{"id":37875,"date":"2016-03-28T21:38:25","date_gmt":"2016-03-29T00:38:25","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=37875"},"modified":"2016-09-10T09:54:49","modified_gmt":"2016-09-10T12:54:49","slug":"entrevista-curumin","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/03\/28\/entrevista-curumin\/","title":{"rendered":"Entrevista: Curumin"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/curumin1.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"580\" \/><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/silva.leonel.900\" target=\"_blank\">Bruno Leonel<\/a><\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma percuss\u00e3o cheia de \u2018ginga\u2019 aliada a instrumentos de corda, junto de v\u00e1rias camadas eletr\u00f4nicas (Cortesia dos 3 samples MPC usados no palco) que at\u00e9 deixam d\u00favidas sobre o n\u00famero de pessoas que est\u00e1 tocando\u2026 O resultado \u00e9 uma verdadeira parede de sons. Ao vivo, a banda tem poucos, mas \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o ficar em d\u00favida se o que estamos ouvindo n\u00e3o \u00e9 obra de uma fanfarra inteira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim \u00e9 o som do m\u00fasico paulistano Luciano Nakata Albuquerque, o Curumin, que mistura elementos de reggae, dub, rap e outras vertentes. Possuidor de uma veia ecl\u00e9tica, o cantor \u2013 que tamb\u00e9m \u00e9 baterista e \u2018sampleador\u2019 durante o show \u2013 chama a aten\u00e7\u00e3o, desde 2005, tanto pela originalidade mostrada em seus discos autorais, como tamb\u00e9m pela colabora\u00e7\u00e3o como m\u00fasico de apoio de outros artistas (Paula Lima, Arnaldo Antunes, Vanessa da Matta e outros).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Divulgando o quarto disco de in\u00e9ditas de sua carreira, \u201cArrocha\u201d (2012), Curumin esteve em Londrina no m\u00eas de mar\u00e7o, onde se apresentou durante o anivers\u00e1rio de 6 anos da festa Barbada, no Bar Valentino, e conversou com o <a href=\"http:\/\/www.rubrosom.com.br\/\" target=\"_blank\">RubroSom<\/a>, parceiro do Scream &amp; Yell, sobre o processo de cria\u00e7\u00e3o, suas influ\u00eancias, al\u00e9m das vantagens de ser um artista independente.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/TViK6rnYeIk\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/TViK6rnYeIk\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Um aspecto do teu trabalho que \u00e9 muito marcante \u00e9 a forma como voc\u00ea mistura ritmos musicais diferentes; Dub, reggae, m\u00fasica eletr\u00f4nica&#8230;. Desde sempre voc\u00ea se interessou por diferentes estilos musicais?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o sempre. Quando era moleque, j\u00e1 teve \u00e9poca de gostar de Gretchen, Sidney Magal (risos). Passei por muitas fases, mas acho que agora, apesar das v\u00e1rias vertentes, tem uma coisa que \u00e9 mais espec\u00edfica pra mim que \u00e9 a m\u00fasica negra e as coisas que vem dela&#8230; Ent\u00e3o como baterista gosto das coisas com ritmo, do \u2018swingado\u2019 dan\u00e7ante, tudo isso me interessa. Esses estilos que voc\u00ea falou, reggae, soul, rap, boa parte da m\u00fasica eletr\u00f4nica, isso vem tudo dessa \u00e1rea&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea falou em uma entrevista que o seu irm\u00e3o, desde pequeno, foi um cara que te influenciou muito, ele sempre te mostrava discos&#8230; O que voc\u00ea ouviu na \u00e9poca que te fez querer tocar e fazer sua pr\u00f3pria m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nFoi ele quem me apresentou Stevie Wonder! Foi meio que um clique. Comecei a ouvir muito e saquei o caminho que eu queria seguir. Ele foi o artista principal. Lembro at\u00e9 hoje quando meu irm\u00e3o chegou em casa com o \u201cInnervisions\u201d (1973). Eu conhecia (Stevie Wonder) porque ele fez muito sucesso com \u201cI Just Called To Say I Love You\u201d (1984), mas n\u00e3o tinha uma excelente impress\u00e3o dele. Apesar de ser boa, \u201cI Just Called To Say I Love You\u201d era muito pop, tocou muito no r\u00e1dio, eu nem gostava tanto. Mas quando conheci o \u201cInnervisions\u201d, p\u00f4, achei louca a capa e quando ouvi deu uma mudan\u00e7a de chaves na cabe\u00e7a&#8230; (risos). Na escola eu j\u00e1 fazia algumas m\u00fasicas de brincadeira, sempre brinquei com isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea \u00e9 formado em psicologia, mora em S\u00e3o Paulo (onde nasceu)&#8230; Como isso tudo influencia seu trabalho?