{"id":40762,"date":"2016-10-19T23:56:22","date_gmt":"2016-10-20T01:56:22","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=40762"},"modified":"2016-11-30T14:59:16","modified_gmt":"2016-11-30T16:59:16","slug":"entrevista-francisco-el-hombre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/10\/19\/entrevista-francisco-el-hombre\/","title":{"rendered":"Entrevista: Francisco, El Hombre"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem j\u00e1 esteve em algum show da banda <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/franciscoelhombreOFICIAL\" target=\"_blank\">Francisco, El Hombr<\/a>e sabe que \u00e9 imposs\u00edvel ficar indiferente \u00e0 m\u00fasica quando apresentada em um palco. A presen\u00e7a vivaz dos cinco integrantes do grupo \u2013 os irm\u00e3os Mateo e Sebasti\u00e1n Pirac\u00e9s-Ugarte (respectivamente, viol\u00e3o e guitarra), Juliana Strassacapa (percuss\u00e3o), Andrei Martinez-Kozyreff (guitarra) e Rafael Gomes (baixo) \u2013, as can\u00e7\u00f5es de forte apelo r\u00edtmico, as letras diretas: tudo colabora para que a banda polarize as rea\u00e7\u00f5es dos ouvintes, em um cl\u00e1ssico \u201came ou odeie\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSoltasbruxa\u201d, o primeiro e rec\u00e9m-lan\u00e7ado \u00e1lbum do grupo, pode ser um instrumento a potencializar essa polariza\u00e7\u00e3o. Nos dois EPs anteriores, \u201cNudez\u201d (2013) e \u201cLa Pachanga!\u201d (2015), as letras ainda careciam de for\u00e7a, presas que estavam a clich\u00eas de conversa de fim de noite em hostel. O som, por sua vez, tinha uma \u201clatinidade\u201d mais interessante conceitualmente do que na pr\u00e1tica. Nesse novo disco, por\u00e9m, n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para a inoc\u00eancia, seja musical ou textual. A banda assume, em letras e acordes, a identidade forjada em suas longas e imprevis\u00edveis turn\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O melhor exemplo est\u00e1 em \u201cBolso Nada\u201d, que n\u00e3o podia ser mais expl\u00edcita em seu desprezo a certo deputado l\u00edder da onda neoconservadora nacional: \u201cEsse cara t\u00e1 com nada \/ sabe pouco do que diz \/ Muito bla bla bla que queima quem podia ser feliz \/ Desrespeito \u00e9 o que prega ent\u00e3o \u00e9 o que colher\u00e1\/ Esse cara escroto\u201d. A participa\u00e7\u00e3o de Liniker e Os Caramelows na grava\u00e7\u00e3o s\u00f3 sublinha as inten\u00e7\u00f5es do grupo, e o groove abrasileirado ajuda a fincar o p\u00e9 da mensagem em terras nacionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outras faixas avan\u00e7am nessa trilha, ainda que com roupagens diferentes. \u201cCalor da Rua\u201d, primeiro single do disco, traz uma batucada grave, quase f\u00fanebre, e vocais de chamada-e-resposta; \u201cN\u00e3o Vou Descansar\u201d tem palmas e liga\u00e7\u00e3o direta com a m\u00fasica nordestina; \u201cT\u00e1 com D\u00f3lar, T\u00e1 com Deus\u201d \u00e9 quase uma marcha carnavalesca misturada com partido alto, com a participa\u00e7\u00e3o dos ga\u00fachos Apanhador S\u00f3; \u201cTriste, Louca ou M\u00e1\u201d, com vocalize de Salma J\u00f4 (Carne Doce), \u00e9 uma delicada can\u00e7\u00e3o ao viol\u00e3o, e golpeia forte pelo empoderamento feminino. Apenas \u201cPrimavera\u201d guarda algum parentesco com os EPs antecessores, mas a receita aparece aqui mais ajustada e agrad\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De Campinas, a base da banda, o mexicano Mateo Pirac\u00e9s-Ugarte falou por telefone com o Scream &amp; Yell sem mostrar nenhum sotaque de seu pa\u00eds de origem (\u201cSa\u00ed do M\u00e9xico muito pequeno, s\u00f3 de vez em quando que dou umas deslizadas\u201d). Na conversa, ficou patente sua seguran\u00e7a no material novo e na proposta que a Francisco, el Hombre assumiu para si, em termos art\u00edsticos e pessoais. Pode n\u00e3o ser agrad\u00e1vel ou mesmo aceit\u00e1vel para todos, mas \u00e9, para banda, uma decis\u00e3o clara e muito bem fundamentada, como se v\u00ea a seguir.