{"id":38119,"date":"2016-05-03T10:44:36","date_gmt":"2016-05-03T13:44:36","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=38119"},"modified":"2016-09-22T21:21:17","modified_gmt":"2016-09-23T00:21:17","slug":"festival-brasileiro-de-musica-de-rua-2016","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/05\/03\/festival-brasileiro-de-musica-de-rua-2016\/","title":{"rendered":"Festival Brasileiro de M\u00fasica de Rua 2016"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/musicaderua8.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" \/><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Fotos do Facebook oficial do evento: <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/fmusicaderua\/photos_stream\" target=\"_blank\">confira galeria<\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quinta edi\u00e7\u00e3o do Festival Brasileiro de M\u00fasica de Rua, que se realiza anualmente na Serra Ga\u00facha, foi a maior de sua hist\u00f3ria. Neste ano, mais de 100 shows foram realizados nas cidades de Caxias do Sul (a sede do evento), Flores da Cunha, Bento Gon\u00e7alves, Farroupilha, Antonio Prado e Garibaldi \u2013 essa, pela primeira vez no festival. Os shows aumentaram mesmo com a redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de munic\u00edpios participantes \u2013 Nova Petr\u00f3polis, Vacaria e S\u00e3o Marcos, presentes no ano anterior, n\u00e3o tomaram parte em 2016. Tamb\u00e9m a infraestrutura se fortaleceu: na maioria das datas (o festival aconteceu ininterruptamente entre 15 e 24 de abril), v\u00e1rios food trucks marcaram presen\u00e7a, houve tendas e coberturas para abrigarem o p\u00fablico em caso de chuva, palcos foram montados em todas as cidades (nos anos anteriores, os artistas tocavam diretamente nas ruas). E claro, uma escala\u00e7\u00e3o mais ampla.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A chilena Pascuala Ilabaca, o colombiano Andr\u00e9s Correa e a uruguaia PHORO estiveram entre os artistas internacionais presentes no evento. Nicol\u00e1s Molina, tamb\u00e9m charrua, apresentou duas forma\u00e7\u00f5es distintas de seu projeto <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/01\/14\/conexao-latina-molina-y-los-cosmicos\/\" target=\"_blank\">Molina y Los C\u00f3smicos<\/a>: uma com o brasileiro Gabriel Balbinot (Spangled Shore) no banjo e guitarra e a conterr\u00e2nea Patricia Horovitz (a j\u00e1 citada PHORO) nos teclados e vozes, e outra em que a esse trio se somavam os caxienses da Bob ShuT (\u201cJ\u00e1 faz parte do conceito de \u2018Molina y Los C\u00f3smicos\u2019 que os m\u00fasicos possam ser de v\u00e1rios lugares, quando os integrantes da banda regular n\u00e3o podem viajar\u201d, explica Nicol\u00e1s). O resto do elenco provinha majoritariamente do Rio Grande do Sul, com nomes mais (os porto-alegrenses Nenhum de N\u00f3s e Vera Loca, os caxienses Cuscobayo) ou menos conhecidos, dos mais variados g\u00eaneros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/musicaderua1.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1\u00aa etapa: Serra Ga\u00facha<\/strong><br \/>\nNesse esp\u00edrito plural, a abertura do festival, em Garibaldi, foi ilustrativa: quase 4 mil pessoas assistiram ao rockabilly reverente e convidativo de Lennon Z &amp; The Sickboys, a eletr\u00f4nica sensual de PHORO, a s\u00edntese indie-folk de Molina, a obviedade erudita do Quarteto de Cellos e o rock ga\u00facho da Vera Loca. Mas a grande atra\u00e7\u00e3o do dia foi o Yangos, um quarteto que mistura chamam\u00e9s, milongas, chacareras e outros ritmos nos quais a combina\u00e7\u00e3o de acorde\u00e3o, bombo leguero (ou caj\u00f3n), piano e viol\u00e3o soa bem. E como soa: a abordagem vigorosa e nada acad\u00eamica dava, logo de cara, a sensa\u00e7\u00e3o de j\u00e1 se ter visto o melhor show do festival. N\u00e3o que o resto tenha sido s\u00f3 ep\u00edlogo: PHORO entregou uma excelente performance mesmo com o excessivo aparato de luzes que tiram a for\u00e7a de seu lado sombrio e Lennon Z fez uma bela festa rocker, em que o respeito ao passado n\u00e3o engessava a