<\/strong><br \/>\nTudo na vida est\u00e1 ali no trabalho. As coisas que aprendi, que vi na faculdade, aparecem ali no meu trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que tem rolado no seu som&#8230;<\/strong><br \/>\nTem uma onda interessante vindo desse pessoal trans, gays, l\u00e9sbicas&#8230; Tem um frescor. Al\u00e9m disso&#8230; Ava Rocha, gosto muito do rapper Kendrick Lammar&#8230; Cada vez aparece mais m\u00fasica boa&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea \u00e9 um m\u00fasico que se destacou tanto no trabalho autoral como tamb\u00e9m tocando com outros m\u00fasicos. Essa coisa de circular nos dois meios acrescenta mais ao trabalho?<\/strong><br \/>\nAcrescenta muito. Principalmente porque nessa estrada da vida eu sempre toquei com gente muito legal. Ir pra outros lugares, tentar entender outras ideias \u00e9 sempre muito importante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cArrocha\u201d, seu disco mais recente, foi produzido em casa, sem um est\u00fadio enorme que era preciso ser pago por hora. Como foi experimentar a grava\u00e7\u00e3o desta forma?<\/strong><br \/>\nFoi bem gostoso. Isso ocorreu bem na \u00e9poca que minha esposa estava gr\u00e1vida, a casa estava num clima bem legal e havia uma paz mesmo em fazer ali. Tinha uma atmosfera de se sentir bem, havia um clima de trabalho \u00f3timo, todo mundo fazendo o que gostava, feliz em estar fazendo, empolgado em estar experimentando sons. Estar em casa d\u00e1 muito mais margem para testar coisas tamb\u00e9m. No est\u00fadio \u00e9 sempre mais \u2018certeiro\u2019, voc\u00ea n\u00e3o tem muito espa\u00e7o para elucubrar e nem tentar e errar, tem que acertar mais. Em casa eu podia errar (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O \u201cArrocha\u201d soa mais eletr\u00f4nico em compara\u00e7\u00e3o aos discos anteriores, tem mais samplers&#8230; Foi tamb\u00e9m um resultado da forma de grava\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nFoi sim. Uma coisa puxou a outra. Havia tamb\u00e9m o interesse pessoal pela programa\u00e7\u00e3o e, na \u00e9poca, tamb\u00e9m pelo hip-hop, todo o hip-hop experimental que vinha ocorrendo. Foi o casamento de tentar pesquisar e fazer em baixo custo. A grava\u00e7\u00e3o foi r\u00e1pida, menos de tr\u00eas meses, o que demorou foi mais o processo de arte final, fechar a capa e o resto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual a maior vantagem e a desvantagem em ser um artista independente no Brasil hoje?<\/strong><br \/>\nA primeira vantagem \u00e9 voc\u00ea n\u00e3o responder sua m\u00fasica para ningu\u00e9m. Quando tinha gravadora voc\u00ea precisava responder para o dono do investimento, ele precisava replicar aquele dinheiro que entrou, n\u00e3o tinha uma vis\u00e3o muito musical, a vis\u00e3o era muito \u201cisso vai vender ou isso n\u00e3o vai\u201d. (Agora) a gente n\u00e3o tem essa preocupa\u00e7\u00e3o. Essa conquista \u00e9 maravilhosa! Por outro lado, tem todo o trabalho que \u00e9 ser voc\u00ea mesmo S\/A. Voc\u00ea tem que estar presente em todas as etapas do processo, n\u00e3o d\u00e1 para ficar focado s\u00f3 criando. Quer dizer, para alguns d\u00e1. Para os g\u00eanios, rola (risos), mas para mim&#8230; ainda tenho que ralar um pouco e correr atr\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O selo Quannum Projects (EUA) ajudou o seu trabalho a ter uma proje\u00e7\u00e3o fora do Brasil e voc\u00ea teve contato com o Chief Xcel, do Blackalicious. Como foi a recep\u00e7\u00e3o do seu trabalho l\u00e1 fora? Pessoal viu seu som como algo muito ex\u00f3tico?