{"id":40242,"date":"2016-09-11T11:23:47","date_gmt":"2016-09-11T14:23:47","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=40242"},"modified":"2016-10-31T10:08:13","modified_gmt":"2016-10-31T12:08:13","slug":"entrevista-rodrigo-gerace","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/09\/11\/entrevista-rodrigo-gerace\/","title":{"rendered":"Entrevista: Rodrigo Gerace"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\">Renan Guerra<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cinema sempre reverberou os desejos e os pudores do p\u00fablico, desde o beijo de Deborah Keer e Burt Lancaster em \u201cA Um Passo da Eternidade\u201d (1953) at\u00e9 o falat\u00f3rio gerado em torno de \u201cGarganta Profunda\u201d (1972). O pesquisador, curador, cr\u00edtico e professor de cinema Rodrigo Gerace se debru\u00e7ou sobre a hist\u00f3ria do cinema e suas intersec\u00e7\u00f5es sexuais (e pornogr\u00e1ficas) num trabalho que se tornou o livro \u201cCinema Expl\u00edcito\u201d (2016), lan\u00e7ado pela Editora Perspectiva e Edi\u00e7\u00f5es SESC-SP.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Formado em Sociologia, Gerace escreveu a disserta\u00e7\u00e3o \u201cO Cinema de Lars von Trier: Dogmatismo e Subvers\u00e3o\u201d, em seu mestrado na UFMG, dando um pontap\u00e9 para sua pesquisa seguinte, na tese de doutorado, que se transformou no livro rec\u00e9m-lan\u00e7ado. \u201cCinema Expl\u00edcito\u201d chega ao p\u00fablico num momento em que se acirram dois polos sociais muito fortes: uma libera\u00e7\u00e3o sexual cada vez mais forte (que havia sido freada no p\u00f3s-AIDS) e um conservadorismo cada vez mais tacanho, que busca censurar e cercear liberdades pol\u00edticas e art\u00edsticas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na conversa abaixo, Rodrigo conta um pouco sobre a produ\u00e7\u00e3o do livro e, mais que isso, versa um pouco sobre essas dicotomias da atualidade, provando assim a necessidade de repensarmos o sexo e as representa\u00e7\u00f5es no cinema e na arte. Confira abaixo!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/rodrigo_gerace.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"495\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Cinema Expl\u00edcito&#8221; surgiu de sua tese de doutorado, por\u00e9m em qual momento voc\u00ea teve o &#8216;estalo&#8217; de que esse era seu tema de estudo? E dentro da academia, ou mesmo na hora de publicar, voc\u00ea sentiu certo receio\/rep\u00fadio com o tema?<\/strong><br \/>\nO livro \u00e9 uma adapta\u00e7\u00e3o ensa\u00edstica de minha tese de Doutorado, conclu\u00edda em 2011. Foi no meio do Mestrado, quando pesquisava os temas da castidade e transgress\u00e3o no cinema de Lars von Trier, que tive a percep\u00e7\u00e3o do sexo expl\u00edcito em narrativas do cinema independente. Desde os anos de 1990, dezenas de filmes trouxeram a abordagem expl\u00edcita para falar de quest\u00f5es de g\u00eanero, pol\u00edtica, afeto e melancolia. E, antes disso, desde as vanguardas dos anos 20-30, muitos filmes j\u00e1 refletiam sobre o \u201cexpl\u00edcito\u201d do sexo. Nunca senti receio em pesquisar ou publicar. Acho fundamental trazer \u00e0 tona, de modo transparente, um estudo vertical sobre a hist\u00f3ria sexual do cinema, ainda mais em tempo sombrios como o atual em que h\u00e1 um esfor\u00e7o pol\u00edtico conservador de evangeliza\u00e7\u00e3o do desejo. Este novo fascismo, adiantado por Pasolini em \u201cSal\u00f3\u201d (1976), se manifesta por meio do Estado, da fam\u00edlia e da Igreja, que procuram alienar o desejo com normatiza\u00e7\u00f5es servis a estas institui\u00e7\u00f5es. E o desejo sexual \u00e9 experimental, flu\u00eddo, n\u00e3o normativo. Por isso gosto muito da pol\u00edtica dos corpos-falantes, em sua autonomia sempre processual do desejo, imerso na contrassexualidade da qual fala Paul