{"id":39728,"date":"2016-09-01T01:29:08","date_gmt":"2016-09-01T04:29:08","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=39728"},"modified":"2016-10-19T16:59:18","modified_gmt":"2016-10-19T18:59:18","slug":"tres-perguntas-teto-preto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/09\/01\/tres-perguntas-teto-preto\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas perguntas: Teto Preto"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\">Renan Guerra<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">M\u00fasica eletr\u00f4nica sempre foi um terreno de outsiders na m\u00fasica nacional. Deep house, techno, trance e todos os subg\u00eaneros quase nunca se misturaram com samba, MPB e outras coisitas desse tipo. Tamb\u00e9m pouca gente se aventurou nessas misturas: DJ Z\u00e9 Pedro nos anos 90\/2000, o pessoal do Drum \u2018n\u2019 Bossa na virada do mil\u00eanio e, por estes tempos, o Boss In Drama soltou um remixes de gente como Beth\u00e2nia e Elis Regina. Por\u00e9m, diferente disso tudo, a Teto Preto, em defini\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria \u201clive jam eletr\u00f4nico-org\u00e2nica\u201d, visa ir bem al\u00e9m do mero \u201cmisturar de g\u00eaneros\u201d: eles buscam essa procria\u00e7\u00e3o de novos campos, experimenta\u00e7\u00f5es l\u00fadicas entre eletronicidades e brasilidades no que a banda define como \u201cgatilho de escurecer a vis\u00e3o \/ estado f\u00edsico que precede o desmaio\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para al\u00e9m das defini\u00e7\u00f5es po\u00e9ticas, Teto Preto e? a jam residente da Mamba Negra, festa de m\u00fasica eletr\u00f4nica que h\u00e1 tr\u00eas anos ferve por S\u00e3o Paulo e \u00e9 organizada por Carol Schutzer (aka Cashu) e Laura Diaz (aka Carneosso), esta \u00faltima a dona da voz e das composi\u00e7\u00f5es do Teto Preto. Dando seguimento aos projetos da Mamba, as meninas lan\u00e7aram em 2016 a <a href=\"https:\/\/mambarec.bandcamp.com\/releases\" target=\"_blank\">MambaRec<\/a>, gravadora que visa dar vaz\u00e3o \u00e0s experimenta\u00e7\u00f5es ensaiadas nas noites de S\u00e3o Paulo, tendo como ide\u00e1rio a expans\u00e3o dessa experi\u00eancia coletiva para al\u00e9m do espa\u00e7o da festa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/mamba.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ideia \u00e9 que a MambaRec lance outros projetos ainda este ano. Segundo Laura, \u201co selo re\u00fane produtores importantes para a nossa hist\u00f3ria e que tamb\u00e9m tem conseguido dialogar com v\u00e1rios espa\u00e7os e festas no pa\u00eds como: Benjamin Sallum, Save the Cosmos, Carrot Green e outros projetos que a galera viu na Mamba. Ainda para esse ano, o MN02 traz Alexandre Silveira, conhecido por EXZ_, mas preferimos deixar as novidades para o futuro\u201d. De qualquer forma, esses lan\u00e7amentos concretizam-se agora, ap\u00f3s um ano de esfor\u00e7o das meninas para a capta\u00e7\u00e3o de recursos e produ\u00e7\u00e3o desses lan\u00e7amentos. No caso do Teto Preto, a grava\u00e7\u00e3o de seu primeiro EP, \u201cGasolina\u201d, aconteceu em novembro de 2015, nos est\u00fadios da Red Bull, em S\u00e3o Paulo. O lan\u00e7amento traz a faixa-t\u00edtulo original e uma releitura de Itamar Assump\u00e7\u00e3o (que, em sua sanha concretista, parece ter sido feita especialmente para os loops eletr\u00f4nicos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atualmente, a Teto Preto se apresenta com a formac?a?o base de L_cio (drummachines), Zopelar (synths), Carneosso (voz \/ composic?a?o) e Bica (percussa?o \/ trombone), tendo recebido m\u00fasicos convidados como: Filipe Massumi (violoncelo), Carrot Green (contrabaixo), e Gaivota Naves (voz) em performances ao vivo. No bate papo abaixo, Laura, isto \u00e9, a Carneosso, sobre o processo de produ\u00e7\u00e3o e lan\u00e7amento da banda. Confira!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"750\" height=\"422\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/k0XzDN-Gv3A?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Teto Preto surgiu a partir da festa Mamba Negra e agora como o primeiro lan\u00e7amento da Mamba Rec, ent\u00e3o voc\u00ea acredita que ela \u00e9 um filho natural desses encontros?<\/strong><br \/>\nA Mamba nasce em maio de 2013. A nossa hist\u00f3ria come\u00e7a desde 2009, pelo menos, num momento de efervesc\u00eancia cultural e politica no centro de S\u00e3o Paulo. A m\u00fasica eletr\u00f4nica ganha forc?a na cena underground fora do clube e no?s nos conhecemos trabalhando para criar esse contexto de festas de rua, em locac?o?es degradadas, festivais autogeridos, ocupac?o?es estudantis, art\u00edsticas e de moradia. Nos reunimos para explorar uma vertente marginal ao hedonismo tropical, algo mais denso, debochado, \u00e1cido e envolvente. Em 2014, nos aproximamos dos meninos do Gaturamo. A Laura (Carneosso) j\u00e1 conhecia o Bica de outras bandas. Em novembro daquele ano fizemos a Mamba na Boca, chamamos o L_cio e fiz o convite de cantar uns improvisos no set dele. Como quem n\u00e3o quer nada, chamei o Bica tamb\u00e9m para ganhar umas cervejas e levar as congas, cu\u00edca e trombone para nos apertarmos no L&#8217;Amour \u00e0s 5 da manh\u00e3 e fazermos essa jam session. Um m\u00eas depois o Zop colou junto e j\u00e1 \u00e9ramos o Teto Preto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas, tanto no Teto Preto, quanto nos outros projetos nascidos da Mamba Negra, trabalham com toda uma est\u00e9tica estilizada, com grafias e fontes distintas, bem como uma produ\u00e7\u00e3o visual cuidadosa. A for\u00e7a est\u00e9tica do grupo \u00e9 uma base fundamental para voc\u00eas? Quais s\u00e3o as principais refer\u00eancias que movem voc\u00eas nesse sentido?