{"id":38858,"date":"2016-07-15T12:09:17","date_gmt":"2016-07-15T15:09:17","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=38858"},"modified":"2016-09-03T11:20:25","modified_gmt":"2016-09-03T14:20:25","slug":"entrevista-el-toro-fuerte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/07\/15\/entrevista-el-toro-fuerte\/","title":{"rendered":"Entrevista: El Toro Fuerte"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/eltorofuerte.jpg\" width=\"600\" height=\"600\" \/><br \/>\n<strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\">Bruno Lisboa<\/a><\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Natural de Belo Horizonte, o El Toro Fuerte \u00e9 mais um belo exemplo do que tem acontecido na cada vez mais prol\u00edfica cena autoral mineira. Formado por Jo\u00e3o Carvalho (vocais, guitarra, baixo), Gabriel Martins (bateria) e Diego Soares (baixo, guitarra, vocais), o trio acaba de lan\u00e7ar o seu primeiro \u00e1lbum, \u201cUm Tempo Lindo Pra Estar Vivo\u201d, trabalho no qual se alternam entre momentos silenciosos e esporrentos com sonoridades ligadas ao emo, ao punk e ao hardcore, tudo emoldurado por letras em ode a nostalgia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lan\u00e7ado pela Bichano Records (<a href=\"https:\/\/bichanorecords.bandcamp.com\/album\/um-tempo-lindo-pra-estar-vivo\" target=\"_blank\">download gratuito aqui<\/a>), \u201cUm Tempo Lindo Pra Estar Vivo\u201d foi produzido pelo pr\u00f3prio trio, que agora passa a receber o aux\u00edlio oficial de <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/09\/02\/tres-perguntas-fabio-de-carvalho\/\" target=\"_blank\">F\u00e1bio de Carvalho<\/a> (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/geracaoperdidamg\" target=\"_blank\">Gera\u00e7\u00e3o Perdida de Minas Gerais<\/a>) nas guitarras dos shows ao mesmo tempo em que o El Toro Fuerte passa a ser a banda de apoio de F\u00e1bio no palco. Eis um bom exemplo da constante troca de experi\u00eancias da nova cena mineira: \u201cJo\u00e3o toca baixo na banda do <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/05\/30\/tres-perguntas-jonathan-tadeu\/\" target=\"_blank\">Jonathan Tadeu<\/a> e guitarra na do <a href=\"https:\/\/fernandomotta.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\">Fernando Motta<\/a>; o Jonathan toca baixo na banda do Fernando Motta, que toca guitarra na banda dele\u201d, explica Diego Soares, em papo por e-mail.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na conversa, Diego fala dos anos iniciais da banda, o processo de cria\u00e7\u00e3o de \u201cUm Tempo Lindo Pra Estar Vivo\u201d (\u201cMuitas m\u00fasicas do Jo\u00e3o foram feitas h\u00e1 cinco, seis anos atr\u00e1s\u201d), a rela\u00e7\u00e3o da banda com o selo <a href=\"https:\/\/bichanorecords.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\">Bichano Records<\/a> (\u201cAprendemos tudo o que movimentamos em Belo Horizonte com eles e os melhores momentos de nossas vidas at\u00e9 aqui se deram com ou por causa deles\u201d), a rotula\u00e7\u00e3o \u201crock triste\u201d, a entrada do F\u00e1bio de Carvalho para a banda, o momento vivido pela cena local, as perspectivas de futuro e muitos mais. Com voc\u00eas, El Toro Fuerte.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/hIihTBh5oHA\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/hIihTBh5oHA\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como se deu a forma\u00e7\u00e3o da banda? E a escolha do nome?