{"id":40539,"date":"2016-10-04T06:24:00","date_gmt":"2016-10-04T09:24:00","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=40539"},"modified":"2016-11-16T11:52:03","modified_gmt":"2016-11-16T13:52:03","slug":"entrevista-around-the-world-in-80-music-videos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/10\/04\/entrevista-around-the-world-in-80-music-videos\/","title":{"rendered":"Entrevista: Around the World in 80 Music Videos"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem dourar demais a p\u00edlula, d\u00e1 para dizer que Leo Longo e Diana Boccara fizeram um projeto que congrega boa parte dos anseios (muitos diriam \u201cdesejos ut\u00f3picos\u201d) de uma gera\u00e7\u00e3o: combinaram viagens, m\u00fasica e economia colaborativa em um projeto que consumiu, at\u00e9 o momento, 18 meses de suas vidas e os levou a viajar por 22 pa\u00edses realizando um sonho que alimentavam h\u00e1 tempos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O projeto em quest\u00e3o \u00e9 o <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/atw80musicvideos\/\" target=\"_blank\">Around the World in 80 Music Videos<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCOdFrnyUAKy92KvyuKN0aqQ\" target=\"_blank\">um canal do Youtube<\/a> cujo nome de batismo explica sua premissa e seu objetivo final. A primeira grava\u00e7\u00e3o foi realizada no dia 7 de mar\u00e7o de 2015, com o Vanguart. No dia 30 do mesmo m\u00eas, o clipe foi ao ar, dando in\u00edcio a uma s\u00e9rie que est\u00e1 pr\u00f3xima do final: o v\u00eddeo n\u00famero 75 (de 80), filmado em Buenos Aires, foi ao ar no dia 03 de outubro de 2016 focando na artista argentina Marina Fages.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA gente queria um nome auto-explicativo e marcante, e por isso aproveitamos o [livro do] Julio Verne\u201d, conta Diana. \u201cS\u00f3 e uma pena que o Julio Verne n\u00e3o escreveu \u2018A Volta ao Mundo em 30 dias\u2019 ou em um prazo menor\u201d, completa Leo, rindo. De fato, a empreitada n\u00e3o foi modesta nem livre de riscos: destinos t\u00e3o diferentes quanto Moscou, Seul e Campos do Jord\u00e3o estiveram no roteiro do casal, que foi definindo a escala\u00e7\u00e3o de artistas conforme o projeto ia avan\u00e7ando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leo \u00e9 diretor de TV, com passagens por v\u00e1rias emissoras de TV aberta e paga, como Cultura, MTV, NatGeo e outras. J\u00e1 Diana \u00e9 produtora e roteirista. A experi\u00eancia de ambos foi essencial para que pudessem executar o projeto por conta pr\u00f3pria e com qualidade profissional. O casal n\u00e3o remunerava as bandas, que tampouco desembolsavam algum dinheiro pelos v\u00eddeos. Ent\u00e3o, o esp\u00edrito de coopera\u00e7\u00e3o e troca foi essencial, em muitos aspectos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO projeto seria imposs\u00edvel de se realizar n\u00e3o fossem por plataformas de economia colaborativa, como Uber, Airbnb e outros\u201d, diz Leo. \u201cAs bandas tamb\u00e9m davam o trabalho deles em troca de um produto pronto, que era o v\u00eddeo. Outros profissionais que viessem a participar, como dan\u00e7arinos, atores ou outros produtores, tamb\u00e9m vieram nesse esp\u00edrito de colabora\u00e7\u00e3o\u201d. N\u00e3o foram poucas as vezes em que uma banda hospedou os cineastas nas casas dos integrantes, o que tamb\u00e9m ajudou a criar uma rela\u00e7\u00e3o afetiva entre eles e as bandas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leo e Diana receberam o Scream &amp; Yell em casa \u2013 mais especificamente, na casa da m\u00e3e de Diana, onde est\u00e3o vivendo temporariamente. O papo, regado a muito caf\u00e9 e abastecido com doces, ocupou metade de uma tarde quente de setembro, e tratou do conflito entre riscos financeiros e sonhos, curadoria art\u00edstica e, claro, o papel do videoclipe hoje em dia, al\u00e9m de detalhar a feitura dos v\u00eddeos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"750\" height=\"422\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/YCrUhswJJnA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cAround the World in 80 Music Videos\u201d \u00e9 um projeto longo, caro \u2013 mesmo que com viagem de baixo or\u00e7amento \u2013 e que exige dedica\u00e7\u00e3o em tempo integral. Ent\u00e3o \u00e9 inevit\u00e1vel perguntar: como voc\u00eas o financiaram?