{"id":40436,"date":"2002-10-26T10:05:27","date_gmt":"2002-10-26T13:05:27","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=40436"},"modified":"2016-09-26T10:10:42","modified_gmt":"2016-09-26T13:10:42","slug":"tres-cds-ritchie-pixies-e-hank-williams","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2002\/10\/26\/tres-cds-ritchie-pixies-e-hank-williams\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas CDs: Ritchie, Pixies e Hank Williams"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/h2>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/ritchie.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"496\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Auto-Fidelidade&#8221;, Ritchie (Deck Disc)<\/strong><br \/>\nPouco mais de 10 anos sem trabalho in\u00e9dito (excetuando o &#8220;super grupo&#8221; Tigres de Bengala com Vinicius Cantu\u00e1ria, Claudio Zoli, Dadi, Mu e Billi Forghieri que lan\u00e7ou trabalho hom\u00f4nimo em 1993) e o autor de &#8220;Menina Veneno&#8221; retorna com disco novo, sem apelar com regrava\u00e7\u00f5es ou ac\u00fasticos. &#8220;Auto-Fidelidade&#8221; s\u00e3o 14 faixas in\u00e9ditas (cinco delas cantadas em ingl\u00eas) em que o pop rock suave, bem tocado e bem interpretado, direciona o trabalho. Para a empreitada, Ritchie reuniu um time luxuoso de m\u00fasicos de est\u00fadio incluindo Marcelo Sussekind (viol\u00f5es e guitarras), Humberto Barros (teclados), Christiaan Oyens (Lap Steel, Metalofone) e Marcos Suzano (percuss\u00e3o), entre outros. Nas letras, o velho parceiro Bernardo Vilhena (de &#8220;Menina Veneno&#8221;, &#8220;A Vida Tem Dessas Coisas&#8221; e &#8220;V\u00f4o de Cora\u00e7\u00e3o&#8221;) assina a balada rock &#8220;L\u00e1grimas Demais&#8221; (&#8220;Mais um dia se passou assim, sem ter fim nem come\u00e7o&#8221;), a levemente funkeada &#8220;Sede de Viver&#8221; e o pop leve com gaita deliciosa &#8220;Ningu\u00e9m Sabe O Que Eu Sei&#8221;, al\u00e9m de &#8220;Jardins de Guerra&#8221;, com boas guitarras. O melhor poeta pop da atualidade, Alvin L (respons\u00e1vel pelas letras do Capital Inicial), assina a nickhornbiana &#8220;Auto-Fidelidade&#8221; (&#8220;Eu tambem quero o amor perfeito \/ Desde que ele seja mesmo o amor \/ Mas eu nunca quis deixar de ser quem eu sou&#8221;) e &#8220;Lua, Lua&#8221;, enquanto Erasmo Carlos escreve &#8220;Eu n\u00e3o sei onde foi que eu errei&#8230; \/ S\u00f3 queria amar voc\u00ea&#8230;&#8221; na jovem guarda de &#8220;Onde Foi Que Eu Errei\/&#8221;. Composto ao viol\u00e3o (ao contr\u00e1rio de seus seis \u00e1lbuns anteriores, em que as composi\u00e7\u00f5es partiam do teclado), &#8220;Auto-Fidelidade&#8221; surge honesto e de extremo bom gosto, pop perfeito para tocar em r\u00e1dios, caso essas n\u00e3o estivessem dominadas pela cultura do jab\u00e1. Mas mais do que um registro, a volta de Ritchie (assim como a de Leoni) com um bom trabalho a margem de modismos merece ser recebida com aplausos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 8<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/purpletape.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"500\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Pixies&#8221;, Pixies (Sum Records)<\/strong><br \/>\n&#8220;Pixies&#8221; \u00e9 a raspa da raspa da raspa do tacho do acervo da banda de Frank Black e Kim Deal, apontada com uma das melhores forma\u00e7\u00f5es de rock and roll de todos os tempos. Dessa forma, qualquer raridade do quarteto de Boston \u00e9 bem-vinda. A hist\u00f3ria \u00e9 a seguinte: em 1987, o Pixies divulgava sua primeira demo, a &#8220;The Purple Tape&#8221;, enviando para gravadoras e vendendo em shows. A fitinha trazia 17 can\u00e7\u00f5es rispidas e pungentes. A 4AD n\u00e3o deu bobeira, contratou a banda, escolheu oito faixas da demo e as transformou em &#8220;Come On Pilgrin&#8221;, primeiro ep oficial do Pixies. No entanto, as outras nove faixas ficaram no esquecimento, aparecendo aqui e ali em bootlegs at\u00e9 a Spinart juntar o material e lan\u00e7ar, agora, como \u00e1lbum oficial. Nove faixas que n\u00e3o ultrapassam os 19 minutos, mas arrepiam pela urg\u00eancia, dem\u00eancia e punch de uma banda ent\u00e3o iniciante. Das nove, apenas uma \u00e9 