<\/strong><br \/>\nA forma\u00e7\u00e3o da banda \u00e9 bem antiga, pelo menos em ideia. Conheci o Gabriel em 2012, se n\u00e3o me engano, num grupo de \u201cformar banda\u201d do Facebook e, desde ent\u00e3o, a gente entrou e saiu de diversos projetos, mas sempre com a ideia de continuar tocando junto. Por volta da mesma \u00e9poca conheci o Jo\u00e3o numa festa, que rolou uma jam session bem legal. Ficou mais ou menos definido que a gente ia fazer uma banda eventualmente. A oportunidade veio quando eu, em contato com umas m\u00fasicas do Jo\u00e3o, resolvi mandar pro Gabriel pra ver se a gente conseguia dar vida a essas composi\u00e7\u00f5es. Curioso que esse contato levou a gente a focar em outro tipo de som e essas m\u00fasicas ficaram esperando um bom tempo&#8230; Fomos um quarteto com o Igor Vitorelli, um quarteto com a Marcela Lopes (hoje vocalista e baixista da banda Mi\u00eatta) e depois um trio como forma\u00e7\u00e3o oficial. O nome surgiu de um brainstorm gigantesco sobre usar a m\u00fasica como defesa\/arma na forma como a gente lidava com problemas e como isso poderia ser representado em um nome que n\u00e3o soasse pedante ou muito pesado. Chegamos \u00e0 conclus\u00e3o de que havia um conceito de tempo definido nas m\u00fasicas e que seria legal se esse nome remetesse \u00e0 nossa inf\u00e2ncia. Da\u00ed veio minha ideia de fazer uma \u201chomenagem\u201d ao wrestling, uma modalidade de esporte de entretenimento que acompanho desde crian\u00e7a e que tem um s\u00e9quito de f\u00e3s alucinados em pa\u00edses como M\u00e9xico, Jap\u00e3o e Estados Unidos principalmente (chegou ao Brasil como o Telecatch Vulc\u00e1n, mas ficou famoso na Globo como Telecatch Montilla nos anos 1960, com o Ted Boy Marino de protagonista). Resolvemos colocar o nome de El Toro Fuerte, que \u00e9 um luchador do desenho do Jackie Chan mais como uma brincadeira, mas a gente se afei\u00e7oou ao nome. E at\u00e9 torce por um processo pra gente conhecer o Jackie pessoalmente, nem que seja no tribunal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em &#8220;Um Tempo Lindo Pra Estar Vivo&#8221; voc\u00eas promovem uma bem vinda mistura de sonoridades ligadas ao hardcore, indie e punk. Como foi o processo de composi\u00e7\u00e3o e grava\u00e7\u00e3o do disco?<\/strong><br \/>\nO processo de composi\u00e7\u00e3o foi bem longo e boa parte sequer tem rela\u00e7\u00e3o com o disco ou a banda em si. Digo isso porque muitas m\u00fasicas do Jo\u00e3o foram feitas h\u00e1 cinco, seis anos atr\u00e1s, por esse mesmo motivo o \u00e1lbum tem essa cara de \u201cviagem no tempo\u201d, por assim dizer. H\u00e1 v\u00e1rios di\u00e1logos de \u00e9pocas diferentes ali. Com isso n\u00e3o quero dizer que n\u00e3o haja uma unidade conceitual \u2013 \u00e9 exatamente o contr\u00e1rio. S\u00e3o anos de cria\u00e7\u00e3o e viv\u00eancia que desaguam juntos nesse disco. Em termos de arranjo, sim, fizemos tudo juntos e foi muito tranquilo porque j\u00e1 hav\u00edamos criado um carinho muito especial pelas m\u00fasicas, al\u00e9m de tudo que elas representam. As baterias foram gravadas no home studio de um amigo nosso, o Pedro Tico, e o restante fizemos na minha casa. Tamb\u00e9m mixamos, masterizamos e produzimos tudo. Ent\u00e3o, o processo de grava\u00e7\u00e3o foi bem suave.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No disco voc\u00eas alternam entre momentos mais silenciosos e barulhentos na mesma medida. Quais influ\u00eancias norteiam as composi\u00e7\u00f5es da banda?