{"id":38733,"date":"2016-07-08T22:01:49","date_gmt":"2016-07-09T01:01:49","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=38733"},"modified":"2025-01-15T21:34:22","modified_gmt":"2025-01-16T00:34:22","slug":"entrevista-siso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/07\/08\/entrevista-siso\/","title":{"rendered":"Entrevista: O mineiro Siso apresenta seu EP &#8220;Terceiro Molar&#8221;"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Renan Guerra<\/a><\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nome Siso vem realmente do dente que tanta dor nos causa assim como \u201cTerceiro Molar\u201d, nome do primeiro EP de David Dines. Vocalista e guitarrista dos Cabezas Flutuantes, o multiartista embarca de vez em uma carreira solo com marca definitiva, isso tudo depois de uma extensa carreira, que inclui por exemplo o EP\/mixtape \u201cSdds Futuro\u201d (2013) e a produ\u00e7\u00e3o da vers\u00e3o de Nobat para &#8220;N\u00e3o Sei Dan\u00e7ar&#8221;, de Marina Lima. Com uma simb\u00f3lica maturidade trazida pelo nome Siso, o artista encara esse novo trabalho n\u00e3o como uma nova persona assumida, mas sim apenas uma assinatura distinta, que marca um novo passo em sua carreira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTerceiro Molar\u201d, o EP, traz letras po\u00e9ticas envoltas numa \u00e9gide que debate identidade, g\u00eaneros e o nosso espa\u00e7o na sociedade, por\u00e9m numa embalagem pop bastante acess\u00edvel. Cada faixa possui camadas distintas de produ\u00e7\u00e3o e letra, que criam momentos de direta identifica\u00e7\u00e3o, como abrem a janela para posteriores descobertas. \u00c9 como se cada detalhe e palavra escondessem outros caminhos, formando um trabalho intricado de m\u00fasica pop.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Siso assina tr\u00eas das faixas do EP, contando ainda com uma releitura da faixa \u201cClubber do Milharal\u201d, do duo mineiro Paralaxe, e de \u201cApocalipse\u201d, de Jos\u00e9 Mauro, obscuro artista da d\u00e9cada de 1970, lan\u00e7ado no disco \u201cObin\u00f3xius\u201d e escrita ao lado de Ana Maria Bahiana, importante jornalista cultural, hoje em dia radicada nos Estados Unidos. No todo, a estreia de Siso \/ o amadurecimento de David proporciona um trabalho coeso e intenso, que se comunica de forma direta com o cen\u00e1rio de mudan\u00e7as identit\u00e1rias da m\u00fasica pop-popular brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para saber um pouco mais sobre esse momento de David Dines, conversamos com ele via e-mail. Confira o bate papo:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Siso - Eclipse (V\u00eddeo Oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/99AOQbpJF4o?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para come\u00e7ar, em que momento David passou a ser Siso? Ainda h\u00e1 uma linha que separe essas duas personas?<\/strong><br \/>\nNa verdade, Siso \u00e9 s\u00f3 o nome que eu, David, passei a assinar minhas coisas art\u00edsticas de uns tempos pra c\u00e1. N\u00e3o chega a ser uma persona. Queria me desvincular de algumas coisas de antes e achei que esse novo material tinha algo de diferente. Tudo parecia estar mais claro, mais bem resolvido do que antes. Achei justo marcar esse momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea tem uma trajet\u00f3ria repleta de fluxos distintos. Como isso tudo confluiu para a chegada de \u201cTerceiro Molar\u201d? Isso est\u00e1 conectado a ideia do nome Siso representar essa chegada \u00e0 maturidade?<\/strong><br \/>\n\u00c9 como se eu tivesse coletado um monte de experi\u00eancias e aprendizados que s\u00f3 agora a pouco come\u00e7aram a fazer sentido juntos. O nome Siso tem a ver com isso: uma maturidade (question\u00e1vel) que \u00e9 inevit\u00e1vel e vem da dor, do sangrar, mas que \u00e9 algo que a pessoa faz o que quiser com aquilo. Tem essa coisa de o terceiro molar ser um tra\u00e7o da evolu\u00e7\u00e3o humana, mas ter se tornado algo meio que descart\u00e1vel na denti\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie hoje. Achei que essa ideia de &#8220;descartabilidade&#8221; tamb\u00e9m conversava com o fato de ser um trabalho de m\u00fasica pop, que \u00e9 um estilo que se presume descart\u00e1vel, mas que tem sua atemporalidade e \u00e9 campo de batalha pra v\u00e1rias disputas sociais e identit\u00e1rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No disco h\u00e1 temas bastante pertinentes \u00e0 atualidade, como as quest\u00f5es de g\u00eanero. Isso foi uma escolha premeditada ou os assuntos foram entrando no disco de forma natural?<\/strong><br \/>\nFoi tudo bem natural. Identidade sempre foi um tema presente nos meus trabalhos, e eu acredito que a forma como a pessoa se coloca em sociedade precisa partir da reflex\u00e3o sobre os pr\u00f3prios atos e de algum autoconhecimento. Nesse processo, a pessoa precisa de uma boa dose de honestidade e de coragem pra confrontar o que surgir no meio disso. O foda \u00e9 que a gente cresce oprimindo a si e aos outros por se pautar pelas expectativas alheias, at\u00e9 algum dia se dar conta do quanto isso \u00e9 insustent\u00e1vel. A quest\u00e3o de g\u00eanero entra nisso. E \u00e9 a partir dessa consci\u00eancia das injusti\u00e7as e opress\u00f5es que \u00e9 poss\u00edvel construir rela\u00e7\u00f5es mais saud\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nesse sentido, como voc\u00ea compreende a import\u00e2ncia da sua persona art\u00edstica no cen\u00e1rio pol\u00edtico e social do Pa\u00eds? Voc\u00ea busca ser uma voz de caminhos dissonantes?