{"id":38675,"date":"2016-07-01T09:19:17","date_gmt":"2016-07-01T12:19:17","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=38675"},"modified":"2017-12-14T09:21:17","modified_gmt":"2017-12-14T11:21:17","slug":"entrevista-nacao-zumbi-2016","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/07\/01\/entrevista-nacao-zumbi-2016\/","title":{"rendered":"Entrevista: Na\u00e7\u00e3o Zumbi (2016)"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/nacaozumbi.jpg\" width=\"600\" height=\"346\" \/><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Na\u00e7\u00e3o Zumbi \u00e9 uma das mais importantes forma\u00e7\u00f5es da m\u00fasica brasileira dos \u00faltimos 20 anos. A afirma\u00e7\u00e3o categ\u00f3rica e, como tal, pass\u00edvel de questionamento se justifica com a pr\u00f3pria hist\u00f3ria da banda: com Chico Science ainda nesse plano de exist\u00eancia, a Na\u00e7\u00e3o lan\u00e7ou dois discos \u2013 \u201cDa Lama ao Caos\u201d (1994) e \u201cAfrociberdelia\u201d (1996) \u2013 que levaram a sua gera\u00e7\u00e3o e algumas gera\u00e7\u00f5es seguintes a olhar para as pr\u00f3prias refer\u00eancias nacionais como se olhassem para as internacionais, e ent\u00e3o usar isso para fazer a m\u00fasica mais verdadeira poss\u00edvel. J\u00e1 no p\u00f3stumo \u201cCSNZ\u201d (1998), a banda deu mostras de que seguiria outro caminho, diferente daquele que vinha se desenhando com Chico Sciene. A psicodelia ficou mais evidente, as letras menos pernambucanas, mas a sonoridade manteve a for\u00e7a percussiva, a imprevisibilidade da guitarra de L\u00facio Maia e o di\u00e1logo com a m\u00fasica do mundo. E j\u00e1 s\u00e3o agora 25 anos de carreira, contagem iniciada desde que as bandas Loustal e Lamento Negro se juntaram para dar origem a Chico Science &amp; Na\u00e7\u00e3o Zumbi.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A festa est\u00e1 sendo comemorada com v\u00e1rios shows, entre eles uma turn\u00ea apresentando \u201cAfrociberdelia\u201d na \u00edntegra, j\u00e1 que esse disco \u2013 possivelmente o mais importante da discografia da banda e <a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musica\/top20nacional.html\" target=\"_blank\">terceiro melhor disco dos anos 90 em vota\u00e7\u00e3o do Scream &amp; Yell<\/a>; \u201cDa Lama ao Caos\u201d foi o quarto \u2013 completa seu 20\u00ba anivers\u00e1rio. Mas a festa teve seus dissabores: Gilmar Bola 8, percussionista que foi um dos fundadores da banda, alegou ter sido expulso injustamente, e que os demais integrantes n\u00e3o o teriam comunicado a respeito, deixando a tarefa para a empres\u00e1ria do grupo, Ana Almeida. Na sequ\u00eancia, abriu processo contra os ex-companheiros acusando divis\u00e3o injusta dos lucros da banda. Da sua parte, a Na\u00e7\u00e3o Zumbi respondeu, em comunicado oficial, que as raz\u00f5es para a sa\u00edda de Bola 8 seriam \u201cm\u00e1 conduta, desrespeito e falta de profissionalismo\u201d, sem especificar atitudes, e at\u00e9 Lula Louise, filha de Chico Science, veio a p\u00fablico falar em favor da Na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Inicialmente um octeto, hoje a Na\u00e7\u00e3o \u00e9 um quinteto: L\u00facio Maia, Jorge Du Peixe (voz), Dengue (baixo), Toca Ogan (percuss\u00e3o) e Pupillo (bateria) \u2013 os tamboristas Tom Rocha e Gustavo Da Lua s\u00e3o m\u00fasicos contratados. As mudan\u00e7as de forma\u00e7\u00e3o foram um dos t\u00f3picos da conversa que o Scream &amp; Yell travou com L\u00facio Maia alguns minutos antes da apresenta\u00e7\u00e3o da banda no 20\u00ba Festival Cultura Inglesa, repassando brevemente esses 25 anos e j\u00e1 olhando para o presente (a iminente apresenta\u00e7\u00e3o com os Young Gods no anivers\u00e1rio de 50 anos do Festival de Montreux na Su\u00ed\u00e7a, precedida de alguns shows com os