{"id":40322,"date":"2016-09-22T23:23:02","date_gmt":"2016-09-23T02:23:02","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=40322"},"modified":"2016-11-02T18:35:08","modified_gmt":"2016-11-02T20:35:08","slug":"entrevista-projeto-ccoma-2016","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/09\/22\/entrevista-projeto-ccoma-2016\/","title":{"rendered":"Entrevista: Projeto Ccoma (2016)"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 se passaram tr\u00eas anos desde que \u201cPeregrino\u201d, terceiro \u00e1lbum do duo ga\u00facho Projeto Ccoma, ganhou o Pr\u00eamio da M\u00fasica Brasileira de Melhor \u00c1lbum Eletr\u00f4nico. Nesse longo intervalo, Luciano Balen e Beto Scopel alternaram uma pequena, mas relevante, agenda de shows com seus trabalhos como produtores culturais \u2013 Balen \u00e9 o principal nome \u00e0 frente do <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/05\/03\/festival-brasileiro-de-musica-de-rua-2016\/\" target=\"_blank\">Festival Brasileiro de M\u00fasica de Rua<\/a>, e Scopel capitaneia o circuito de shows <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/06\/24\/conheca-o-projeto-tum-tum-instrumental\/\" target=\"_blank\">Tum Tum Instrumental<\/a> ao lado da esposa Juliana Pandolfo. Tanta atividade intensa e diversificada n\u00e3o passaria inc\u00f3lume pela m\u00fasica que eles criam juntos, mas a verdade \u00e9 que mesmo com esse background n\u00e3o era poss\u00edvel antecipar o seria seu quarto disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSubtropical Temperado\u201d, o quarto disco dos caxienses, lan\u00e7ado pelo selo Natura Musical (<a href=\"http:\/\/www.naturamusical.com.br\/baixe-e-ouca-o-disco-subtropical-temperado-do-ccoma\" target=\"_blank\">download gratuito aqui<\/a>), vem com forte (fort\u00edssima!) influ\u00eancia da disco, do funk e da MPB setentistas. \u00c9 praticamente uma recupera\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria afetiva musical dos dois integrantes e compositores, deixando em segundo (ou mesmo terceiro) plano as fontes inspiracionais da eletr\u00f4nica europeia norteavam os discos anteriores, especialmente os dois primeiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra mudan\u00e7a not\u00e1vel \u00e9 o uso constante da voz, ajudando a definir um formato can\u00e7\u00e3o que era apenas ocasional em \u201cPeregrino\u201d e quase ausente em \u201cDas Ccoma Project\u201d (2009) e \u201cIncoming Jazz\u201d (2010). A cantora Etiene Nadine \u00e9 respons\u00e1vel por boa parte dessas vozes, e a ela soma-se o m\u00fasico Rafael De Boni, conhecido na Serra Ga\u00facha por seu trabalho com m\u00fasica folcl\u00f3rica. No Ccoma, De Boni assume o baixo, e essa forma\u00e7\u00e3o em quarteto j\u00e1 aparece no primeiro single do disco, uma dan\u00e7ante recria\u00e7\u00e3o de \u201cAprendendo a Jogar\u201d, can\u00e7\u00e3o de Guilherme Arantes famosa na interpreta\u00e7\u00e3o de Elis Regina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, essa forma\u00e7\u00e3o \u00e9 apenas para este momento. Em entrevista ao Scream &amp; Yell, que ouviu o disco com exclusividade antes de seu lan\u00e7amento, Luciano Balen reafirma a condi\u00e7\u00e3o de duo do Projeto Ccoma, essencial para dar a liberdade que eles pr\u00f3prios ambicionam. Dentro dessa liberdade, exploraram as sonoridades setentistas com os elementos modernos e at\u00e9 com a m\u00fasica industrial (um ralador de queijo \u201cfeito pela Tramontina, aqui na Serra Ga\u00facha\u201d, como diz Balen, foi usado no disco, bem como os ru\u00eddos da F\u00e1brica 2, da Maesa, que ser\u00e1 desativada em alguns meses).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Balen explica ainda a mudan\u00e7a da sonoridade e comenta sobre a import\u00e2ncia de se ter o apoio de um selo com estrutura s\u00f3lida por tr\u00e1s de um lan\u00e7amento, e aproveitou para lembrar que a \u00e9tica de trabalho duro, comum \u00e0s falas e \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o de sua regi\u00e3o natal, se estendem para sua abordagem art\u00edstica.