{"id":38586,"date":"2016-06-21T11:38:28","date_gmt":"2016-06-21T14:38:28","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=38586"},"modified":"2026-03-01T23:52:47","modified_gmt":"2026-03-02T02:52:47","slug":"tres-filmes-o-sexo-no-cinema-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/06\/21\/tres-filmes-o-sexo-no-cinema-brasileiro\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas filmes: O sexo no cinema brasileiro"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/riobabilonia1.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"485\" \/><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Renan Guerra<\/a><\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">As produ\u00e7\u00f5es dos anos 70 e 80 levam eternamente a pecha de terem transformado o cinema nacional apenas em \u201cputaria\u201d, mesmo que, apesar da repulsa da popula\u00e7\u00e3o dita \u201cde fam\u00edlia\u201d e do nariz empinado da cr\u00edtica da \u00e9poca, essas produ\u00e7\u00f5es s\u00e3o as que sempre levaram um p\u00fablico grande e fiel aos cinemas. Seria seguramente algo que os marxistas poderiam denominar como \u201cas classes trabalhadoras v\u00e3o ao cinema\u201d. E no centro de S\u00e3o Paulo era realmente isso: pedreiros, caminhoneiros, feirantes e homens do trabalho bra\u00e7al eram os que frequentavam os cinemas da Boca do Lixo e que faziam o capital girar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo chamadas de \u2018pornochanchadas\u2019, a grande maioria desses filmes que levavam multid\u00f5es aos cinemas n\u00e3o tinham nem encena\u00e7\u00f5es l\u00e1 muito intensas (para os padr\u00f5es atuais). O fato \u00e9 que com a virada para os anos 80, os filmes internacionais come\u00e7aram a aportar no Brasil, depois de anos de censura, trazendo algo completamente novo: o sexo expl\u00edcito. \u201cGarganta Profunda\u201d, de 1972, havia modificado a forma de se fazer cinema \u2018adulto\u2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na busca por um p\u00fablico cada vez mais \u00e1vido por ousadia, os tr\u00eas filmes aqui selecionados trazem a sexualidade \u00e0 flor da pele, no maior estilo org\u00edaco do cinema brasileiro, mas claramente com intuitos mais complexos. Construindo percep\u00e7\u00f5es distintas e complementares sobre a sociedade, a libera\u00e7\u00e3o sexual e a \u201cfesta sem fim\u201d dos anos 80, os longas remetem a conceitos cl\u00e1ssicos da sexualidade, no sentido grego, bem como no b\u00edblico, de Sodoma &amp; Gomorra e Babil\u00f4nico. Vale assistir seja por curiosidade sexual ou antropol\u00f3gica (risos):<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/giselle.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"250\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cGiselle\u201d, de Victor di Mello (1980)<\/strong><br \/>\nTendo como refer\u00eancia o filme franc\u00eas \u201cEmmanuelle\u201d (1974), que foi lan\u00e7ado em 1979 no Brasil e fez muito sucesso, o filme carioca traz como t\u00edtulo sua garota Giselle, uma adolescente rica e prom\u00edscua, que tem casos com sua madrasta, sua melhor amiga e o capataz da fazenda de seu pai. Vendido como o primeiro filme de sexo expl\u00edcito do nosso cinema, o filme segue a linha soft porn, por\u00e9m sempre rebuscando um olhar mordaz em rela\u00e7\u00e3o a desestrutura\u00e7\u00e3o familiar. Protagonizado pela novata Alba Val\u00e9ria, o longa conta com atores como Carlo Mossy, Monique Lafond, Z\u00f3zimo Bulbul, Nildo Parente e Maria L\u00facia Dahl, protagonizando cenas antol\u00f3gicas, que passeiam por rela\u00e7\u00f5es homossexuais, inter raciais, sadomasoquismo e o que mais voc\u00ea imaginar, inclusive uma sagaz percep\u00e7\u00e3o da pedofilia. Se lan\u00e7ado hoje, \u201cGiselle\u201d ainda renderia muita pol\u00eamica, especialmente pelo seu ar de ironia e despojamento, pois apesar de algumas atua\u00e7\u00f5es caricatas, a vis\u00e3o sem julgamentos do roteiro \u00e9 que prop\u00f5e um corte abrupto na sociedade. Na \u00e9poca, o filme levou mais de 14 milh\u00f5es de espectadores \u00e0s salas de cinema, tornando-se depois um cl\u00e1ssico cult em VHS que merece ser revisitado atualmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/riobabilonia.