su\u00ed\u00e7os aqui no Brasil) e para o futuro (o pr\u00f3ximo \u00e1lbum, ainda sem t\u00edtulo). Uma breve nota: para dialogar com a proposta do festival, patrocinado por um curso de idiomas, a Na\u00e7\u00e3o Zumbi tocou vers\u00f5es de \u201cChina Girl\u201d, de Bowie\/Iggy; \u201cTomorrow Never Knows\u201d, dos Beatles; \u201cA Message to You, Rudy\u201d, do The Specials; e \u201cTime of The Season\u201d, do The Zombies,<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/CqCoqeSKMiQ\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/CqCoqeSKMiQ\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como surgiu o convite para fazer esse show com o Young Gods? Partiu da curadoria do festival de Montreux ou de algum de voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nPartiu do pr\u00f3prio Young Gods. Eu creio que o pessoal do consulado su\u00ed\u00e7o conversou sobre esse projeto com eles, e da\u00ed o Franz [Treichler] fez uma pesquisa e se inteirou da gente. Ele entrou em contato conosco e tudo acabou rolando. S\u00f3 que a gente teve um encontro em 1996 num festival no interior da B\u00e9lgica. A Na\u00e7\u00e3o foi tocar com o Chico e os Young Gods tocaram em outro palco. Depois do nosso show, fomos assistir os caras, que tinham um hit que tocava muito na MTV, \u201cKissing The Sun\u201d, que \u00e9 uma grande m\u00fasica. Vimos o show e conversamos rapidamente com o Franz no backstage, logo depois. A gente nem sabia que ele era brasileiro, ficou naquela situa\u00e7\u00e3o (risos), mas fomos e dissemos a ele que t\u00ednhamos achado o show muito massa. Corta. A\u00ed vamos para esse encontro, que era um projeto do governo su\u00ed\u00e7o, e que fluiu muito r\u00e1pido, muito f\u00e1cil, porque temos o mesmo conceito sobre m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E est\u00e1 funcionando bem o show, artisticamente? Porque, pelo pouco que vi no YouTube, os arranjos t\u00eam pendido muito para o lado da Na\u00e7\u00e3o. Tem ficado muito Na\u00e7\u00e3o e pouco Young Gods.<\/strong><br \/>\nEles t\u00eam uma dificuldade maior porque s\u00e3o uma banda altamente mec\u00e2nica. \u00c9 bateria, o Franz canta, toca uma guita, mas \u00e9 pouca coisa. Mas tudo vem da base do teclado, que s\u00e3o os samplers de baixo, bateria, sintetizadores. Ent\u00e3o quando come\u00e7amos a tocar, ele n\u00e3o conseguia encontrar espa\u00e7o no nosso som para aquela gritaria dele, talvez por isso tenha ficado um pouco com essa caracter\u00edstica. Tamb\u00e9m porque para n\u00f3s era mais f\u00e1cil absorver a m\u00fasica deles do que o contr\u00e1rio. Mas acho que a fus\u00e3o ficou muito espont\u00e2nea. N\u00e3o foi uma coisa que tivemos muito trabalho para fazer. N\u00f3s ensaiamos cinco dias, e os dois \u00faltimos ficamos mais batendo papo, trocando ideia, fazendo outras coisas&#8230; Para n\u00f3s, sempre \u00e9 importante fazer essa troca de figurinhas com outras bandas que a gente admira, l\u00f3gico. Porque dessa forma funciona. Porque quando \u00e9 uma coisa for\u00e7ada, meio que planejada para ver o que acontece, geralmente n\u00e3o acontece (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o como voc\u00ea olha hoje para aquele Split feito com o mundo livre s\/a, no qual uma banda tocava o repert\u00f3rio da outra?<\/strong><br \/>\nAh, legal, cara! Isso foi uma ideia muito bacana que o Rafael Ramos, da Deck Discos, teve. Na\u00e7\u00e3o e mundo livre t\u00eam uma hist\u00f3ria juntos, apesar de o mundo livre j\u00e1 ter dez anos quando a Na\u00e7\u00e3o come\u00e7ou (risos). Mas a gente saiu pra aparecer pro Brasil ao mesmo tempo. Temos uma hist\u00f3ria juntos. Basicamente aquele disco foi mais uma interven\u00e7\u00e3o de outras coisas que ainda vir\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Artisticamente acho um disco bem diferente dos dois lados. N\u00e3o s\u00f3 pelo fato de as bandas j\u00e1 serem diferentes entre si, mas tamb\u00e9m porque assumir o repert\u00f3rio um do outro parece ter levado a uma mudan\u00e7a na din\u00e2mica habitual de cada um.