<\/strong><br \/>\nLeo: Uma coisa importante \u00e9 dizer que esse \u00e9 um projeto pessoal. Eu e a Diana est\u00e1vamos dispostos, e ainda estamos, a faz\u00ea-lo sem ganhar dinheiro. Era uma iniciativa que n\u00e3o previa monetiza\u00e7\u00e3o, a ideia era s\u00f3 pagar o custo de vida: comer, dormir e se transportar. E isso, durante um ano e meio, chega a uma cifra muito alta. T\u00ednhamos um dinheiro guardado, mas, mesmo com essa grana, procuramos comercializar o projeto. At\u00e9 2014 n\u00e3o t\u00ednhamos conseguido, ent\u00e3o vendemos tudo o que t\u00ednhamos para fazer com nossa grana. Eu tinha acabado de vender um apartamento e uma moto, t\u00ednhamos montado um apartamento havia pouco e vendemos tudo tamb\u00e9m. Foi desse dinheiro que veio 60% do nosso or\u00e7amento. Quando o projeto estava em andamento, o mercado come\u00e7ou a ver que aquilo que parecia imposs\u00edvel estava mesmo acontecendo, e a\u00ed come\u00e7aram a investir. Ent\u00e3o, cerca de 40 ou mesmo 50% do projeto foi pago com permutas. A SwissAir, por exemplo, nos deu seis meses de passagens em permuta. O Airbnb da Austr\u00e1lia tamb\u00e9m foi parceiro, a HP, a Smirnoff, a Jack Daniels&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diana: Ao longo desses 18 meses em que a gente estava na estrada, fomos fazendo esse trabalho comercial tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leo: A gente espera transformar esse projeto em v\u00e1rios outros subprodutos agora. Em abril ou maio de 2017, a gente vai lan\u00e7ar um livro do projeto pela Editora Sesi. Vamos tentar tamb\u00e9m fazer um formatinho de TV, algo simples, para colocar em algum canal. Pensamos ainda em palestras, talvez um document\u00e1rio&#8230; \u00c9 um projeto pensado para tr\u00eas anos, e ele foi financiado com essa mentalidade de longo prazo, n\u00e3o era o \u201cconsigo dinheiro e a\u00ed fa\u00e7o\u201d, mas friso que isso s\u00f3 foi poss\u00edvel porque \u00e9 um projeto nosso, que est\u00e1 muito atrelado \u00e0 maneira que queremos viver daqui pra frente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A variedade de linguagens empregadas chama a aten\u00e7\u00e3o. Imagino que isso tamb\u00e9m estava no projeto desde sua concep\u00e7\u00e3o.<\/strong><br \/>\nLeo: Sempre foi uma necessidade nossa, do ponto de vista art\u00edstico. Quer\u00edamos colocar nossa criatividade, nosso know-how, em criar hist\u00f3rias diferentes. A \u00fanica coisa que unia os videoclipes era o fato de serem todos em plano-sequ\u00eancia, e isso foi mais por uma quest\u00e3o t\u00e9cnica: eu n\u00e3o perco cinco, seis dias editando. Basta um dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diana: E tamb\u00e9m a cria\u00e7\u00e3o era colaborativa, das trocas com os artistas. \u00c0s vezes aparec\u00edamos com uma ideia, a banda dava mais inputs e a identidade dela come\u00e7ava a definir o v\u00eddeo. Pode observar: todos os clipes t\u00eam uma identidade diferente, mesmo tendo sido feitos pela mesma dupla de filmmakers e sempre em plano-sequ\u00eancia. Tem muito clipe que voc\u00ea olha e v\u00ea: \u201cpuxa, \u00e9 a cara da banda\u201d. E foi porque eles se envolveram muito na concep\u00e7\u00e3o \u2013 alguns mais que outros.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"750\" height=\"422\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/FU1RX6npD-s?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A escolha das bandas foi sempre por crit\u00e9rio pessoal? N\u00e3o houve aquela l\u00f3gica comercial de pensar em quem podia viralizar, dar mais visibilidade?<\/strong><br \/>\nLeo: A gente n\u00e3o se preocupou em estar com bandas apenas por elas serem bem faladas ou por terem redes sociais gigantes. Fomos atr\u00e1s de bandas das quais gostamos, e n\u00e3o s\u00f3 musicalmente. Elas tinham que ter um perfil pr\u00f3ximo ao nosso esquema de trabalho, que \u00e9 batalhar pela pr\u00f3pria m\u00fasica, fazer as coisas de forma colaborativa, gostar desse lifestyle de colaborar e fazer coisas diferentes. Sempre que selecion\u00e1vamos um artista, fu\u00e7\u00e1vamos na vida dele antes de convidar. Convidamos, por exemplo, bandas gigantescas, mas que tinham esse perfil. Convidamos o Jack White, por exemplo. Est\u00e1vamos em Nashville, sab\u00edamos que ele mora l\u00e1, t\u00ednhamos alguns amigos em comum e fizemos o convite. Por uma quest\u00e3o de agenda, n\u00e3o foi poss\u00edvel. Mas ele tinha o perfil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E, de qualquer maneira, houve di\u00e1logo com ele.