{"id":39361,"date":"2016-08-24T12:07:30","date_gmt":"2016-08-24T15:07:30","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=39361"},"modified":"2016-09-25T14:05:59","modified_gmt":"2016-09-25T17:05:59","slug":"entrevista-rapha-moraes-e-the-mentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/08\/24\/entrevista-rapha-moraes-e-the-mentes\/","title":{"rendered":"Entrevista: Rapha Moraes e The Mentes"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <\/strong><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/marcosxi\" target=\"_blank\"><strong>Mar<\/strong><strong>cos<\/strong><strong> Xi<\/strong><\/a><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A rela\u00e7\u00e3o de um assessor com seu artista \u00e9 bem mais detalhada do que simplesmente ficar tentando emplacar uma not\u00edcia nos ve\u00edculos de impressa por ai. \u00c9 necess\u00e1rio entender muito bem o seu produto, criar alguma proximidade e confian\u00e7a com o cliente, verificar p\u00fablico alvo, conte\u00fados dispon\u00edveis, detalhes para acertar, para ent\u00e3o partir para uma estrat\u00e9gia de lan\u00e7amento do material. O que voc\u00eas v\u00e3o ler abaixo n\u00e3o \u00e9 uma simples entrevista. \u00c9, na verdade, um apanhado de todas essas conversas que vou tendo com um desses clientes, Rapha Moraes, durante os \u00faltimos 6 meses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rapha \u00e9 um daqueles inesperados seres que surpreendem. Ele poderia trabalhar com venda de queijos, um dos pontos fortes da sua pequena cidade, S\u00e3o Luiz do Purun\u00e3, no interior do Paran\u00e1, ou levar uma vida pacata, mas decidiu subir em palcos para interpretar personagens em pe\u00e7as musicais, num desafio onde se expressar e ser entendido era o grande pr\u00eamio. Na m\u00fasica fundou e levou por muito tempo o baixo da influente banda curitibana de pop rock Pol\u00e9xia, que geraria m\u00fasicos como Lemoskine e hits para a Banda Mais Bonita da Cidade, al\u00e9m de ter um disco produzido pelo John Ulhoa, do Pato Fu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sequencia veio o Nuvens, um projeto pessoal que misturava sua veia de ator enquanto trabalhava um conceito ainda mais rock. Funcionou at\u00e9 que numa viagem Rapha se descobriu livre e resolveu cantar mais sobre si pr\u00f3prio no disco solo\u201d La Buena Onda\u201d, talvez seu trabalho mais reconhecido e mais leve, baseado em viol\u00f5es e violoncelos e deixando muitos jovens cora\u00e7\u00f5es aquecidos. O caminho de seu primeiro disco solo acabou levando-o para S\u00e3o Paulo, uma cidade que o distanciou de sua origem e o fez repensar seu caminho. A exposi\u00e7\u00e3o e o mercado feroz proporcionado pela cidade o faziam mal e, assim, mudou tudo, de novo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a ben\u00e7\u00e3o de Arnaldo Baptista (Os Mutantes), que sugeriu o nome do novo projeto, Rapha Moraes se juntou aos seus velhos amigos de inf\u00e2ncia para montar a The Mentes, criando assim o velho v\u00ednculo com a cidade e seu interior que tanto lhe faltava. Ao lado de Allan Yokohama, tamb\u00e9m ex-Pol\u00e9xia (e tamb\u00e9m ex-Terminal Guadalupe), teceu cr\u00edticas e poemas sobre o homem preso a sua urg\u00eancia, aos afazeres impostos e a press\u00e3o da sociedade por resultados, transformando tudo num convite a se entregar de volta ao nosso lado primal real e interior \u2013 tal como um \u201cCabe\u00e7a Dinossauro\u201d, mas sem todo o prisma ca\u00f3tico dos Tit\u00e3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em \u201cCora\u00e7\u00f5es de Cavalo\u201d, seu novo disco, Rapha Moraes s\u00f3 quis refletir todas as aus\u00eancias de seus \u00faltimos anos, fazendo de suas m\u00fasicas algo muito mais do que simplesmente aquecer cora\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m aconselhar e lembrar aos que o ouvem que s\u00e3o livres para viverem a pr\u00f3pria vida. O \u00e1lbum aponta o que enxerga como erro, mostra solu\u00e7\u00e3o e se auto exemplifica como um resultado positivo. O otimismo sempre foi um destaque em tudo o que Rapha faz. Talvez por isso sua