B. Preciado. Nesta perspectiva \u00e9 que precisamos de uma queeriza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es e seus bin\u00f4mios (masculino\/feminino; homossexual\/heterossexual, etc). Pois h\u00e1 em torno da ideia de sexo e sexualidade, como estudou Foucault, uma constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica que se atualiza no campo da regulamenta\u00e7\u00e3o do desejo. Uma vez empoderada a milit\u00e2ncia queer do corpo-falante libert\u00e1rio, podemos desconstruir tais no\u00e7\u00f5es, reinvent\u00e1-las em novas identidades n\u00e3o bin\u00e1rias. Isso tamb\u00e9m vale para a no\u00e7\u00e3o de obscenidade, pornografia e erotismo, que s\u00e3o crit\u00e9rios culturais mut\u00e1veis com o tempo. Se a ideia de pornografia at\u00e9 os anos de 1990 aproximava-se mais da ideia de excita\u00e7\u00e3o, hoje, novas experimenta\u00e7\u00f5es pornogr\u00e1ficas questionam a fun\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da obscenidade diante do status quo. A partir deste olhar, notei que na hist\u00f3ria do cinema sempre houve ades\u00e3o ou subvers\u00e3o dos discursos morais em torno do sexo em diversos per\u00edodos. Percebi que em cada \u00e9poca e sociedade, a abordagem sexual teve diversas manifesta\u00e7\u00f5es, interdi\u00e7\u00f5es, censuras, transgress\u00f5es. Mergulhei no esconderijo da pornografia para verificar como o efeito obsceno ancorou-se diante do status moral das sociedades (lembrando que at\u00e9 1969 era crime fazer e exibir pornografia). Em cada momento, isto ou aquilo foi tido como obsceno, pois obscenidade \u00e9 um crit\u00e9rio cultural, mutante de acordo com as normativas e transgress\u00f5es diante do sexo, do corpo e das sexualidades. Um beijo na boca, por exemplo, j\u00e1 foi tido como pornogr\u00e1fico no cinema mudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O diretor Lars von Trier foi um propulsor de sua pesquisa. Como voc\u00ea acredita que a obra do dinamarqu\u00eas reverbera a nossa rela\u00e7\u00e3o atual com o sexo no cinema?<\/strong><br \/>\nOs filmes de Lars von Trier s\u00e3o a s\u00edntese do discurso sexual na contemporaneidade pois trafegam da moralidade \u00e0 transgress\u00e3o, da castidade \u00e0 profana\u00e7\u00e3o, da satura\u00e7\u00e3o ao julgamento, do soft porn ao hard core, do machismo ao empoderamento \u2013 temas que servem como met\u00e1fora para falar da condi\u00e7\u00e3o existencial humana. O cineasta dinamarqu\u00eas embaralha tudo num universo manique\u00edsta, de algozes e v\u00edtimas, operando uma transgress\u00e3o burguesa, normativa. \u201cNinfoman\u00edaca\u201d (2013) reverbera isso: transgressor s\u00f3 no discurso, pois coloca a abordagem sexual no \u00e2mbito do segredo e da confiss\u00e3o, dotando-o de culpa crist\u00e3. Da\u00ed tudo que se extravasa para al\u00e9m desta l\u00f3gica \u00e9 por sua vez subversivo, mas n\u00e3o uma subvers\u00e3o radical; trata-se de uma transgress\u00e3o gourmet para os moralistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/cinema_explicito3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"515\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Agora, entrando no car\u00e1ter hist\u00f3rico de &#8220;Cinema Expl\u00edcito&#8221;, voc\u00ea fez uma busca quase de garimpo da sexualidade no cinema, voc\u00ea chegou a contabilizar o n\u00famero de filmes que assistiu? Houve aqueles momentos em que voc\u00ea mesmo se sentiu surpreendido ou ruborizado pelo que encontrou no caminho?