energia bruta de suas can\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m da arte que lhe d\u00e1 nome, o interessante do M\u00fasica de Rua est\u00e1 na possibilidade de explorar turisticamente as cidades participantes, algo que \u00e0s vezes precisa ser estimulado at\u00e9 entre os locais (houve m\u00fasico caxiense que reconheceu nunca ter visitado uma ou outra cidade). Garibaldi, a \u201cterra do espumante\u201d, oferece mais que a borbulhante bebida: em suas ruas (em especial a Buarque de Macedo), um grande n\u00famero de pr\u00e9dios hist\u00f3ricos se enfileiram, preservados ou restaurados, enquanto a vegeta\u00e7\u00e3o serrana desenha contornos verdes no horizonte. Bons caf\u00e9s (alguns, como o Luna Park, t\u00eam at\u00e9 a pr\u00f3pria cerveja), um sem-n\u00famero de pessoas favorecidas pela gen\u00e9tica e o relevo irregular convidam a um passeio sem pressa pela regi\u00e3o, antes de o visitante se estabelecer na pra\u00e7a Loureiro da Silva, tradicional espa\u00e7o de eventos que abrigou o festival . O curioso \u00e9 que, dos dois palcos montados, um deles ficou \u00e0 frente da imagem de Nossa Senhora de Caravaggio, diante da qual muitos moradores paravam para persignar-se&#8230; mesmo que ali estivessem tocando Lennon Z &amp; The Sickboys.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 Flores da Cunha, a autoproclamada maior produtora de vinhos do pa\u00eds, \u00e9 menor e menos preservada historicamente, mas tem na Pra\u00e7a da Bandeira, rec\u00e9m-reformada, maior voca\u00e7\u00e3o para receber shows. At\u00e9 por isso foi uma pena que atra\u00edsse menor p\u00fablico (2500 pessoas, segundo a organiza\u00e7\u00e3o) \u2013 boa parte dele interessado apenas na Vera Loca. O hor\u00e1rio particular (os shows come\u00e7aram \u00e0s 15h, ao contr\u00e1rio de Garibaldi, onde tudo teve in\u00edcio \u00e0s 19h) e o calor forte, at\u00edpico para o outono serrano, parecem ter sido os principais respons\u00e1veis para o movimento reduzido no s\u00e1bado. Novamente, a Vera Loca foi a headliner, e a caretice de seus f\u00e3s, jovens mancebos anabolizados ou p\u00f3s-p\u00faberes de salto alto e chapinha no cabelo, prenunciava que a apresenta\u00e7\u00e3o seria a mesma de sempre (\u201cDe onde menos se espera, \u00e9 da\u00ed mesmo que n\u00e3o sai nada\u201d, disse o Bar\u00e3o de Itarar\u00e9). As novidades na escala\u00e7\u00e3o seriam o Cristian Rigon Blues Trio e o quinteto Marag\u00e1, ambos de Caxias do Sul, enquanto Lennon Z e Yangos ficaram de fora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/musicaderua9.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Bento Gon\u00e7alves, no domingo, o festival ocorreu na Via del Vino, uma esp\u00e9cie de \u201cpra\u00e7a-cal\u00e7ad\u00e3o\u201d bastante ampla e florida. A arquitetura observada a partir dali traz os dois aspectos contrastantes do munic\u00edpio: de um lado, uma mem\u00f3ria hist\u00f3rica onde cabe certa simplicidade buc\u00f3lica, de outro uma modernidade ass\u00e9ptica e padronizada. O \u201calmo\u00e7o de domingo em fam\u00edlia\u201d parece ser uma institui\u00e7\u00e3o sagrada e inviol\u00e1vel, por isso o p\u00fablico era de uns poucos passantes ao meio-dia, quando o DJ Centollas, de Farroupilha (RS), mandava uma apetec\u00edvel sele\u00e7\u00e3o de obscuridades da m\u00fasica brasileira dan\u00e7ante. O movimento s\u00f3 foi aumentar l\u00e1 pelo meio da tarde, durante a apresenta\u00e7\u00e3o da Marag\u00e1. Tamb\u00e9m de Caxias do Sul, o Zingado \u2013 grupo de 13 percussionistas\/cantores \u2013 rivalizou com o Yangos no encantamento festivaleiro. O que o grupo faz merece o termo \u201cespet\u00e1culo\u201d: h\u00e1, sim, pesquisa e dire\u00e7\u00e3o, mas o resultado n\u00e3o \u00e9 nada protocolar. Ao contr\u00e1rio, \u00e9 intenso, cheio de suor e sorrisos, garantindo aquele arrepio nos pelos e aquele calor na pele que s\u00f3 a boa percuss\u00e3o consegue proporcionar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caxias ainda cederia outros tr\u00eas artistas: o Quarteto de Cellos, a Cuscobayo e o Pura