m\u00fasica soe como esperan\u00e7a e n\u00e3o cr\u00edtica social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por essas e outras, achei muito interessante separar este conte\u00fado como uma reportagem, pois \u00e9 justamente a forma mais pura e interior que o cantor consegue explicar o interior de seu material. H\u00e1 informa\u00e7\u00f5es aqui que nenhuma entrevista de divulga\u00e7\u00e3o conseguiu tirar at\u00e9 agora, momentos interior e boas lembran\u00e7as de papos entre dois amigos conversando. Claro que muita coisa pessoal foi tirada ou editada, focando apenas no conte\u00fado pensado para o disco. O artista tamb\u00e9m aprovou antes a escolha das perguntas e suas respostas, afinal, ainda \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a entre um assessor e seu cliente. Adentre esse universo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"752\" height=\"440\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Kn-l5LTVIuQ\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Kn-l5LTVIuQ\" width=\"752\" height=\"440\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>21\/2\/2016 \u2013 22:54<\/em> <em>Primeiro papo. Rapha tinha me convidado para trabalhar o disco e eu pedi para ouvir o material primeiro. A primeira mix era extremamente suja, ruidosa e bagun\u00e7ada. Senti o impacto de conhecer um artista doce jogar tudo para o alto e virar seu som para algo mais cru. Estranhei, duvidei, questionei. Tentei entender do que se tratava.<\/em> <strong>Quem voc\u00ea foca como p\u00fablico para este disco?<\/strong> Acho que seria mais interessante voc\u00ea me dizer, pelo que voc\u00ea est\u00e1 ouvindo, que p\u00fablico voc\u00ea acha que pode se interessar pelo disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu n\u00e3o sei. Esse \u00e9 o ponto. Por isso estou pedindo a sua ajuda. Estou buscando entender melhor, porque para trabalhar num disco eu preciso entender ele, para quem e como devo trabalhar.<\/strong> Sim, claro. Bom, eu o acho um disco experimental e um disco roqueiro. \u00c9 o que sinto. Do pouco que senti do contato dele com o mundo percebi pessoas reagindo com ele e relacionando a Mutantes, rock setentista, algo mais maluco, e justamente, menos \u00f3bvio. Independente de isso ser bom ou ruim, mas \u00e9 o que sinto. Isso do que eu percebi dos feedbacks. Essa galera tem curtido bastante o disco. Acho que tem uma sintonia com esse p\u00fablico que esta mais aberto para ouvir sons diferentes e menos \u201cbonitos\u201d, mas em rela\u00e7\u00e3o a segmentos espec\u00edficos que t\u00e3o rolando, n\u00e3o vejo ele dentro 100% de nenhum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Acho que o maior problema sou eu e seus f\u00e3s j\u00e1 termos te desenhado 100% num nicho espec\u00edfico.<\/strong> Tenho certeza disso. Apesar de me sentir incomodado com isso, estou feliz por tamb\u00e9m n\u00e3o me importar tanto, porque estou bem desprendido do que podem achar, de quem j\u00e1 me desenhou 100% e se fechou a ideia pelo La Buena Onda (mesmo eu j\u00e1 tendo muitos outras bandas diferentes antes). Venho nesse processo que culminou no disco faz dois anos j\u00e1. Ent\u00e3o sei o que me levou a ele e sei que vai ser uma ruptura gigante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parece que voc\u00ea est\u00e1 sacando ainda ao todo o pr\u00f3prio disco que criou.<\/strong> Realmente, acho que pode ser que eu ache que entendo o som que criei e daqui um tempo perceba realmente que n\u00e3o foi ao todo mesmo. Estou muito dentro pra olhar 100% de fora. Eu mais sinto ele do que racionalizo. Foi um disco passional\u2026 sem objetivos pr\u00e9-formatados. Bom ou ruim, f\u00e1cil ou dif\u00edcil, ele \u00e9 um disco \u00fanico. N\u00e3o \u00e9 reprodu\u00e7\u00e3o de caminhos e nem continuidade. Independente do que vai rolar com ele, se algu\u00e9m vai entender ele ou n\u00e3o, ele \u00e9 \u00fanico e tem esse desprendimento com \u201cas regras\u201d do mercado. Ele \u00e9 m\u00fasica feita quase artesanalmente por mim e pelo Allan. Num processo criativo que buscou a desconstru\u00e7\u00e3o da gente mesmo durante o processo, al\u00e9m da liberdade pra fazer o que nos emocionasse na hora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual \u00e9 o tema recorrente no disco?