<\/strong><br \/>\nPesquisei centenas de t\u00edtulos, desde o pr\u00e9-cinema at\u00e9 produ\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas. Vi muito porn\u00f4 produzido no per\u00edodo silencioso, desde 1905 at\u00e9 os anos de 1920, que s\u00e3o bem divertidos e at\u00e9 mais ousados que os atuais. Verifiquei muitas obras de vanguarda, experimentais. Tive boas surpresas ao descobrir porn\u00f4s estilizados de Man Ray, Andy Warhol, anima\u00e7\u00f5es pornogr\u00e1ficas de 1929, porn\u00f4 experimental sadomasoquista de 1922, entre tantas outras maravilhas. Gostei muito de filmes contraculturais dirigidos por mulheres na d\u00e9cada de 1960. Como pesquisei do cinema mudo ao falado, do mainstream ao independente, da vanguarda ao underground, do new queer cinema ao circuito independente, da pornografia tradicional \u00e0s alternativas, vi de tudo um pouco. Ao mesmo tempo em que via um Godard, assistia ao PornTube, Brasileirinhas, etc. Tudo \u00e9 importante. N\u00e3o d\u00e1 pra ter uma vis\u00e3o romantizada do porn\u00f4, s\u00f3 focando um lado. H\u00e1 varia\u00e7\u00f5es enormes, o que existe s\u00e3o pornografias (no plural mesmo), das mais experimentais contempor\u00e2neas (arthouse porn, queer porn, porn\u00f4 feminista, etc) \u00e0s mais caretas e industriais. Sem contar os filmes de fic\u00e7\u00e3o que lan\u00e7aram um olhar porn\u00f4 em narrativas pol\u00edticas com sexo expl\u00edcito. Ao mesmo tempo questiono o porqu\u00ea disso ou aquilo ser taxado como pornogr\u00e1fico ou n\u00e3o-pornogr\u00e1fico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sempre que se fala em sexo no cinema, as pessoas tentam codificar essas representa\u00e7\u00f5es dentro de quesitos como &#8220;er\u00f3tico&#8221; x &#8220;pornogr\u00e1fico&#8221; ou &#8220;art\u00edstico&#8221; x &#8220;vulgar&#8221;. Na hora de construir a sua pesquisa, voc\u00ea passou por in\u00fameras dessas nomenclaturas, agora, que o livro j\u00e1 faz seu caminho pr\u00f3prio, voc\u00ea ainda faz esse tipo de distin\u00e7\u00e3o ou considera isso algo ultrapassado?<\/strong><br \/>\nNa constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da sexualidade sempre houve o esfor\u00e7o, especialmente pelo poder m\u00e9dico-legal-religioso, em categorizar o n\u00e3o-categoriz\u00e1vel: o desejo e sua express\u00e3o nas sexualidades. O cinema tamb\u00e9m aderiu a esta normativa de classifica\u00e7\u00e3o, principalmente ap\u00f3s os anos de 1960, numa tentativa de organizar isso ou aquilo como er\u00f3tico ou pornogr\u00e1fico, soft ou hardcore. Tudo isso s\u00e3o cria\u00e7\u00f5es culturais para engavetar a express\u00e3o do desejo, que \u00e9 livre. Tais polos s\u00e3o falsos, simb\u00f3licos, constru\u00eddos a partir dos crit\u00e9rios de ordena\u00e7\u00e3o e transgress\u00e3o do obsceno nas sociedades e na ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica. Embora etimologicamente distintos, erotismo e pornografia versam sobre a mesma coisa: prazeres e o desejo sexual. Ambos s\u00e3o crit\u00e9rios subjetivos, morais. O esfor\u00e7o em delimitar a configura\u00e7\u00e3o visual do sexo em er\u00f3tica ou pornogr\u00e1fica tamb\u00e9m \u00e9 o desejo de limitar a pluralidade da express\u00e3o sexual, de categoriz\u00e1-la em gavetas normativas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Apesar de toda a libera\u00e7\u00e3o sexual, ainda temos muita caretice no cinema, especialmente no cinema comercial, voc\u00ea percebe que h\u00e1 uma real busca por essa libera\u00e7\u00e3o ou vivemos um momento de retra\u00e7\u00e3o e conservadorismo? Ali\u00e1s, apesar de avan\u00e7armos no cinema, o Brasil ainda v\u00ea debates acalorados sobre a representa\u00e7\u00e3o do sexo na TV (vide a t\u00e3o falada cena de sexo gay da novela &#8220;Liberdade, Liberdade&#8221;, da Rede Globo), mais um ponto de conservadorismo do p\u00fablico.