<\/strong><br \/>\nNa real, o mundo livre teve uma vantagem, que foi mais tempo para fazer. A gente teve dois dias, e os caras tiveram meses (risos). Por isso os arranjos dele ficaram mais elaborados que os nossos. Mas a gente fez de cora\u00e7\u00e3o, e fez de um jeito que a gente sabia que ia representar, sabe? Quer\u00edamos ter tido tempo para ensaiar com a banda, mas foi um per\u00edodo em que est\u00e1vamos (L\u00facio, Dengue e Pupillo) acabando a turn\u00ea da Marisa [Monte], e com a cabe\u00e7a no disco que lan\u00e7amos com a Na\u00e7\u00e3o em 2014. Quando surgiu a proposta, era o tempo muito curto, mesmo, mas a proposta era bacana e a gente topou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>De uns anos para c\u00e1, a Na\u00e7\u00e3o vem espa\u00e7ando o tempo entre um disco e outro&#8230;<\/strong><br \/>\n&#8230; o que \u00e9 natural, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8230;mas eu venho notando que, desde o \u201cFome de Tudo\u201d (2007), a coisa vem vindo mais pop. A Na\u00e7\u00e3o nunca foi herm\u00e9tica, claro, mas o \u201cFutura\u201d era um disco duro, mais psicod\u00e9lico, e esses tr\u00eas \u00faltimos \u2013 se contarmos o Split com o mundo livre s\/a \u2013 est\u00e3o mais cancioneiros. Isso vem de onde? De uma inten\u00e7\u00e3o clara, de uma busca mais comercial, da pr\u00f3pria maturidade da banda?<\/strong><br \/>\nOlha, a gente nunca seguiu tend\u00eancia de mercado, porque a gente n\u00e3o toca em r\u00e1dio, n\u00e3o aparece na TV, cara (risos). O mercado da gente \u00e9 nossos shows, nossos discos. A gente faz, lan\u00e7a, as pessoas se identificam e a\u00ed vai. Mas acho que o amadurecimento, depois de 25 anos, nos deu uma maleabilidade na hora de compor, que \u00e9 muito pr\u00e1tico e vantajoso para a gente. Ent\u00e3o esse \u00faltimo foi um disco de can\u00e7\u00f5es que saiu daquele jeito, mas isso n\u00e3o quer dizer que o pr\u00f3ximo vai ser igual. Inclusive tenho quase certeza que n\u00e3o vai, porque ele t\u00e1 muito diferente, muito pesado. Eu acho que a gente precisa at\u00e9 botar um pouco mais de calma, porque est\u00e1 muito agressivo (risos). Mas vai ser bom tamb\u00e9m. Vai ser Na\u00e7\u00e3o Zumbi do mesmo jeito. Se ele vai ser uma coisa mercadologicamente vi\u00e1vel, isso eu n\u00e3o tenho ideia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ali\u00e1s, me parece que a Na\u00e7\u00e3o faz parte de um grupo restrito de artistas no Brasil que t\u00eam um p\u00fablico fiel, tem um circuito de shows que permite que a banda se mantenha, e com isso consegue ter uma certa liberdade criativa dentro de uma realidade sustent\u00e1vel.<\/strong><br \/>\n\u201cUma certa\u201d, n\u00e3o. Eu diria uma total liberdade criativa, porque a gente pode fazer o que a gente quiser hoje. Pode at\u00e9 fazer um disco de sertanejo se quiser, entendeu? (risos) Porque a gente n\u00e3o tem que provar mais nada pra ningu\u00e9m. A gente j\u00e1 provou pros nossos f\u00e3s, pra imprensa, todo mundo, que a banda \u00e9 vi\u00e1vel, \u00e9 poss\u00edvel. Porque j\u00e1 rolou assim, n\u00e3o sei se uma cr\u00edtica, um coment\u00e1rio&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma m\u00e1 vontade?<\/strong><br \/>\nTalvez uma m\u00e1 vontade, sim. Tipo querer explanar essa quest\u00e3o de \u201cser\u00e1 que vai durar?\u201d. E estamos aqui h\u00e1 25 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Brasileiro adora um fracasso, n\u00e9?<\/strong><br \/>\nAdora, cara.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parece que s\u00f3 o fracasso dignifica.