<\/strong><br \/>\nAcho que esse disco tem influ\u00eancia de muita coisa, at\u00e9 pelas composi\u00e7\u00f5es terem uma evolu\u00e7\u00e3o cronol\u00f3gica bem longa; as primeiras m\u00fasicas s\u00e3o de coisa de 5 anos atr\u00e1s. Ent\u00e3o tem desde um pouco de indie anos 00, da vers\u00e3o abrasileirada desse som \u2013 tem Los Hermanos ali, com certeza \u2013 at\u00e9 de algumas bandas mineiras que fizeram parte da nossa forma\u00e7\u00e3o, como foi a L\u00famen&#8230; e a\u00ed tem tamb\u00e9m as influ\u00eancias de uma fase posterior pra gente \u2013 que em termos cronol\u00f3gicos, veio antes \u2013 que \u00e9 a presen\u00e7a at\u00e9 mais \u00f3bvia das bandas de noise dos anos 90, do sadcore e desse emo de bandas meio esquecidas como o American Football e o Mineral. Post rock tamb\u00e9m \u00e9 uma presen\u00e7a, ainda que discreta. Por ultimo, e talvez mais importante, acho que tem a influ\u00eancia da nossa pr\u00f3pria cena. Isso \u00e9 uma coisa muito bonita entre essas bandas da Bichano Records, da Transtorninho e da Gera\u00e7\u00e3o Perdida&#8230; n\u00f3s somos muito pr\u00f3ximos uns dos outros, eu acho; os discos dos nossos pr\u00f3prios amigos acabam nos influenciando e nasce uma coisa muito pessoal, espec\u00edfica dessa galera mesmo. Ent\u00e3o assim, F\u00e1bio de Carvalho, Lupe de Lupe, Gorduratrans, Salvage&#8230; at\u00e9 os meninos do Ra\u00e7a e Ombu; S\u00e3o todas bandas irm\u00e3s em alguma medida e que t\u00e3o diretamente relacionados \u00e0 forma como n\u00f3s constru\u00edmos o nosso som.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco foi lan\u00e7ado pela Bichano Records, elo que encerra as atividades em agosto. Como era a rela\u00e7\u00e3o com eles?<\/strong><br \/>\nNossa rela\u00e7\u00e3o \u00e9 m\u00e1gica. Fred Zgur e Caio Sartori s\u00e3o dois dos nossos melhores amigos no mundo hoje. Aprendemos tudo o que movimentamos em Belo Horizonte com eles e os melhores momentos de nossas vidas at\u00e9 aqui se deram com ou por causa deles. A recep\u00e7\u00e3o que tiveram do nosso single e do disco foi muito emocionante, porque passamos muito tempo sonhando em fazer parte do plantel do selo, conseguir viajar para longe de casa tocando como fez o Gorduratrans e conseguir viver um ter\u00e7o do que a gente acompanhava ainda meio de longe. Sem a Bichano Records nada seria nem parecido com o que \u00e9 e acho que qualquer pessoa que acompanhe o selo s\u00f3 vai ter carinho nas palavras quando o assunto for esse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Numa mat\u00e9ria recente a banda foi colocada dentro mesmo pacote intitulado &#8220;rock triste&#8221;. Rotula\u00e7\u00f5es como esta incomodam?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o incomoda de forma alguma! O termo partiu de memes da internet feitos por pessoas que hoje s\u00e3o nossas amigas, mas que, antes da exist\u00eancia da pr\u00f3pria banda, j\u00e1 apoiavam artistas \u00e0 sua forma, que \u00e9 fazendo piada. Essa divulga\u00e7\u00e3o rodou o pa\u00eds todo e hoje existem diversas p\u00e1ginas a respeito. &#8220;Rock triste\u201d \u00e9 a forma carinhosa e jocosa \u00e0 qual essa comunidade se refere ao som das bandas que elas gostam. O termo n\u00e3o pretende se impor como uma vertente ou g\u00eanero novo, mas ajuda a identificar pessoas interessadas nas mesmas coisas. Recha\u00e7ar o \u201crock triste\u201d, no nosso caso, seria praticamente uma ingratid\u00e3o, porque antes de sermos m\u00fasicos numa banda que \u00e9 ouvida, a gente ouvia bandas e conhecia muitas outras atrav\u00e9s dessa divulga\u00e7\u00e3o. Portanto, n\u00e3o acreditamos nem que seja um r\u00f3tulo, porque n\u00e3o define ou limita essa identifica\u00e7\u00e3o a nenhum som espec\u00edfico. Achamos que est\u00e1 mais atrelado a uma forma de unir pessoas, proceder num n\u00edvel de produ\u00e7\u00e3o alto e tentar horizontalizar o m\u00e1ximo poss\u00edvel a rela\u00e7\u00e3o dos artistas com seu p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dias atr\u00e1s voc\u00eas anunciaram a entrada do F\u00e1bio de Carvalho para o grupo. Como se deu a parceria? \u00c9 em definitivo?