{"id":38372,"date":"2016-05-30T12:29:46","date_gmt":"2016-05-30T15:29:46","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=38372"},"modified":"2016-08-09T13:38:34","modified_gmt":"2016-08-09T16:38:34","slug":"tres-filmes-anna-karina-e-godard-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/05\/30\/tres-filmes-anna-karina-e-godard-2\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas filmes: Anna Karina e Godard (2)"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/godard_soldado.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"250\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cUm Pequeno Soldado\u201d (\u201cLe Petit Soldat\u201d, 1960)<\/strong><br \/>\nA parceria de Jean-Luc Godard com Anna Karina (que ir\u00e1 totalizar sete dos doze primeiros filmes do cineasta franc\u00eas entre 1960 a 1966) come\u00e7a em \u201cLe Petit Soldat\u201d, que Godard filmou na sequencia de \u201cAcossado\u201d, em 1960, tendo como pano de fundo a Guerra da Arg\u00e9lia \u2013 entre 1954 e 1962, argelinos lutaram para tornar o pa\u00eds independente da Fran\u00e7a. Proibido pelo governo franc\u00eas por exibir cenas de tortura referenciando tanto a Frente de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional da Arg\u00e9lia quanto o Comando Antiterrorista de Direita franc\u00eas e repudiado tanto pela Esquerda quanto pela Direita francesa, o filme s\u00f3 chegou aos cinemas em 1963 (tr\u00eas anos depois) exibindo um rapaz refletindo e se questionando por estar perdido em seu pr\u00f3prio espa\u00e7o tempo, querendo desertar e abandonar uma guerra em que n\u00e3o acredita enquanto se apaixona por uma revolucion\u00e1ria da fac\u00e7\u00e3o contraria (Anna Karina) e sonha fugir com ela deixando tudo para tr\u00e1s e recome\u00e7ando a vida no Brasil. Esse \u00e9 o filme da famosa frase \u201cA fotografia \u00e9 a verdade. E o cinema \u00e9 a verdade 24 vezes por segundo&#8221; e funciona como um delicado retrato de \u00e9poca, com uma juventude rom\u00e2ntica, confusa e despolitizada que n\u00e3o se sentia representada pelo que a cercava: &#8220;At\u00e9 aqui minha hist\u00f3ria tem sido simples: a hist\u00f3ria de um sujeito sem ideal. E amanh\u00e3?&#8221;, comenta Bruno Forestier (Michel Subor) logo na abertura do filme, que mant\u00e9m a radicaliza\u00e7\u00e3o da c\u00e2mera na m\u00e3o da estreia enquanto o roteiro cria um interessante painel: Bruno mostra paix\u00e3o pelas cores, mas seu mundo \u00e9 preto e branco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/godard_alphaville.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"250\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cAlphaville\u201d (\u201cAlphaville\u201d, 1964)<\/strong><br \/>\nNono filme de Jean-Luc Godard (em quatro anos!), \u201cAlphaville\u201d foi lan\u00e7ado em 1964, mesmo ano de \u201cA Mulher Casada\u201d e \u201cBande \u00e0 Part\u201d (este tamb\u00e9m com Anna Karina), tendo ido mais longe ao ganhar o Urso de Ouro em Berlim, 1965. \u00c9 uma trama de fic\u00e7\u00e3o cientifica dist\u00f3pica noir em que o personagem central, o anti-her\u00f3i Lemmy Caution (Eddie Constantine), \u00e9 um agente secreto enviado para Alphaville, uma na\u00e7\u00e3o dominada por um computador que aboliu os sentimentos das pessoas. Anna Karina interpreta a filha do programador que criou a m\u00e1quina, e Caution precisa tentar livra-la da hipnose social que lhe foi imposta. Godard junta George Orwell (\u201c1984\u201d), Jean Cocteau (\u201cOrpheus\u201d), Paul Eluard (\u201cA Capital da Dor\u201d) e Jorge Luis Borges (os ensaios \u201cNova Refuta\u00e7\u00e3o do Tempo\u201d e \u201cFormas de Uma Lenda\u201d, ambas do livro \u201cOutras Inquisi\u00e7\u00f5es\u201d, colet\u00e2nea de ensaios lan\u00e7ada em 1952 \u2013 no Brasil em 2007 pela Cia das Letras) sob o preto, branco e cinza de uma Paris irreconhec\u00edvel, modernista e decadente, numa fotografia saturada para defender que a compreens\u00e3o do eu, atrav\u00e9s da aceita\u00e7\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es que ousam suplantar a raz\u00e3o (o passional vs racional), \u00e9 a sa\u00edda para se defender ante o totalitarismo (tanto capitalista quanto comunista) disfar\u00e7ado de tecnologia avan\u00e7ada tendo o amor, em primeiro plano na bel\u00edssima cena final, como arma para enfrentar o vazio da sociedade. \u201cO que transforma as trevas em luz?