<\/strong> Bom, o nome do disco \u00e9 \u201cCora\u00e7\u00e3o de Cavalo\u201d. O tempo todo ele fala, por um caminho ou outro, da luta do homem com sua pr\u00f3pria natureza mais selvagem, por isso a capa \u00e9 um homem e um cavalo, como numa luta. \u00c9 um grito de desencontro da pr\u00f3pria natureza. Ele surgiu assim: quando eu estava morando em S\u00e3o Paulo fui me distanciando de mim e uma hora n\u00e3o aguentei mais. Me vi querendo me adaptar ao mundo, ao esquema, e me vi distante da minha natureza. Vim morar numa ch\u00e1cara perto de Curitiba, vivendo em contato direto com o mato, mais distante do grande centro. Metade do disco foi composto em SP e o disco foi feito aqui na ch\u00e1cara. Por isso disse que a proposta do \u00e1lbum foi justamente mais do que o resultado. O processo dele, o tes\u00e3o de fazer, a desconex\u00e3o com a m\u00e1quina\u2026 Tem muitos cavalos aqui por perto e desde Sampa j\u00e1 tinha me vindo esse nome do disco. Quando vim morar aqui a conex\u00e3o com esse animal foi gigante. Muitas vezes eu e o japa (Allan) est\u00e1vamos gravando ou pre produzindo e saiamos andando no mato e encontr\u00e1vamos os cavalos por ex. Foi uma met\u00e1fora recorrente pra esse disco r\u00fastico, eu diria. Ent\u00e3o, quando fui para Sampa, vendi meu carro pra me bancar um tempo. Era pra eu ter ficado mais um ano pelo menos, mas quase desisti da m\u00fasica. J\u00e1 n\u00e3o tinha mais tes\u00e3o. Voltei pra c\u00e1 e fiquei bastante tempo isolad\u00e3o, sem carro\u2026 \u00c9 longe da cidade. S\u00f3 quando o japa vinha ou a fam\u00edlia, \u00e0s vezes. Depois que fui voltando paro mundo aos poucos. Agora j\u00e1 sou curitibano novamente, praticamente (risos). Lembro de ter pregado o ultimo quadro na parede do ap que tinha alugado e depois de tudo que tinha rolado em S\u00e3o Paulo e falei \u201cputz! N\u00e3o \u00e9 o que eu quero.\u201d Ai larguei tudo e voltei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que rolou em Sampa, cara?<\/strong> Ah, rolaram coisas legais. Mais pessoas surgiram pra curtir o som, galera legal. Rolou o pr\u00eamio Saraiva em que o disco ficou entre os tr\u00eas premiados no Brasil, rolaram coisas bacanas. Mas putz! Eu comecei, por mais que seja um trabalho, comecei a tocar na vida por amor, tes\u00e3o mesmo. Passou a virar n\u00f3ia! Achei tudo muito n\u00f3ia. Uma busca muito grande para o som rolar. N\u00e3o s\u00f3 minha, mas em geral mesmo. E a\u00ed entra num processo mecanicista e o prazer some. \u00c9 foda ganhar dinheiro com m\u00fasica, e como pra sobreviver precisa de dinheiro e SP \u00e9 cara, \u00e9 f\u00e1cil ver a galera se batendo um monte pra conseguir um caminho. Resolvi vir pra c\u00e1 diminuir o custo de vida absurdamente e fazer o som que estava a fim, no ritmo do som e n\u00e3o do mercado. Enfim, \u00e9 um lance muito pessoal. O \u201cCora\u00e7\u00f5es de Cavalo\u201d surgiu disso. Por mais que a gente precise entrar no esquema do mund\u00e3o e se adaptar, tem uma natureza selvagem, um cora\u00e7\u00e3o de cavalo que nem sempre t\u00e1 a fim de ser domado. A ideia \u00e9 essa. Fazer o disco foi do caralho! Inesquec\u00edvel. Parecia que eu e o japa t\u00ednhamos 15 anos novamente. J\u00e1 valeu a pena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu fiquei meio mal depois que me mudei para Salvador. Foi uma escolha p\u00e9ssima em quest\u00e3o de vivencia. Basicamente deixei de ser m\u00fasico, perdi meus amigos e s\u00f3 trabalho aqui. Me sinto sufocado\u2026<\/strong> \u00c9 foda. Em Sampa senti isso mesmo tocando bastante porque tudo parecia muito \u201cbusiness\u201d, at\u00e9 no alternativo. Por isso minha primeira atitude quando voltei foi ligar pra um grande amigo das antigas pra fazer o disco comigo. Queria estar perto dos amigos e fazer som como quando eu tinha 13 anos e tocava na garagem. Foi incr\u00edvel ter ido pra Sampa, se n\u00e3o nem tinha mudado nada e n\u00e3o teria rolado esse movimento. Em