{"id":38987,"date":"2016-07-27T10:26:28","date_gmt":"2016-07-27T13:26:28","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=38987"},"modified":"2016-09-13T00:01:59","modified_gmt":"2016-09-13T03:01:59","slug":"diario-de-viagem-cineamazonia-itinerante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/07\/27\/diario-de-viagem-cineamazonia-itinerante\/","title":{"rendered":"Di\u00e1rio: Cineamaz\u00f4nia Itinerante"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Texto por Ismael Machado<br \/>\nFotos por Zeca Ribeiro<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Filhote do festival <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/05\/25\/entrevista-cineamazonia-itinerante\/\" target=\"_blank\">Cineamaz\u00f4nia<\/a>, o Cineamaz\u00f4nia Itinerante se prop\u00f5e a levar pequenas mostras de filmes (geralmente curtas) e apresenta\u00e7\u00f5es de artistas como m\u00fasicos e palha\u00e7os de circo para comunidades afastadas, distantes dos grandes centros, da Amaz\u00f4nia, Peru, Bol\u00edvia, Col\u00f4mbia, \u00c1frica e at\u00e9 Portugal. Neste di\u00e1rio de viagem, o jornalista escritor e roteirista Ismael Machado, autor do livro \u201cSujando os Sapatos \u2013 O Caminho Di\u00e1rio da Reportagem\u201d, conta suas impress\u00f5es acompanhando a caravana do Cineamaz\u00f4nia Itinerante.<br \/>\n<\/em><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Guajar\u00e1-Mirim (Texto 1)<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 que ter paci\u00eancia e um bom olhar. Felipe e Chrystian t\u00eam as duas coisas de sobra. Os dois caminham por uma estradinha de terra bem iluminada por uma lua crescente e um c\u00e9u pra l\u00e1 de estrelado. V\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s margens do rio. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 fazer fotografias com exposi\u00e7\u00e3o demorada. Fotos noturnas, algo que realmente requer um pouquinho a mais de fot\u00f3grafos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para os dois \u00e9 pura divers\u00e3o. O encontro entre n\u00f3s se desenrola enquanto a sess\u00e3o em Iata, um pequeno distrito pertencente a Guajar\u00e1-Mirim, inicia. Os dois n\u00e3o viram o que eu vi. \u00c0s margens do rio, sozinho, vejo uma luz vermelha, como se fosse um grande vaga-lume (ou pirilampo, como queiram). S\u00f3 que n\u00e3o era.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia seguinte leio que h\u00e1 esse fen\u00f4meno das luzes estranhas em Iata. J\u00e1 rendeu reportagem na TV. \u00c9 desses mist\u00e9rios que o mundo se alimenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda n\u00e3o desatracamos rio Guapor\u00e9 adentro. Por enquanto as apresenta\u00e7\u00f5es s\u00e3o em locais onde o deslocamento b\u00e1sico \u00e9 por estrada. De ch\u00e3o e de asfalto. H\u00e1 tempo para discuss\u00f5es sobre o papel de can\u00e7\u00f5es do O\u00e1sis no cen\u00e1rio musical dos \u00faltimos anos. Lui diz que \u201cWonderwall\u201d talvez tenha sido a can\u00e7\u00e3o mais emblem\u00e1tica dos \u00faltimos 20 anos. E como n\u00e3o se emocionar com \u201cDon\u2019t Look Back in Anger\u201d?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 sempre interessante notar em viagens que cada um vai criando sua trilha sonora particular. Como os consensos musicais s\u00e3o dif\u00edceis de alcan\u00e7ar, talvez essa seja sempre uma boa solu\u00e7\u00e3o. Fone de ouvido, santa inven\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para quem nunca participou de uma itiner\u00e2ncia pelo Guapor\u00e9, um aviso: cuidado com Henrique. Ele n\u00e3o nasceu para fazer o bem. Explicando&#8230; o cara \u00e9 um dos melhores cozinheiros que podem existir. Imposs\u00edvel n\u00e3o comer, comer, comer&#8230; o resultado \u00e9 previs\u00edvel. Quilinhos a mais vir\u00e3o, com certeza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vamos nos conhecendo. Nos entrosando. Bete Bulara dan\u00e7a animada ao som de uma bate estaca tecno que toca enquanto a estrutura do Cineamaz\u00f4nia est\u00e1 sendo desmontada. Inevit\u00e1vel pensar na vida que levou e leva durante esse tempo de exist\u00eancia digna. Descubro que \u00e9 amiga de Gonda, amigo querido de Bel\u00e9m. As sintonias se cruzam e se espalham.