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/i5NLmtmLmag?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cLa Pachanga!\u201d era um disco difuso, que mal dialogava com a identidade da banda no palco. J\u00e1 \u201cSoltasbruxa\u201d corresponde muito mais ao som que a banda mostra nos palcos, al\u00e9m de ser muito melhor produzido&#8230;<\/strong><br \/>\nEssa mudan\u00e7a \u00e9 exatamente o que a gente estava tentando fazer. O \u201cLa Pachanga!\u201d \u00e9 de uma \u00e9poca em que a gente tocava pela Am\u00e9rica Latina onde dava para tocar: em rua, em hostel, onde dava. Quando a gente foi para palcos, esse som j\u00e1 n\u00e3o nos representava mais. Sempre nos falaram que tinha essa dist\u00e2ncia entre o \u201cLa Pachanga\u201d e o nosso show, e no show havia cada vez mais momentos de improvisa\u00e7\u00e3o em cima do palco. Na hora em que a gente parou para criar esse disco \u2013 que foi em dezembro do ano passado \u2013 sentamos, conversamos muito e uma hora deixamos de conversar e falamos: \u201cVamos jogar todas as ideias fora e vamos come\u00e7ar o CD como se fosse um show\u201d. E nisso, muitas can\u00e7\u00f5es foram criadas em menos de 10 minutos. \u201cBolso Nada\u201d, \u201cTriste, Louca ou M\u00e1\u201d, \u201cT\u00e1 com D\u00f3lar, T\u00e1 com Deus\u201d, \u201cCalor da Rua\u201d, essas can\u00e7\u00f5es foram surgindo muito r\u00e1pido. Se a gente queria que o disco fosse parecido com o show, t\u00ednhamos que trazer essa improvisa\u00e7\u00e3o livre pro disco, sabe?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tamb\u00e9m \u00e9 um disco que est\u00e1 bem menos \u201cinternacional\u201d na sonoridade. Tem coisas de candombl\u00e9, at\u00e9 um pouco de partido alto, muitos ritmos folcl\u00f3ricos do Brasil \u2013 ou seja, uma identidade n\u00e3o s\u00f3 brasileira, mas fortemente percussiva.<\/strong><br \/>\nA banda tinha come\u00e7ado viajando pro Chile, pra Argentina e pro Uruguai, e s\u00f3 depois come\u00e7amos a viajar muito pelo Nordeste do Brasil. Antes, t\u00ednhamos muito forte a ideia que est\u00e1vamos \u201ctrazendo a Am\u00e9rica Latina para o Brasil\u201d, cantando em espanhol, trazendo ritmos de al\u00e9m da fronteira&#8230; Mas depois de viajarmos muito pelo Brasil, desde o Rio Grande do Sul at\u00e9 o Rio Grande do Norte, percebemos que o Brasil \u00e9 a Am\u00e9rica Latina, saca? A divis\u00e3o \u00e9 s\u00f3 pol\u00edtica, de fronteira. Isso mudou muito [para nos]. Isso trouxe bastante o elemento percussivo. A gente veio pesquisando, cada um no seu interesse, esse universo, e trouxe, por exemplo o caxixi. Tamb\u00e9m tivemos muito contato com o coco, o jongo, o maracatu. Teve shows em que n\u00f3s tocamos juntos com um grupo inteiro de maracatu! E isso foi definindo muito. Teve ainda a coisa da l\u00edngua: come\u00e7ar a cantar em espanhol foi de certa maneira uma resist\u00eancia \u00e0 postura de cantar em ingl\u00eas, que era muito forte uns anos atr\u00e1s e ainda existe por a\u00ed. Pensamos: \u201cN\u00e3o vamos fazer isso, vamos cantar em espanhol, cantar o que \u00e9 nosso\u201d. S\u00f3 que a\u00ed, no Nordeste mesmo, est\u00e1vamos tocando em uma vila de pescadores bem pequenininha, no meio de uma reserva ind\u00edgena, e come\u00e7amos com v\u00e1rias m\u00fasicas em portugu\u00eas. Quando tocamos a primeira em espanhol, eles falaram pra gente: \u201cLegal, agora canta de novo em portugu\u00eas porque a gente n\u00e3o est\u00e1 entendendo\u201d (risos). Come\u00e7amos a pensar: onde a gente est\u00e1 tocando? Para quem? E