{"id":39153,"date":"2016-08-09T10:37:12","date_gmt":"2016-08-09T13:37:12","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=39153"},"modified":"2016-09-28T02:49:08","modified_gmt":"2016-09-28T05:49:08","slug":"entrevista-beeshop-2016","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/08\/09\/entrevista-beeshop-2016\/","title":{"rendered":"Entrevista: Beeshop (2016)"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <\/strong><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/marcos.paulino.313?\" target=\"_blank\"><strong>Marcos Paulino<\/strong><\/a><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lucas Silveira, vocalista da banda Fresno, gostava de desenhar tirinhas com um personagem chamado Beeshop. Ele vivia aventuras baseadas em hist\u00f3rias pessoais de seu criador, que o tem como uma esp\u00e9cie de alter ego. Das tirinhas, Beeshop migrou para a m\u00fasica, num projeto solo de Lucas que acaba de chegar ao segundo disco, \u201c<a href=\"http:\/\/www.hbbrecords.com\/news\/2016\/5\/30\/lucas-silveira-vocalista-da-fresno-libera-streaming-de-novo-lbum-do-seu-projeto-solo\" target=\"_blank\">The Life and Death of Beeshop<\/a>\u201d. Em oito faixas, entre in\u00e9ditas e novas vers\u00f5es de can\u00e7\u00f5es lan\u00e7adas no intervalo do CD anterior para este, o m\u00fasico experimenta caminhos bastante diferentes daqueles a que est\u00e3o acostumados os f\u00e3s da Fresno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 em 2010, quando o Scream &amp; Yell encontrou Lucas para conversar sobre \u201cThe Rise and Fall of Beeshop\u201d, o primeiro disco, Lucas explicava: \u201cAs pessoas j\u00e1 t\u00eam uma expectativa em rela\u00e7\u00e3o ao Fresno, porque o universo em que a gente trafega musicalmente \u00e9 mais fechado. \u00c9 rock, popular, mas rock, onde todos da banda colaboram (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/04\/18\/entrevista-lucas-e-o-beeshop\/\" target=\"_blank\">leia a entrevista completa<\/a>)\u201d. Agora ele se volta ao indie rock neste \u201cThe Life and Death of Beeshop\u201d, mas esclarece: \u201cO Beeshop \u00e9 um projeto mais est\u00e9tico, mais de cria\u00e7\u00e3o, do que um porta-voz pra minha mensagem\u201d. Nesta entrevista ao Plug, parceiro do Scream &amp; Yell, Lucas fala mais sobre esse projeto.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/VKEa3G7u00Y\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/VKEa3G7u00Y\" height=\"340\" width=\"600\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No disco anterior (\u201cThe Rise and Fall of Beeshop\u201d), voc\u00ea falou da ascens\u00e3o e queda do Beeshop. Neste, trata da vida e da morte dele. Ele vive neste eterno sobe e desce?<\/strong><br \/>\nMatou a charada. O principal motivo desse t\u00edtulo \u00e9 uma analogia com as pequenas mortes e as pequenas vidas do dia a dia. Nossa vida passa o tempo inteiro nessa montanha-russa. Neste segundo disco, vou mais fundo ainda na melancolia e tamb\u00e9m na alegria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea iniciou esse projeto em 2008, com o EP \u201cThe Really Really I&#8217;m Sorry\u201d. Ent\u00e3o demorou dois anos pra lan\u00e7ar o primeiro CD e seis pro terceiro. Foi proposital essa demora?<\/strong><br \/>\nFui fazendo naturalmente, por isso o calend\u00e1rio \u00e9 t\u00e3o espa\u00e7ado. A coisa vai acontecendo, n\u00e3o tem press\u00e3o de agenda ou de gravadora. O Beeshop s\u00f3 aparece quando ele quer. Como \u00e9 um projeto que levo de maneira secund\u00e1ria em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Fresno, acabei demorando porque fiz uma infinidade de outras coisas com a banda. E isso mostra porque um \u00e1lbum \u00e9 muito diferente do outro, muita \u00e1gua passou debaixo dessa ponte. N\u00e3o sei quando vai sair o pr\u00f3ximo, mas sei que ser\u00e1 bastante diferente tamb\u00e9m, justamente porque n\u00e3o preciso seguir uma cartilha ou atender a expectativa das pessoas. Muito pelo contr\u00e1rio. Meu objetivo principal \u00e9 surpreender quem est\u00e1 ouvindo, mostrar um lado que at\u00e9 pra mim era secreto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Enquanto o primeiro disco do Beeshop \u00e9 mais pop, este est\u00e1 mais indie rock. Concorda?