{"id":40562,"date":"2016-10-05T19:18:19","date_gmt":"2016-10-05T22:18:19","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=40562"},"modified":"2017-05-24T10:50:35","modified_gmt":"2017-05-24T13:50:35","slug":"easy-a-arte-de-fazer-o-dificil-parecer-facil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/10\/05\/easy-a-arte-de-fazer-o-dificil-parecer-facil\/","title":{"rendered":"Easy: a arte de fazer o dif\u00edcil parecer f\u00e1cil"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pedro.tavares.779\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pedro Tavares<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Parece f\u00e1cil. Junte algumas c\u00e2meras e uma d\u00fazia de atores. Veja com aquele amigo se ele pode disponibilizar a casa como cen\u00e1rio, rabisque algumas historinhas cotidianas e, voil\u00e1, voc\u00ea tem uma s\u00e9rie digna de Netflix nas m\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deve ser o que muitos pensam ao assistir \u201cEasy\u201d, liberada no canal de streaming no \u00faltimo dia 22 de setembro. Essa impress\u00e3o provavelmente se d\u00e1 pois a s\u00e9rie segue o movimento mumblecore, surgido no cinema independente norte-americano e que preza pelo baixo custo de produ\u00e7\u00e3o, roteiros abertos para o improviso, ilumina\u00e7\u00e3o natural, cen\u00e1rios reais, entre outras coisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O movimento art\u00edstico vem ganhando for\u00e7a nos \u00faltimos anos e pode ser reconhecido em alguns filmes como \u201cFrances Ha\u201d (2013), e s\u00e9ries, como \u201cGirls\u201d. A naturalidade na constru\u00e7\u00e3o das cenas e na intera\u00e7\u00e3o entre os atores \u00e9 o ponto forte de \u201cEasy\u201d, que trata das rela\u00e7\u00f5es humanas de maneira muito leve e chamativa, conquistando o espectador desde o primeiro epis\u00f3dio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A s\u00e9rie, produzida, roteirizada e dirigida por Joe Swanberg, funciona como antologia, com oito epis\u00f3dios de aproximadamente 30 minutos que n\u00e3o dependem um do outro. Apesar disso, podemos ver participa\u00e7\u00f5es de alguns personagens em mais de um cap\u00edtulo. Swanberg tamb\u00e9m dirigiu um dos epis\u00f3dios da s\u00e9rie \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/03\/07\/love-comedia-e-expectativas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Love<\/a>\u201d, outra rec\u00e9m estreia da Netflix que, na mesma linha de \u201cMaster of None\u201d, conseguiu fazer um bom barulho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas \u201cEasy\u201d tem vida pr\u00f3pria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-40565\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/easy2.jpg\" alt=\"easy2\" width=\"700\" height=\"388\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/easy2.jpg 700w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/easy2-300x166.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira cena da s\u00e9rie j\u00e1 d\u00e1 o tom do que veremos pela frente, com um di\u00e1logo muito bem constru\u00eddo em uma t\u00edpica reuni\u00e3o de amigos de 30 e poucos anos na casa de algu\u00e9m. Ali\u00e1s, a s\u00e9rie depende e se apoia bastante na for\u00e7a das falas e das atua\u00e7\u00f5es, sempre passando muita veracidade e naturalidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 aquele sentimento de \u201cisso poderia acontecer comigo\u201d, ou mesmo \u201cisso j\u00e1 aconteceu comigo\u201d. Sejam situa\u00e7\u00f5es vividas ou ang\u00fastias e d\u00favidas do dia a dia. Um exemplo \u00e9 o epis\u00f3dio \u201cVegan Cinderella\u201d, que explora a dedica\u00e7\u00e3o de uma jovem a mudar de acordo com os gostos de sua nova namorada (sem ela ter pedido), o que acaba inibindo sua pr\u00f3pria personalidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEasy\u201d tamb\u00e9m acerta quando, sem for\u00e7ar, tem um elenco diversificado, com atores de todas as faixas et\u00e1rias, nacionalidades e ra\u00e7as. Diferente de outras produ\u00e7\u00f5es, a impress\u00e3o n\u00e3o \u00e9 de que aquilo est\u00e1 ali para cumprir certa \u201cobriga\u00e7\u00e3o\u201d de diversidade, mas sim por que aquilo \u00e9 um retrato da vida, pura e simplesmente. Como tudo na