<\/strong><br \/>\nDiana: Exatamente. O pessoal dele deu um retorno super legal. S\u00f3 n\u00e3o rolou mesmo por agenda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 interessante essa mescla entre artistas \u201chypados\u201d, outros totalmente grandes, e at\u00e9 aqueles que s\u00e3o totalmente obscuros. O elenco estava fechado desde o in\u00edcio?<\/strong><br \/>\nDiana: N\u00e3o. Faz\u00edamos uma pesquisa uns tr\u00eas meses antes de chegar ao destino. Pesquis\u00e1vamos em blogs de m\u00fasica independentes, lineup de festivais, revistas meios de comunica\u00e7\u00e3o em geral. Selecion\u00e1vamos v\u00e1rias, escut\u00e1vamos muitas, e \u00edamos diminuindo a listinha at\u00e9 chegar em cinco que gravar\u00edamos naquele pa\u00eds. A cada tr\u00eas meses, o Leo sentava e parava para fazer a programa\u00e7\u00e3o dos meses seguintes. A\u00ed faz\u00edamos tamb\u00e9m essa pesquisa nas redes sociais para ver quem eles eram, se eles tinham a ver com nossa vibe de trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nesse aspecto, que foi t\u00e3o importante para voc\u00eas no projeto, chegaram a encontrar grandes diferen\u00e7as nessa atitude de batalhar pela pr\u00f3pria m\u00fasica? H\u00e1 pa\u00edses com cenas mais ativas e colaborativas que outros?<\/strong><br \/>\nLeo: Outro dia me disseram que, a julgar pelo nosso canal, o que est\u00e1 sendo feito no mundo \u00e9 muito parecido. Isso \u00e9 uma identidade da nossa curadoria. Buscamos m\u00fasicas que, de uma certa forma, pudessem ser globais, mesmo que cantadas em \u00e1rabe, coreano ou o que fosse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diana: Quer\u00edamos tamb\u00e9m pegar vertentes diferentes das cenas locais. Pod\u00edamos pegar uma banda indie, uma de blues rock, uma de folk&#8230; O que estivesse rolando naquele local naquele momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leo: D\u00e1 para perceber que, em regi\u00f5es que n\u00e3o fazem parte do circuito global mainstream, existe uma onda de bandas que tentam fazer sons e m\u00fasicas parecidas com esse mesmo circuito mainstream. Por exemplo, gravamos com os coreanos Dead Buttons, que lembra muito o White Stripes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diana: A forma como o mercado se organiza \u00e9 o que muda bastante de um pa\u00eds para outro. Tem pa\u00eds onde as bandas n\u00e3o t\u00eam manager, j\u00e1 em outros \u00e9 a gravadora que cuida de tudo, \u00e9 respons\u00e1vel pelo clipe, \u00e9 dona do clipe&#8230; Na Coreia, o mercado todo funciona assim, at\u00e9 para as bandas pequenas. A cada novo pa\u00eds, t\u00ednhamos que mudar nossa postura e nossa abordagem. Fomos descobrindo diferentes formas de trabalhar. Mas basicamente os m\u00fasicos que convidamos tinham a mesma vibe: gostam muito de m\u00fasica, querem viver dela, e pouqu\u00edssimos conseguem. E todos procuravam trabalhar em colabora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"750\" height=\"422\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/8N9l0MW5X7I?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em algum lugar voc\u00eas encontraram uma atitude sobre a qual pudessem dizer: \u201cpuxa, isso seria uma li\u00e7\u00e3o legal para os m\u00fasicos brasileiros\u201d?