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/MLpgFZd0pnc?feature=oembed\" width=\"750\" height=\"422\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Ccoma sempre tratou a voz como um instrumento. N\u00e3o era instrumental, mas recorria mais a samplers de voz ou vocalistas convidados. Agora h\u00e1 uma cantora na banda. Acredito que isso signifique uma mudan\u00e7a grande na forma de pensar os arranjos e mesmo na maneira de encarar a composi\u00e7\u00e3o.<\/strong><br \/>\nBom, essa \u00e9 a primeira entrevista que estou dando sobre o disco, ent\u00e3o deixa eu ver\u2026 (pausa) Ela canta quatro faixas no disco: \u201cAprendendo a Jogar\u201d, \u201cMira-Me\u201d, \u201cQuase um Profeta\u201d e \u201cA\u00e7o-Pessoa\u201d. As m\u00fasicas dela s\u00e3o sempre can\u00e7\u00f5es mesmo. Inclusive na primeira do disco, que \u00e9 \u201cSubtropical\u201d, a voz j\u00e1 entra com 10, 15 segundos. Isso foi de prop\u00f3sito! Na primeira vers\u00e3o, a voz s\u00f3 entrava l\u00e1 no final. Mas colocamos logo ali para mostrar que a gente n\u00e3o \u00e9 mais instrumental. Ent\u00e3o sim, ter a voz impacta diretamente. Mas tem faixas que eu canto, \u201cSubtropical e Hecha la Laey Hecha la Trampa\u201d; tem \u201cLatino-Am\u00e9rica (M\u00e1quina Latino-Americana de Ritmos\u201d), na qual o Beto brinca com samples da voz dele mesmo; tem \u201cTudo \u00e9 Nada\u201d, em ele canta; \u201cO Casamento de Doral\u00edcia\u201d, que \u00e9 um cl\u00e1ssico instrumental da m\u00fasica ga\u00facha, dos irm\u00e3os Bertussi; e tem \u201cPeleia\u201d, que \u00e9 dedicada ao Temer (risos): \u201cfajuto, rea\u00e7a, estafermo\u201d\u2026 \u201cEstafermo\u201d \u00e9 aquele boneco de ventr\u00edloquo, ent\u00e3o a m\u00fasica \u00e9 para ele, n\u00e9? Tem todas as ofensas que um ga\u00facho falaria para uma pessoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Certo, mas na quest\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o da banda, que agora tem o Rafael De Boni, tamb\u00e9m\u2026<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, \u00e9 assim: a gente assumiu que o Ccoma \u00e9 um duo eletr\u00f4nico ga\u00facho que tem nesse disco o De Boni tocando baixo e acorde\u00e3o e a Etiene cantando quatro faixas e fazendo backing nas outras. N\u00f3s tamb\u00e9m assumimos outros papeis: o Beto est\u00e1 tocando teclados, al\u00e9m do trompete, e eu estou mais como baterista mesmo. Essa \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o da turn\u00ea tamb\u00e9m, mas daqui a dois ou tr\u00eas anos a gente n\u00e3o sabe o que vai ser. Para agora, o show est\u00e1 bem diferente do que era na \u00e9poca do \u201cPeregrino\u201d, quando era mais introspectivo e com alguns momentos para dan\u00e7ar. Agora, o show \u00e9 totalmente dan\u00e7ante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O \u201cPeregrino\u201d tinha uma ponte entre os ritmos da Am\u00e9rica Latina e a eletr\u00f4nica europeia. Esse agora, o \u201cSubtropical Temperado\u201d, \u00e9 o disco mais brasileiro do Ccoma. Escuto Marcos Valle, Robson Jorge, Azymuth, as produ\u00e7\u00f5es do Nelson Motta, muita coisa nessa linha influenciando o disco. Se o trajeto do Ccoma em discos e na carreira \u00e9 uma linha evolutiva, voc\u00ea diria que esse momento agora, de maior maturidade, for\u00e7a voc\u00eas a olhar mais para o pr\u00f3prio pa\u00eds do que para fora?