<\/strong><br \/>\nConcordo. No primeiro disco, eu me sentia como algu\u00e9m que estava querendo provar um monte de coisas. Quando a Fresno assinou com uma gravadora grande, a gente precisava provar pros f\u00e3s que a gente tinha conquistado que a banda n\u00e3o iria mudar, que a gente continuava sendo gerente da nossa vida. Ao mesmo tempo, precis\u00e1vamos provar pra pessoas que nem sabiam quem a gente era que consegu\u00edamos fazer outras coisas, outro tipo de m\u00fasica. Era aquela coisa de adolescente de procurar uma aprova\u00e7\u00e3o. Nessa busca, que nem acho muito saud\u00e1vel, consegui fazer um disco do qual me orgulho muito, que foi o primeiro do Beeshop. Foi aquela coisa de mostrar o que eu conseguia fazer, como eu conseguia cantar. No disco novo, tive um desapego muito maior, meus lados musicais multifacetados j\u00e1 s\u00e3o mais conhecidos das pessoas. E tamb\u00e9m j\u00e1 n\u00e3o me importo mais tanto com a opini\u00e3o dos outros, que n\u00e3o afeta mais minha produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Essa falta de pretens\u00e3o faz o som soar mais legal ainda pra n\u00e3o conhece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea fez o disco dividido em duas partes, com duas abordagens, inclusive com engenheiros diferentes pra mixar cada \u201clado\u201d. Qual o motivo dessa decis\u00e3o?<\/strong><br \/>\nNesse disco, o que fica mais latente, at\u00e9 pra quem n\u00e3o sabe o que eu quis dizer, \u00e9 o desprendimento que tive pra fazer. N\u00e3o ensaiei as m\u00fasicas com ningu\u00e9m, nem sozinho, n\u00e3o tinha certeza sobre nenhuma harmonia, sobre nenhuma nota vocal. S\u00f3 tinha as m\u00fasicas de maneira bem inacabada na mente. Chamei um baterista, o Guerra, que hoje tamb\u00e9m toca na Fresno, pra registrar comigo essas ideias. Peguei ele meio de supet\u00e3o, ele j\u00e1 foi tocando em cima e fomos gravando. Acabou virando um samba do crioulo doido, uma mistureba de levadas e sons. Depois passei um temp\u00e3o editando, selecionando, fazendo a curadoria dessas viagens nossas, pra dar um esqueleto pras m\u00fasicas. Ent\u00e3o fui pra um segundo momento, que era gravar o resto do instrumental. Isso confere ao disco uma aura de complexidade. Tem m\u00fasicas que, mesmo com uma estrutura pop, t\u00eam camadas de detalhes, nas quais uma banda que se junta pra ensaiar n\u00e3o chega. H\u00e1 coisas que nunca se repetem ao longo das m\u00fasicas, n\u00e3o seguem o fluxo natural que as pessoas est\u00e3o acostumadas a ouvir. Seguem o fluxo do \u00edmpeto. A primeira m\u00fasica, principalmente, \u00e9 a mais sem p\u00e9 nem cabe\u00e7a, e quis manter assim pra que a pessoa tenha um apanhado de muitas sonoridades diferentes numa mesma faixa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando voc\u00ea lan\u00e7ou o primeiro disco do Beeshop, especulou-se que estava tentando engrenar uma carreira internacional, at\u00e9 por ser cantado em ingl\u00eas. Seis anos depois, voc\u00ea tem alguma pretens\u00e3o nesse sentido?<\/strong><br \/>\nPelo fato de ser em ingl\u00eas, muitas pessoas pensaram isso. Mas n\u00e3o \u00e9 algo no qual despendi muita energia. J\u00e1 \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil come\u00e7ar uma carreira no Brasil, e nos Estados Unidos \u00e9 20 vezes mais. Eu teria que largar tudo pra tentar alguma coisa, e essa nunca foi minha pretens\u00e3o. Minha inten\u00e7\u00e3o \u00e9 desovar minha cria\u00e7\u00e3o. Se ela \u00e9 em ingl\u00eas, realmente aumentam minhas chances de acontecer alguma coisa l\u00e1 fora, mas n\u00e3o estou investindo nisso. Carreira \u00e9 um neg\u00f3cio muito s\u00e9rio e \u00e9 bem dif\u00edcil quando voc\u00ea est\u00e1 dedicando 100% de sua energia, imagina quando \u00e9 um projeto secund\u00e1rio. Acho que \u00e9 mais um laborat\u00f3rio de composi\u00e7\u00e3o. J\u00e1 vi nas estat\u00edsticas do YouTube que tem gente l\u00e1 de fora que ouve, mas \u00e9 insignificante perto do tanto de gente que ouve no Brasil. Al\u00e9m disso, hoje em dia, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/08\/05\/tres-perguntas-pin-ups\/\" target=\"_blank\">h\u00e1 uma volta das bandas brasileiras que tocam em ingl\u00eas<\/a>, como era antigamente com o rock alternativo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Al\u00e9m do Beeshop, voc\u00ea tem outros dois projetos paralelos, o SIRsir e o Visconde. Como voc\u00ea faz pra controlar essas frentes todas de trabalho?