{"id":40261,"date":"2016-09-12T23:53:56","date_gmt":"2016-09-13T02:53:56","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=40261"},"modified":"2016-10-26T12:19:35","modified_gmt":"2016-10-26T14:19:35","slug":"musica-antonio-cicero-arthur-nogueira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/09\/12\/musica-antonio-cicero-arthur-nogueira\/","title":{"rendered":"M\u00fasica: Antonio Cicero &#038; Arthur Nogueira"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\">Renan Guerra<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antonio Cicero \u00e9 compositor, poeta, fil\u00f3sofo, cr\u00edtico, mas ainda \u00e9 conhecido por muitos como o \u201cirm\u00e3o da Marina Lima\u201d. Arthur Nogueira \u00e9 um cantor e compositor vindo direto do Par\u00e1. Com 28 anos, Arthur j\u00e1 transita entre os de sua gera\u00e7\u00e3o e as anteriores buscando sempre o presente, temporalidade que d\u00e1 nome a sua homenagem aos 70 anos de Antonio, celebrados em 2015. Lan\u00e7ado pela gravadora Joia Moderna, sob a batuta do multifacetado DJ Z\u00e9 Pedro, \u201cPresente (Antonio Cicero 70)\u201d \u00e9 um passeio pelas parcerias de Antonio com gente como Adriana Calcanhotto, Frejat, Waly Salom\u00e3o, Lulu Santos e o pr\u00f3prio Arthur, tudo isso sobre a produ\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica e obtusa de Arthur Kunz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Amigo \u00edntimo de Cicero, Nogueira d\u00e1 luz de forma clara e direta \u00e0 perspectiva homoer\u00f3tica da poesia de Antonio Cicero, muitas vezes ignorada pelo p\u00fablico. Sobre esse olhar, Antonio falou o seguinte ao Mix Brasil, em 2002: \u201cO que ocorre \u00e9 simplesmente que n\u00e3o sou cantor nem m\u00fasico, de modo que as minhas letras s\u00e3o musicadas e cantadas geralmente por minha irm\u00e3, Marina. Assim, as letras que eu fizesse para um rapaz, que, se tivessem sido publicadas num livro, teriam sido lidas como homoer\u00f3ticas, podiam, na voz da Marina, ser ouvidas como heteroer\u00f3ticas. Por outro lado, se eu fizesse uma letra para um amor homoer\u00f3tico da Marina, ela podia ser ouvida como um poema heteroer\u00f3tico meu. Mas nada disso foi ruim, pois as leituras homoer\u00f3ticas tamb\u00e9m eram poss\u00edveis e, dada a postura da Marina, at\u00e9 estimuladas.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso de \u201cPresente\u201d, Arthur deixou de lado as can\u00e7\u00f5es de Cicero ao lado de Marina, uma escolha proposital da gravadora, visto que h\u00e1 alguns anos a Joia Moderna lan\u00e7ou \u201cLiteralmente Loucas &#8211; As Can\u00e7\u00f5es de Marina Lima\u201d, que abarcava muitas dessas parcerias. No disco atual, a figura feminina que mais transparece \u00e9 Adriana Calcanhotto, que j\u00e1 havia gravado as can\u00e7\u00f5es \u201cAsas\u201d, \u201cBagatelas\u201d, \u201cInverno\u201d, \u201c\u00c1gua Perrier\u201d e \u201cNoite\u201d, faixas que fizeram parte da forma\u00e7\u00e3o musical de Arthur e que aqui retornam em vers\u00f5es bem distintas das de Calcanhotto. \u201cInverno\u201d, por exemplo, ganha um timbre quase abafado, que aumenta a melancolia de quem sente um \u201cinverno glacial no Leblon\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cOnda\u201d \u00e9 um dos primeiros poemas de Cicero que foi musicado por Nogueira e \u00e9 nessa faixa que o car\u00e1ter homoer\u00f3tico de sua obra ganha contornos delicados e sedutores, em versos que rimam \u201cpicol\u00e9 de manga\u201d com \u201cbeijo de l\u00edngua\u201d, ecoando o espectro sexual do Rio, aqui apropriado pelos gays (vale lembrar que o Rio \u00e9 o destino preferido dos gays do mundo). Nessa mesma linha, \u201cO \u00daltimo Rom\u00e2ntico\u201d, hit pop dos anos 80, ganhou um clipe dirigido por Ava Rocha, que apresenta a Lapa, suas vielas e ainda homenageia o cl\u00e1ssico beijo de Yon\u00e1 Magalh\u00e3es e Othon Bastos em \u201cDeus e o Diabo na Terra do Sol\u201d (1964), numa vers\u00e3o, obviamente, homossexual.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"750\" height=\"422\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4pgDU1HV8Wk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra faixa que merece destaque \u00e9 \u201cAntigo Ver\u00e3o (Embarque para Citera)\u201d, que foi musicada por Arthur sobre um poema de Antonio e lan\u00e7ada em seu primeiro EP, l\u00e1 em 2013; aqui ela ganha uma produ\u00e7\u00e3o mais pop, que ecoa os anos 80 no Rio, com suas festas e loucuras, em versos que remetem aquelas representa\u00e7\u00f5es de \u201cRio Babil\u00f4nia\u201d (1982) ou outros filmes daquilo que poder\u00edamos chamar de cinema brock, como \u201cMenino do Rio\u201d (1982) e \u201cBete Balan\u00e7o\u201d (1984).