<\/strong><br \/>\n(suspira, depois ri) \u00c9, acho que a gente est\u00e1 cumprindo nosso objetivo maior \u2013 o meu, pelo menos, desde que eu ouvi aos 14 anos \u201cPersiana Americana\u201d [dos argentinos Soda Stereo] na r\u00e1dio \u2013 que \u00e9 o de dar as m\u00e3os para Am\u00e9rica Latina. A m\u00fasica \u00e9 uma ferramenta, mas esse \u00e9 o objetivo maior. \u00c9 uma das minhas miss\u00f5es de vida: chegar ao final e ver o Brasil mais ligado aos seus vizinhos, de m\u00e3os dadas, trabalhando juntos. Inclusive essa mensagem de chamar o Sul do pa\u00eds de \u201csubtropical\u201d n\u00e3o tem a ver s\u00f3 com o clima. Temos um desejo muito grande de que o Rio Grande do Sul seja um lugar mais leve. N\u00e3o s\u00f3 que esquentasse um pouquinho, que o tal do aquecimento global chegasse um pouco por aqui (risos) \u2013 mas \u00e9 claro que o clima influencia o humor e o comportamento, as pessoas ficam mais fechadas, mais dentro de casa. Por\u00e9m, o \u201csubtropical\u201d \u00e9 porque \u00e9 submundo mesmo: a gente est\u00e1 abaixo de tudo. E o meu desejo com esse disco \u00e9 que a gente d\u00ea uma tropicalizada e deixe o Rio Grande do Sul mais leve. Exceto Kleyton &amp; Kledir e Elis Regina, ningu\u00e9m no Sul dialogou com o Brasil e foi para o pa\u00eds todo. E ambos est\u00e3o no nosso disco \u2013 talvez Kleyton &amp; Kledir n\u00e3o se escute diretamente, mas est\u00e1. Mas exceto esses artistas que citei, a m\u00fasica do Rio Grande do Sul sempre foi muito fechada. Mesmo as bandas de rock que tiveram proje\u00e7\u00e3o nacional \u2013 Nenhum de N\u00f3s, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/05\/27\/entrevista-humberto-gessinger-2016\/\" target=\"_blank\">Engenheiros do Hawaii<\/a> \u2013 eram fechadas no Rio Grande do Sul. A m\u00fasica deles era essencialmente ga\u00facha. J\u00e1 com o Kleyton &amp; Kledir e com a Elis Regina, n\u00e3o. O ga\u00facho era um elemento da m\u00fasica deles, mas eles eram mais brasileiros que ga\u00fachos, e de alguma forma a gente tem isso tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como come\u00e7ou esse di\u00e1logo do Ccoma com a m\u00fasica brasileira?<\/strong><br \/>\nOs discos dos quais estamos falando nessa conversa s\u00e3o discos que a minha m\u00e3e, j\u00e1 falecida, ouvia. S\u00e3o discos que estavam sempre na minha casa. E eu e o Beto fizemos muita pesquisa para esse disco: a gente se reunia para conversar, tomar caf\u00e9, ficar ouvindo m\u00fasica at\u00e9 meio-dia, discutindo o caminho que cada can\u00e7\u00e3o deveria tomar. A \u201cA\u00e7o-Pessoa\u201d \u00e9 diretamente influenciada por Donna Summer, por exemplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas dois s\u00e3o caras na faixa dos 40 anos, ent\u00e3o \u00e9 curioso que s\u00e3o coisas n\u00e3o da juventude de voc\u00eas, mas da inf\u00e2ncia. Por isso minha pergunta se a maturidade n\u00e3o faz voc\u00eas olharem mais para a raiz. Tem um elemento de resgate das primeiras mem\u00f3rias musicais, e que me parece n\u00e3o ter vindo s\u00f3 da pesquisa, mas tamb\u00e9m de um fundo emocional, que deu a voc\u00eas mais confian\u00e7a para fazer algo menos cerebral que os discos anteriores.<\/strong><br \/>\nEu nunca tinha pensado nesses termos, mas olha\u2026 Esse disco parte de uma provoca\u00e7\u00e3o que o Patrick (Torquato, DJ pernambucano] me fez, dizendo que \u201cvoc\u00eas do Sul n\u00e3o sabem fazer m\u00fasica feliz\u201d. Eu falei pra ele: \u201ccomo \u00e9 que a gente vai fazer m\u00fasica feliz com um tempo assim? Com esse frio?\u201d (risos) Mas de certa forma, pesquisamos e encontramos coisas na m\u00fasica do Rio Grande do Sul que s\u00e3o dan\u00e7antes. Ent\u00e3o, se voc\u00ea olhar, n\u00e3o \u00e9 um disco alegre, mas \u00e9 um disco dan\u00e7ante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ou seja: o Patrick estava certo (risos).