o espanhol \u00e9 long\u00ednquo para a maior parte do nosso p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A viagem \u00e9 elemento fort\u00edssimo na identidade de voc\u00eas. O p\u00fablico de voc\u00eas se apegou muito a esse dado, e atribui a voc\u00eas tanto essa vida estradeira como tamb\u00e9m um estilo muito mais despojado, com condi\u00e7\u00f5es financeiras mais restritas. Lembro de produtores de shows que comentaram entre si, em um festival, que \u201cFrancisco, el Hombre \u00e9 possivelmente a \u00fanica banda que fala dessa vida alternativa que a vive de verdade, em vez de voltar para a casa dos pais depois do show\u201d (risos).<\/strong><br \/>\nFoi tudo bem org\u00e2nico, porque j\u00e1 \u00e9ramos amigos h\u00e1 anos, muitos haviam morado juntos em momentos diferentes. Quando a gente come\u00e7ou, largamos absolutamente tudo \u00e0 exce\u00e7\u00e3o do carro, e t\u00ednhamos a ideia de chegar ao Chile com ele. Faz\u00edamos nossas \u201cturn\u00eas-guerrilha\u201d, e se j\u00e1 t\u00ednhamos um estilo de vida um pouco diferente, por conta da cria\u00e7\u00e3o de cada um de n\u00f3s, essas turn\u00eas aprofundaram isso. A partir de certo momento, tivemos que dividir tudo o tempo todo, morando dentro de um carro, dormindo poucas horas e procurando espa\u00e7os de show para sobreviver. Isso nos uniu muito, nos fortaleceu. Falam desse nosso estilo de vida, mas eu n\u00e3o consigo ver muito bem o que \u00e9, porque estou totalmente submerso nele. Acho que \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de respeitar o pr\u00f3ximo e entender que a liberdade de um n\u00e3o termina quando come\u00e7a a liberdade de outro, e sim que a liberdade de um come\u00e7a quando come\u00e7a a liberdade do outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 que voc\u00ea citou essa turn\u00ea, tem um epis\u00f3dio que sei que \u00e9 desagrad\u00e1vel lembrar, mas acho importante falarmos, que foi o roubo que voc\u00eas sofreram em Mendoza (Argentina)&#8230;<\/strong><br \/>\n(rindo) N\u00e3o, tranquilo, n\u00e3o tenho nenhum problema em falar disso. Perdemos muito de material, mas ganhamos muito de imaterial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o conta essa hist\u00f3ria em detalhes, por favor.<\/strong><br \/>\nA gente estava numa perifa em Mendoza e fomos abordados por caras armados. Levaram tudo, deixaram a gente s\u00f3 com a roupa do corpo em um lugar que a gente n\u00e3o conhecia. S\u00f3 que a gente se virou, n\u00e9? O ser humano tem uma capacidade incr\u00edvel de fazer as coisas darem certo. Uma pessoa ofereceu a casa para dormirmos, e deitamos no ch\u00e3o; no dia seguinte, fomos \u00e0 televis\u00e3o e \u00e0s r\u00e1dios para causar um barulho&#8230; E decidimos continuar com a turn\u00ea, porque o pessoal que estava acompanhando a gente, al\u00e9m de terem se compadecido da nossa perda, nos incentivou a seguir. Pensamos: se tem gente nos esperando no Chile para nos ver tocar, e sa\u00edmos para ir at\u00e9 o Chile, ent\u00e3o vamos chegar no Chile! Teve apoio de todo jeito: de dinheiro, de material, de apoio, e inclusive de muita gente que nem conhecia a gente. Rolou uma campanha online para captar dinheiro, e gente do Brasil, do Chile, do Uruguai, M\u00e9xico, Estados Unidos, Argentina, todo mundo ajudou, nem que fosse um pouquinho. E com isso a gente conseguiu se reestruturar um pouquinho, porque a perda foi de mais de 80 mil reais numa paulada s\u00f3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Foi a casa de voc\u00eas, n\u00e3o? Afinal, era onde voc\u00eas estavam morando.