{"id":38566,"date":"2016-06-17T12:44:28","date_gmt":"2016-06-17T15:44:28","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=38566"},"modified":"2016-09-04T13:28:10","modified_gmt":"2016-09-04T16:28:10","slug":"entrevista-eric-silver","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/06\/17\/entrevista-eric-silver\/","title":{"rendered":"Entrevista: Eric Silver"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/eric_silver1.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"600\" \/><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>por <\/strong><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/marcos.paulino.313?\" target=\"_blank\"><strong>Marcos Paulino<\/strong><\/a><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se voc\u00ea n\u00e3o trabalha com m\u00fasica, \u00e9 muito prov\u00e1vel que nunca tenha ouvido falar de Eric Silver, mas com toda certeza j\u00e1 ouviu alguma can\u00e7\u00e3o composta, produzida, tocada ou arranjada por ele. Norte-americano radicado em Nashville, a capital mundial do country, Eric tocou bandolim em um dos \u00e1lbuns mais vendidos dos anos 90, \u201cCome On Over\u201d, de Shania Twain (com 40 milh\u00f5es de c\u00f3pias vendidas) e calcula que cerca de 120 composi\u00e7\u00f5es suas tenham sido gravadas por artistas brasileiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de compor, ele tamb\u00e9m canta e toca v\u00e1rios instrumentos, al\u00e9m do bandolim, Eric toca guitarra, violino, banjo, contrabaixo e piano, e j\u00e1 trabalhou com pesos-pesados como Dixie Chicks, David Grisman, Cindy Lauper e Kim Carnes, al\u00e9m, claro, de Shania Twain. Nos anos 80, ao conhecer Almir Sater, apaixonou-se pelo Brasil e se tornou amigo tamb\u00e9m de Renato Teixeira, Sergio Reis e muitos outros. E produziu bandas como CPM 22, Fresno, NX Zero e Tit\u00e3s, s\u00f3 para ficar em alguns exemplos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2012, Eric estreou solo com \u201cWhen You\u2019re Here\u201d, que contava com a participa\u00e7\u00e3o de Di Ferrero (NX Zero) e agora lan\u00e7a o \u00e1lbum &#8220;Bridges, Friends and Brothers&#8221; (2016), no qual faz vers\u00f5es em ingl\u00eas para cl\u00e1ssicos caipiras como &#8220;Tocando em Frente&#8221;, que virou &#8220;Moving on&#8221;, e &#8220;Luar do Sert\u00e3o&#8221;, rebatizada de &#8220;Moonlight in the Countryside\u201d. Entre as participa\u00e7\u00f5es est\u00e3o nomes como Paula Fernandes, Sergio Brito (Tit\u00e3s) e, claro, a trinca Sergio, Almir e Renato. Nesta entrevista, Eric fala mais sobre o projeto.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/BQtRbpu2SxA\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/BQtRbpu2SxA\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em 2012, quando lan\u00e7ou \u201cWhen You\u2019re Here\u201d, voc\u00ea disse que, apesar de ter uma liga\u00e7\u00e3o estreita com Nashville, sua m\u00fasica pendia naturalmente para o pop, j\u00e1 que seu timbre e suas melodias n\u00e3o combinavam com o country. Agora, voc\u00ea apresenta um \u00e1lbum com uma tem\u00e1tica bem voltada ao mundo rural. Voc\u00ea mudou de ideia?<\/strong><br \/>\nAcho que meu \u00e1lbum \u00e9 muito mais folk do que country. Chamo de folk pop, mas as melodias e letras s\u00e3o do Brasil. Eu n\u00e3o conseguiria cantar como um artista country de hoje. O novo \u00e1lbum est\u00e1 mais ac\u00fastico, tem pouca bateria, \u00e9 meio indie. \u00c9 bem diferente a vis\u00e3o que os brasileiros e os norte-americanos t\u00eam do que \u00e9 m\u00fasica country. O meu estilo \u00e9 mais parecido com o do James Taylor, que \u00e9 meu her\u00f3i, do que com o country, que hoje em dia \u00e9 como o sertanejo universit\u00e1rio, mais pesado, mais agitado. N\u00e3o queria fazer algo parecido com o que tinha feito no primeiro \u00e1lbum. O Almir, o Sergio e o Renato me sugeriram m\u00fasicas, e eu quis gravar no meu estilo, como se fossem minhas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o o que te fez escolher as m\u00fasicas que entrariam no disco foi apenas o seu gosto? Ou voc\u00ea procurou seguir alguma linha?