<\/strong><br \/>\nEm um post do Facebook, uma vez, explicamos como nossa hist\u00f3ria estava 100% atrelada \u00e0 hist\u00f3ria do F\u00e1bio. Entre diversos pontos, tocamos com eles por tr\u00eas vezes no \u00faltimo ano e ele sempre acreditou no nosso trabalho (mesmo quando a gente deixou de acreditar). Ele vai nos acompanhar ao vivo para podermos dar mais fidelidade ao som ao vivo, comparado com o \u00e1lbum e, em primeira m\u00e3o, j\u00e1 adiantamos que a El Toro Fuerte \u00e9 a banda de apoio do F\u00e1bio tamb\u00e9m. Nossa hist\u00f3ria indissoci\u00e1vel agora segue como uma s\u00f3, mas pela amizade e respeito m\u00fatuo cremos que ser\u00e1 muito natural. Nosso nicho aqui em Belo Horizonte tem um pouco disso: o Jo\u00e3o toca baixo na banda do Jonathan Tadeu e guitarra na do Fernando Motta (ex-Young Lights); o Jonathan toca baixo na banda do Fernando Motta, que toca guitarra na banda dele. A nossa parceria vai deixar tudo mais f\u00e1cil e vai ser ben\u00e9fica pra ambos, ent\u00e3o, tudo tende a permanecer assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Belo Horizonte, tem uma prol\u00edfica cena autoral, mas \u00e9 tida por muitos como a &#8220;terra de bandas covers&#8221;, vide o grande n\u00famero de bandas e casas noturnas que d\u00e3o abertura para esse segmento. Como \u00e9 tentar se estabelecer de maneira autoral por aqui?<\/strong><br \/>\nPra ser muito sincero, hoje eu n\u00e3o sei mais se isso \u00e9 uma caracter\u00edstica espec\u00edfica de Belo Horizonte. Acho que \u00e9 algo da forma como o mercado se estruturou nos \u00faltimos anos, tem a ver com o estilo de pensamento e estrutura\u00e7\u00e3o de neg\u00f3cios dos pr\u00f3prios donos dessas casas&#8230; Fazer uma casa aberta ao cover aqui \u00e9 uma jogada mais certa do que abrir uma programa\u00e7\u00e3o autoral, at\u00e9 por conta do p\u00fablico. \u00c9 arriscado, sem sombra de d\u00favida. A quest\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 que tenho a impress\u00e3o de que a cidade est\u00e1 num momento \u201cem alta\u201d com a cena autoral, e que esses momentos v\u00e3o e voltam. Esse momento de alta tamb\u00e9m se traduz num crescimento gradual do interesse dessas casas de show por bandas autorais. A gente j\u00e1 est\u00e1 tendo alguns exemplos esparsos de bandas autorais tocando no circuito do rock, por exemplo. Mas acho que o nosso interesse passa meio por longe disso \u00e0s vezes. O m\u00e9rito e a grande luta da gente vem mais no sentido de criar um circuito alternativo do que de se inserir no circuito de shows que j\u00e1 existe. Acho que isso tem at\u00e9 uma quest\u00e3o pol\u00edtica, e tamb\u00e9m um pouco dessa quest\u00e3o nossa da sensa\u00e7\u00e3o de \u201cn\u00e3o pertencimento\u201d. Mas a verdade \u00e9 que j\u00e1 passamos por momentos muito, muito piores. Acho que \u00e0s vezes o pessoal que est\u00e1 envolvido com a cena h\u00e1 muito tempo e que viveu momentos muito piores do que o que a gente est\u00e1 vivendo agora \u2013 hoje conseguimos marcar shows com muita tranquilidade, o p\u00fablico dos eventos tem crescido pra caramba, e os espa\u00e7os que s\u00e3o abertos pra um som autoral s\u00e3o muitos hoje \u2013 costuma nos achar meio ingratos por ainda estarmos reclamando, mas acho que isso \u00e9 natural e essencial pra evolu\u00e7\u00e3o das coisas. A gente precisa se manter insatisfeito e cr\u00edtico pra continuar melhorando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais seriam as estrat\u00e9gias a serem adotadas para fazer com que a cena possa progredir ainda mais?