Curti\u00e7\u00e3o. A Cusco n\u00e3o defraudou seus f\u00e3s, um grupo cada vez crescente de seguidores que acompanham cada passo da banda. Mais afiados no palco, apresentaram seus hits, de grande for\u00e7a local. O p\u00fablico rec\u00e9m-sa\u00eddo da adolesc\u00eancia, em especial, cantava junto cada can\u00e7\u00e3o. Curiosamente, entre os muitos adolescentes presentes havia v\u00e1rios casais de l\u00e9sbicas, em um clima de diversidade que contradiz o estere\u00f3tipo conservador da regi\u00e3o. J\u00e1 o Pura Curti\u00e7\u00e3o \u00e9 uma banda ga\u00facha de pagode retr\u00f4 (sua sonoridade remete aos nomes noventistas do g\u00eanero, como Ra\u00e7a Negra e Negritude Jr.). Empatia e sinceridade n\u00e3o faltam ao grupo, mas n\u00e3o d\u00e1 para negar que o g\u00eanero destoou bastante da escala\u00e7\u00e3o do dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao fim do primeiro final de semana, com as apresenta\u00e7\u00f5es repetidas de algumas atra\u00e7\u00f5es, j\u00e1 era poss\u00edvel estabelecer algumas constata\u00e7\u00f5es: a consist\u00eancia do trabalho de PHORO transcende poss\u00edveis condi\u00e7\u00f5es adversas para exibi\u00e7\u00e3o de sua m\u00fasica \u2013 mesmo na luz do dia e sem as proje\u00e7\u00f5es que fazem parte de seu show habitual, sua performance e suas composi\u00e7\u00f5es garantem a sedu\u00e7\u00e3o do p\u00fablico, e ajudam a tornar temas como \u201cDrive Into the Night\u201d e \u201cLaurel\u201d em pequenos hits; Nico Molina solta-se mais quanto mais emenda um show no outro, e \u00e9 curioso ver sua presen\u00e7a quase estoica contrastar com o entusiasmo de showman de Gabriel Balbinot; o Quarteto de Cellos se sai melhor no repert\u00f3rio erudito que nas vers\u00f5es para temas de Led Zeppelin e Guns \u2018n\u2019 Roses (ainda que sua \u201cCalifornication\u201d se destaque), por\u00e9m ainda precisa amadurecer muito antes de tomar voos mais ousados; j\u00e1 o Marag\u00e1, na proposta de unir m\u00fasica nordestina e ga\u00facha, pode crescer se abandonar os pr\u00f3prios clich\u00eas \u201cde raiz\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Vera Loca, headliner dos tr\u00eas primeiros dias, merece men\u00e7\u00e3o \u00e0 parte. Sua m\u00fasica re\u00fane tudo que j\u00e1 foi usado como argumento para criticar o clich\u00ea do \u201crock ga\u00facho\u201d: afeta\u00e7\u00e3o rock star, melodias pobres, apropria\u00e7\u00f5es do pior rock argentino (a vers\u00e3o para a sofr\u00edvel \u201cLamento Boliviano\u201d, dos argentinos Enanitos Verdes, \u00e9 o maior sucesso da banda), covers \u00f3bvios e mal-executados (\u201cBack In Black\u201d, em especial, foi de doer). Triste ver que era a banda mais esperada, mas com o pa\u00eds esfacelado pelos eventos recentes, melhor n\u00e3o elaborar conjecturas sociol\u00f3gicas sobre isso, sob risco de causar depress\u00e3o. Mas fica a dica: quando aquele seu amigo saudosista come\u00e7ar a reclamar nas redes sociais que \u201cas r\u00e1dios n\u00e3o tocam mais rock\u201d, lembre-o que, se for para tocar Vera Loca, \u00e9 melhor manter o rock longe do dial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/musicaderua2.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2\u00aa etapa: Espa\u00e7os p\u00fablicos de Caxias do Sul<\/strong><br \/>\nDe 18 a 20, v\u00e1rias apresenta\u00e7\u00f5es isoladas aconteceram em diversos hor\u00e1rios, em diferentes locais de Caxias do Sul. As esta\u00e7\u00f5es de \u00f4nibus \u00d3pera, Floresta e Imigrante, as depend\u00eancias da FSG (Faculdade da Serra Ga\u00facha) e a pra\u00e7a Dante Aligheri receberam muitos dos artistas que j\u00e1 haviam tocado nos dias anteriores, al\u00e9m de novas atra\u00e7\u00f5es, todas da regi\u00e3o. Dos \u201creincidentes\u201d, Yangos confirmou sua for\u00e7a tocando em plena hora do rush (18h) na Esta\u00e7\u00e3o Floresta, assim como Lennon Z, em formato semiac\u00fastico, o fez na Esta\u00e7\u00e3o Imigrante. Molina entregou uma apresenta\u00e7\u00e3o mais longa na pra\u00e7a Dante, come\u00e7ando sozinho e depois recebendo o aux\u00edlio de Gabriel Balbinot e Caramuru Baumgartner (Tagore). Tagore Suassuna, ali\u00e1s, apareceu de surpresa (n\u00e3o era parte da programa\u00e7\u00e3o), e fez uma apresenta\u00e7\u00e3o breve e carism\u00e1tica, sem microfona\u00e7\u00e3o, parando transeuntes famintos em plena hora do almo\u00e7o caxiense.