{"id":37858,"date":"2016-03-28T00:02:58","date_gmt":"2016-03-28T03:02:58","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=37858"},"modified":"2016-09-05T10:07:22","modified_gmt":"2016-09-05T13:07:22","slug":"tres-livros-olafsdottir-adiga-e-marra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/03\/28\/tres-livros-olafsdottir-adiga-e-marra\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas livros: \u00d3lafsd\u00f3ttir, Adiga e Marra"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/coisapop\" target=\"_blank\">Adriano Mello Costa<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-37861 aligncenter\" title=\"rosacandida\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/rosacandida.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Rosa Candida\u201d, Audur Ava \u00d3lafsd\u00f3ttir (Alfaguara)<\/strong><br \/>\nA Isl\u00e2ndia, pequeno pa\u00eds n\u00f3rdico conhecido por paisagens bel\u00edssimas e artistas como Bj\u00f6rk, Sigur R\u00f3s e Of Monsters And Men, tamb\u00e9m tem uma tradi\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria forte. O selo Alfaguara, da editora Objetiva, lan\u00e7ou em 2015 no Brasil um livro oriundo dessa literatura. Com tradu\u00e7\u00e3o de Andr\u00e9 Telles e 304 p\u00e1ginas, \u201cRosa Candida\u201d (Afleggjarinn, no original) \u00e9 o terceiro livro da professora, poeta e escritora Audur Ava \u00d3lafsd\u00f3ttir e foi publicado originalmente em 2007. O protagonista \u00e9 Arnlj\u00f3tur Th\u00f3rir, jovem de 22 anos retra\u00eddo e com uma imensid\u00e3o de receios que, ap\u00f3s a morte da m\u00e3e, vive com o pai e cuida de uma \u00e1rea de cultivo de plantas. Ele tamb\u00e9m teve outra surpresa recente e se descobriu pai, fruto de sexo casual depois de uma festa. A m\u00e3e da crian\u00e7a n\u00e3o lhe for\u00e7a a quase nada, o que serve para aumentar ainda mais seu sentimento de inconformidade com a vida. Th\u00f3rir resolve ent\u00e3o partir numa jornada de descoberta. A viagem tem como destino um mosteiro conhecido por ter um dos mais belos jardins do mundo, que se encontra abandonado. A finalidade (ou a desculpa) do rapaz \u00e9 edificar esse jardim igual aos dias de ouro. De posse de uma nova esp\u00e9cie de rosa, ele parte para o mosteiro, incrustado numa pequena vila. E \u00e9 nesse local, longe de computadores, celulares, televis\u00e3o e afins, que finalmente come\u00e7am a dissipar seus medos e questionamentos sobre sexo, vida e morte. O que at\u00e9 ent\u00e3o soa um misto de jornada de her\u00f3i com romance de forma\u00e7\u00e3o \u00e9 alterado pela escritora com a inclus\u00e3o de Frei Tom\u00e1s e suas respostas baseadas em filmes antigos (\u201cAntonioni lhe ensinar\u00e1 tudo que voc\u00ea precisa saber sobre o amor\u201d, diz em certo momento) como tamb\u00e9m o reaparecimento da filha e da m\u00e3e dela (com a qual ele n\u00e3o nutre intimidade). \u201cRosa C\u00e2ndida\u201d exibe uma hist\u00f3ria delicada e terna, que comove sem desandar para o sentimentalismo banal. Ava insere um humor de constrangimento e inadequa\u00e7\u00e3o e aproveita para lan\u00e7ar m\u00e3o de quest\u00f5es com alicerces no esoterismo e religi\u00e3o, sem explicar muito bem os motivos dessas inser\u00e7\u00f5es e deixa ao leitor a tarefa de buscar o entendimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 7<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-37859 aligncenter\" title=\"torre\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/torre.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cO \u00daltimo Homem na Torre\u201d, Aravind Adiga (Ed. Nova Fronteira)<\/strong><br \/>\nO escritor indiano Aravind Adiga ganhou o prestigiado \u201cMan Booker Price\u201d em 2008 logo com seu primeiro livro, o h\u00e1bil \u201cTigre Branco\u201d. Depois lan\u00e7ou a colet\u00e2nea de contos \u201cEntre Assassinatos\u201d (2008) e \u201cO \u00daltimo Homem na Torre\u201d (\u201cThe Last Man In Tower\u201d, no original) de 2011, que ganhou edi\u00e7\u00e3o brasileira em 2014 via Nova Fronteira, com 400 p\u00e1ginas e tradu\u00e7\u00e3o de Vera Ribeiro. Adiga \u00e9 um autor em evolu\u00e7\u00e3o e ainda que repita prerrogativas contidas na estreia, as utiliza mais como alicerces pr\u00f3prios do que necessariamente uma repeti\u00e7\u00e3o. A trama de \u201cO \u00daltimo Homem na Torre\u201d se passa numa pequena sociedade habitacional de Mumbai, com poucos andares onde todos os moradores s\u00e3o donos. Mesmo que o lugar n\u00e3o seja o melhor da cidade \u2013 longe disso \u2013 todos que ali residem gostam dos outros e tentam viver em harmonia, mesmo com as normais intrigas entre vizinhos. Esse cen\u00e1rio de relativa paz \u00e9 alterado quando entra em cena um empres\u00e1rio do ramo de constru\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, que oferece uma quantia tentadora para que todos vendam seus apartamentos para que ele possa derrubar o pr\u00e9dio e levantar um novo. O empres\u00e1rio, personagem complexo, tem seus pr\u00f3prios motivos que v\u00e3o desde a simples