<\/strong><br \/>\nPoxa, pergunta complicada! (risos) At\u00e9 porque as defini\u00e7\u00f5es de \u201ccena\u201d e de \u201cprogresso\u201d s\u00e3o dois pontos que tem sido alvo de muito debate, pelo menos ao nosso redor&#8230; Belo Horizonte pelo menos \u00e9 atualmente, uma cidade de grupos, nichos. Muita gente tem inclusive conversado sobre a pretens\u00e3o de unir a m\u00fasica independente, de organizar eventos mais coletivos e plurais, tanto no que se refere aos estilos musicais quanto \u00e0 quest\u00e3o social mesmo. Acho inevit\u00e1vel afirmar que existe uma diferencia\u00e7\u00e3o de \u201cclasses\u201d, ainda que indiretamente, quando reparamos em quais \u201ccenas\u201d colam com quais outras, quais grupos tem mais ou menos dificuldade de dialogar e tudo mais. Por um lado acho essa iniciativa (de uni\u00e3o) louv\u00e1vel, mas ao mesmo tempo tenho certo p\u00e9 atr\u00e1s com esse impulso de \u201cunifica\u00e7\u00e3o\u201d, porque ele s\u00f3 funciona bem se for feito com muito, muito cuidado. Existem raz\u00f5es pelas quais as \u201ccenas\u201d da cidade se dividem, por conta de diferen\u00e7as, formas diversas de entender a cidade e at\u00e9 mesmo a m\u00fasica, e essa pluralidade e valores tem que ser respeitada nesse processo. Trata-se de uma quest\u00e3o pol\u00edtica e que eu enxergo acontecendo de forma muito semelhante at\u00e9 mesmo nos movimentos sociais, da cidade ou mesmo do pa\u00eds. O que acho interessante deixar claro \u00e9 que a gente sempre esteve aberto a fazer parcerias e crescer junto com a cena. O que a gente mais faz \u00e9 convite pra bandas que participam de outros rol\u00eas e est\u00e3o em l\u00f3gicas completamente diferentes de produ\u00e7\u00e3o e viv\u00eancia. O que acontece \u00e9 que nem sempre essas bandas ou grupos se sentem \u00e0 vontade ou mesmo gostam do nosso som\/ v\u00e3o com a nossa cara, e ao mesmo tempo \u00e9 importante que a gente n\u00e3o se esque\u00e7a ou abandone os nossos valores. E n\u00e3o tem nada de errado nisso, diga-se de passagem (risos). O que posso resumir \u00e9 que temos objetivos muito claros e construtivos quanto ao que queremos fazer. Brincamos muito com o pessoal das outras bandas sobre como o importante \u00e9 criar conte\u00fado, e \u00e9 isso que fazemos e pretendemos fazer para o futuro. Mais discos, mais shows, turn\u00eas pelos outros estados. Aprendemos a fazer isso desde o come\u00e7o, quando n\u00e3o t\u00ednhamos muito apoio ou interesse dos outros, e \u00e9 o que podemos garantir que sempre saberemos fazer. Se as pessoas quiserem trabalhar junto com a gente\/ aceitar os nossos eventuais convites, vai ser lindo, mas \u00e9 como se ao mesmo tempo n\u00e3o quis\u00e9ssemos deixar nossas expectativas l\u00e1 no alto quanto a isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas usam cenas de filmes como se fossem clipes para as m\u00fasicas do El Toro Fuerte. Como surgiu essa ideia e qual a rela\u00e7\u00e3o de voc\u00eas com o cinema?<\/strong><br \/>\nA gente n\u00e3o usa n\u00e3o! Na verdade, os v\u00eddeos todos foram feitos pelo Vitor Daniel (<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/user\/vittinzaker\/videos\" target=\"_blank\">Capit\u00e3o Ahab<\/a>) e foram produzidos porque ele gosta do som. Ele faz de v\u00e1rias bandas contempor\u00e2neas ligadas a gente de alguma forma. Quanto a liga\u00e7\u00e3o com cinema \u00e9 mais ampla um pouco a pergunta, mas vou tentar condensar no que a gente faz com m\u00fasica. A gente quis pensar o disco numa unidade conceitual, mais ou menos como seria um livro, ou filme&#8230; ent\u00e3o acho que nossa rela\u00e7\u00e3o com o cinema \u00e9 muito estreita. N\u00f3s tr\u00eas gostamos do cinema \u00e0 nossa maneira e trazemos da experi\u00eancia cinematogr\u00e1fica v\u00e1rios pontos confluentes principalmente com o produzir em forma de registro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais s\u00e3o os pr\u00f3ximos passos da banda?