<\/strong><br \/>\nAh, ele \u00e9 dan\u00e7ante, s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 \u201carer\u00ea\u201d (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No fim, o \u00e1lbum tem um texto pol\u00edtico muito forte. \u00c9 um disco para dan\u00e7ar em tempos de crise\u2026<\/strong><br \/>\n(gargalha) Vou anotar essa! \u201cDance em tempos de crise\u2026\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>(risos) Mas falando s\u00e9rio, fora as can\u00e7\u00f5es mais \u00f3bvias, como \u201cHecha la Ley, Hecha la Trampa\u201d, tem declara\u00e7\u00f5es pol\u00edticas claras. A pr\u00f3pria \u201cAprendendo a Jogar\u201d adquire esse car\u00e1ter no momento atual.<\/strong><br \/>\nSim!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E n\u00e3o \u00e9 um contrassenso lan\u00e7ar um disco t\u00e3o pol\u00edtico sob um selo corporativo?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o. A Natura tem um posicionamento dos seus valores muito claros, n\u00e3o s\u00f3 com a quest\u00e3o da natureza, mas tamb\u00e9m procurando fazer pelas regi\u00f5es do Brasil a mesma integra\u00e7\u00e3o que n\u00f3s buscamos com a Am\u00e9rica Latina. E ela j\u00e1 lan\u00e7ou discos muito importantes: Ney Matogrosso, Elza Soares, Z\u00e9 Manoel\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Aproveitando que voc\u00ea citou isso: realmente, a Natura Musical tem colocado nas ruas alguns dos discos mais interessantes da m\u00fasica brasileira recente. Por\u00e9m, n\u00e3o s\u00e3o poucos os discos \u2013 n\u00e3o s\u00f3 entre os do cat\u00e1logo do selo, o problema \u00e9 geral \u2013 que passam praticamente batido. Se tanto, s\u00e3o discutidos em uma publica\u00e7\u00e3o ou outra, e depois desaparecem, sem espa\u00e7o midi\u00e1tico, sem se converter em mais oportunidades de shows para os artistas. O que me leva a duas perguntas: a primeira \u00e9 o quanto muda para voc\u00eas, que sempre se autogeriram, ter um selo grande por tr\u00e1s; e a segunda \u00e9: quem \u00e9 esse cara que consome m\u00fasica hoje no Brasil? Por que ele ignora tantas coisas que s\u00e3o produzidas no pa\u00eds?<\/strong><br \/>\nPara a primeira pergunta, digo que muda, sim. Principalmente para n\u00f3s, que somos do interior do Rio Grande do Sul, de uma cidade que quer se inserir no Brasil sem fazer m\u00fasica para entretenimento \u2013 porque n\u00e3o queremos trazer o espet\u00e1culo \u201cFrozen\u201d, da Disney, para Caxias, n\u00e3o queremos colocar um show do Guns \u2018N\u2019 Roses aqui, nada disso. Dialogamos com m\u00fasica latino-americana, m\u00fasica brasileira como a da Elza Soares. E antes de responder a segunda pergunta, \u00e9 preciso falar sobre o fa\u00e7a-voc\u00ea-mesmo. Tenho a impress\u00e3o que muito m\u00fasico no Brasil pega o dinheiro do patroc\u00ednio mas, por n\u00e3o estar habituado ao fa\u00e7a-voc\u00ea-mesmo, fica parado esperando que algo venha at\u00e9 ele. \u201cAh, porque estou falando com meu produtor\u2026\u201d, aquele papo. Cara, que produtor o qu\u00ea! A produ\u00e7\u00e3o executiva do Ccoma \u00e9 minha e do Beto. O projeto da Natura, fui eu quem inscrevi. Temos o Robinson Cabral fazendo a parte cont\u00e1bil, o resto \u00e9 trabalho nosso. Ent\u00e3o, salvo se for um cara de muito talento, fenomenal, nada vai acontecer se o artista n\u00e3o botar a m\u00e3o na massa. E mesmo o cara de muito talento: pega o Z\u00e9 Manoel, um cara completo, toca piano, comp\u00f5e bem demais, e pessoalmente um sujeito com muita luz. Mesmo com esse talento n\u00e3o teve grande repercuss\u00e3o. O disco dele \u00e9 dif\u00edcil, acho que s\u00f3 daqui a uns 30 anos algu\u00e9m vai se dar conta e ver o disca\u00e7o que \u00e9, vai ser uma coisa tipo o Di Melo. De qualquer maneira, o artista tem que pegar o dinheiro e us\u00e1-lo bem. O artista tem que se fazer. Eu e o Beto pegamos o que seria o nosso dinheiro, o nosso pagamento, e reinvestimos no pr\u00f3prio Ccoma. O artista n\u00e3o pode achar que s\u00f3 tocando as pessoas v\u00e3o prestar aten\u00e7\u00e3o nele. E me parece que h\u00e1 um pouco de pregui\u00e7a de alguns. \u201cAh, ganhei Natura, agora vou acontecer\u201d. N\u00e3o \u00e9 assim! N\u00e3o sei se o cara fumou muita maconha, ou se acha que \u00e9 um baita artista.. Hoje em dia, n\u00e3o tem gravadora fazendo filtro, o cara ruim e o cara bom t\u00eam a mesma visibilidade, e tem mais chances de aparecer o cara que acorda cedo e rala para ver sua m\u00fasica acontecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E nesse cen\u00e1rio, como fica o consumidor?