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No segundo dia, logo depois da consagradora apresenta\u00e7\u00e3o dos palha\u00e7os, o bord\u00e3o de Chiquita come\u00e7a a ser repetido. \u201cO queeee? N\u00e3o acreditooo!\u201d, repetimos, engrossando a voz a qualquer frase mais ou menos diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ale, o palha\u00e7o, quer convencer a mim e Lui que o Corinthians n\u00e3o \u00e9 beneficiado pelo apito amigo. Passo a entender mais a profiss\u00e3o que ele escolheu. S\u00f3 pode ser brincadeira&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Michelle aparece com uma boina lindinha. Comprou do outro lado em Guayaramerin, mas diz que o cen\u00e1rio l\u00e1 \u00e9 de decad\u00eancia. Crise internacional e seus reflexos. E na fronteira entre Brasil e Bol\u00edvia isso se traduz em quedas de venda, d\u00f3lar em alta e lojas fechando. Mas \u00f3, a culpa n\u00e3o \u00e9 do PT, ok?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernanda anuncia, entre grave e divertida, que uma frente fria est\u00e1 chegando. E vai nos alcan\u00e7ar no Guapor\u00e9. O que me preocupa s\u00e3o os mosquitos, os insanos mosquitos que costumam deixar uns calombos na perna e nos bra\u00e7os e que parecem beber o repelente com o mesmo prazer com que eu provei, ainda em Porto Velho, a Proibida Puro Malte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vez em quando ainda lembro a conversa tida com algumas mulheres na Resex Rio Ouro Preto, no primeiro dia dessa itiner\u00e2ncia. Uma das mulheres conta, enquanto serve a mim e Michelle um prato de pato e galinha, que aos 13 anos foi oferecida a um homem, mas como n\u00e3o sabia o que era casar, foi feita de escrava durante tr\u00eas anos. Aos 16, o homem a amarrou e a estuprou. Nasceria o primeiro filho dela. Um por ano pelos sete anos seguintes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 depois que ele morreu \u00e9 que aos poucos ela foi descobrir o que era bom no sexo. Ali\u00e1s, s\u00f3 no quarto marido. \u201cN\u00e3o \u00e9 todo homem que sabe fazer n\u00e3o\u201d, ela nos diz. Logo depois pergunta se n\u00e3o vai tocar uma musiquinha pra ela dan\u00e7ar um rasqueado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cineamaz\u00f4nia tem essa peculiaridade. Nos faz encontrar pessoas com hist\u00f3rias que abrem nossa cabe\u00e7a, trazem reflex\u00e3o e emo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muito disso ainda vir\u00e1, tenho certeza. Estamos apenas come\u00e7ando. E o barco nem desatracou.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/cineamazonia2.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>De reis e rainhas (Texto 2)<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pinduca \u00e9 rei em Guayaramerin. Tomo um susto ao entrar na casa da velha Aid\u00ea e no quintal deparar com um adolescente ouvindo um DVD do rei do carimb\u00f3. Quando digo ao rapaz que ele \u00e9 da minha terra, os olhos do moleque brilham.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 necess\u00e1rio recapitular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos na segunda etapa da itiner\u00e2ncia do Cineamazonia. Ser\u00e3o uns 20 dias navegando por rios exibindo cinema, palha\u00e7os etc. Um dos bra\u00e7os dessa caravana cultural se chama Museus Vivos, um projeto que idealizamos numa tarde em Niter\u00f3i com Fernanda e Jurandir, que organizam o Cineamazonia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ideia \u00e9 registrar a hist\u00f3ria de pessoas que viram e fizeram a historia. Que viveram e tem o que contar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, agora estamos Lui, eu, Gabriel e Zeca Ribeiro entrando na casa de Aid\u00ea. N\u00e3o custa ressaltar que estou feliz de olhar ao lado e ver os meus dois filhos trabalhando comigo. Lui \u00e9 quem dirige o Museus Vivos nessa etapa. S\u00f3 dou uma ajuda nas entrevistas. Gabriel tem sido uma esp\u00e9cie de roadie do Lui. Uma hora depois de iniciarmos a entrevista estamos todos com os olhos mareados. Culpa de Aid\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na carteira de identidade est\u00e1 Edith. Mas entre uma e outra h\u00e1 um mundo. E isso me soa simb\u00f3lico, a