s\u00e9rie, assuntos como homossexualidade, sexo nas diferentes idades, sexo \u00e0 tr\u00eas, trai\u00e7\u00e3o, e outros, aparecem espontaneamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste ponto, as cenas de sexo tamb\u00e9m chamam a aten\u00e7\u00e3o. O movimento de c\u00e2mera \u00e9 muito eficiente e d\u00e1 a impress\u00e3o, para o espectador, de que ele est\u00e1 junto dos personagens. Assim, em muitos momentos, parece que estamos naquele ritmo fren\u00e9tico, de perda de f\u00f4lego. Ao inv\u00e9s de vermos uma cena ensaiada, como se fosse um bal\u00e9, com os atores se movendo para o lado certo, e fazendo tudo como m\u00e1quinas, vemos as reais dificuldades que se pode ter nesse momento, de n\u00e3o saber onde enfiar a m\u00e3o, ou ficar preso ao tentar tirar a camiseta. Al\u00e9m disso, as imperfei\u00e7\u00f5es naturais de cada corpo est\u00e3o l\u00e1, sem truques ou maquiagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de muitos momentos c\u00f4micos, \u201cEasy\u201d apresenta for\u00e7a ao pincelar discuss\u00f5es densas. \u00c9 como um pontap\u00e9 inicial para um debate que n\u00e3o poderia ser feito em 30 minutos, mas que pode ser ao menos colocado na mesa. Em \u201cControlada\u201d, por exemplo, h\u00e1 uma cena em que uma mulher e um ex-namorado transam ap\u00f3s uma noite no bar. Apesar de isso n\u00e3o estar exposto no epis\u00f3dio, ficamos com uma pulga atr\u00e1s da orelha se aquilo se tratou de um sexo consensual. \u00c9 bem prov\u00e1vel que a pr\u00f3pria personagem tenha suas d\u00favidas em rela\u00e7\u00e3o a isso tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em \u201cArt and Life\u201d, outra discuss\u00e3o importante nos dias de hoje. Um cartunista que utiliza sua vida, e a das pessoas com quem ele convive, como objeto de sua arte, prova do pr\u00f3prio veneno quando uma jovem fot\u00f3grafa faz o mesmo com ele. O epis\u00f3dio acerta em n\u00e3o tentar dar respostas para os debates e em colocar personagens suscet\u00edveis a mudar de pensamento. O protagonista, vivido por Marc Maron em \u00f3tima atua\u00e7\u00e3o (a s\u00e9rie tamb\u00e9m conta com nomes como Orlando Bloom, Dave Franco, Malin Akerman, entre outros), \u00e9 moderno, mut\u00e1vel e interessante ao espectador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa modernidade atra\u00ed, mas \u201cEasy\u201d se faz interessante por muitos fatores. Do talento dos atores \u00e0 agilidade da narrativa. Da despretens\u00e3o das falas ao visual chamativo. Tudo funciona dentro da s\u00e9rie, que se torna imperd\u00edvel e um dos grandes acertos da Netflix em 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Parece f\u00e1cil, mas s\u00f3 parece.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"750\" height=\"422\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/bzRjfA_9Akw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8211; Pedro Tavares (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pedro.tavares.779\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">fb.com\/pedro.tavares.779<\/a>) \u00e9 jornalista e assina o <a href=\"https:\/\/rotinaechinelos.wordpress.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Rotina e Chinelos<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Tudo funciona dentro dessa s\u00e9rie que se torna imperd\u00edvel e um dos grandes acertos da Netflix em 2016\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/10\/05\/easy-a-arte-de-fazer-o-dificil-parecer-facil\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":31,"featured_media":40564,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[36],"tags":[154],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40562"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/31"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40562"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40562\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":43016,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40562\/revisions\/43016"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/40564"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40562"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40562"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40562"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}