gan\u00e2ncia at\u00e9 a competitividade demasiada com um concorrente, a fim de suprir, talvez, alguns problemas de ordem pessoal. Com o dinheiro em cena, os moradores logo mudam os \u00e2nimos e se transformam diante da cobi\u00e7a, e basta um professor resolver se opor a venda, inviabilizando o novo sonho dos demais, para que os amigos, antes \u00edntimos, revelem seu lado cruel. Mesmo sendo no cerne um conto sobre moralidade, \u201cO \u00daltimo Homem na Torre\u201d \u00e9 o reflexo de um pa\u00eds que vem crescendo e se diversificando, com o progresso sendo um artif\u00edcio constante de muta\u00e7\u00e3o. A hist\u00f3ria \u00e9 triste e feroz, mas Aravind Adiga insere na narrativa aquele tipo de humor existente em situa\u00e7\u00f5es de absurdo ou em descuidos do cotidiano, o que serve para dar mais for\u00e7a ainda a outro bom livro, que tem como fa\u00e7anha unir esses dois lados enquanto explora v\u00e1rios personagens ao mesmo tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 7<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-37860 aligncenter\" title=\"constelacao\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/constelacao.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cUma Constela\u00e7\u00e3o de Fen\u00f4menos Vitais\u201d, Anthony Marra (Ed. Intr\u00ednseca)<\/strong><br \/>\nAnthony Marra \u00e9 professor e viveu um tempo no leste europeu. Em 2013 lan\u00e7ou seu primeiro romance de fic\u00e7\u00e3o usando um dos per\u00edodos mais sanguin\u00e1rios da hist\u00f3ria mundial recente: a primeira e a segunda guerra chechena. Compreendido entre os anos de 1994 e 2004, indo e voltando no tempo de acordo com as necessidades da narrativa, \u201cUma Constela\u00e7\u00e3o de Fen\u00f4menos Vitais\u201d (A Constellation Of Vital Phenomena, no original) ganhou lan\u00e7amento nacional pela editora Intr\u00ednseca em 2014 com 336 p\u00e1ginas e tradu\u00e7\u00e3o de Fabiana de Carvalho. A obra passou batida no Brasil, mas \u00e9 de uma delicadeza e for\u00e7a avassaladoras. As guerras chechenas s\u00e3o o pano de fundo para que se desenvolva uma hist\u00f3ria de salva\u00e7\u00e3o, dor, trai\u00e7\u00e3o e alguma bondade. Quando a pequena Havaa, de 8 anos, v\u00ea o pai ser levado de sua pequena vila por soldados russos devido a uma den\u00fancia de um vizinho, o mundo da menina desaba, por\u00e9m ela j\u00e1 estava preparada para isso. Outro vizinho, um m\u00e9dico sem muito talento de nome Akhmed, surge como salvador e a leva para um hospital abandonado na cidade onde antes trabalhavam mais de 500 pessoas, mas que agora comporta somente uma m\u00e9dica, uma enfermeira e um porteiro. Sonja, a m\u00e9dica, \u00e9 uma mulher endurecida pela vida e junto com Akhmed serve como personagem principal nos pequenos dias em que se desenvolve a trama. Anthony Marra explora a guerra nas suas facetas mais cru\u00e9is e perturbadoras, colocando em cena todas as desgra\u00e7as e os aproveitadores que se criam em decorr\u00eancia da trag\u00e9dia. Por\u00e9m, o autor tamb\u00e9m deixa ali, escondido no final, quase morto, um pequeno tom de esperan\u00e7a, uma f\u00e9 cada vez mais dif\u00edcil de aceitar. De escrita franca e objetiva, Marra flerta com a dor e, quando o leitor imagina saber de todos os fatos, ele opta em adicionar mais ingredientes e provar que no romance apenas a pequena Havaa \u00e9 100% boa de cora\u00e7\u00e3o e inocente. At\u00e9 mesmo os supostos her\u00f3is t\u00eam pecados e culpas imensas dentro do arm\u00e1rio, o que faz com que a obra ganhe em valor e intensidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 8,5<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/_Ilw9Bu0z4k\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/_Ilw9Bu0z4k\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Adriano Mello Costa (siga <a href=\"http:\/\/twitter.com\/coisapop\">@coisapop<\/a> no Twitter) e assina o blog de cultura <a href=\"http:\/\/coisapop.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\">Coisa Pop<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/category\/literatura\/\"><strong>LEIA MAIS SOBRE LIVROS E HQs<\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Tr\u00eas bons romances recentes: &#8220;Rosa Candida\u201d, \u201cO \u00daltimo Homem na Torre\u201d e \u201cUma Constela\u00e7\u00e3o de Fen\u00f4menos Vitais\u201d\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/03\/28\/tres-livros-olafsdottir-adiga-e-marra\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":9,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37858"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37858"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37858\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39929,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37858\/revisions\/39929"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37858"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37858"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37858"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}