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"250\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cRio Babil\u00f4nia\u201d, de Neville de Almeida (1982)<\/strong><br \/>\nSucesso de p\u00fablico e com respaldo art\u00edstico da cr\u00edtica da \u00e9poca, o filme de Neville de Almeida levou milh\u00f5es aos cinemas e se tornou um cl\u00e1ssico proibido nas madrugadas da TV aberta. A nudez de Christiane Torloni, os bacanais regados a champanhe e coca\u00edna e a famosa cena do men\u00e1ge \u00e0 trois na piscina, tudo levou \u201cRio Babil\u00f4nia\u201d a se tornar um cl\u00e1ssico dos anos 80, por\u00e9m mais que isso, o filme \u00e9 um retrato muito perspicaz da rela\u00e7\u00e3o entre morro e asfalto no Rio de Janeiro e traz um olhar certeiro sobre a fetichiza\u00e7\u00e3o das drogas pela elite. O filme acompanha a chegada de um importante industrial (a.k.a. traficante) ao Rio (Jardel Filho), tanto pela perspectiva de seu cicerone (Joel Barcelos), quanto da jornalista (Torloni) que tenta reunir provas para a pris\u00e3o do magnata. De cinismo mordaz, \u201cRio Babil\u00f4nia\u201d \u00e9 ousado e ainda causa frisson at\u00e9 hoje, seja por sua sensualidade despudorada ou por seu olhar sobre viol\u00eancia (que flerta com aquela perspectiva t\u00edpica de Rubem Fonseca). Apesar da sempre falada cena da piscina, a sequ\u00eancia final \u00e9 de deixar-nos boquiabertos. Vale frisar ainda a trilha sonora tipicamente anos 80 e o refr\u00e3o pegajoso de \u201cBabil\u00f4nia Rock\u201d, faixa que seria depois regravada por Fernanda Abreu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/ohrebuceteio.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"250\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cOh! Rebuceteio\u201d, de Cl\u00e1udio Cunha (1984)<\/strong><br \/>\nO cl\u00e1ssico das madrugadas do Canal Brasil \u00e9 o \u00fanico filme que aqui consta com sexo expl\u00edcito. Uma ousadia da mente de Cl\u00e1udio Cunha, o filme tem seu nome inspirado em \u201cOh Calcutta!\u201d, espet\u00e1culo off-Broadway que deixou muita gente de cabelo em p\u00e9 nos anos 60\/70. Seguindo o par\u00e2metro teatral, \u201cOh! Rebuceteio\u201d se passa durante a produ\u00e7\u00e3o de uma pe\u00e7a, acompanhando a escala\u00e7\u00e3o do elenco e seus ensaios, onde o diretor (interpretado pelo pr\u00f3prio Cunha) busca m\u00e9todos n\u00e3o ortodoxos para encontrar a verdade na atua\u00e7\u00e3o de seus atores. O principal m\u00e9todo \u00e9 a libera\u00e7\u00e3o sexual, chamada por ele de \u201cmetapr\u00e1xis\u201d. Com ares de obra do Tinto Brass, o filme cria um mosaico de personas t\u00edpicas do cinema nacional, como a m\u00e3e carola, o homossexual recalcado e os atores que n\u00e3o temem usar do \u201cnosso jeitinho\u201d. Com jeit\u00e3o de galhofa, Cl\u00e1udio Cunha criou um cl\u00e1ssico que mistura humor, sexualidade e um bocado de heresia. Al\u00e9m disso, fez uma das melhores cenas metalingu\u00edsticas do nosso cinema: o diretor Nen\u00ea Garcia mirando a c\u00e2mera e dizendo de forma firme \u201cMasturbem-se! Masturbem-se gostoso!\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Trecho de Giselle (1980)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/xhOTFz7_aT0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Rio Babil\u00f4nia 1982.\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/OrV9_zfCj5k?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"OH! REBUCETEIO!\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/v9rirfgLO6w?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>&#8211; <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Renan Guerra<\/a> \u00e9 jornalista e colabora com o sites <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/YouMeDancin\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">You! Me! Dancing!<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.bateafita.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bate a Fita<\/a><\/em><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #888888;\">Leia tamb\u00e9m:<\/span><\/strong><br \/>\n&#8211; Cinema Brasileiro: Redescobrindo a Boca do Lixo (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/09\/13\/cinema-redescobrindo-boca-lixo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/category\/cinema\/\">MAIS SOBRE CINEMA<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cGiselle\u201d, de Victor di Mello (1980); \u201cRio Babil\u00f4nia\u201d, de Neville de Almeida (1982); e \u201cOh! 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