<\/strong><br \/>\nSim, foi tudo. A gente arranjou um lugar para dormir, como eu te disse, e est\u00e1vamos sob impacto. Meu irm\u00e3o tinha levado uma pancada forte na cara, estava tudo&#8230; (n\u00e3o conclui). Decidimos dormir e s\u00f3 pensar no que fazer no dia seguinte. Quando acordamos, um de n\u00f3s falou: \u201cEu nem tenho para onde voltar. N\u00e3o tenho casa, n\u00e3o tenho instrumento para tocar e ganhar dinheiro, n\u00e3o tem CD para vender, n\u00e3o tem camiseta da banda&#8230;\u201d A partir disso, se construiu uma hist\u00f3ria, uma epopeia que nos levou a viajar pelo continente, a tocar para 40 mil pessoas num show, a ganhar um viol\u00e3o dos Los Nocheros, a maior banda de folclore da argentina; da gente chegar at\u00e9 o Chile e ficar parado durante horas, com a mesma roupa do assalto (que usamos por sete dias, porque n\u00e3o t\u00ednhamos outras), na fronteira, passando um puta frio&#8230; S\u00f3 que a gente conseguiu se virar. Por isso digo que ganhamos muito de imaterial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quanto ao show em Cuba: foi um convite que voc\u00eas receberam, ou foi uma turn\u00ea viabilizada por financiamento coletivo?<\/strong><br \/>\nFomos convidados, mas ter\u00edamos que financiar tudo, porque Cuba n\u00e3o tem dinheiro. E aproveitamos para documentar essa turn\u00ea. Sempre documentamos todas as nossas turn\u00eas, mas sempre acontecia alguma coisa. A gente \u00e9 assaltado faz tempo (risos), fomos assaltados tr\u00eas ou quatro vezes, ent\u00e3o dessa vez ter\u00edamos que documentar a coisa de qualquer jeito. Felizmente deu tudo certo, o material t\u00e1 bem massa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vamos voltar um pouco ao come\u00e7o da entrevista. Esse encontro que voc\u00eas tiveram com a realidade brasileira, tanto para o som como para o idioma, parece ter impactado nas letras tamb\u00e9m. \u00c9 um disco abertamente pol\u00edtico, assume posturas claras. Isso traz algum tipo de problema para voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nEu acho que a gente j\u00e1 estava num nicho de p\u00fablico onde h\u00e1 pessoas com movimenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, que fomentam um debate. E dado que n\u00e3o s\u00f3 no Brasil, mas na Am\u00e9rica Latina inteira existe uma onda de conservadorismo, eu sinto falta de usar o poder do palco, o poder do microfone, para levar esse debate um pouquinho mais longe. At\u00e9 agora s\u00f3 senti pessoas muito contentes que a gente finalmente levou isso pro nosso material, est\u00e1 at\u00e9 no material de divulga\u00e7\u00e3o. Tudo no disco, e na turn\u00ea em Cuba tamb\u00e9m, se baseou no pensamento de \u201ce se a gente morrer amanh\u00e3?\u201d, \u201ce se a banda acabar amanh\u00e3?\u201d. Fizemos um disco muito mais urgente, fez uma documenta\u00e7\u00e3o de nossa turn\u00ea, por isso. Esse conservadorismo est\u00e1 deixando as contradi\u00e7\u00f5es sociais do continente muito mais evidentes. Ent\u00e3o a gente, pensando nesse, \u201ce se acabar amanh\u00e3?\u201d, quis plantar uma semente para pensar mais nisso. Claro que em algumas coisas, especialmente \u201cBolso Nada\u201d, tem os haters, tem quem vai nos atacar. Mas quem coloca a cara a tapa sabe que vai receber tapa, n\u00e9? Ent\u00e3o vamos indo. Penso muito que, se tem gente caindo em cima, \u00e9 porque estamos fazendo algo certo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco tem convidados que parecem ter sido pensados diretamente para as can\u00e7\u00f5es nas quais eles participam. Voc\u00ea j\u00e1 contou aqui que n\u00e3o foi o caso, porque compuseram espontaneamente. Por\u00e9m, eles se adequaram muito bem, \u201cT\u00e1 com D\u00f3lar, T\u00e1 com Deus\u201d poderia perfeitamente estar em um disco do Apanhador S\u00f3 com voc\u00eas como convidados, por exemplo. Ent\u00e3o queria saber o quanto esses parceiros colaboraram diretamente na feitura das can\u00e7\u00f5es.