eancia tardia. O tempo vai dizer para n\u00f3s se essa cr\u00edtica fazia sentido ou se era apenas humor de velho igual \u00e0 gente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Outra coisa que mudou dessa \u00e9poca da sua adolesc\u00eancia para c\u00e1 \u00e9 o mercado de quadrinhos. Se n\u00e3o temos hoje o que seria um cen\u00e1rio capaz de permitir \u00e0 maioria dos cartunistas e quadrinistas viverem de seu trabalho, por outro lado h\u00e1 mais plataformas de publica\u00e7\u00e3o, impressas e online. Como \u00e9 para voc\u00ea estar nesse cen\u00e1rio?<\/strong><br \/>\nVou ser sincero: sou s\u00f3 um picareta de internet com acesso a scanner e banda larga. S\u00f3 isso. De resto, tudo que voc\u00ea me perguntar sobre a cena de quadrinhos, n\u00e3o vou saber te responder. \u00c9 \u00f3bvio que conhe\u00e7o algumas pessoas no mercado e tal, acho que a internet e as plataformas de financiamento facilitam o trabalho independente e fizeram muita coisa aparecer. Mas n\u00e3o sei se isso \u00e9 s\u00f3 um frisson de momento ou se vai se concretizar numa cena de nomes que publicam com const\u00e2ncia e t\u00eam p\u00fablico. Vendo de fora e de uma maneira leiga, acho tudo muito segmentado. Minha experi\u00eancia pessoal \u00e9 de participar em feiras. Meu contato com o grande mercado \u00e9 nulo. Uma \u00fanica vez publiquei em uma revista grande. Participo em feiras de forma independente, e tenho a impress\u00e3o que todo mundo que vem comprar comigo \u00e9 quadrinista, j\u00e1 foi quadrinista ou quer ser quadrinista (risos). Por mais que possa parecer uma coisa mesquinha e materialista da minha parte (ri), mas se a coisa n\u00e3o ganha uma express\u00e3o de mercado, n\u00e3o acho que possa ser chamada de cena ou mesmo de \u201cmercado\u201d. E voc\u00ea tem que levar em considera\u00e7\u00e3o que no Brasil mercado editorial n\u00e3o \u00e9 algo em crescimento. N\u00e3o tenho n\u00fameros, \u00e9 uma impress\u00e3o minha, mas me parece que, com as taxas de analfabetismo que temos, com a falta de saneamento b\u00e1sico, falar de mercado editorial parece um debate quase irreal. Agora, acho que tem quadrinista fazendo coisas muito legais, tanto dentro como fora do mainstream. Tem muita varia\u00e7\u00e3o: artistas brasileiros que trabalham para editoras americanas, outros lan\u00e7ando \u00e1lbuns de forma independente, tem os quadrinistas que fazem um humor num registro parecido no qual eu me encontro. Mas acho que n\u00e3o configura um mercado. Acho que quando surgir algu\u00e9m com capacidade para canalizar de forma mercadol\u00f3gica esse impulso criativo gigante de muitas pessoas que est\u00e3o fazendo isso de forma independente, tenho impress\u00e3o que essa pessoa vai ganhar dinheiro. E essa pessoa possivelmente n\u00e3o ser\u00e1 um quadrinista. E tem uma coisa que acho que \u00e9 necess\u00e1rio acrescentar: para ter cena, \u00e9 preciso ter p\u00fablico, ter mercado e ter cr\u00edtica. Quando as pessoas v\u00e3o fazer cr\u00edticas sobre quadrinhos, s\u00e3o sempre apaixonados, pessoas que querem incentivar a cria\u00e7\u00e3o de uma cena, e com isso passam muito a m\u00e3o na cabe\u00e7a dos autores. Uma exce\u00e7\u00e3o \u00e9 o Raio Laser, que \u00e9 feito pelo Ciro Marcondes, de Bras\u00edlia. N\u00e3o concordo com tudo o que ele escreve, mas ele \u00e9 o \u00fanico que tem uma cr\u00edtica real, desce a ripa. Isso \u00e9 bom, ajuda a cena a ficar madura. Sen\u00e3o, ficamos s\u00f3 com cr\u00edticas condescendentes. J\u00e1 vi acontecer com amigos meus e at\u00e9 comigo: o cara escreve algo como \u201cah, o cara \u00e9 ruim pra caralho, mas temos que dar for\u00e7a pra cena\u201d&#8230; Essa cr\u00edtica condescendente \u00e9 a pior coisa! \u00c9 melhor voc\u00ea destrinchar logo e dar \u00e0 cena a chance de melhorar. \u201cAh, porque entendo que o cara teve dificuldades&#8230;\u201d Al\u00e9m de isso ser uma conversa fiada do caralho, \u00e9 algo que n\u00e3o colabora em nada. Voc\u00ea n\u00e3o pode ficar passando a m\u00e3o na cabe\u00e7a e aceitando coisas med\u00edocres, aceitando erros que a pessoa poderia melhorar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 um pouco curioso que voc\u00ea seja um cara que faz muito humor com o comportamento das pessoas na internet, faz humor com assuntos que circulam pela rede, mas ao mesmo tempo n\u00e3o tem uma fan page, usa o Blogger, que \u00e9 uma plataforma considerada obsoleta&#8230; Isso sugere que voc\u00ea tenha um pouco de pregui\u00e7a com o universo da internet, mesmo estando inserido nele.<\/strong><br \/>\nVou ser sincero: eu amo a internet! Sou viciado em chorume, como te falei. Em todo universo que \u00e9 muito diversificado voc\u00ea encontra coisas ins\u00f3litas. O que eu talvez n\u00e3o seja \u00e9 um geek. N\u00e3o sou muito novidadeiro. N\u00e3o que seja avesso a novidades, s\u00f3 n\u00e3o sou empolgado com elas. No caso do Blogspot, por exemplo: peguei a primeira plataforma que me mostraram e que era f\u00e1cil de publicar e coloquei. Tenho pregui\u00e7a de mudar para o WordPress ou qualquer outra plataforma. Para buscar esses experimentalismos, talvez eu n\u00e3o seja muito adepto. Tenho um pouco de desconfian\u00e7a com coisas novas, demoro um tempo a entender as coisas. Mas acho que isso tem a ver com a minha idade (ri).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/ricardo_coimbra7.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"501\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/leovinhas\" target=\"_blank\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell. A foto que abre o texto \u00e9 de <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/RodrigoGianesi\/\" target=\"_blank\">Rafael Roncato<\/a> \/ Divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"N\u00e3o h\u00e1 qualquer indulg\u00eancia nas tirinhas de Ricardo Coimbra, muito pelo contr\u00e1rio: seu humor n\u00e3o toma lados. \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/10\/23\/entrevista-ricardo-coimbra\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":40808,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9],"tags":[1394],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40807"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40807"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40807\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":40856,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40807\/revisions\/40856"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/40808"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40807"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40807"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40807"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}