<\/strong><br \/>\nParece que quando voc\u00ea cria uma coisa bacana, est\u00e1 fazendo mal aos outros. Parece que os outros se sentem mal com isso. Mas \u00f3, v\u00e9io, meu corpo \u00e9 fechado (risos). N\u00e3o ligo para isso n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas todos fizeram projetos paralelos. Alguns solo, outros com alguns de voc\u00eas tomando parte em bandas, como a banda da Marisa Monte e o Almaz, com Seu Jorge, ou o Dengue e Pupillo no 3na Massa. E veio aquela coisa de \u201cser\u00e1 que a Na\u00e7\u00e3o acabou?\u201d. Como se jornalista s\u00f3 tivesse um emprego! (risos) Por\u00e9m, me pergunto como \u00e9 conseguir se organizar de maneira pr\u00e1tica a acomodar todos esses projetos. Alguns s\u00e3o muito demandantes, e a Na\u00e7\u00e3o Zumbi por si s\u00f3 j\u00e1 tem um tamanho consider\u00e1vel.<\/strong><br \/>\nIsso \u00e9 a parte mais dif\u00edcil. A quest\u00e3o criativa \u00e9 que mais d\u00e1 prazer e \u00e9 a mais simples. Porque quando a gente se senta para trabalhar em casa ou com algu\u00e9m, as coisas fluem. Agora conciliar esses momentos \u00e9 a coisa mais dif\u00edcil, porque a Na\u00e7\u00e3o \u00e9 a nossa prioridade, \u00e9 onde todos nos sentimos mais plenos. A hist\u00f3ria da banda e a das nossas vidas se fundem, ent\u00e3o n\u00e3o d\u00e1 para separar mais, diferente de um projeto paralelo ou um disco solo. \u00c9 bem complicado, porque quando um vai lan\u00e7ar um projeto paralelo, tem que bloquear data, a\u00ed o outro n\u00e3o tem projeto paralelo&#8230; Para n\u00e3o causar problemas, a gente tenta entrar em acordo comum e trabalhar com um \u00fanico empres\u00e1rio, porque assim a gente consegue tocar tudo pra frente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 que voc\u00ea falou da organiza\u00e7\u00e3o interna, vamos falar de um assunto chato, que foi a sa\u00edda do Gilmar, e que movimentou bastante a imprensa pernambucana, principalmente. Teve umas coisas pesadas dos dois lados&#8230;<\/strong><br \/>\nDos dois lados, n\u00e3o. De um lado s\u00f3. A gente deu uma \u00fanica declara\u00e7\u00e3o a respeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como est\u00e1 essa situa\u00e7\u00e3o hoje?<\/strong><br \/>\nDo mesmo jeito (risos). N\u00e3o mudou nada (risos). Cara, isso foi uma coisa interna e ele que quis tornar p\u00fablica. Se quiser, pergunta para ele. Ele vai contar a vers\u00e3o dele, que \u00e9 aquela que todo mundo j\u00e1 sabe. N\u00e3o tenho nada a declarar a respeito dele, n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu tenho uma curiosidade pessoal de saber o que aconteceu com o Gira (tamborista que foi um dos fundadores da Na\u00e7\u00e3o Zumbi, e que deixou a banda em 2000). N\u00e3o se falou quase nada sobre a sa\u00edda dele da banda.<\/strong><br \/>\nGira teve um problema de sa\u00fade s\u00e9rio, entrou numa depress\u00e3o muito profunda e n\u00e3o conseguiu sair. Foi muito forte. Ele parou com tudo, n\u00e3o s\u00f3 com a m\u00fasica. N\u00e3o conseguiu mais trabalhar, se relacionar com o mundo. A gente fez de tudo para ajudar, cara. Ele era um excelente percussionista, foi o melhor tambor man da banda at\u00e9 hoje, sem d\u00favida nenhuma. Ele acrescentava absurdamente nessa hora, e a gente se sentiu muito mal por ele n\u00e3o ter conseguido voltar a ser aquela pessoa que ele era. A gente tinha um apre\u00e7o muito grande por ele e pela fam\u00edlia dele. A gente s\u00f3 fica sabendo de umas not\u00edcias por fora, que a gente nem sabe se s\u00e3o verdadeiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas j\u00e1 fizeram turn\u00eas revisitando o \u201cDa Lama ao Caos\u201d na \u00edntegra, agora est\u00e3o fazendo o mesmo com o \u201cAfrociberdelia\u201d. Se fosse para escolher um disco p\u00f3s-Chico para ser reapresentado hoje, qual seria?