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o vou dizer que foi sem dire\u00e7\u00e3o. Pedi a cada artista ideias, sugest\u00f5es, e a\u00ed fui pesquisar a hist\u00f3ria de cada m\u00fasica. Engra\u00e7ado que todos me diziam que, se fossem eles, n\u00e3o gravariam \u201cRomaria\u201d, ou \u201cVida Boa\u201d, ou \u201cLuar do Sert\u00e3o\u201d. Porque h\u00e1 pessoas que pensam nessas m\u00fasicas como hinos, e poderiam pensar que eu tinha estragado. O [autor] Victor [da dupla com Leo], por exemplo, nunca tinha dado permiss\u00e3o pra ningu\u00e9m gravar \u201cVida Boa\u201d. Mas gravei como um desafio, e ele adorou. S\u00f3 o Almir n\u00e3o tinha sugerido nada e nem queria cantar em \u201cThe Guitar Player Plays (\u201cUm Violeiro Toca)\u201d, porque ele gosta da minha voz. Mas no fim cantou. O que mais me preocupou mesmo foi a tradu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual a maior dificuldade que voc\u00ea encontrou pra traduzir essas m\u00fasicas t\u00e3o brasileiras para o ingl\u00eas, de modo que o norte-americano entenda esse universo caipira?<\/strong><br \/>\nAs palavras que n\u00e3o existem em ingl\u00eas, como berrante, jil\u00f3 e sert\u00e3o. Ent\u00e3o jil\u00f3 mudei pra alguma coisa amarga. Mas, em \u201cRomaria\u201d, que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma can\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma hist\u00f3ria, decidi deixar o refr\u00e3o em portugu\u00eas, porque talvez ficasse brega. Cheguei a passar a letra inteira pro ingl\u00eas, mas n\u00e3o achei legal. \u00c9 imposs\u00edvel mudar uma imagem t\u00e3o forte como de Nossa Senhora de Aparecida para o ingl\u00eas. J\u00e1 \u201cLuar do Sert\u00e3o\u201d tem uma linguagem bem antiga. Ent\u00e3o meu modo de trabalhar foi, primeiro, fazer uma tradu\u00e7\u00e3o literal, palavra por palavra. Depois fui colocando rima e ritmo. N\u00e3o foi r\u00e1pido, cheguei a demorar duas semanas numa can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea acha que um norte-americano, mais do que a letra, consegue compreender o universo em que as hist\u00f3rias se passam?<\/strong><br \/>\nClaro. A m\u00fasica country come\u00e7ou do mesmo jeito, quando era chamada de country and western, porque era do oeste do pa\u00eds, onde os caub\u00f3is trabalhavam. At\u00e9 hoje h\u00e1 quem use essa express\u00e3o. O nosso oeste \u00e9 o nosso sert\u00e3o, e esse universo sempre existiu nas m\u00fasicas. Essa parte n\u00e3o foi complicada, o dif\u00edcil foi achar palavras pra traduzir sert\u00e3o, porque ela traz consigo muitas imagens. Mas no final gostei. Tenho muitos amigos daqui que falam ingl\u00eas e conhecem as m\u00fasicas e me disseram que gostaram, que guardei as tr\u00eas coisas b\u00e1sicas: signific\u00e2ncia, melodia e suavidade. Foi um processo muito interessante, mas n\u00e3o quero fazer todo dia, porque \u00e9 muito cansativo. [Risos]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na maioria das m\u00fasicas, voc\u00ea manteve o clima da vers\u00e3o original. Mas em \u201cMenino da Porteira\u201d a mudan\u00e7a foi radical, ela virou um country pesado. Por que voc\u00ea decidiu por essa releitura?<\/strong><br \/>\nTentei, do meu jeito, reconstruir um pouco cada m\u00fasica. \u00c9 quase imposs\u00edvel melhorar alguma coisa que originalmente foi feita muito bem, que fez muito sucesso. No caso de \u201cMenino da Porteira\u201d, como eu e Sergio somos muito amigos, sabia que ele iria gostar se fizesse algo diferente. Ele \u00e9 muito flex\u00edvel, gosta de improvisar. Comecei minha carreira tocando bluegrass, tocava rabeca, bandolim. Nessa faixa, s\u00f3 n\u00e3o toquei bateria. E nesse \u00e1lbum queria criar um arquivo da minha carreira, com instrumentos que tocava l\u00e1 na minha inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O S\u00e9rgio, o Almir e o Renato gravaram juntos em \u201cEpit\u00e1fio\u201d. Trata-se de um registro in\u00e9dito das tr\u00eas vozes. Como voc\u00ea conseguiu?