<\/strong><br \/>\nA comunica\u00e7\u00e3o visual da festa \u00e9 essencial para expressar nosso conte\u00fado art\u00edstico. Esse universo foi constru\u00eddo com o Est\u00fadio Margem (Alexandre Lindenberg e Nath\u00e1lia Cury), respons\u00e1vel pela identidade e arte da Mamba. A identidade da MambaRec, por sua vez, \u00e9 assinada pelo Margem em parceria com Ilana Tschiptchin. O nosso ponto de partida s\u00e3o as restri\u00e7\u00f5es: debochamos das dificuldades pol\u00edticas, burocr\u00e1ticas e legalistas que enfrentamos para criar a cena e produzir. A partir disso, antropofagizamos o inimigo, devolvemos seu g\u00eameo negro, \u00e1cido, viral. A falta de recursos \u00e9 recurso est\u00e9tico: uma produ\u00e7\u00e3o r\u00e1pida, com imagens em baixa qualidade, reticuladas, em alto contraste, impress\u00e3o em uma cor s\u00f3, em papel fino para ser lambido pela cidade. Os glitchs e a helv\u00e9tica &#8220;violentada&#8221; s\u00e3o nossa s\u00edntese de dislexia. O conte\u00fado \u00e9 cifrado, contra a representa\u00e7\u00e3o: pela cria\u00e7\u00e3o de est\u00edmulos e provoca\u00e7\u00f5es visuais em estado de obra aberta. Grande parte do imagin\u00e1rio desse universo \u00e9 transposto tamb\u00e9m ao trabalho de luz e ambi\u00eancia com o LABLuxz_ (Paulinho Fluxus e Diogo Terra). Com a MambaRec agora ganhamos uma nova plataforma de express\u00e3o de conte\u00fado atrav\u00e9s dos vinis, m\u00fasicas online e videoclipes que conseguem reunir e disseminar o trabalho de todos esses parceiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Muitas vezes j\u00e1 se ouviu dizer que a l\u00edngua portuguesa n\u00e3o &#8220;casa&#8221; com a m\u00fasica eletr\u00f4nica, por\u00e9m o rol\u00ea de voc\u00eas \u00e9 claramente romper com isso, inclusive trazendo uma releitura do Itamar Assump\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea percebe que essa ruptura \u00e9 importante para que a cena eletr\u00f4nica se conecte mais com manifesta\u00e7\u00f5es nacionais que super se engendram nessa onda?<\/strong><br \/>\nItamar Assump\u00e7\u00e3o \u00e9 uma grande influ\u00eancia direta e indireta. Conheci Denise, atriz e cantora, no Teatro Oficina, ano passado. Ela \u00e9 uma grande inspira\u00e7\u00e3o e foi figura crucial no nosso contato com a fam\u00edlia do Nego Dito. O que o Teto faz \u00e9 importante por ser brazyleiro, sem ser caricato. N\u00e3o estamos fazendo nada de vanguardista e nem temos essa pretens\u00e3o. Ainda lavramos a can\u00e7\u00e3o, que se desdobra em catarse, mantra, improviso e colagem. Temos influ\u00eancias do eletr\u00f4nico, deep, house, techno, eletro como tamb\u00e9m do jazz, krautrock, maracatu, samba, Tropic\u00e1lia, Poesia Concreta e Cinema Novo. Estamos encarando, sem a soberba da grande MPB, os synths e m\u00e1quinas como nossos instrumentos, lembrando que muitos outros antes de n\u00f3s j\u00e1 iniciaram essa guerrilha h\u00e1 d\u00e9cadas. A direita reacion\u00e1ria tem suas datas comemorativas e feriados fantasmag\u00f3ricos. N\u00f3s temos nossos rytos e espa\u00e7os de luta, ainda que simb\u00f3lica, por liberdade. \u00c9 o eletr\u00f4nico antropofagisado e devolvido a pista como ritual coletivo perform\u00e1tico.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"750\" height=\"422\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/6RHLDl0h8g4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\">Renan Guerra<\/a> \u00e9 jornalista e colabora com o sites <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/YouMeDancin\" target=\"_blank\">You! Me! Dancing!<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.bateafita.com.br\/\" target=\"_blank\">Bate a Fita<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em defini\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, a Teto Preto \u00e9 uma \u201clive jam eletr\u00f4nico-org\u00e2nica\u201d que visa ir bem al\u00e9m do mero \u201cmisturar de g\u00eaneros\u201d. Conhe\u00e7a o trabalho! \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/09\/01\/tres-perguntas-teto-preto\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":3,"featured_media":39729,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[979,978,977],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39728"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39728"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39728\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39731,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39728\/revisions\/39731"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/39729"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39728"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39728"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39728"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}