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEstamos hackeando o festival,\u201d, diria Tagore, mais tarde, em tom de brincadeira. Populares na regi\u00e3o, ele e sua banda encurtaram a dist\u00e2ncia geogr\u00e1fica e cultural entre Pernambuco e as colinas do Sul, de modo que estavam usando a cidade como base para uma miniturn\u00ea pelo Rio Grande do Sul e Santa Catarina. As \u201chackeadas\u201d se tornariam uma constante no festival \u2013 e seriam recebidas com entusiasmo crescente a cada nova interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/musicaderua6.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A m\u00fasica erudita foi representada por dois duos: F\u00e1bio Chagas (diretor do Quarteto de Cellos) &amp; Rodrigo Maciel e Felipe Karam &amp; Leonel Costa. Enquanto a primeira dupla insistia num repert\u00f3rio previs\u00edvel (com direito a vers\u00f5es comportadas de Beatles que davam um infeliz clima de \u201cHooked On Classics\u201d para a apresenta\u00e7\u00e3o), o segundo apresentava maior variedade e envolvimento, em um repert\u00f3rio menos \u00f3bvio e sem apela\u00e7\u00f5es popularescas. Houve ainda a cantora sertaneja mirim Nicolle Santos, os b-boys do Ess\u00eancia Crew, os tons g\u00f3ticos do Superv\u00e3o (de S\u00e3o Leopoldo \u2013 RS), o trio de jazz fusion Magabarat (em formato ac\u00fastico, trocando os sintetizadores por um acorde\u00e3o, tamb\u00e9m \u201chackeando\u201d o festival), o hip-hop old school do DJ Hood e o pop folk Cris Romagna, al\u00e9m de uma noite no Centro Cultural Ordov\u00e1s com mais rap (Poetas Divilas, Noclap, Rap 054 e Mano Natu), e apresenta\u00e7\u00f5es marcantes do Quarteto de Cellos na APAE e na APADEV.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Duas notas lament\u00e1veis ocorreram nos shows da Esta\u00e7\u00e3o Imigrante no dia 19. Gus Sickboy, guitarrista da Lennon Z &amp; The Sickboys Trio, chegou apenas para as \u00faltimas tr\u00eas can\u00e7\u00f5es de sua banda \u2013 para vis\u00edvel irrita\u00e7\u00e3o dos demais integrantes. O desfalque j\u00e1 havia acontecido em Garibaldi durante toda a apresenta\u00e7\u00e3o. Mas pior ainda foi atitude de um integrante da Cuscobayo, primeiro grupo a se apresentar. O percussionista Marcos Sandoval, residente da capital ga\u00facha, disse, frente a p\u00fablico e organiza\u00e7\u00e3o: \u201cVoc\u00eas tiram um cara de Porto Alegre para vir tocar nessa bosta?\u201d. Uma atitude especialmente inc\u00f4moda quando se observa as letras da banda, que falam de fazer arte nas ruas, celebrar a cidade, ter humildade e afins. Questionada a respeito, a banda reconheceu a grosseria, mas se justificou dizendo que a irrita\u00e7\u00e3o do percussionista vinha do fato de o p\u00fablico n\u00e3o ter acesso irrestrito ao local. Explica-se: o terminal de integra\u00e7\u00e3o de transporte urbano n\u00e3o permite a entrada de quem n\u00e3o \u00e9 passageiro dos \u00f4nibus \u2013 como costuma ser em qualquer terminal do tipo. Havia muitos seguidores da Cusco que se dirigiram ao local para ver a apresenta\u00e7\u00e3o, e para poder assisti-lo de perto, teriam que pagar passagem, ou seja, R$ 3,40 por um show, se fosse para v\u00ea-lo na condi\u00e7\u00e3o de \u201cn\u00e3o-usu\u00e1rio\u201d do transporte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/musicaderua3.