<\/strong><br \/>\nLeo: A gente gosta muito do posicionamento dos artistas da cena de Melbourne (Austr\u00e1lia). Claro, tem artistas que tiveram impacto mainstream, como Courtney Barnett e Tame Impala, mas a maior parte das bandas que tocam l\u00e1 toda semana s\u00e3o bandas pequenas que, por sua vez, s\u00e3o bem conhecidas no pa\u00eds. H\u00e1 de se reconhecer que a cena da Austr\u00e1lia \u00e9 pequena, \u00e9 um pa\u00eds de 20 milh\u00f5es de habitantes \u2013 n\u00e3o \u00e9 uma cena gigante igual ao Brasil \u2013 mas \u00e9 um posicionamento que nos chamou a aten\u00e7\u00e3o. A forma como eles cuidam das redes sociais, a qualidade que eles colocam em tudo, n\u00e3o s\u00f3 em v\u00eddeo, mas tamb\u00e9m em texto e foto&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diana: \u00c9 muito ruim quando voc\u00ea entra em uma p\u00e1gina de uma banda e v\u00ea que est\u00e1 tudo desatualizado, n\u00e3o consegue encontrar links, n\u00e3o acha fotos boas. Chega uma hora que voc\u00ea desiste! Aqui a gente viu muito isso, principalmente com o concurso (nota do editor: para definir a banda que fecharia a s\u00e9rie com o v\u00eddeo n\u00famero 80, Leo e Diana promoveram um concurso vencido pela banda Vitreaux). \u00c9 preciso que seja f\u00e1cil encontrar as informa\u00e7\u00f5es sobre a banda. Isso \u00e9 algo que aprendemos na Austr\u00e1lia e que seria bem \u00fatil aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leo: Em termos de estrutura de mercado, o poder p\u00fablico nacional poderia bem olhar para o Chile. O governo e a estrutura do poder p\u00fablico trabalha bem com as bandas pequenas, eles realmente ajudam os artistas a levar sua m\u00fasica adiante. Voc\u00ea pode ter clipe pago pelo governo, o \u00e1lbum, at\u00e9 a turn\u00ea fora do pa\u00eds&#8230; Tudo de uma maneira n\u00e3o t\u00e3o burocr\u00e1tica quanto aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diana: Na Nova Zel\u00e2ndia tamb\u00e9m tinha isso. Os artistas chegavam a se surpreender com nossos convites, porque l\u00e1 eles t\u00eam o clipe pago por um programa do governo local.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leo: Esses s\u00e3o dois pa\u00edses que reconhecem que a m\u00fasica pode levar o nome do pa\u00eds para fora, e que esse tipo de subs\u00eddio pode ajudar a economia colaborativa do pa\u00eds.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"750\" height=\"422\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/kIRCR6Pr1uc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Hoje em dia, mesmo um v\u00eddeo que viraliza cai rapidamente no esquecimento. \u00c9 muito dif\u00edcil criar um clipe que ter\u00e1 a relev\u00e2ncia de um \u201cThriller\u201d, um \u201cSledgehammer\u201d. Claro, isso tamb\u00e9m porque antes havia um \u00fanico meio de exibi\u00e7\u00e3o, que era a TV aberta. Hoje voc\u00ea tem v\u00e1rios canais, mas isso tanto ajuda o acesso como dilui consideravelmente a penetra\u00e7\u00e3o do v\u00eddeo. Como \u00e9 poss\u00edvel que o clipe seja relevante hoje?<\/strong><br \/>\nLeo: Para a maior pare das bandas que filmamos, acredito que o clipe era uma oportunidade de conversar com um p\u00fablico que n\u00e3o era o de seus pa\u00edses. Era um jeito de fazer a m\u00fasica deles chegar a outras pessoas do planeta, acreditando que o videoclipe \u00e9 muito mais atrativo e mais f\u00e1cil de ser achado que apenas a can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diana: Acho que \u00e9 isso, mas tamb\u00e9m uma oportunidade de mostrar a personalidade, o gosto, o estilo, as influ\u00eancias&#8230; Vimos muito isso. A banda chegava e dizia: \u201cQueremos fazer algo estilo Wes Anderson, porque a gente gosta muito do cinema dele\u201d. Voc\u00ea pode ouvir v\u00e1rias m\u00fasicas de um \u00e1lbum, mas quando voc\u00ea tem uma imagem junto \u00e0 can\u00e7\u00e3o, ela fixa de outra forma. A jun\u00e7\u00e3o de imagem e m\u00fasica d\u00e1 \u00e0 can\u00e7\u00e3o peso maior, e n\u00e3o fica s\u00f3 uma coisa imag\u00e9tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leo: Pode ser, porque tem horas em que voc\u00ea lembra de uma can\u00e7\u00e3o, e procura o v\u00eddeo dela para fazer outros lembrarem. Mas at\u00e9 aqui estamos falando das bandas, e agora quero puxar a sardinha pra minha brasa. Quando se fala do filmmaker, do diretor, a\u00ed entramos num patamar diferente. O Youtube tem 11 anos de idade. Ou seja, numa realidade de dez anos para c\u00e1, o filmamaker, o artista visual, tem onde expor seu trabalho. Hoje existe acesso \u00e0 tecnologia, ao bom equipamento, de forma muito mais simples e barata que antes. E tem tamb\u00e9m acesso a muito mais fontes de inspira\u00e7\u00e3o que antes: filmes, s\u00e9ries&#8230; Voc\u00ea acaba tendo ambi\u00e7\u00f5es em v\u00e1rias plataformas, e o videoclipe acaba sendo a principal e a mais comum para um filmmaker come\u00e7ar a trabalhar. E voc\u00ea ainda pode juntar todas as express\u00f5es art\u00edsticas!