<\/strong><br \/>\nIh, essa \u00e9 dif\u00edcil (risos) N\u00f3s tr\u00eas na banda temos uma montanha de coisas pra fazer; como ainda n\u00e3o conseguimos nos sustentar especificamente com a El Toro, \u00e0s vezes temos uns impedimentos por conta dos empregos de cada um e situa\u00e7\u00f5es do tipo. Mas acho que a primeira coisa que temos em mente \u00e9 finalmente realizar as turn\u00eas pelo pa\u00eds que a gente prometeu. Acho que Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo e Recife s\u00e3o objetivos dos quais a gente n\u00e3o abre m\u00e3o, e que se poss\u00edvel devem rolar ainda esse ano! Estamos fazendo \u2013 hoje inclusive, no dia 02 (de julho, \u00e9poca em que a entrevista foi realizada) \u2013 nosso primeiro show ap\u00f3s o lan\u00e7amento do disco, e preparamos as primeiras camisetas da banda. Lan\u00e7amento de pr\u00f3ximo disco \u00e9 algo que talvez ainda seja um pouco distante, talvez pra se pensar no ano que vem, mas as composi\u00e7\u00f5es j\u00e1 est\u00e3o vindo. O Diego deve ter umas quatro m\u00fasicas prontas j\u00e1; a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 que o pr\u00f3ximo disco traga mais composi\u00e7\u00f5es dele. E, al\u00e9m disso, estamos estreando oficialmente uma parceria com o F\u00e1bio de Carvalho; a partir do show de hoje ele come\u00e7a a nos acompanhar nos shows como guitarrista, e a Toro se torna banda de apoio dele nos seus shows futuros. <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/ilfortetoro\/\" target=\"_blank\">\u00c9 s\u00f3 acompanhar a gente no Facebook<\/a> que tem muita coisa bonita pra acontecer ainda.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/PPE3766RYsQ\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/PPE3766RYsQ\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/U8OvQZbKqKs\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/U8OvQZbKqKs\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/7ni5-q7IUeE\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/7ni5-q7IUeE\" \/><\/object><\/p>\n<p>\u2013 Bruno Lisboa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\">@brunorplisboa<\/a>) \u00e9 redator\/colunista do <a href=\"http:\/\/pignes.com\" target=\"_blank\">Pigner<\/a> e do <a href=\"http:\/\/www.opoderosoresumao.com\/\" target=\"_blank\">O Poder do Resum\u00e3o<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/category\/musica\/\">MAIS SOBRE M\u00daSICA, ENTREVISTAS E REVIEWS NO SCREAM &amp; YELL<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Natural de Belo Horizonte, El Toro Fuerte \u00e9 mais um belo exemplo do que tem acontecido na prol\u00edfica cena autoral mineira\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/07\/15\/entrevista-el-toro-fuerte\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38858"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38858"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38858\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39754,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38858\/revisions\/39754"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38858"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38858"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38858"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}