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3\u00aa etapa: De volta \u00e0 Serra<\/strong><br \/>\nNo dia 20, a pequena Antonio Prado teve uma vers\u00e3o reduzida da \u201ccaravana\u201d, com dois food trucks locais e shows de PHORO, Molina, Andr\u00e9s Correa e Marag\u00e1. A \u201ccaravana\u201d seria remontada na \u00edntegra na quinta, dia 20, em Farroupilha. Ou quase: uma forte chuva e o frio que caracterizam a regi\u00e3o resolveram aparecer depois de quase duas semanas de sol e calor intensos. Como o aguaceiro veio na hora da montagem das estruturas, isso prejudicou a estrutura energ\u00e9tica disponibilizada para os food trucks, o que fez com que todos os caminh\u00f5es, exceto o Salvador Brew Kombi, abandonassem o local antes que se solucionasse o problema. A chuva e a aus\u00eancia de op\u00e7\u00f5es de comida espantaram o p\u00fablico, fazendo com que as primeiras atra\u00e7\u00f5es se apresentassem para menos de 50 pessoas na Pra\u00e7a Emancipa\u00e7\u00e3o. Para piorar, a equipe de som custou a se acertar, prejudicando a todos os artistas, e mais seriamente os shows da Superv\u00e3o e de Molina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, mais perto do fim da tarde e j\u00e1 sem precipita\u00e7\u00f5es atmosf\u00e9ricas, o p\u00fablico j\u00e1 havia retornado e pode ver a melhor apresenta\u00e7\u00e3o de PHORO em todo o festival. No escuro, com as luzes mais sombrias e adequadas, seus movimentos sensuais e sua est\u00e9tica urbana criavam o di\u00e1logo perfeito com sua m\u00fasica. Um \u00faltimo show da Vera Loca fecharia a noite, mas eu j\u00e1 havia assistido tr\u00eas apresenta\u00e7\u00f5es deles na mesma semana, e tr\u00eas vezes Vera Loca numa vida j\u00e1 \u00e9 demais, que dizer numa semana. Como Caxias tem bons bares, com vinho a pre\u00e7o acess\u00edvel e boa comida, pareceu mais prudente e saud\u00e1vel retornar para l\u00e1 assim que come\u00e7aram a soar os primeiros acordes de \u201cGrafitti\u201d, vers\u00e3o para uma can\u00e7\u00e3o da banda argentina Inmigrantes. Outro cover p\u00edfio de banda ruim da Argentina? Pois \u00e9: ningu\u00e9m pode acusar a Vera Loca de ser irregular ou incoerente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/musicaderua4.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4\u00aa etapa: Esta\u00e7\u00e3o F\u00e9rrea de Caxias do Sul<\/strong><br \/>\nOs tr\u00eas dias de encerramento do festival aconteceram na Esta\u00e7\u00e3o F\u00e9rrea de Caxias do Sul, pr\u00e9dio hist\u00f3rico numa regi\u00e3o que se tornou bo\u00eamia e algo hypada. A estrutura montada ali refletia o tom desta quinta edi\u00e7\u00e3o: o aspecto \u201crueiro\u201d e aberto estava nas barraquinhas de vendedores de artesanato, discos e at\u00e9 de pipoca, enquanto os food trucks, as lonas e o palco mais alto caracterizavam um grande evento, mais corporativo e com diferencia\u00e7\u00e3o mais evidente entre artista e p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira noite, mais homog\u00eanea, come\u00e7ou com atraso, mas a apresenta\u00e7\u00e3o inesquec\u00edvel da Superv\u00e3o, entrosada e hipn\u00f3tica, fez com quem ningu\u00e9m se importasse muito com isso. Lennon Z &amp; The Sickboys e o Conjunto Bluegrass Porto-Alegrense provaram que \u00e9 poss\u00edvel aos brasileiros honrar com qualidade tradi\u00e7\u00f5es da m\u00fasica norte-americana. Jogando em casa, a Cuscobayo contou com a participa\u00e7\u00e3o do p\u00fablico para dar volume \u00e0s suas vozes e confirmar velhos e novos hits locais, e ainda teve Tagore e Caramuru enriquecendo as vers\u00f5es de \u201cDakar\u201d e \u201cVagabundo\u201d \u2013 os pernambucanos ainda mandaram, como duo, a in\u00e9dita \u201cFesta na Rua\u201d e, junto a Luciano Balen (Projeto <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/02\/12\/entrevista-projeto-ccoma\/\" target=\"_blank\">Ccoma<\/a> e organizador do festival) na bateria, uma vers\u00e3o raivosa de \u201cPoliglota\u201d. A Pura Curti\u00e7\u00e3o fechou a noite na Esta\u00e7\u00e3o, ainda mais segura e festeira que em Bento Gon\u00e7alves e nas esta\u00e7\u00f5es, mas a casa noturna Zerocincoquatro ainda teria os Djs Muzak e patriack tor4 como convidados do festival, numa festa que combinou uma discotecagem fina de musica latino-americana (Brasil inclu\u00eddo) e africana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e1bado foi o dia das maiores surpresas, e mesmo a chuva, que insistiu em cair at\u00e9 o meio da tarde, n\u00e3o impediu que tanto as palestras e debates da Incubadora de M\u00fasica (ligada ao festival) quanto os shows tivesse boa presen\u00e7a do p\u00fablico. Zingado e Baque dos Bugres, abriram os trabalhos na grama mesmo, com um maracatu pesado e de responsa, e logo o Zingado sozinho subiu ao palco para mandar jongos e outros batuques de Minas Gerais e S\u00e3o Paulo. Junto ao Sonidos Flamenco (um quarteto musical acompanhado por tr\u00eas \u201cbailadoras\u201d) e a Yangos, que tamb\u00e9m se apresentaram no dia, o Zingado provou que Caxias do Sul tem uma cena musical muito poderosa no que se refere \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o de g\u00eaneros folcl\u00f3ricos, levando a tradi\u00e7\u00e3o para adiante e proporcionando a evolu\u00e7\u00e3o dos g\u00eaneros com os quais escolheram trabalhar. Se puder assistir a qualquer um dos tr\u00eas ao vivo, n\u00e3o desperdice a oportunidade. Ou melhor: v\u00e1 em busca deles, sem esperar que cheguem at\u00e9 voc\u00ea. A experi\u00eancia pode ser transformadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/musicaderua5.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como foi transformadora, uma vez mais, a atua\u00e7\u00e3o das Meninas Cantoras de Nova Petr\u00f3polis. Regidas por <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/11\/09\/entrevista-cristiante-ferronato\/\" target=\"_blank\">Cristiane Ferronato<\/a>, uma das respons\u00e1veis pelo Zingado, o grupo subverte a heran\u00e7a religiosa dos corais e faz uma m\u00fasica que te pega pelas entranhas e a partir da\u00ed te abre a alma. N\u00e3o \u00e9 exagero: houve gente chorando ao fim do show. \u201cAinda tratam coro como m\u00fasica de igreja, mas isso \u00e9 o passado, n\u00e3o faz mais sentido trat\u00e1-lo dessa forma\u201d, disse Cristiane ap\u00f3s o show. E ela est\u00e1 certa, mas ao mesmo tempo, n\u00e3o d\u00e1 para negar que o resultado obtido pelas meninas \u00e9 profundo a ponto de ser entendido como espiritual. Um rep\u00f3rter paulista ficou um tempo sentado nos trilhos da esta\u00e7\u00e3o tentando entender o que tinha lhe acontecido. Os \u00faltimos informes relatam que ele ainda n\u00e3o conseguiu entender.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num dia que contou com 21 apresenta\u00e7\u00f5es musicais, ainda houve outros destaques. O Elefante Branco, nome escolhido pelo m\u00fasico e artista perform\u00e1tico porto-alegrense Marcelo Armani, pirou cabe\u00e7\u00f5es com baixas frequ\u00eancias, samples de discursos pol\u00edticos e uma m\u00e1scara da \u201cBranca de Neve negra\u201d (!). Andr\u00e9s Correa fez uma apresenta\u00e7\u00e3o t\u00e3o breve quanto carism\u00e1tica, que incluiu \u201cRealidad\u201d, uma verdadeira obra-prima pop, raramente executada ao vivo. O colombiano ganhou o refor\u00e7o de Cris Romagna, Nicolas Molina e Gabriel Balbinot em duas can\u00e7\u00f5es \u2013 uma delas foi, generosamente, uma boa vers\u00e3o para \u201cHappiness\u201d, do garibaldense Romagna. Molina, Balbinot e PHORO (que tamb\u00e9m fez um \u00f3timo set solo) juntaram-se a Bob ShuT para um show em tom \u201cpunk folk\u201d, misturando o repert\u00f3rio de todos (menos da mo\u00e7a). Eles foram precedidos por uma jam totalmente inesperada entre Kako Xavier (m\u00fasico pelotense dedicado \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o afro-ga\u00facha), Luciano Balen, Tagore Suassuna, Caramuru Baumgartner e Nico Molina, em vers\u00f5es groovadas e psicod\u00e9licas de \u201cTropicana\u201d (Alceu Valen\u00e7a) e \u201cT\u00e1xi Lunar\u201d (Geraldo Azevedo). A \u201cbarreira invis\u00edvel\u201d que separava o p\u00fablico do palco sumiu, e o clima de festa se instalou, se espalhou durante o show de Molina + Bob ShuT e n\u00e3o foi embora at\u00e9 que o DJ set de patrick tor4, que encerrou a noite, chegasse ao fim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/musicaderua10.