rela\u00e7\u00e3o ao disco, voc\u00ea j\u00e1 percebeu ouvindo ele que n\u00e3o tenho a menor vontade de que ele fa\u00e7a \u201csucesso\u201d nos moldes do \u201cmercado\u201d. Do que j\u00e1 rola por a\u00ed. Mas acredito que tem outros \u201cCora\u00e7\u00f5es de Cavalo\u201d pelo mundo que podem se identificar com um som mais artesanal e r\u00fastico, sujo e espont\u00e2neo. Por isso falei \u00e0quela hora que o que o torna dif\u00edcil, pra mim \u00e9 o que faz dele especial\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Assumir que ele \u00e9 um disco \u2018especial\u2019, que n\u00e3o \u00e9 universal, mas \u00e9 sincero ao cora\u00e7\u00e3o de quem se sente sufocado.<\/strong> \u00c9 isso a\u00ed. At\u00e9 porque o que \u00e9 \u201cuniversal\u201d hoje n\u00e3o me interessa nem um pouco. Fugi disso e putz, n\u00e3o gosto do que t\u00e1 rolando de \u201cuniversal\u201d. Prefiro o meu caminho, mesmo que torto. \u00c9 aquele lance, estou fazendo exatamente o que quero. Se tiver algu\u00e9m que se identifique, animal, vamos juntos. Se n\u00e3o tiver, o processo j\u00e1 foi realizador e emocionante. Tem muita hist\u00f3ria por tr\u00e1s das grava\u00e7\u00f5es que nunca rolariam num est\u00fadio<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"752\" height=\"440\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/t8UDPvpL6aM\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/t8UDPvpL6aM\" width=\"752\" height=\"440\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>24\/5\/2016 \u2013 13:06<\/em> <em>J\u00e1 com o trabalho iniciado e a estrat\u00e9gia desenvolvida, come\u00e7amos a destrinchar conte\u00fado por vez. O primeiro lan\u00e7amento foi o clipe de \u201cNatureza Selvagem\u201d. Decidimos tamb\u00e9m enviar para as m\u00eddias um kit com CD, chaveiro de camisa de for\u00e7a, release em papel especial e um certificado de Dem\u00eancia provocado pela cabe\u00e7a presa na metr\u00f3pole. A a\u00e7\u00e3o rendeu bastante resultado, mas demorou muito para chegar ao conceito.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fala pra mim de \u201cNatureza Selvagem\u201d. Como nasceu? O que voc\u00ea queria passar? Como foi a ideia do clipe?<\/strong> \u201cNatureza Selvagem\u201d fala sobre essa luta do homem com seu lado animal. O homem vive querendo dominar a natureza e transform\u00e1-la em bens consum\u00edveis. Mas ela \u00e9 indom\u00e1vel. E n\u00f3s somos parte dela tamb\u00e9m. Tentamos domar a n\u00f3s mesmos, mas tem em algum lugar dentro da gente, um ser mais selvagem querendo gritar. Fizemos o clipe em S\u00e3o Luiz do Purun\u00e3, regi\u00e3o onde gravamos o disco. Ent\u00e3o foi muito especial viver a energia do lugar que tem uma paisagem dura e crua. Mergulhar no rio, se sujar com a lama e se confundir com o ambiente. E a m\u00fasica e clipe falam sobre isso. Nosso primal. Aquele que adormeceu nos grandes centros urbanos. A dire\u00e7\u00e3o \u00e9 mais uma vez dividida por mim e pelo Fernando Hideki. As imagens s\u00e3o dele e a edi\u00e7\u00e3o minha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Existe alguma liga\u00e7\u00e3o direta do t\u00edtulo com o livro \u201cNa Natureza Selvagem\u201d?<\/strong> Existe inspira\u00e7\u00e3o, mas de vida. O filme e o livro me inspiraram muito j\u00e1. Assim como outros. E na hora de colocar o nome na musica esse nome veio forte e me pareceu soar melhor apenas \u201cNATUREZA SELVAGEM\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E essa hist\u00f3ria do queijo podre do Pato Fu? Como vamos mandar os materiais para a imprensa?<\/strong> S\u00e9rio. Vi um document\u00e1rio, ou algo assim, deles falando sobre isso (<em>nota do editor: o Pato Fu enviava sua primeira demo, a \u201cPato Fu Demo\u201d, junto com um queijo mineiro para as reda\u00e7\u00f5es. Claro, em muitas delas o queijo j\u00e1 chegava deteriorado<\/em>). N\u00e3o \u00e9 s\u00e9rio da gente fazer isso, mas pensar em algo que n\u00e3o seja s\u00f3 o CD. Pensamos em varias ideias toscas, mas nenhuma nos convenceu. Desde o remetente ser \u201cInstituto de THE MENCIA Rapha Moraes\u201d, para o cara j\u00e1 se assustar, at\u00e9 outras coisas mais. Tipo uma ferradura dentro, um saco de sementes ou ervas pra um ch\u00e1, etc. Coisas que tenham a ver com a proposta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>29\/05\/2016 \u2013 21:34<\/em> <em>Na sequencia, um bate papo para entender as expectativas desse recome\u00e7o.