mudan\u00e7a de Edith para Aid\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 uma mulher de uns 80 anos, negra de cabelos brancos curtinhos, brincos dourados e dedos repletos de an\u00e9is prateados. Um sorriso calmo, uma voz pausada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aid\u00ea n\u00e3o teve inf\u00e2ncia. N\u00e3o brincou. A m\u00e3e morreu de meningite quando Aid\u00ea ainda era muito pequena. Ficou passando de m\u00e3o em m\u00e3o, de fam\u00edlia a fam\u00edlia. Neta de escravos, descendente de barbadianos que ajudaram a construir a estrada de ferro Madeira Mamor\u00e9, Aid\u00ea chorava sozinha quando via que carinho de m\u00e3e n\u00e3o existia para ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Teve cinco filhos, de dois parceiros diferentes com quem morou. Ela enfatiza que nunca casou e isso parece mais um rombo na fantasia de jovem que foi dissipado pelo tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aid\u00ea derrama uma l\u00e1grima solit\u00e1ria quando nos conta isso. Todos ficamos embevecidos com a mulher que estudou at\u00e9 a terceira s\u00e9rie, mas tem uma filha fazendo doutorado nos Estados Unidos. Aid\u00ea encerra dizendo essa \u00e9 minha hist\u00f3ria. Sem m\u00e1cula, sem rancor, serena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abra\u00e7amos essa mulher com genu\u00edno afeto. Sa\u00edmos melhores, todos n\u00f3s. Nunca irei esquec\u00ea-la. E esse \u00e9 apenas o come\u00e7o do dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De noite, nos perdemos na cidade escura. At\u00e9 encontrarmos o local das apresenta\u00e7\u00f5es. Foi estranho. A quadra estava lotada e os palha\u00e7os adaptaram o espet\u00e1culo para o novo publico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao lado da quadra onde os filmes eram exibidos havia um bar surreal. Decidimos tomar umas Pacenas por l\u00e1, enquanto a mistura de Madonna, Leandro e Leonardo e Led Zeppelin vai fazendo a cama sonora. Fa\u00e7o foto de um grupo chamado Los Iracundos para mandar ao Marcelo Damaso, produtor do Festival Se Rasgum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A volta \u00e9 feita no caminh\u00e3o que carrega os equipamentos. Antes, bom dizer que reencontrei o velho Abraham, o \u00faltimo comunista da face da terra, que conheci na primeira itiner\u00e2ncia Peru-Bol\u00edvia em 2008. Nos abra\u00e7amos e eu apresentei Michelle, Lui e Gabriel a ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia seguinte, um vento frio nos diz que o tempo pode mudar. E vai mudar. Daqui a pouco ser\u00e1 lua cheia. Olho para o rio e prevejo os pr\u00f3ximos dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos bem. Principalmente porque Chicao Fill, de Manaus, me informa que estamos no p\u00e1reo num edital amazonense. Boas novas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E Pikachu desencantou fazendo o primeiro gol pelo Vasco. Agora ningu\u00e9m segura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vamo que vamo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/cineamazonia3.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Na fronteira Brasil \u2013 Bol\u00edvia (Texto 3)<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na estrada e nos rios desde o dia 13 de julho, a segunda etapa do Cineamaz\u00f4nia Itinerante 2016 j\u00e1 chegou \u00e0 praticamente metade do percurso envolvendo principalmente os rios Mamor\u00e9 e Guapor\u00e9, com cinema, circo e oficinas para comunidades ribeirinhas, quilombolas e pequenos distritos entre Brasil e Bol\u00edvia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira parada foi in\u00e9dita. A Reserva Extrativista Rio Ouro Preto recebeu o Cineamaz\u00f4nia pela primeira vez. Depois foi a vez do distrito de Iata, pertencente ao munic\u00edpio de Guajar\u00e1-Mirim. Em Iata, os palha\u00e7os Chiquita e Cotonete tiveram uma das melhores participa\u00e7\u00f5es do p\u00fablico at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois foi a vez da dobradinha Guajar\u00e1 Mirim e Guayaramerin, a aut\u00eantica fronteira Brasil e Bol\u00edvia. S\u00f3 depois desses dois locais \u00e9 que a itiner\u00e2ncia tomou o rio Mamor\u00e9 como destino. A primeira parada foi San