<\/strong><br \/>\n\u00c9 pessoal. Cada um vai dar uma vers\u00e3o diferente. Eu acho que seria o \u201cNa\u00e7\u00e3o Zumbi\u201d de 2002, que foi o primeiro disco que a gente fez pela Trama. Aquele foi um momento muito bom pra mim, em tudo. Havia anos que a gente queria trabalhar com o [produtor] Scott Hard e a gente n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es de traz\u00ea-lo, n\u00e3o tinha grana. Quando a gente entrou na Trama, e imp\u00f4s essa condi\u00e7\u00e3o: \u201cOK, a gente faz um disco com voc\u00eas, mas a gente quer trabalhar com o Scott Hard\u201d. E o Jo\u00e3o Marcello B\u00f4scolli (presidente da Trama) disse: \u201cNeg\u00f3cio fechado!\u201d A gente trouxe o cara, ele mixou o disco, a gente ficou feliz pra caralho! Escuto o disco hoje e \u00e9 um dos que mais me sinto orgulhoso de ter feito. L\u00f3gico que tenho orgulho de todos, mas esse disco em particular tem uma riqueza espiritual que&#8230; Porque assim, o \u201cR\u00e1dio S.Amb.A\u201d foi um disco p\u00f3s-Chico. A gente n\u00e3o teve exposi\u00e7\u00e3o nenhuma com esse disco, a distribui\u00e7\u00e3o n\u00e3o existiu. Por\u00e9m, \u201cQuando a Mar\u00e9 Encher\u201d estourou por causa da C\u00e1ssia [Eller, que gravou a faixa, original da banda Eddie, em seu \u201cAc\u00fastico MTV\u201d], projetou a gente mais pra frente. Quando chegou nesse disco de 2002, a\u00ed sim, a gente estava com um repert\u00f3rio cabuloso, com estrutura, divulga\u00e7\u00e3o, a banda estava coesa, a gente estava se amando mais do que nunca, rolando uma for\u00e7a interna muito boa&#8230; Olha, nenhum artista escuta seus pr\u00f3prios discos, a n\u00e3o ser o Jorge Ben Jor, que s\u00f3 escuta a ele mesmo&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o Alceu Valen\u00e7a (risos).<\/strong><br \/>\nE o Alceu. Eu procuro n\u00e3o ouvir muito minhas coisas, mas eu escuto esse disco sempre que eu lembro. Pena que n\u00e3o tenho em vinil.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/98r2lldRFoQ\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/98r2lldRFoQ\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/z03iz0nhT7o\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/z03iz0nhT7o\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/k7_pLG6Qapg\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/k7_pLG6Qapg\" \/><\/object><\/p>\n<p>\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/leovinhas\" target=\"_blank\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell.<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m<\/strong>:<br \/>\n&#8211; Lucio Maia (2014): &#8220;Minha rela\u00e7\u00e3o \u00e9 com m\u00fasica, eu gosto de me diversificar&#8221; (leia aqui)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/category\/musica\/\">MAIS SOBRE M\u00daSICA, ENTREVISTAS E REVIEWS NO SCREAM &amp; YELL<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Leonardo Vinhas\n&#8220;Olha, a gente nunca seguiu tend\u00eancia de mercado, porque a gente n\u00e3o toca em r\u00e1dio, n\u00e3o aparece na TV&#8221;, diz Lucio Maia\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/07\/01\/entrevista-nacao-zumbi-2016\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[2511],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38675"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38675"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38675\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":38679,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38675\/revisions\/38679"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38675"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38675"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38675"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}