<\/strong><br \/>\nO cinema comercial, bem como a televis\u00e3o brasileira, sempre sublimou o sexo na forma impl\u00edcita. O casal come\u00e7a a transar e a cena \u00e9 cortada para o caf\u00e9 da manh\u00e3. Vivemos avan\u00e7os e retrocessos: por um lado h\u00e1 uma milit\u00e2ncia queer empoderada sobre quest\u00f5es fundamentais de g\u00eanero e identidade sexual, e, por outro, h\u00e1 um conservadorismo medieval que busca castrar direitos humanos b\u00e1sicos. Censurar o sexo \u00e9 o primeiro passo para censurar tudo. O p\u00fablico de modo geral \u00e9 conservador, pois teme ver o sexo como ele \u00e9: expl\u00edcito. As pessoas se incomodam com representa\u00e7\u00f5es expl\u00edcitas porque elas apresentam o sexo fora de uma esfera burguesa da privacidade, da intimidade. Quando isso \u00e9 mostrado de modo transparente em um filme de fic\u00e7\u00e3o, o p\u00fablico entra em desespero numa tentativa de ordenar \u00e0quelas imagens sexuais dentro de um novo contexto n\u00e3o necessariamente pornogr\u00e1fico. O Brasil, ainda que seja um pa\u00eds porn\u00f4, vive, de modo geral, um p\u00e2nico do orgasmo e dos prazeres expl\u00edcitos, reiterando tabus, machismo e homofobia, infelizmente. Mas creio na pot\u00eancia do empoderamento que estamos construindo contra tais normativas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/cinema_explicito2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"522\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea percebe as representa\u00e7\u00f5es cinematogr\u00e1ficas como retratos das nossas mudan\u00e7as sociais? Ou, em contrapartida, elas servem como espa\u00e7o de ruptura para essas mudan\u00e7as?<\/strong><br \/>\nA ideia de representa\u00e7\u00e3o \u00e9 cultural, pois se concentra na depend\u00eancia hist\u00f3rica em torno da ideia de arte, realismo, erotismo e pornografia. N\u00e3o d\u00e1 pra afirmar que um filme revela exatamente como uma sociedade se pensa sexualmente, at\u00e9 porque isso limitaria a compreens\u00e3o aliada ao ponto de vista deste ou daquele realizador\/a. E todo filme \u00e9 ideol\u00f3gico em alguma medida. \u00c9 poss\u00edvel termos no\u00e7\u00e3o dos padr\u00f5es discursivos em torno de sexo e sexualidades pelo cinema. Se as pornochanchadas riam tanto de sexo, \u00e9 porque algo social ali reverberava em forma de moralismo. Se a \u201cLolita\u201d (1962) do Kubrick causou calafrios na fam\u00edlia tradicional, \u00e9 porque o tema revelava tabus. Se \u201cLove\u201d (2015) do Gaspar No\u00e9, com sexo expl\u00edcito em 3D, quase foi sess\u00e3o da tarde num cinema alternativo em SP, \u00e9 porque hoje a revela\u00e7\u00e3o de \u201csexo expl\u00edcito com contexto\u201d j\u00e1 est\u00e1 mais domesticada no campo das artes. Se a Fran\u00e7a censura agora \u201cO Anticristo\u201d (2009) e \u201cAzul \u00e9 a Cor Mais Quente\u201d (2013), isso mostra como o pa\u00eds retrocedeu em sua postura libert\u00e1ria. O mesmo vale para o indicativo \u201cavisado\u201d nos tickets de \u201cPraia do Futuro\u201d (2014): o homoerotismo presente no filme revelou a homofobia machista com a qual o Brasil o recebeu. \u00c9 o contexto moral, cultural, que sinaliza poss\u00edveis varia\u00e7\u00f5es de valora\u00e7\u00e3o do obsceno como esc\u00e2ndalo ou transgress\u00e3o. E, o cinema, antenado nisso, pode romper ou aderir aos discursos e conven\u00e7\u00f5es. \u201c\u00c9 o olhar que torna uma obra obscena, e n\u00e3o a obra em si mesma. Dito de outra maneira, tudo gira ao redor daquilo que se v\u00ea (ou se quer ver) e n\u00e3o daquilo que se mostra\u201d, diziam os pesquisadores Ramon Freixas e Joan Bassa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O sexo expl\u00edcito j\u00e1 possui car\u00e1ter de arte em muitos festivais, ao mesmo tempo em que temos uma era de muita pornografia, de &#8216;revenge porn&#8217; e na qual as representa\u00e7\u00f5es gr\u00e1ficas do sexo fazem parte do nosso imagin\u00e1rio b\u00e1sico. Voc\u00ea consegue vislumbrar um futuro para o sexo no cinema? H\u00e1 novos caminhos a serem desbravados dentro dessa seara?