in\u00e9dita, &#8220;Rock A My Soul&#8221;, que \u00e9 o Pixies de sempre. De resto, vers\u00f5es toscas e, muitas vezes, melhores que as originais, caso de &#8220;Broken Face&#8221;, &#8220;Subbacultcha&#8221; e &#8220;&#8221;Break My Body&#8221;, mais afiadas, &#8220;Down To The Well&#8221;, mais acelerada, &#8220;Here Comes Your Man&#8221;, mais crua, com introdu\u00e7\u00e3o longa ao viol\u00e3o na vers\u00e3o que Frank Black considera melhor do que a registrada em &#8220;Doolittle&#8221;: &#8220;Mas n\u00e3o posso reclamar. Eu ganhei muito dinheiro com a vers\u00e3o do disco&#8221;, comentou o m\u00fasico. Por mais que &#8220;Pixies&#8221; tenha cara de ca\u00e7a-niqueis (ser\u00e1 que o dinheiro acabou, Frank?), \u00e9 daqueles que valem cada centavo investido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 9<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/hank.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"500\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Timeless&#8221;, Tribute to Hank Williams (FNM)<\/strong><br \/>\nEsse cara com o viol\u00e3o em punho na capa acima \u00e9 um dos pais do country rock norte-americano (seria o av\u00f4 do alt-country?), influ\u00eanciando, ainda, o nascente rock and roll nos anos 50, n\u00e3o s\u00f3 com suas composi\u00e7\u00f5es\/vocaliza\u00e7\u00f5es de levada suave e pop, mas tamb\u00e9m, atitude, afinal, morrer aos 29 anos vitima de alcoolismo \u00e9 mais rock que toda nova leva de bandas inglesas. Antes desse tributo, algumas bandas j\u00e1 haviam coverizado Hank (Cowboys Junkies e Breeders, entre outras), mas &#8220;Timeless&#8221; re\u00fane de forma coesa a velha guarda roqueira com gente nova e o resultado \u00e9 excelente. Bob Dylan \u00e9 Bob Dylan na batida empolgante de &#8220;I Can&#8217;t Get You Off Of My Mind&#8221;. J\u00e1 Keith Richards blueseia em &#8220;You Win Again&#8221; enquanto mestre Johnny Cash veste com seu vozeir\u00e3o o hino religioso &#8220;I Dreamed About Mama Last Night&#8221;. Um dos caras mais bacanas do rock mundial, Tom Petty, transforma &#8220;You&#8217;re Gonna Change (Or I&#8217;m Gonna Leave)&#8221; em um rock delicioso com vocal country que caberia perfeitamente no filme &#8220;E ai meu irm\u00e3o, cad\u00ea voc\u00ea?&#8221; dos Irm\u00e3os Coen&#8221;. Da turma nova, Beck coloca o p\u00e9 no freio arrastando &#8220;Your Cheatin&#8217; Heart&#8221; enquanto o garoto prodigio Ryan Adams brinca com a voz em &#8220;Lovesick Blues&#8221; que poderia estar em qualquer trilha sonora de filme dos anos 50. Mas quem se destaca em &#8220;Timeless&#8221; s\u00e3o as mulheres. Mudando o foco das letras, ao inv\u00e9s de se ouvir &#8220;his cold, cold heart&#8221; ouve-se &#8220;her cold, cold heart&#8221;. Assim, Sheryl Crow ilumina dias nublados com a alegre e deliciosa vers\u00e3o de &#8220;Long Gone Lonesome Blues&#8221;. J\u00e1 Emmylou Harris e Lucinda Willimas destilam belos vocais em duas baladas matadoras, &#8220;Alone And Forsaken&#8221; e &#8220;Cold, Cold Heart&#8221; (respectivamente). At\u00e9 Hank III, neto de Williams, se sai bem em &#8220;I&#8217;m A Long Gone Daddy&#8221;. Lan\u00e7ado pelo selo Lost Highway (representado no Brasil pela FNM), especializado no assunto, &#8220;Timeless&#8221; \u00e9 excelente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 9<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Auto-Fidelidade&#8221;, de Ritchie; a &#8220;Purple Tape&#8221; do Pixies; &#8220;Timeless&#8221;, um belo tributo para Hank Williams \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2002\/10\/26\/tres-cds-ritchie-pixies-e-hank-williams\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[785,1011,1270],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40436"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40436"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40436\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":40437,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40436\/revisions\/40437"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40436"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40436"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40436"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}