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Estou sacando nada de S\u00e3o Paulo, ent\u00e3o nem sei que casa indicar.<\/strong> La \u00e9 bacana, mas acho que o lance \u00e9 fazer na ra\u00e7a, seja como for. Fiz alguns shows meus em lugar desconhecido com um publico relativamente bom em Sampa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea j\u00e1 tem um p\u00fablico fiel seguidor l\u00e1?<\/strong> Constru\u00ed com o \u201cLa Buena Onda\u201d de leve, mas rolou. J\u00e1 estava colocando 100 pessoas num lugar desconhecido s\u00f3 pelo show. \u00c9 uma luta, mas \u00e9 poss\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pensei que a experi\u00eancia em S\u00e3o Paulo tinha sido tensa demais pra voc\u00ea.<\/strong> Foi. Em aspectos interiores, humanos. Com o trabalho foi bem bom, como ser humano foi bem tenso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o voltaria nem fodendo, n\u00e9?<\/strong> Voltaria sim, mas n\u00e3o da forma como foi a primeira vez. Hoje j\u00e1 saberia onde vou pisar. Se for poss\u00edvel n\u00e3o moraria l\u00e1, porque n\u00e3o sei se precisa. Mas se, por um acaso, precisar, por trabalho ou sei l\u00e1, eu moro sim. Mas j\u00e1 vou preparado e criando caminhos pra ficar bem, nem que seja morar num bairro mais tranquilo ou sei l\u00e1 o que. Afinal, foi essa agonia toda que me fez compor o \u201cCora\u00e7\u00f5es de Cavalo\u201d, come\u00e7ar ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu n\u00e3o sei se conseguiria. Acho que entraria em colapso.<\/strong> Sim. L\u00e1 \u00e9 uma loucura. Fiquei praticamente doente. A cada quadra tinha fezes humanas! \u00c9 tipo Sodoma e Gomorra: Dinheiro e gan\u00e2ncia a todo o vapor. Quem tem quer mais. Quem n\u00e3o tem vai l\u00e1 pra ter. \u00c9 dureza conviver e estar bem. Tive sorte de estar perto de pessoas muito boas e conhecer outras assim tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>30\/06\/2016 \u2013 00:37<\/em> <em>Talvez a parte mais tensa do trabalho seja o lan\u00e7amento do v\u00eddeo de \u201cArritmia\u201d, segunda can\u00e7\u00e3o de trabalho do \u00e1lbum. O diretor Fernando Hideki tinha voltado de Nova Iorque cheio de imagens significativas de pessoas com olhar de afeto colocando a m\u00e3o no peito. Era uma alus\u00e3o a doen\u00e7a que vitimou subitamente a irm\u00e3 de Rapha em dezembro de 2015. A faixa, que ele comp\u00f4s para ela, jamais foi cogitada para virar clipe e tudo foi uma surpresa. A grande quest\u00e3o era que Rapha precisava entender e lutar com v\u00e1rias quest\u00f5es internas para deixar isso fluir, como um desabafo.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Est\u00e1 tudo bem, cara?<\/strong> \u00c0s vezes tenho umas quedas aqui com o lance da minha irm\u00e3 e fico meio pra dentro. Me isolo um pouco, mas depois de uns dias eu consigo me reequilibrar novamente. Trabalhar me ajuda muito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cara, se distraia. Voc\u00ea precisa. Se entregar \u00e9 complicado.<\/strong> Verdade, mas faz parte. N\u00e3o tenho muito controle. Quando estou na correria est\u00e1 tudo certo, mas quando paro um pouco ou por algum motivo me ativa as lembran\u00e7as, ai abre a comporta. N\u00e3o tenho muito o que fazer. \u00c9 importante tamb\u00e9m passar por isso. Essas catarses ajudam no processo de \u201ccura\u201d ou \u201centendimento\u201d, pra seguir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>13\/07\/2016 \u2013 23:03<\/em> <strong>E a grava\u00e7\u00e3o, cara?