{"id":37976,"date":"2016-04-11T23:10:47","date_gmt":"2016-04-12T02:10:47","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=37976"},"modified":"2016-09-10T09:53:19","modified_gmt":"2016-09-10T12:53:19","slug":"cinema-escaravelho-do-diabo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/04\/11\/cinema-escaravelho-do-diabo\/","title":{"rendered":"Cinema: O Escaravelho do Diabo"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" style=\"border: 1px solid black;\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/escaravelho3.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"657\" \/><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>por\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO Escaravelho do Diabo\u201d foi publicado originalmente como uma narrativa em s\u00e9rie na revista O Cruzeiro em 1955, mas foi a partir de sua republica\u00e7\u00e3o como livro, em 1972, que come\u00e7ou a conquistar uma legi\u00e3o de f\u00e3s. Na verdade, a obra de L\u00facia Machado de Almeida tornou-se um dos maiores sucessos da literatura infanto-juvenil brasileira: est\u00e1 em sua 27\u00aa edi\u00e7\u00e3o e \u00e9 o segundo t\u00edtulo mais vendido da S\u00e9rie Vagalume, cole\u00e7\u00e3o de livros publicada pela Editora \u00c1tica cujas vendas somam quase 8 milh\u00f5es de exemplares. O livro ficou gravado na mem\u00f3ria de v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es de jovens leitores que, at\u00e9 ent\u00e3o, n\u00e3o estavam acostumados ao termo serial killer, e que sentiam verdadeiro terror diante da gratuidade dos crimes de um psicopata dedicado a matar ruivos na pequena cidade interiorana de Vale das Flores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Adaptado para o cinema pelos roteiristas Melanie Dimantas e Ronaldo Santos com dire\u00e7\u00e3o de Carlo Milani (cujo curr\u00edculo inclui os programas Big Brother Brasil e The Voice Brasil, al\u00e9m de algumas novelas e epis\u00f3dios de Tomara que Caia e Malha\u00e7\u00e3o), \u201cO Escaravelho do Diabo\u201d em celuloide s\u00f3 assusta quem espera por um bom filme, que respeite a obra original e a intelig\u00eancia do espectador. Sua estreia no cinema, nesta quinta-feira, 14\/04, exibe resultados inversamente proporcionais \u00e0s suas boas inten\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 poss\u00edvel entender que um entusiasta do livro se incomode com v\u00e1rias altera\u00e7\u00f5es feitas na narrativa: a cidade onde a trama se desenrola \u00e9 a fict\u00edcia Vale das Flores, e n\u00e3o a paulista Vista Alegre; a pens\u00e3o de Cora O\u2019Shea foi exclu\u00edda da trama; a personagem Ver\u00f4nica, antes uma \u00f3rf\u00e3, passa a integrar a fam\u00edlia de uma das v\u00edtimas, entre outras mudan\u00e7as. Por\u00e9m, s\u00e3o adequa\u00e7\u00f5es que podem ser entendidas como necess\u00e1rias para fazer as 128 p\u00e1ginas do livro caberem em uma hora e meia de filme. O problema est\u00e1 na realiza\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/escaravelho1.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"412\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A \u201ctroca\u201d de protagonistas j\u00e1 \u00e9 um entrave \u2013Alberto, no original liter\u00e1rio um jovem estudante de medicina, agora \u00e9 um adolescente gordinho e quase infantil; seu irm\u00e3o Hugo, a primeira v\u00edtima do serial killer, \u00e9 o garot\u00e3o da vez. O objetivo, claro, \u00e9 criar empatia com o espectador mais jovem, e at\u00e9 poderia funcionar, se houvesse um roteiro consistente, uma dire\u00e7\u00e3o de atores digna e uma dire\u00e7\u00e3o geral que n\u00e3o funcionasse escorada apenas em clich\u00eas. Como voc\u00ea j\u00e1 deve ter deduzido, nenhum dos tr\u00eas deu as caras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00e3o seria poss\u00edvel come\u00e7ar um filme infanto-juvenil com o assassinato de um garoto de 12 anos no primeiro ato\u201d, disse o diretor Carlo Milani na coletiva de lan\u00e7amento do filme. A preocupa\u00e7\u00e3o com a classifica\u00e7\u00e3o indicativa era grande, por isso a mudan\u00e7a substancial no protagonista e a inser\u00e7\u00e3o de elementos contempor\u00e2neos (celulares, pesquisas na internet) para tentar \u201catualizar\u201d a obra.  