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diana: \u00c9 um formato sem certo ou errado. Voc\u00ea pode criar o que quiser. Veja o OK Go!, uma banda que est\u00e1 sempre pensando no que podem fazer de novo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas falam muito do esp\u00edrito colaborativo do projeto. Por\u00e9m, contaram que esse projeto foi poss\u00edvel apenas porque voc\u00eas puderam economizar um valor significativo gra\u00e7as aos seus empregos na economia \u201cconvencional\u201d. N\u00e3o \u00e9 uma realidade exclusiva do projeto de voc\u00eas \u2013 muitas iniciativas do tipo t\u00eam origem semelhante. Voc\u00eas creem que um dia essa economia \u201cconvencional\u201d vai poder ser secund\u00e1ria, ou mesmo dispensada, e a economia colaborativa vai se consolidar como um caminho sustent\u00e1vel?<\/strong><br \/>\nLeo: S\u00f3 depende da ambi\u00e7\u00e3o, do comportamento e da expectativa de cada um. Quando eu opto por n\u00e3o ganhar mais o sal\u00e1rio que eu ganhava como diretor de televis\u00e3o, eu monetizo metade do meu m\u00eas e com a outra metade [do tempo] eu vou fazer meus outros projetos. Se estamos conseguindo organizar nossa vida para captar menos recursos financeiros e dobrar nossos recursos criativos, ahco super poss\u00edvel. Se esse modelo funciona para gente, deveria funcionar para outros. Sabe aquela pergunta: \u201co que voc\u00ea precisa de fato para viver?\u201d A gente se faz essa pergunta. Esse neg\u00f3cio foi uma mudan\u00e7a enorme para n\u00f3s, um marco. Viver um ano com uma mala!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diana: A gente queria ter no projeto pessoas que estivessem dispostas a fazer aquilo que gostam. Muita gente que veio participar era quem trabalhava em escrit\u00f3rio durante o dia e tinha o sonho de pisar em um set de grava\u00e7\u00e3o. Encontramos muita gente que disse que fomos inspira\u00e7\u00e3o para elas. E n\u00f3s n\u00e3o consegu\u00edamos acreditar, como est\u00e1vamos sendo inspira\u00e7\u00e3o para outros?! Bandas que viraram nossos amigos tamb\u00e9m nos deram um retorno desse tipo. Realmente acho que quando tem mais pessoas fazendo o que gosta, voc\u00ea tem uma sociedade mais feliz, menos consumista, que perde menos horas no tr\u00e2nsito.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"750\" height=\"422\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/H1cMMAnuSQ0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"750\" height=\"422\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/9zXOA3J7JV4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"750\" height=\"422\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/78HOkaJS7Gs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"750\" height=\"422\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ACZgLIhyT0c?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"750\" height=\"422\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-uGCS41RLbQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/leovinhas\" target=\"_blank\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell. A foto que abre o texto \u00e9 de Gracia Lee \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Leo Longo e Diana Boccara conta a experi\u00eancia de rodar o mundo filmando bandas e fazendo videoclipes combinando  m\u00fasica e economia colaborativa\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/10\/04\/entrevista-around-the-world-in-80-music-videos\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":40542,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3,118],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40539"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40539"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40539\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":40746,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40539\/revisions\/40746"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/40542"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40539"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40539"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40539"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}