<\/strong> Foi dif\u00edcil, mas rolou. Em breve tenho o clipe. N\u00e3o sei como o mundo vai reagir, mas eu choro mesmo. Foda. Imagens de inf\u00e2ncia, cara. Achei umas VHS da minha fam\u00edlia, eu com minha irm\u00e3. T\u00f4 que t\u00f4 a flor da pele esses dias. Tem um lado muito bonito. Ver a gente crian\u00e7a\u2026 \u00c9 forte, mas bonito. Me trouxe uma alegria tamb\u00e9m, mas mexe fundo de um jeito que n\u00e3o sei nem explicar. Vai ser uma bela homenagem, do jeito que ela merece. Cara\u2026 Foi muito dif\u00edcil pra mim fazer esse material. Agora eu quero que ele chegue a todo mundo e que todo mundo saiba da homenagem e da minha irm\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>20\/7\/2016 \u2013 11:18<\/em> <strong>Coment\u00e1rio do jornalista do site Omelete: \u201cS\u00f3 um coment\u00e1rio, toda vez que assisto o v\u00eddeo eu fico emocionado. Parab\u00e9ns aos artistas e muito sucesso. Um forte abra\u00e7o.\u201d<\/strong> T\u00e1 foda. Postei o v\u00eddeo e desabei. Chorei pra caralho. Veio tudo pra fora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>22\/7\/2016 \u2013 20:07<\/em> <strong>Quando falei com a menina do Tenho Mais Disco Que Amigos, avisei que ela ia se emocionar.<\/strong> Que bom que ela gostou. Est\u00e1 forte mesmo. Mas cara, estou me sentindo muito bem agora. Me fez bem colocar no mundo essa homenagem e esse material.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Foi um desabafo publico. Uma consulta publica ao terapeuta. S\u00f3 tem a fazer bem.<\/strong> Com certeza, cara. Deu um receio da exposi\u00e7\u00e3o, mas ao mesmo tempo, foi bom. Est\u00e1 sendo bom.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"752\" height=\"440\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/fqToMrjObE0\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/fqToMrjObE0\" width=\"752\" height=\"440\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>31\/7\/2016 \u2013 18:04<\/em> <em>Ap\u00f3s tudo e j\u00e1 chegando ao fim do nosso contrato, chegou aquele momento de rever o trabalho, colher resultados e olhar tudo que foi constru\u00eddo. Al\u00e9m disso, no s\u00e1bado ele fez o show de lan\u00e7amento em S\u00e3o Paulo e na sexta seguinte em Curitiba.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi o show?<\/strong> Foi lindo, cara! Emocionante mesmo! Muito melhor do que eu esperava, do que todos nos esper\u00e1vamos. Porra! Foda! Galerona cantando, pirando, pulando, gritando\u2026 Foi especial. Um grande ritual de inicia\u00e7\u00e3o pra liberdade!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual \u00e9 a sua fase mais \u2018famoso\u201d? Pol\u00e9xia? Nuvens? La Buena? The Mentes?<\/strong> Acho que nenhuma. De verdade, nenhuma. De leve, todas. Teve uma fase bem boa da Polexia, outra bem legal da Nuvens, outra bem bacana do \u201cLa Buena Onda\u201d, mas a mais promissora me parece essa de agora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea est\u00e1 animado ou tem algum medo dessa fase?<\/strong> Muito animado. Acho que porque estou feliz com o que estou fazendo e com quem eu estou por perto. Tenho orgulho desse disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu sinto muito mais sinceridade desse disco do que do \u201cLa Buena Onda\u201d. O anterior pega muito o momento da m\u00fasica brasileira, mas n\u00e3o \u00e9 aquilo in\u00e9dito. \u00c9 mais um retrato daquele momento seu. O \u201cCora\u00e7\u00f5es\u201d pega muito mais uma quest\u00e3o global, mais forte, algo de cora\u00e7\u00e3o seu, mas que \u00e9 um convite a todos. Ent\u00e3o voc\u00ea canta n\u00e3o s\u00f3 sobre voc\u00ea, mas para todos. Fora toda a ideia de concep\u00e7\u00e3o do disco e seus motivos. A escolha do local de grava\u00e7\u00e3o, timbres, estilos das m\u00fasicas\u2026 Voc\u00ea n\u00e3o precisava fazer esse disco assim. Talvez o disco fizesse um puta sucesso se fosse mais uma obra de amor, de neo MPB paulista e conquistasse jovens cora\u00e7\u00f5es. Mas acho que voc\u00ea se preocupou muito mais em ser voc\u00ea e passar isso como um cobertor esticado a todos que ouvem do que apenas querer fazer m\u00fasica pra vender e falar de si.