S\u00f3 que tudo \u00e9 feito de forma caricata: d\u00e1 para acreditar que as habilidades detetivescas de um garoto de 12 anos se desenvolvem porque ele assiste muito CSI? Uma anima\u00e7\u00e3o simulando um videogame, usada para \u201cilustrar\u201d um sonho de Alberto, chega a ser especialmente constrangedora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra inser\u00e7\u00e3o for\u00e7ada \u00e0 modernidade s\u00e3o as men\u00e7\u00f5es a assuntos do dia a dia escolar, verdadeiros hits de reuni\u00f5es pedag\u00f3gicas, como bullying e d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o. O primeiro \u00e9 \u201cjogado\u201d na trama como o causador das motiva\u00e7\u00f5es do criminoso, e vem de forma t\u00e3o descuidada que acaba n\u00e3o sendo cr\u00edvel. O DDA, por sua vez, \u00e9 apresentado cansativamente na introdu\u00e7\u00e3o do personagem Alberto e depois \u00e9 completamente ignorado. Ah, sim: durante essa introdu\u00e7\u00e3o de Alberto, o filme simplesmente \u201cse esquece\u201d da trama: nada acontece para que o mote seja percebido pelo espectador que n\u00e3o leu o livro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outras inconsist\u00eancias v\u00e3o se somando: o fato de os pacotes com os escaravelhos, a \u201csenha\u201d que anuncia quem vai ser morto, serem mandados pelo correio e nenhum policial se lembrar de checar os envios postais; a escolha de cada inseto para identificar a forma como a v\u00edtima vai ser morta tamb\u00e9m se perde depois da segunda morte; a capacidade do assassino em planejar os crimes at\u00e9 mesmo levando em conta os imprevistos&#8230; Para n\u00e3o falar da m\u00e3e de Alberto e Hugo, que \u00e9 crucial para o primeiro no come\u00e7o do filme e depois aparece menos que adulto nos desenhos do Peanuts.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/escaravelho2.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Boa parte dos di\u00e1logos originais n\u00e3o \u00e9 aproveitada. Com um elenco que acumula desacertos, isso rende um resultado desastroso. No papel de Alberto, Thiago Rosseti n\u00e3o tem o carisma necess\u00e1rio para estar \u00e0 frente do filme, e sua rela\u00e7\u00e3o com o delegado Pimentel (um subaproveitado Marcos Caruso) n\u00e3o se desenvolve. Bruna Cavalieri, como o \u201cinteresse rom\u00e2ntico\u201d de Alberto, atua em modo \u201cpe\u00e7a de teatro do col\u00e9gio\u201d. A Louren\u00e7o Mutarelli coube o papel do psicopata, e ele o faz com grunhidos e uma narra\u00e7\u00e3o em off incompreens\u00edvel. As exce\u00e7\u00f5es ficam para Jonas Bloch (padre Afonso), Bruce Gomlevsky (um jornalista que cobre os crimes) e Selma Egrei (como a esposa de Pimentel), que fazem o que podem com o pouco que lhes foi dado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Carlo Milani cozinha essa receita desandada com m\u00e3o pesada, abusando de clich\u00eas narrativos e visuais, como se n\u00e3o confiasse que o espectador n\u00e3o \u00e9 capaz, por exemplo, de entender que Raquel \u00e9 a paixonite de Alberto se n\u00e3o mostr\u00e1-la com o cabelo esvoa\u00e7ante em c\u00e2mera lenta. Ou que ele precisasse de uma recapitula\u00e7\u00e3o dos crimes no final, caso n\u00e3o tenha ficado claro que o assassino confesso foi o autor dos crimes. Nesse panorama, n\u00e3o \u00e9 de se surpreender que nem a trilha sonora original de BID funcione.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pode at\u00e9 ser que, com todos esses problemas, &#8220;O Escaravelho do Diabo&#8221; encontre receptividade no p\u00fablico, considerando que o cinema brasileiro tem tido nos filmes de Roberto Santucci (\u201cAt\u00e9 que a Sorte os Separe\u201d, \u201cLoucas pra Casar\u201d, \u201cUm Suburbano Sortudo\u201d, essas coisas) algumas das maiores bilheterias da sua hist\u00f3ria. Por\u00e9m, \u00e9 desalentador que um livro t\u00e3o coeso e cativante tenha virado um filme t\u00e3o aguado e sem carisma.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/XNUp3Ilp25w\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/XNUp3Ilp25w\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>&#8211;\u00a0 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/category\/cinema\/\">MAIS SOBRE CINEMA E FILMES<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Por Leonardo Vinhas\n\u00c9 desalentador que um livro t\u00e3o coeso e cativante tenha se transformado em um filme t\u00e3o aguado e sem carisma&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/04\/11\/cinema-escaravelho-do-diabo\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37976"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37976"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37976\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":37982,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37976\/revisions\/37982"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37976"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37976"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37976"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}