Lorenzo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">San Lorenzo \u00e9 uma pequena comunidade boliviana \u00e0s margens do rio Mamor\u00e9. Povoado simples, com uma igreja, uma escola, um posto de sa\u00fade e uma pracinha de frente ao rio onde botos exibem-se aos olhos curiosos de quem n\u00e3o est\u00e1 acostumado a eles diariamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tela do cinema ao ar livre do Cineamaz\u00f4nia foi montada em frente ao rio. A lua cheia era um presente a mais. Quase 100 pessoas assistiram \u00e0 exibi\u00e7\u00e3o, aberta com o resultado da anima\u00e7\u00e3o na t\u00e9cnica Pixilation feita com crian\u00e7as da comunidade, dentro do projeto \u2018Animando a Amaz\u00f4nia\u2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Roteirizado e dirigido por Christian Ritse, com assist\u00eancia de dire\u00e7\u00e3o de Lui Machado e assist\u00eancia de produ\u00e7\u00e3o de Ian Gabriel, o filme \u2018El Pa\u00f1o M\u00e1gico\u2019 contou uma pequena hist\u00f3ria de um pano misterioso que \u2018engolia\u2019 as crian\u00e7as do vilarejo por obra de um m\u00e1gico. Ao final o feiti\u00e7o se volta contra o feiticeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como o filme em Pixilation outro projeto que tamb\u00e9m faz parte do Cineamaz\u00f4nia Itinerante \u00e9 o \u2018Museus Vivos\u2019. Em San Lorenzo, a personagem escolhida foi Marta Pereira, uma mulher que perdeu os pais ainda crian\u00e7a, assim como logo depois a av\u00f3. Criada praticamente sozinha e trabalhando em \u2018casas de fam\u00edlia\u2019, conseguiu criar todos os filhos com dignidade. Hoje \u00e9 uma mulher que luta para trazer melhorias a San Lorenzo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fot\u00f3grafa Bete Bullara tamb\u00e9m falou sobre o resultado da oficina matutina de fotografia artesanal com quatro crian\u00e7as da comunidade de San Lorenzo que conheceram as t\u00e9cnicas b\u00e1sicas dos prim\u00f3rdios da fotografia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os filmes, o p\u00fablico teve a aten\u00e7\u00e3o despertada com o curta \u2018Dos Tomates e dos Destinos\u2019, uma produ\u00e7\u00e3o com a assinatura da Organiza\u00e7\u00e3o N\u00e3o-Governamental \u2018Veterinarios Sin Fronteiras\u2019, que discute a quest\u00e3o alimentar, com o risco de agrot\u00f3xicos e outros elementos que contaminam frutas e verduras levadas \u00e0 mesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A noite foi encerrada com a apresenta\u00e7\u00e3o vers\u00e3o \u2018portunhol\u2019 dos palha\u00e7os Chiquita e Cotonete, da Trupe Koskowisck.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Surpresa, a parada seguinte, o cinema e o circo tiveram o maior p\u00fablico at\u00e9 agora. Cerca de 300 pessoas pelo menos, se aglomeraram no campo de futebol do distrito para acompanhar as atra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m dos moradores de Surpresa, houve a presen\u00e7a de \u00edndios da aldeia Sagarana, que chegaram em rabetas. N\u00e3o houve cadeiras para todos, com o p\u00fablico precisando se acomodar nas arquibancadas de madeira do campo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os \u00edndios 13 crian\u00e7as participaram da oficina de fotografia artesanal ministrada pela fot\u00f3grafa Bete Bullara, utilizando a t\u00e9cnica do \u2018Pinhole\u2019, ou \u2018buraco da agulha\u2019, que remete aos prim\u00f3rdios da fotografia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na apresenta\u00e7\u00e3o, a coordenadora Fernanda Kopanakis informou que h\u00e1 a pretens\u00e3o de levar a itiner\u00e2ncia para as terras ind\u00edgenas. A aldeia Sagarana fica distante cerca de 30 minutos de barco de Surpresa e \u00e9 formada por sete etnias. J\u00e1 est\u00e1 acostumada com o audiovisual. Foi na aldeia que o curta-metragem \u2018O Homem que Matou Deus\u2019, j\u00e1 exibido e premiado no Cineamaz\u00f4nia, foi filmado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sess\u00e3o em Surpresa foi inserido o filme \u2018The Change\u2019, anteriormente s\u00f3 exibido nas apresenta\u00e7\u00f5es em terras bolivianas. O filme, uma anima\u00e7\u00e3o em desenho, mostra de forma divertida a amea\u00e7a que o desenvolvimentismo das