<\/strong><br \/>\n\u00c9, foi a primeira vez. Tenho muita amizade com os tr\u00eas. O Almir raramente grava coisas fora da carreira dele. Tive essa oportunidade de colocar os tr\u00eas juntos, mas n\u00e3o queria escolher uma m\u00fasica deles, pra n\u00e3o parecer que estava dando mais aten\u00e7\u00e3o pra um do que pros outros. Como j\u00e1 tinha gravado \u201cEpit\u00e1fio\u201d, que \u00e9 um cl\u00e1ssico, anos atr\u00e1s com o Sergio Brito, ent\u00e3o pensei que poderia ser bem interessante colocar todo mundo junto. At\u00e9 a esposa e a enteada do Sergio [Reis] cantaram. Foi uma homenagem, porque a m\u00fasica \u00e9 sobre vida. Pra mim, fez sentido colocar todos n\u00f3s juntos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ao que consta, voc\u00ea tem cerca de 120 m\u00fasicas gravadas por artistas brasileiros. Mas se \u00e9 bem conhecido dos m\u00fasicos, ainda n\u00e3o \u00e9 pelo p\u00fablico. Voc\u00ea pensa em mudar essa situa\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nTodo mundo quer que seu trabalho fique conhecido, mas n\u00e3o estou preocupado com fama. Quero fazer shows, que mais gente conhe\u00e7a meu trabalho. Isso \u00e9 alimento para o ego. Mas n\u00e3o sou rico, n\u00e3o tenho como parar de trabalhar como produtor. Mesmo assim, hoje estou fazendo menos trabalhos no geral e colocando mais foco no meu. E tamb\u00e9m nos projetos em que estou ajudando o Almir e o Renato. Porque s\u00f3 tem 24 horas no dia. [Risos]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea vai fazer shows com esse novo repert\u00f3rio?<\/strong><br \/>\nEstamos planejando isso agora, mas esse \u00e9 o foco pra mim. Temos ciclos na vida, e quando comecei a trabalhar como m\u00fasico, era tudo show ao vivo, nos Estados Unidos. Mudei pra Nashville e fui fazer turn\u00ea com outros artistas tocando nas bandas. Depois, at\u00e9 os anos 90, fiquei compondo, trabalhando nos est\u00fadios, com produ\u00e7\u00e3o, grava\u00e7\u00f5es. E chegou um momento em que comecei a sentir falta de tocar ao vivo, com a energia do palco, as coisas que acontecem na hora, sem planejamento, uma coisa bem legal que s\u00f3 acontece no palco. N\u00e3o quero viver o resto da minha vida trancado entre quatro paredes, gravando sem intera\u00e7\u00e3o com pessoas. \u00c9 muito legal a energia que voc\u00ea recebe imediatamente na intera\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico. Por muitos anos, gravei coisas do NX Zero ou do Fresno, e todos falando que foi um sucesso, mas fiquei em meu mundo. N\u00e3o sabia como era at\u00e9 fazer um show com o NX Zero, quando eles fizeram 10 anos de banda, e pela primeira vez vi essa rea\u00e7\u00e3o das pessoas. Se for poss\u00edvel, quero ir a cada final de semana pra uma cidade mostrar meu trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/ieIHKdoeK9k\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/ieIHKdoeK9k\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/marcos.paulino.313?\" target=\"_blank\">Marcos Paulino<\/a> \u00e9 editor do caderno Plug (<a href=\"http:\/\/www.mundoplug.com\/\" target=\"_blank\">www.mundoplug.com)<\/a>, da Gazeta de Limeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/category\/musica\/\">MAIS SOBRE M\u00daSICA NO SCREAM &amp; YELL<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Produtor e m\u00fasico norte-americano, Eric regrava em ingl\u00eas cl\u00e1ssicos como &#8220;Rom\u00e1ria&#8221;, &#8220;Luar do Sert\u00e3o&#8221; e &#8220;O Menino da Porteira&#8221;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/06\/17\/entrevista-eric-silver\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1016],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38566"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38566"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38566\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39797,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38566\/revisions\/39797"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38566"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38566"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38566"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}