<\/strong><br \/>\nEles t\u00eam um mercado que se auto consome, principalmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura norte-americana, onde fui mais com o Blackalicious. A cultura nos EUA sempre foi muito mais de exportar do que de importar coisas. O que eles importavam era com essa ideia de m\u00fasica ex\u00f3tica e (a m\u00fasica brasileira) acabou entrando um pouco nessa categoria, mas acho que hoje mudou um pouco. Por volta de 2005 era mais restrito, mas foi bom do mesmo jeito. A gente percorreu um trilho legal, passaram pra gente muita coisa do hip-hop, fizemos v\u00e1rios shows, foi uma fase muito importante pra gente. Por enquanto n\u00e3o temos projetos de ir pra fora. Ser independente tem isso, de ser mais dif\u00edcil&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o pr\u00f3ximo disco? J\u00e1 est\u00e3o trabalhando em algum material?<\/strong><br \/>\nEstamos pensando sim, temos j\u00e1 algumas m\u00fasicas novas feitas. Acho que entre abril e junho devemos nos reunir para trabalhar em mais algumas, talvez com alguma previs\u00e3o de lan\u00e7amento para o ano que vem. Esse ano ainda tem Olimp\u00edadas, elei\u00e7\u00f5es e tudo mais, mas n\u00e3o precisamos correr. Iremos fazer no prazo que for para fazer bem feito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual sua opini\u00e3o sobre o download gratuito, o compartilhamento? Isso ajuda a circular mais ou prejudica o artista?<\/strong><br \/>\n\u00c9 meio inevit\u00e1vel e \u00e9 uma mudan\u00e7a da economia do mercado de m\u00fasica. Acho que \u00e9 importante o artista receber pela execu\u00e7\u00e3o do trabalho dele. Mas hoje em dia a tecnologia permitiu tanta velocidade de informa\u00e7\u00e3o que se voc\u00ea burocratizar o acesso para as pessoas voc\u00ea sai perdendo, ent\u00e3o n\u00e3o tem muito para onde ir. O MP3 \u00e9 um formato \u00f3timo, me possibilitou conhecer muita coisa que eu tinha dificuldade de pesquisar, mas como artista eu sei que o problema \u00e9 esse, de gastar dinheiro pra gravar algo, tem todo um custo emocional para produzir&#8230; mas a gente n\u00e3o deixa de trabalhar, isso ajuda as pessoas a conhecerem mais e, de repente, circular mais com o show.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/z9ytUMTXvds\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/z9ytUMTXvds\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/30qY4229CoY\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/30qY4229CoY\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/WRrNJB8N68g\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/WRrNJB8N68g\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Bruno Leonel (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/silva.leonel.900\" target=\"_blank\">https:\/\/www.facebook.com\/silva.leonel.900<\/a>) edita o site <a href=\"http:\/\/www.rubrosom.com.br\/\" target=\"_blank\">RubroSom<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/category\/musica\/\">MAIS SOBRE M\u00daSICA, ENTREVISTAS E REVIEWS NO SCREAM &amp; YELL<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Bruno Leonel\nCurumin esteve em Londrina no m\u00eas de mar\u00e7o e conversou sobre processo de cria\u00e7\u00e3o, influ\u00eancias e o &#8220;ser independente&#8221;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/03\/28\/entrevista-curumin\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":13,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37875"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37875"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37875\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":38158,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37875\/revisions\/38158"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37875"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37875"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37875"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}