grandes metr\u00f3poles pode ocasionar a pequenas comunidades rurais e florestais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De Surpresa a itiner\u00e2ncia foi at\u00e9 o Forte Pr\u00edncipe da Beira, uma das edifica\u00e7\u00f5es mais imponentes e intrigantes que o per\u00edodo colonial legou ao Brasil. Situado \u00e0s margens do Rio Guapor\u00e9 \u00e9 repleto de hist\u00f3rias e lendas. Uma hist\u00f3ria n\u00e3o contada \u00e9 a da pr\u00f3pria constru\u00e7\u00e3o do forte. A oficial diz que 200 trabalhadores erigiram a muralha de pedra. A n\u00e3o oficial revela que pelo menos mil escravos e 5 mil \u00edndios escravizados foram utilizados durante os sete anos que o forte levou para ficar pronto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante a lua cheia da noite de 21 de julho, o Forte Pr\u00edncipe da Beira recebeu a caravana cultural do Cineamaz\u00f4nia Itinerante. Como sempre, noite especial. Guarnecida por uma brigada de fronteira do Ex\u00e9rcito, as muralhas do forte foram o palco de oito filmes em curta-metragem e de uma apresenta\u00e7\u00e3o marcante da Trupe Koskowisck. Os palha\u00e7os Cotonete e Chiquita tiveram de se desdobrar para conter o entusiasmo das crian\u00e7as do local, que interagiam a todo momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O local tamb\u00e9m recebeu as oficinas de fotografia artesanal ministrada por Bete Bullara e o filme em curta metragem de anima\u00e7\u00e3o na t\u00e9cnica Pixilation, de Christian Ritse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante a tarde, a equipe do Amazon Sat conheceu uma das hist\u00f3rias intrigantes do Forte. Guiados pelo presidente da Associa\u00e7\u00e3o Quilombola de Forte Pr\u00edncipe da Beira, Elvis Pessoa, a equipe foi at\u00e9 um labirinto de pedras situado no meio da mata. Local que \u00e9 cercado por lendas. Do labirinto, Elvis Pessoa j\u00e1 encontrou diversos artefatos, inclusive pe\u00e7as que remetem a coloniza\u00e7\u00f5es incas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O distrito de Buena Vista, na Bol\u00edvia, marcou a estreia de dois novos quadros dos palha\u00e7os, para melhor adapta\u00e7\u00e3o ao idioma espanhol. A exibi\u00e7\u00e3o em frente a uma pequena praia de areia foi marcada pela forte participa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as. No s\u00e1bado, 23, \u00e9 a vez do munic\u00edpio de Costa Marques, em Rond\u00f4nia receber o Cineamaz\u00f4nia. A caravana segue.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/cineamazonia4.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Cineamazonia, 14a EDI\u00c7\u00c3O, tem o patroc\u00ednio do BNDES, Governo Federal, Minist\u00e9rio da Cultura, Secretaria do Audiovisual, Lei Rouanet. Apoio Cultural da Prefeitura de Porto Velho, atrav\u00e9s da SEMA.<\/em><\/p>\n<p>\u2013 Ismael Machado \u00e9 jornalista, escritor e roteirista. Lan\u00e7ou o livro \u201cSujando os Sapatos \u2013 O Caminho Di\u00e1rio da Reportagem\u201d. <a href=\"http:\/\/www.saraiva.com.br\/sujando-os-sapatos-o-caminho-diario-da-reportagem-3692875.html\" target=\"_blank\">Saiba mais aqui<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/category\/cinema\/\">MAIS SOBRE FILMES E CINEMA<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Na estrada e nos rios desde o dia 13\/07, a segunda etapa do Cineamaz\u00f4nia Itinerante 2016 chegou \u00e0 metade do percurso\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/07\/27\/diario-de-viagem-cineamazonia-itinerante\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":15,"featured_media":39696,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38987"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/15"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38987"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38987\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39697,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38987\/revisions\/39697"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/39696"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38987"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38987"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38987"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}