<\/strong> Perfeito. \u00c9 isso mesmo. Foi essa a busca, um \u201ccaminho pra dentro de si\u201d e ai a arte saindo a partir disso, sem pensar no fim, s\u00f3 na origem e no processo. Quando ensaio ou subo no palco o som me fortalece, meus amigos tamb\u00e9m. Acho o disco um retrato de um momento corajoso meu, de muita for\u00e7a e nos dias que n\u00e3o estou bem, se toco o disco, no ensaio ou no palco recobro minha for\u00e7a. \u00c9 muito louco isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu tinha uma puta d\u00favida se o trabalho ia render, porque n\u00e3o \u00e9 um disco f\u00e1cil e \u00e9 voc\u00ea se virando ao que te trouxe a frente. Na real, eu at\u00e9 hoje sou contra voc\u00ea usar o The Mentes, mas quando eu te perguntei se o disco j\u00e1 tinha ido pra prensa, eu deixei isso quieto. Acho que era para ser tipo The Mentes a banda que te acompanha, tipo a C\u00ea do Caetano Veloso. N\u00e3o te deu medo de jogar tudo para o alto e dar merda?<\/strong> Com o disco n\u00e3o, com o nome sim. Mas com eu queria mudar mesmo. \u00c9 muito bom curtir esses frios na barriga e construir \u201cnovos come\u00e7os\u201d. Principalmente porque o foco n\u00e3o era o resultado. Realmente o foco sempre foi o processo, por isso o medo n\u00e3o existiu como poderia existir. Quando a gente foca no que sentimos e queremos, ficamos mais forte. Ficar muito preocupado com o olhar dos outros gera inseguran\u00e7a e a partir da\u00ed nada sai direito mais, como poderia ser.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fora que voc\u00ea sabe que a chance de aos poucos irem trocando os m\u00fasicos \u00e9 bem forte.<\/strong> \u00c9. Isso \u00e9 normal da vida. Pode ser que dure muito ou n\u00e3o. Eu acho que isso pode acontecer. The Mentes pode ser uma banda em movimento. Por\u00e9m, isso \u00e9 algo que acontece. Que n\u00e3o tem como controlar. Estamos juntos hoje porque queremos. N\u00e3o temos amarras ou correntes. E est\u00e1 lindo! O momento est\u00e1 incr\u00edvel. E o fato de ser \u201cRapha Moraes &amp; The Mentes\u201d est\u00e1 ajudando em muitas coisas. Criou uma \u201cegr\u00e9gora\u201d de banda fudida. Est\u00e1 uma energia muito boa, pra cima, positiva. Gosto disso. Faz toda a diferen\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O \u201cLa Buena Onda\u201d foi uma coisa muito solit\u00e1ria sua. Viagem, compor sozinho e chamar um ou outro para gravar. O \u201cCora\u00e7\u00f5es\u201d tem essa coisa de ser feito com amigos, mesmo que com m\u00fasicas compostas s\u00f3 por voc\u00ea em S\u00e3o Paulo, o processo do disco \u00e9 muito coletivo e menos solit\u00e1rio que o primeiro.<\/strong> Sim. \u00c9 muito meu e do Japa principalmente, pois estivemos muito tempo juntos na produ\u00e7\u00e3o do disco. Mas tamb\u00e9m foi do Juninho, da No\u00e9lle, do Nico do est\u00fadio, do Biondo que fez a arte. O processo todo foi muito coletivo. E agora na estrada tamb\u00e9m com o resto da banda, Amandio, Marc\u00e3o e o Gustav. Grandes amigos em que confio muito. E cara, \u00e9 uma alegria sem tamanho. Eu realmente amo eles e me sinto amado. \u00c9 foda isso!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como voc\u00ea encarou o p\u00fablico do disco antigo para este novo? E como o p\u00fablico te encarou?<\/strong> Cara, em SP foi muito louco isso. Tinha uma galera que me conheceu e seguia o \u201cLa Buena Onda\u201d. Todos falaram que se assustaram com o \u201cCora\u00e7\u00f5es\u201d. Uma parte disse que se assustou e gostou muito, outra que se assustou e n\u00e3o entendeu. Achou estranho e aos poucos foi gostando, mas falaram que depois do show entenderam tudo. Sentiram e t\u00e3o curtindo muito. Essa galera se entregou pra gente durante e depois do show. Me surpreendi. E estou muito feliz com a troca que rolou por l\u00e1. Mas eu sempre soube que ia rolar o choque e que podia perder todos eles! (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>F\u00e3 se conquista ou f\u00e3 se acostuma?<\/strong> Com certeza se conquista. O que fez essa galera se conectar novamente foi o show. Eles me deram uma chance e a outra parte gostou de cara de tudo. Agora eles est\u00e3o ativos como nunca na internet novamente, pela emo\u00e7\u00e3o causada que ficou registrada neles. A semente foi plantada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas \u00e9 voc\u00ea quem entende eles ou eles que procuram te entender?