<\/strong><br \/>\nAcho que estamos em um momento de virada. O sertanejo parece ter chegado no seu limite, a televis\u00e3o cada vez mais perde for\u00e7a. A minha gera\u00e7\u00e3o foi a gera\u00e7\u00e3o Rock In Rio, que viu aquilo na TV, escutou o rock na r\u00e1dio, e come\u00e7ou a fazer sua m\u00fasica \u2013 nessa \u00e9poca, com n\u00edtida influ\u00eancia roqueira, \u00e9 s\u00f3 ver Lob\u00e3o, Bar\u00e3o\u2026 <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/11\/24\/download-tributo-aos-paralamas-do-sucesso\/\" target=\"_blank\">Os Paralamas felizmente se mantiveram latinos<\/a> (risos). Tenho a impress\u00e3o que temos uma chance grande de aumentar nosso p\u00fablico. N\u00e3o s\u00f3 n\u00f3s, mas todos que fazem uma m\u00fasica art\u00edstica, com a provoca\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, com a provoca\u00e7\u00e3o da poesia\u2026 To dando todas as explica\u00e7\u00f5es aqui, mas eu queria que as pessoas entendessem que \u201csubtropical\u201d n\u00e3o est\u00e1 falando s\u00f3 do clima. \u00c9 do \u201csub\u201d. Submundo, subterf\u00fagio, suborno\u2026 Tudo que come\u00e7a com \u201csub\u201d. T\u00e1 tudo ali.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sabemos que o pa\u00eds agora est\u00e1 rumando para uma polariza\u00e7\u00e3o. Prefiro n\u00e3o dizer que \u201cest\u00e1 polarizado\u201d porque os extremos de ambos os lados ganham mais repercuss\u00e3o, mas me parece haver muita gente ponderada por a\u00ed. De qualquer forma, a pol\u00eamica com o filme \u201cAquarius\u201d mostra o n\u00edvel de estreiteza mental que estamos vivendo. Voc\u00ea acredita que a m\u00fasica tem potencial de fazer uma integra\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m nesse tecido social, reduzindo um pouco esse caos, ao menos esse desconforto, que estamos vivendo?<\/strong><br \/>\n(hesita) N\u00e3o estou conseguindo ver muita esperan\u00e7a para isso nesse momento. N\u00e3o vejo esperan\u00e7a de termos um pa\u00eds mais humano. Acho que a m\u00fasica n\u00e3o vai fazer essa ponte. Acho, por\u00e9m, que podemos tocar algumas pessoas.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/KztXyfSdYNo?feature=oembed\" width=\"750\" height=\"422\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/MZr6PC8dWDk?feature=oembed\" width=\"750\" height=\"422\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/8yd7gJjJwA0?feature=oembed\" width=\"750\" height=\"422\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/leovinhas\" target=\"_blank\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cSubtropical Temperado\u201d, o quarto disco dos caxienses, vem com forte (fort\u00edssima!) influ\u00eancia da disco, do funk e da MPB setentistas\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/09\/22\/entrevista-projeto-ccoma-2016\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":40911,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[783],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40322"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40322"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40322\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":40492,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40322\/revisions\/40492"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/40911"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40322"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40322"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40322"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}