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No todo, \u201cPresente (Antonio Cicero 70)\u201d \u00e9 um disco ousado, que consegue transformar can\u00e7\u00f5es j\u00e1 conhecidas e traz leituras novas, conectadas ao nosso tempo. Com sua roupagem moderna, Arthur Kunz \u00e9 t\u00e3o respons\u00e1vel quanto Arthur Nogueira por esse deleite que \u00e9 esta obra homenagem, j\u00e1 que eles em nenhum momento buscam ser subservientes ao trabalho de Cicero e muito menos \u00e0s vers\u00f5es anteriores das faixas. Um disco que apresenta Antonio Cicero de forma ampla, como poeta, fil\u00f3sofo, libert\u00e1rio. \u201cPresente\u201d consegue, assim, ser uma obra para iniciados e iniciantes.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"750\" height=\"422\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_dYwvEAWTFI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para que voc\u00ea se aventure de vez pelo disco, vale muito a pena ler o relato de Arthur Nogueira, explicando sua rela\u00e7\u00e3o com Cicero e a import\u00e2ncia desse trabalho para ambos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>No dia em que fui mais feliz, eu descobri a poesia de Antonio Cicero. A primeira vez que nos encontramos foi em Bel\u00e9m. Aos 16 anos, pedi a ele que autografasse meu livro de poemas. O poeta contou hist\u00f3rias e riu bastante, como sempre faz. Algum tempo depois, compus uma can\u00e7\u00e3o sobre um de seus poemas, &#8220;Onda&#8221;, e a m\u00fasica nos uniu. De l\u00e1 para c\u00e1, apresentamos espet\u00e1culos em parceria, organizei um livro com suas entrevistas e criamos can\u00e7\u00f5es novas, como &#8220;Sem Medo Nem Esperan\u00e7a&#8221;, para Gal Costa. A verdade \u00e9 que minha vida seria completamente diferente se Antonio Cicero n\u00e3o estivesse presente. \u00c9 o poeta que me ensina a ler poesia, o pensador a quem recorro nas d\u00favidas hiperb\u00f3licas, o amigo generoso, que me cativa a &#8220;amar o doce, o justo, o belo e o saber&#8221;. N\u00e3o foi sobre Homero, Kant ou as vanguardas, a maior li\u00e7\u00e3o que Cicero me deu est\u00e1, por exemplo, em &#8220;\u00c1gua Perrier&#8221;: &#8220;acho gra\u00e7a at\u00e9 mesmo em clich\u00eas.&#8221; Apoiado em um ineg\u00e1vel e raro rigor intelectual, ele \u00e9 mestre em celebrar a liberdade e o prazer. Com amor, eis aqui o meu presente, eterno agora. Este n\u00e3o \u00e9 um \u00e1lbum de anivers\u00e1rio. Tampouco \u00e9 sobre o passado ou sobre o futuro. Ele chega para celebrar um presente de muito trabalho e boas not\u00edcias. Desejo, meu poeta e amigo, como nas palavras de Thomas Mann, que a vida a partir dos 70 anos propicie &#8220;a vantagem de sentir a cada instante a tranquila certeza de sua maestria&#8221;.<\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"750\" height=\"422\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-Agd-6UK0F0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\">Renan Guerra<\/a> \u00e9 jornalista e colabora com o sites <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/YouMeDancin\" target=\"_blank\">You! Me! Dancing!<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.bateafita.com.br\/\" target=\"_blank\">Bate a Fita<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Amigo \u00edntimo de Cicero, Nogueira d\u00e1 luz de forma clara e direta \u00e0 perspectiva homoer\u00f3tica da poesia de Antonio Cicero, muitas vezes ignorada pelo p\u00fablico\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/09\/12\/musica-antonio-cicero-arthur-nogueira\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":3,"featured_media":40318,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1225,1226],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40261"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40261"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40261\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":40286,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40261\/revisions\/40286"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/40318"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40261"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40261"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40261"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}