<\/strong> Eu procuro me entender ou entender alguma coisa (mesmo n\u00e3o entendendo nada). E a arte que sai dessa busca tem que fazer eles sentirem algo, que n\u00e3o precisam entender, mas tem que mexer pra valer. Ningu\u00e9m entende nada (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas, cara, por que passar uma mensagem? Por que n\u00e3o fazer apenas um disco \u2018mais f\u00e1cil\u2019? Voc\u00ea sabe que \u00e9 um disco \u2018dif\u00edcil\u2019, n\u00e9?<\/strong> Sei sim, mas a\u00ed \u00e9 o porque de cada um, cada artista. Mas vai mais longe. O porque de cada ser humano, cada indiv\u00edduo\u2026 Pra mim a arte sempre foi sagrada. Sempre foi importante pra mim. Sempre de alguma maneira me transformou. Uma das sensa\u00e7\u00f5es mais fortes que tive no fim da \u00e9poca \u201cLa Buena Onda\u201d pra entrar nessa nova \u00e9 que eu n\u00e3o conseguia gostar do mundo do jeito que ele estava. Me incomodava e me incomoda muita coisa que est\u00e1 rolando. Caminhos gerais do comportamento humano. E que o que eu estava fazendo era bonito, mas era um cafun\u00e9 na cabe\u00e7a das pessoas. Ajudava a manter o que eu n\u00e3o gostava. Eu oferecia um \u201crem\u00e9dio\u201d moment\u00e2neo, mas s\u00f3 pra acalmar ou dar um pouco de gostosura, mas n\u00e3o muito mais que isso. Percebi que o que eu n\u00e3o queria era que minha arte fosse algo como um \u201c\u00f3pio\u201d. Nem pra mim e nem pra quem a escutasse. E que n\u00e3o tinha mais sentido continuar naquele caminho. Precisava fazer algo que eu acreditasse muito, que refletisse minha vida, minhas cren\u00e7as, meu olhar. Pra me ver em tudo, me achar sincero com tudo e que mexesse comigo. Acho que nunca foi t\u00e3o urgente uma arte questionadora ou que incomode. Posso n\u00e3o ganhar dinheiro e nem ficar famoso, mas prefiro tocar para 50 pessoas do jeito atual, do que do antigo tocando 1000 pessoas da maneira que eu as tocava antes. Esse foi o esp\u00edrito e continua sendo. Prefiro ver, como foi em SP, as pessoas na plateia, entendendo ou n\u00e3o o lance, se libertarem das suas rotinas, das emo\u00e7\u00f5es que j\u00e1 est\u00e3o acostumadas. V\u00ea-las se sentindo incomodadas ou com vontade de gritar junto com a gente sobre o que as incomoda. E tamb\u00e9m falar sobre o amor, por que n\u00e3o? Afinal, o \u201cCora\u00e7\u00f5es\u201d \u00e9 um \u00e1lbum de amor e da falta dele no mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"752\" height=\"440\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/CMA5TZ1G2Ik\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/CMA5TZ1G2Ik\" width=\"752\" height=\"440\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Marcos Xi (<a href=\"http:\/\/twitter.com\/marcosxi\/\" target=\"_blank\">@marcosxi<\/a>) \u00e9 editor e criador do site <a href=\"http:\/\/www.rockinpress.com.br\/\" target=\"_blank\">Rock in Press<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/category\/musica\/\">MAIS SOBRE M\u00daSICA NO SCREAM &amp; YELL<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A rela\u00e7\u00e3o de um assessor com seu artista \u00e9 bem mais detalhada do que simplesmente ficar tentando emplacar uma not\u00edcia nos ve\u00edculos de impressa por ai. \u00c9 necess\u00e1rio entender muito bem&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/08\/24\/entrevista-rapha-moraes-e-the-mentes\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":39449,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[77,824,229],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39361"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39361"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39361\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":40416,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39361\/revisions\/40416"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/39449"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39361"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39361"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39361"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}