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"338\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No domingo, tanto o frio como a chuva se intensificaram. O clima e o adiantado da hora (13h) fizeram com que o cantautor local Marco Gottinari tivesse uma plateia diminuta. Uma pena: suas composi\u00e7\u00f5es de rara sensibilidade n\u00e3o permitem a restri\u00e7\u00e3o de r\u00f3tulos (\u201cfolk\u201d \u00e9 para l\u00e1 de injusto para defini-lo, \u201cMPB\u201d mais ainda) e certamente se conectariam com um p\u00fablico grande, caso a ele fosse dado um hor\u00e1rio melhor. Ainda entre os artistas locais: Tatieli Bueno \u00e9 um exemplo de uma grande voz desperdi\u00e7ada em um repert\u00f3rio careta e \u201cgauchista\u201d (n\u00e3o confundir com gauchesco); a Marag\u00e1, melhor a cada novo toque, precisa apenas de mais estrada para atingir seu potencial; Poetas Divilas \u00e9 uma for\u00e7a rap que n\u00e3o faz feio frente a nenhum grande nome nacional do g\u00eanero, e seu discurso \u00e9 mais afiado e sincero que muitos desses figur\u00f5es \u2013 Chiquinho, o l\u00edder do grupo, \u00e9 educador e faz dos pres\u00eddios e dos bairros pobres sua sala de aula. A dupla Mone e Wili e o veterano Tio Batista s\u00e3o artistas com obras voltadas ao p\u00fablico infantil, por\u00e9m com subst\u00e2ncia mais que suficiente para encantar e divertir adultos tamb\u00e9m. J\u00e1 Fabio Chagas e Rodrigo Maciel insistem no repert\u00f3rio \u00f3bvio e pop, e fica dif\u00edcil \u201cn\u00e3o lembrar de algo tipo \u2018Beatles for babies\u2019\u201d, como disse um dos espectadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, as atra\u00e7\u00f5es mais esperadas do dia vinham de fora. A chilena Pascuala Ilabaca mistura cumbia, marinera e escalas indianas para criar uma m\u00fasica t\u00e3o andina quanto universal, e fez, com sua presen\u00e7a de palco e sua banda assombrosamente entregue \u00e0 execu\u00e7\u00e3o, um dos grandes shows do ano. De Os\u00f3rio (RS), a Tribo Ma\u00e7ambiqueira ecoa a tradi\u00e7\u00e3o africana que o Rio Grande do Sul insiste em ignorar e mostra um trabalho substancial, por\u00e9m ainda bruto, que se beneficiaria bastante de uma boa produ\u00e7\u00e3o para fazer seus tambores e viol\u00f5es soarem mais fortes. E o Nenhum de N\u00f3s&#8230; bem, \u201co tempo passa e nem tudo fica\u201d, n\u00e3o \u00e9 mesmo? A m\u00fasica deles ficou \u2013 no passado. \u00c9 triste ver o quanto a banda de Thedy C\u00f4rrea se tornou burocrata de sua pr\u00f3pria notoriedade: embora n\u00e3o tenham nenhum \u00e1lbum brilhante, j\u00e1 mostraram que podem ser mais arriscados e pessoais em v\u00e1rios momentos de sua carreira. Em vez de dialogar com a proposta do festival e explorar esse lado, preferiram apenas executar com pregui\u00e7osa precis\u00e3o os sucessos que apelam para a nostalgia. D\u00e1 certo? Pelo p\u00fablico, que foi o maior do festival, parece que sim \u2013 ao menos para manter as contas em dia. Entretanto, n\u00e3o deixa de ser uma pena saber que quem pode mais faz t\u00e3o menos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/musicaderua11.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ter um dinossauro do rock ga\u00facho como headliner de um festival que dura 10 dias e se prop\u00f5e a levantar v\u00e1rias pautas sociais e humanit\u00e1rias \u00e9 emblem\u00e1tico dessa edi\u00e7\u00e3o de 2016 do M\u00fasica de Rua. Ao final, mais de 30 mil pessoas prestigiaram o festival ao longo de sua dura\u00e7\u00e3o, mas esse \u00e9 um bom n\u00famero se levarmos em conta que tanta gente acaba demandando palcos grandes, seguran\u00e7as e at\u00e9 grades de prote\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m vale questionar se a trabalhos t\u00e3o iniciantes como o Quarteto de Cellos ou a cantora mirim Nicolle Santos caberiam tantas apresenta\u00e7\u00f5es neste momento de suas carreiras, em que ainda precisam de mais prepara\u00e7\u00e3o e experi\u00eancia. Vale tamb\u00e9m refletir se tantas apresenta\u00e7\u00f5es n\u00e3o acabam dispersando a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico, e se n\u00e3o seria melhor ter menos artistas, dando a eles maior tempo para tocar (algumas apresenta\u00e7\u00f5es duravam menos de 20 minutos). Mais que tudo, vale pensar se a integra\u00e7\u00e3o que a rua proporciona n\u00e3o \u00e9 mais importante que atrair maior n\u00famero de pessoas: ter o Nenhum de N\u00f3s e a Vera Loca pode ajudar a colocar o festival no mesmo patamar de uma Festa da Uva em termos de popularidade, mas isso pouco colabora para promover a integra\u00e7\u00e3o cultural (boa parte dos f\u00e3s desses artistas iam apenas para v\u00ea-los, e n\u00e3o para desfrutar do festival como um todo), a diversifica\u00e7\u00e3o das propostas culturais e o respeito \u00e0s causas humanit\u00e1rias (o sexismo adolescente da Vera Loca \u00e9 especialmente constrangedor).