<\/strong><br \/>\nA gente vive um momento bem esquisito, que \u00e9 muito marcado pela falta de di\u00e1logo. As pessoas j\u00e1 chegam atacando umas \u00e0s outras por quest\u00f5es estruturais, sem se colocar no lugar do outro ou mesmo avaliar o bom senso dos pr\u00f3prios atos. Eu gostaria de ser uma voz de Egr\u00e9gora e de afeto no meio disso. Mas, claro, n\u00e3o d\u00e1 pra deixar de refutar aquilo que \u00e9 errado e irracional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As m\u00fasicas do \u201cTerceiro Molar\u201d mostram uma busca constante por sonoridades distintas, mas que culminam sempre numa sonoridade pop e acess\u00edvel. Essa era sua inten\u00e7\u00e3o? Tornar o novo e o experimental algo compreensivo para distintos p\u00fablicos? Ou foi algo mais natural?<\/strong><br \/>\nSempre fui muito f\u00e3 de m\u00fasica pop. \u00c9 o lugar de onde articulo tudo que crio, at\u00e9 por liga\u00e7\u00e3o afetiva, j\u00e1 que minhas primeiras mem\u00f3rias musicais incluem muita coisa pop dos anos 1990. Mas ou\u00e7o todo tipo de coisa &#8211; nos favoritos dos meus perfis nos streamings tem desde Diamanda Gal\u00e1s a Astro, passando por Sir Victor Uwaifo e Kendrick Lamar. Tenho grande interesse em artistas que borram fronteiras entre g\u00eaneros, que deslocam o ouvido da zona de conforto. Mas, pra mim, realiza\u00e7\u00e3o mesmo est\u00e1 \u00e9 num bom gancho pop, simples e conciso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A faixa \u201cApocalipse\u201d \u00e9 uma escolha distinta dentro do disco. Como voc\u00ea chegou nessa faixa do Jos\u00e9 Mauro com a Ana Maria Bahiana? Voc\u00ea acredita que os discos do Mauro precisam ser redescobertos pelas novas gera\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\nFoi por acaso. Sempre gostei de coisas que s\u00e3o meio que naquela pegada dele, como os \u201cAfro-Sambas\u201d, do Baden Powell com Vinicius. Acho que, pesquisando discos brasileiros obscuros, trombei no &#8220;Obnoxius&#8221;. \u00c9 um material riqu\u00edssimo. A imag\u00e9tica desenvolvida por ele e pela Ana Maria Bahiana naqueles trabalhos \u00e9 muito maravilhosa, sem falar nos arranjos do maestro Gaya. Merecia muito uma ouvida atenciosa por mais pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea transita bastante entre as cenas musicais de S\u00e3o Paulo e Belo Horizonte. Como voc\u00ea percebe o cen\u00e1rio atual da m\u00fasica independente? Quais artistas voc\u00ea anda escutando bastante dessa gera\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nDesde 2014, mais ou menos, BH vive um momento riqu\u00edssimo de produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Coisas incr\u00edveis t\u00eam sa\u00eddo de l\u00e1. E tanto em BH quanto em SP, vejo muita vontade do pessoal de fazer coisas fora das estruturas, fora do grid, mas tamb\u00e9m buscando se organizar com uma vis\u00e3o profissional do rol\u00ea, o que contribui muito pro fortalecimento das estruturas independentes. Dos conterr\u00e2neos mineiros, gosto muito de Aldan, Paralaxe, Pelos, Os Amantes Invis\u00edveis, Estrada, Umrio, The Us, Valsa Bin\u00e1ria, Mordomo, Lucas Avelar e Nobat. Do pessoal em SP, admiro os trabalhos do N\u00c3, Aloizio, NU, Let\u00edcia Novaes, anvil FX, T\u00e1ssia Reis, Lineker, Alambradas e Rico Dalasam. E de outros cantos do pa\u00eds ou\u00e7o X\u00f3\u00f5, Renata Rosa, Ava Rocha, Alice Caymmi, M\u00e3eana, Carne Doce e Qinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 que falamos em indica\u00e7\u00f5es, e quais artistas s\u00e3o \u201cseu norte\u201d na sua carreira art\u00edstica?<\/strong><br \/>\nMeu compasso muda muito de acordo com o momento &#8211; geminiano, sabe como \u00e9. Mas entre os artistas que t\u00eam a ver de modo mais global com o que fa\u00e7o d\u00e1 pra citar Depeche Mode, Os Mutantes, Anohni, David Bowie, St. Vincent, Blondie, Talking Heads, Joni Mitchell e Karine Alexandrino.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"SISO -  Terceiro Molar (2016) - EP Completo\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/wtWYblCOqio?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Homem - SISO | ao vivo\/live @ CCSP 23 Mix Brasil\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/NfT44h7tcTo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Siso - Errare Humanum Est (ao vivo)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/lbhsJMcuMl8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Renan Guerra<\/a> \u00e9 jornalista e colabora com o sites <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/YouMeDancin\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">You! Me! Dancing!<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.bateafita.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bate a Fita<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/category\/musica\/\">MAIS SOBRE M\u00daSICA, ENTREVISTAS E REVIEWS NO SCREAM &amp; YELL<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Vocalista e guitarrista dos Cabezas Flutuantes, David Dines embarca de vez em uma carreira solo com marca definitiva\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/07\/08\/entrevista-siso\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":3,"featured_media":86467,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[2503],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38733"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38733"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38733\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":86470,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38733\/revisions\/86470"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/86467"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38733"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38733"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38733"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}