\u201d, pergunta o computador em certo momento. \u201cA poesia\u201d, responde Lemmy Caution. Grande filme!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/godard_pierrot.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"250\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cO Dem\u00f4nio das 11 Horas\u201d (\u201cPierrot Le Fou\u201d, 1965)<\/strong><br \/>\nEm seu d\u00e9cimo filme em cinco anos, Godard busca se renovar motivado pelo cen\u00e1rio ca\u00f3tico do mundo (com a Guerra do Vietn\u00e3 em foco), pelo fim de seu casamento com Anna Karina (a rela\u00e7\u00e3o durou quatro anos conturbados, com relatos de discuss\u00f5es, paix\u00e3o intensa, a perda de um beb\u00ea e tentativas de suic\u00eddio \u2013 eles j\u00e1 estavam separados durante as filmagens e voltariam a trabalhar juntos apenas uma \u00fanica vez, em \u201cMade in USA\u201d, de 1966) e por sua pr\u00f3pria absor\u00e7\u00e3o pelo meio cinematogr\u00e1fico. Tentando fugir de uma caricatura de si mesmo, ele radicaliza no formato, no fluxo de inconsci\u00eancia e nas cores pop art ao contar a hist\u00f3ria simples (inspirada no livro \u201cObsess\u00e3o\u201d, de Lionel White) de um marido (Jean-Paul Belmondo) insatisfeito com o amor burgu\u00eas e a vida que leva a ponto de abandonar esposa e filho fugindo com a jovem amante (Anna Karina) para seguir uma vida e um amor marginal ap\u00f3s ela ter assassinado um homem. O casal come\u00e7a uma rotina de roubos (que ir\u00e1 influenciar Warren Beatty a desejar contar a hist\u00f3ria de \u201cBonny &amp; Clyde\u201d, de 1967) at\u00e9 a tentativa de aquietar na Riviera Francesa. Ele passa a se dedicar a literatura; ela, entediada, parodia musicais norte-americanos. O desastre \u00e9 iminente. Godard n\u00e3o sente pena e se despede da sua primeira fase com um filme romanticamente torto e tr\u00e1gico que soa como um bolo de casamento arremessado na cara dos noivos em pleno altar. Ele enterra o cinema noir sob uma profus\u00e3o de cores, premia a trai\u00e7\u00e3o com uma saraivada de tiros e o romantismo desastrado com um colar de dinamites. Acabou. Godard est\u00e1 pronto para come\u00e7ar tudo de novo&#8230; de maneira diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/q4b7jODWiq8\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/q4b7jODWiq8\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/I0Mu_Ck6ypY\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/I0Mu_Ck6ypY\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/TVvhJrrgfs0\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/TVvhJrrgfs0\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211;\u00a0 Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\">Calmantes com Champagne<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Godard e Anna Karina: &#8220;Uma Mulher \u00e9 Uma Mulher&#8221;, &#8220;Viver a Vida&#8221; e &#8220;Bande a Parte&#8221; (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/05\/24\/tres-filmes-anna-karina-e-godard\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Filmografia comentada: todos os filmes de Fran\u00e7ois Truffaut (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/09\/06\/filmografia-comentada-francois-truffaut\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Tr\u00eas Filmes: Louis Malle, Jean-Luc Godard e Eric Rohmer (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/12\/10\/tres-filmes-malle-godard-e-rohmer\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/category\/cinema\/\">MAIS SOBRE CINEMA E FILMES<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\nSegunda parte da colabora\u00e7\u00e3o de Anna Karina com Godard: &#8220;O Pequeno Soldado&#8221;, &#8220;Alphaville&#8221; e &#8220;O Dem\u00f4nio das 11 Horas&#8221;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/05\/30\/tres-filmes-anna-karina-e-godard-2\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38372"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38372"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38372\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":38755,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38372\/revisions\/38755"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38372"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38372"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38372"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}