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, houve acertos not\u00e1veis, como o destaque a artistas que n\u00e3o se valem da estrutura da can\u00e7\u00e3o pop (os artistas de m\u00fasica instrumental e de eletr\u00f4nica), a possibilidade de integrar m\u00fasicos de proced\u00eancias e estilos diferentes em jams (combinadas previamente ou de \u00faltima hora), a oportunidade para artistas em forma\u00e7\u00e3o de se aperfei\u00e7oarem \u201cao vivo e a cores\u201d (a Marag\u00e1 sendo o caso mais evidente e que mais se beneficiou). Al\u00e9m disso, n\u00e3o se pode esquecer que ocorreram excelentes shows (e n\u00e3o foram poucos os inesquec\u00edveis), que os debates e oficinas da Incubadora de M\u00fasica tiveram boa repercuss\u00e3o entre artistas, produtores e pesquisadores locais; e que, evidentemente, um evento de dez dias dedicado \u00e0 m\u00fasica j\u00e1 \u00e9 um marco por si s\u00f3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O crescimento da estrutura parece colocar o Festival Brasileiro de M\u00fasica de Rua frente a uma bifurca\u00e7\u00e3o: ou assume-se como uma festa grande assegurada no calend\u00e1rio tur\u00edstico, dedicada a oferecer um evento completo no qual a m\u00fasica \u00e9 um pretexto; ou retoma a rua como cerne e a m\u00fasica como raz\u00e3o de ser e como ponte para integrar culturas e ideias diferentes. De qualquer modo, sua relev\u00e2ncia no momento atual do cen\u00e1rio independente \u00e9 inquestion\u00e1vel, e os resultados colhidos a partir dele podem ter impacto amplamente positivo a longo prazo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/musicaderua7.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"900\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/leovinhas\" target=\"_blank\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Saiba como foi a edi\u00e7\u00e3o 2015 do Festival Brasileiro de M\u00fasica de Rua (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/04\/27\/festival-brasileiro-de-musica-de-rua-2015\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Download gratuito: baixe a colet\u00e2nea \u201cSomos Todos Latinos\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/03\/17\/download-somos-todos-latinos\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cSomos Todos Latinos\u201d: compare as vers\u00f5es originais com as da colet\u00e2nea (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/03\/21\/somos-todos-latinos-as-cancoes-originais\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/category\/musica\/\">MAIS SOBRE M\u00daSICA, ENTREVISTAS E REVIEWS NO SCREAM &amp; YELL<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Leonardo Vinhas\nO crescimento da estrutura sugere uma bifurca\u00e7\u00e3o: ou assume-se como uma festa grande ou retoma a rua como cerne\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/05\/03\/festival-brasileiro-de-musica-de-rua-2016\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[45],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38119"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38119"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38119\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":40298,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38119\/revisions\/40298"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38119"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38119"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38119"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}