<\/strong><br \/>\nExistem v\u00e1rias produ\u00e7\u00f5es que apresentam novas formas de encarar e representar o sexo para al\u00e9m daquelas imagens j\u00e1 legitimadas pelo mainstream. H\u00e1 o porn\u00f4 convencional, mainstream, e h\u00e1 todo um outro universo porn\u00f4 que redimensiona a valora\u00e7\u00e3o de obscenidade para apresentar e questionar crit\u00e9rios, proposi\u00e7\u00f5es. Desde os anos de 1990, ap\u00f3s a onda conservadora que moralizou o cinema, muitos filmes e tend\u00eancias t\u00eam enfrentado o moralismo evangelizador do desejo com uma milit\u00e2ncia pol\u00edtica expl\u00edcita: do New Queer Cinema, que empoderou estere\u00f3tipos considerados inc\u00f4modos, \u00e0s obras do cinema independente, todas apresentaram novas imagens de visibilidade do sexo, g\u00eanero e identidade com prop\u00f3sitos narrativos distintos daqueles comuns ao mainstream. No Brasil, o <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/Deslumbramento\" target=\"_blank\">Coletivo Surto e Deslumbramento<\/a> tem feito um trabalho provocativo interessante; o <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/SSEXBBOXDoc\" target=\"_blank\">SSEXBOXX<\/a> tamb\u00e9m, com curtas e docs queer de empoderamento e discuss\u00e3o sexual, especialmente voltados para a visibilidade trans. H\u00e1 ainda todo um circuito de cineastas independentes que ousam em est\u00e9ticas e abordagens. Acho que hoje em dia os curtas-metragens t\u00eam sido mais interessantes que os longas, pois eles t\u00eam questionado de modo mais enf\u00e1tico a transfobia, o machismo, a hetero e a homonormatividade. Vi esses dias uns curtas\/doc que gostei bastante: \u201c<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=0cik7j-0cVU\" target=\"_blank\">Bichas<\/a>\u201d, de Marlon Parente; \u201c<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=7UMjRpJ9Klg\" target=\"_blank\">Corpo Manifesto<\/a>\u201d, de Carol Ara\u00fajo; \u201c<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=7U3xUZdU3Us\" target=\"_blank\">Leve-me Para Sair<\/a>\u201d, do Coletivo Lumika, entre outros. A post pornografia, aliada \u00e0s tend\u00eancias dos porn studies e do porn\u00f4 feminista, tamb\u00e9m tem apresentado obras que reapropriam os discursos marginais e as sexualidades marginalizadas. O cineasta Bruce LaBruce, que gosto muito, mentor do queercore, produz longas que transgridem tanto a h\u00e9tero como a homonormatividade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/cinema_explicito4.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"970\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\">Renan Guerra<\/a> \u00e9 jornalista e colabora com o sites <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/YouMeDancin\" target=\"_blank\">You! Me! Dancing!<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.bateafita.com.br\/\" target=\"_blank\">Bate a Fita<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O livro &#8220;Cinema Expl\u00edcito\u201d chega ao p\u00fablico num momento em que se acirram dois polos sociais muito fortes: uma libera\u00e7\u00e3o sexual cada vez mais forte ) e um conservadorismo cada vez mais tacanho.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/09\/11\/entrevista-rodrigo-gerace\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":3,"featured_media":40243,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4,9],"tags":[1223],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40242"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40242"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40242\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":40246,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40242\/revisions\/40246"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/40243"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40242"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40242"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40242"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}