<\/strong><br \/>\nIsso foi bem org\u00e2nico, n\u00e3o sei dizer de onde partiu. A gente era pr\u00f3ximo do Liniker, do Apanhador S\u00f3, da galera do Carne Doce. Com o Liniker, ele calhou de estar fisicamente por perto quando a gente estava no est\u00fadio, a gente chamou e ele gravou. Com o Apanhador S\u00f3, \u00e9 algo que a gente j\u00e1 vinha falando, sobre o tema da can\u00e7\u00e3o, e quando deu a oportunidade trouxemos eles tamb\u00e9m. Foi bem assim, convidamos amigos que estavam ao nosso redor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Existem artistas como Perota Ching\u00f3, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/10\/12\/entrevista-onda-vaga-2016\/\" target=\"_blank\">Onda Vaga<\/a>, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/07\/27\/conexao-latina-pascuala-ilabaca\/\" target=\"_blank\">Pascuala Ilabaca<\/a> e muitos outros que, em som, discurso e atitude, pregam abertamente a integra\u00e7\u00e3o latino-americana pela m\u00fasica. Voc\u00eas que viajaram por tantos lugares diferentes, chegam a notar uma integra\u00e7\u00e3o real acontecendo? Afinal, tantas bandas de lugares distintos trazendo o mesmo elemento n\u00e3o pode ser coincid\u00eancia.<\/strong><br \/>\nSim! Acho que est\u00e1 se abrindo uma rota, e n\u00e3o sei se a gente teve participa\u00e7\u00e3o em abrir essa rota, mas est\u00e1 unindo cada vez mais a galera daqui [do continente]. Eu sinto que essa rota est\u00e1 crescendo muito. O louco \u00e9 que quando se conversa com todas essas bandas, e outras tantas, elas t\u00eam a vontade de ir mais para a Am\u00e9rica Latina, mas tamb\u00e9m de se identificar mais com o que \u00e9 daqui. Voc\u00ea vai para o Chile e pensa: \u201co que eu estou representando?\u201d Uma banda brasileira tocar um indie americano no Chile \u00e9 meio \u201cah, n\u00e9?\u201d. Por que isso est\u00e1 tocando ali? Quando voc\u00ea fica com alguma coisa do Brasil e vai para outro pa\u00eds, leva essa integra\u00e7\u00e3o. Parece que t\u00e1 mudando o sonho, at\u00e9. Antes o sonho era ir para os Estados Unidos, mas agora tem gente que j\u00e1 pensa aqui, na Hispanoam\u00e9rica. Pensa em olhar para a fronteira com o Uruguai, para a fronteira com a Col\u00f4mbia, olhar para o lado e pensar nos caminhos a tocar. Isso faz qualquer cena se fortificar.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/lKmYTHgBNoE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/uFQ4WqcItJc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/j9xYC3Pkuhk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/leovinhas\" target=\"_blank\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell. A foto que abre o texto \u00e9 de <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/RodrigoGianesi\/\" target=\"_blank\">Rodrigo Gianesi<\/a> \/ Divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Quinteto est\u00e1 lan\u00e7ando \u201cSoltasbruxa\u201d, \u00e1lbum que marca a aproxima\u00e7\u00e3o da banda com a Am\u00e9rica Latina e o verdadeiro Brasil\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/10\/19\/entrevista-francisco-el-hombre\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":40794,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1356],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40762"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40762"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40762\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":40825,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40762\/revisions\/40825"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/40794"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40762"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40762"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40762"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}