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o controlo, n\u00e3o exer\u00e7o nenhuma ger\u00eancia sobre isso. O que demora mais pras pessoas entenderem \u00e9 que o objetivo disso tudo \u00e9 muito mais a cria\u00e7\u00e3o, a composi\u00e7\u00e3o pura e simples, ver a rea\u00e7\u00e3o das pessoas, que ter carreiras paralelas. Pelo menos pra mim, a parte f\u00e1cil e divertida \u00e9 entrar no est\u00fadio e gravar uma coisa nova, fazer um trabalho do zero. A parte que chamo de trabalho \u00e9 lan\u00e7ar, dar entrevista, e depois fazer shows. Isso despende muito tempo, muita energia. E essa energia administrativa fica muito focada na Fresno, que hoje \u00e9 uma banda independente, ent\u00e3o o trabalho fica muito nas nossas m\u00e3os. A gente cuida de todas as \u00e1reas da banda justamente pra que tudo reflita a mesma mensagem. O que acaba ficando mesmo, mais do que os shows, \u00e9 a tua obra, teus discos, o que voc\u00ea lan\u00e7ou. Aquilo vai mostrar no futuro o que voc\u00ea \u00e9. Agora estou me preparando pra fazer uma pequena s\u00e9rie de shows do Beeshop, mais pro final do ano. Mais pra coroar o trabalho, porque n\u00e3o tem como uma pessoa ter duas bandas, uma hora elas v\u00e3o acabar concorrendo. \u00c9 a\u00ed que a carreira solo vira um problema pro resto da banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 quem defenda que voc\u00ea se dedique a uma carreira solo, porque voc\u00ea estaria transcendendo os limites da Fresno. O que acha disso?<\/strong><br \/>\nQuem bom que algu\u00e9m acha isso. Mas quem tem a leitura mais pr\u00f3xima do que acontece no meu dia sou eu, e vejo a Fresno como meu principal megafone. E atrav\u00e9s dele posso explanar ideias e passar de fato uma mensagem, mais do que fazer m\u00fasicas bonitas. Tenho que usar meu poder de persuas\u00e3o que adquiri virando um m\u00fasico pra tentar dar uma melhorada no mundo. O Beeshop \u00e9 um projeto mais est\u00e9tico, mais de cria\u00e7\u00e3o, do que um porta-voz pra minha mensagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea costumava monitorar na internet o tempo todo o que estavam falando do seu trabalho. Continua assim?<\/strong><br \/>\nUm pouco menos, desapeguei um pouco disso. Claro que minha presen\u00e7a nas redes sociais ainda \u00e9 muito grande, gosto do Twitter, que \u00e9 onde mais consumo humor e informa\u00e7\u00e3o. Tenho que estar onde meu f\u00e3 est\u00e1. A divulga\u00e7\u00e3o das bandas est\u00e1 ficando cada vez mais digital. Mas desapeguei daquela coisa de antes, de ficar preocupado se algu\u00e9m n\u00e3o gostou. Hoje sou um cara mais ocupado. [Risos]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como v\u00e3o ser os shows do Beeshop no final do ano?<\/strong><br \/>\nVai ser uma s\u00e9rie de shows, n\u00e3o chega a ser uma turn\u00ea. N\u00e3o vou parar com os shows da Fresno. Vai ser mais pra marcar o lan\u00e7amento, e tamb\u00e9m porque \u00e9 muito legal pegar um disco novo, ensaiar e tentar encontrar uma linguagem pra transmiti-lo ao vivo. Vamos aproveitar e filmar alguns deles.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/7BshEbNru2s\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/7BshEbNru2s\" height=\"340\" width=\"600\" \/><\/object><\/p>\n<p>\u2013 <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/marcos.paulino.313?\" target=\"_blank\">Marcos Paulino<\/a> \u00e9 editor do caderno Plug (<a href=\"http:\/\/www.mundoplug.com\/\" target=\"_blank\">www.mundoplug.com)<\/a>, da Gazeta de Limeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/category\/musica\/\">MAIS SOBRE M\u00daSICA NO SCREAM &amp; YELL<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Seis anos ap\u00f3s o primeiro disco de seu projeto paralelo, Lucas Silveira retorna com \u201cThe Life and Death of Beeshop\u201d\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/08\/09\/entrevista-beeshop-2016\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":5,"featured_media":39506,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[867,77,868,842],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39153"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39153"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39153\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39539,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39153\/revisions\/39539"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/39506"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39153"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39153"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39153"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}