{"id":37784,"date":"2013-04-08T13:54:55","date_gmt":"2013-04-08T16:54:55","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=37784"},"modified":"2016-03-27T14:03:06","modified_gmt":"2016-03-27T17:03:06","slug":"lollapalooza-brasil-x-lollapalooza-chile","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/04\/08\/lollapalooza-brasil-x-lollapalooza-chile\/","title":{"rendered":"Lollapalooza Brasil x Lollapalooza Chile"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/lola1.jpg\" alt=\"lola1.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/h2>\n<p>No domingo \u00e0 noite, Andr\u00e9 Mori (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/andremori\/\" target=\"_blank\">@andremori<\/a>) me contava no Twitter suas impress\u00f5es sobre o Lollapalooza Chile:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEu vim nos 3 anos. A evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 clara. A estrutura melhora a cada ano e este ano tinha 70mil pessoas por dia. Sem contar que o Perry Farrell aparece muito aqui. Est\u00e1 direto nos shows. Lembro que em 2011, ao final do show do Jane\u2019s, ele chamou os tr\u00eas produtores ao palco para agradecer e cantar parab\u00e9ns a um deles. (Este ano foi) praticamente o mesmo line-up (do Brasil). Aqui n\u00e3o teve o 1\u00ba dia da\u00ed, mas teve Keane e Bad Brains. (Ainda assim) aqui o festival acontece redondo. Entrada em menos de  cinco minutos, filas de banheiro\/comida idem, metr\u00f4\/\u00f4nibus com 1h a mais rodando nas duas linhas principais. A cidade inteira envolvida com o festival. E vem muita gente de fora. Am\u00e9rica Latina em peso aqui. Enfim, a produ\u00e7\u00e3o daqui est\u00e1 muito a frente da nossa e, com certeza, influ\u00eancia as bandas.\u201d No Facebook, Andr\u00e9 acrescentou:  Para mim a grande diferen\u00e7a \u00e9 que aqui h\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o maior em oferecer de fato um festival e n\u00e3o somente distribuir 30, 40 bandas em 5 palcos e os clientes (n\u00e3o d\u00e1 para esquecer disso) que se virem para chegar, entrar, comer, transitar entre os palcos e ir embora\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"400\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/cka6X2Ow0Ik\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"400\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/cka6X2Ow0Ik\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No show do Queens of The Stone Age no Lollapalooza Chile, por exemplo, o l\u00edder do Pearl Jam, Eddie Vedder, apareceu para participar de \u201cLittle Sister\u201d. Josh Homme retribuiu a gentileza engrossando o coro da decantada cover de \u201cRockin\u2019 In The Free World\u201d, que o Pearl Jam praticamente tomou de Neil Young para si (Perry Farrell tamb\u00e9m marcou presen\u00e7a no palco assim como uma queima de fogos anunciando a despedida do Lollapalooza de terras latino-americanas em 2013). Um pouco antes, no hotel, Eddie Vedder e Josh Homme foram conversar com f\u00e3s e distribu\u00edram ingressos para a galera. De eventos exclusivos do Chile, o festival ainda contou com uma apresenta\u00e7\u00e3o secreta do Chevy Metal, projeto de Taylor Hawkins, batera do Foo Fighters, com participa\u00e7\u00e3o de Perry no palco infantil. Mais? Nesta segunda, enquanto Alex Kapranos agradecia ao p\u00fablico chileno no Twitter (?@alkapranos Thanks to everyone at the show in Santiago yesterday. I\u2019m still buzzing), Stuart Braithwaite, guitarrista do Mogwai, respondia \u201c@plasmatron @alkapranos probably my favourite city to play. Great place\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"400\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/cwj6t_M8cHc\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"400\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/cwj6t_M8cHc\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes que algum brasileiro comece a criar birra com o Chile (tal qual faz, muitas vezes idiotamente, com argentinos), seria legal olhar para o pr\u00f3prio umbigo. Logo na primeira edi\u00e7\u00e3o brasileira do Lollapalooza, um atrapalhado Perry Farrell contava que a edi\u00e7\u00e3o paulistana do festival s\u00f3 tinha por objetivo bancar a edi\u00e7\u00e3o chilena. Muita gente se sentiu ofendida, mas uma an\u00e1lise isenta e mais delicada pode verificar que algumas bandas n\u00e3o se sentem \u00e0 vontade tocando no Brasil. Opini\u00e3o minha: tem muita gente na terra de Feliciano envolvida nesse meio de produ\u00e7\u00e3o que parece muito mais preocupada com dinheiro do que com a m\u00fasica, e isso reflete n\u00e3o s\u00f3 no descaso de alguns artistas como tamb\u00e9m no pre\u00e7o alto dos cach\u00eas cobrados para shows na Ilha de Vera Cruz (\u00e0s vezes o dobro do pre\u00e7o cobrado em outros pa\u00edses latino-americanos- algumas vezes o triplo). Por uma raz\u00e3o simples: empres\u00e1rios (a grande maioria deles) est\u00e3o muito mais preocupados com o lucro do que com um grande show. Quem destes chef\u00f5es das grandes empresas de entretenimento do pa\u00eds conhece realmente (e admira) uma banda como Alabama Shakes, Bad Brains, Tomahawk e Foals? Elas vieram por escolha ou por que estavam em um pacote? E qual destes homens se preocupa com a produ\u00e7\u00e3o e o bem estar do p\u00fablico?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/lollachile1.jpg\" alt=\"lollachile1.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No ano passado <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/02\/29\/entrevista-alberto-guijarro-primavera-sound\/\" target=\"_blank\">tive o prazer de conversar com Alberto Guijarro<\/a>, respons\u00e1vel pelo Primavera Sound, festival que, para este que vos escreve, \u00e9 o melhor do mundo (devido a um line-up que foge do \u00f3bvio ancorado em parceiros \u2013 ATP, Pitchfork, Vice \u2013 que definem com liberdade suas atra\u00e7\u00f5es nos palcos secund\u00e1rios e que assustariam ainda mais aqueles que se assustaram com o show do Flaming Lips no Lollapalooza Brasil). Na entrevista, Guijarro elenca os shows hist\u00f3ricos do festival (\u201cNeil Young em 2009, a volta do Pulp em 2012 e um show m\u00edtico do White Stripes debaixo de chuva em 2003\u201d) e indicava os shows a serem vistos na edi\u00e7\u00e3o daquele ano: \u201cAs voltas do Mazzy Star e Afghan Whigs, o novo set do Justice, o Refused e, mais do que todos eles, Jeff Mangum, um cara que \u00e9 um dos artistas de cabeceira para todos n\u00f3s que fazemos o festival\u201d. Para conhecer a carreira de Jeff Mangum \u00e9 preciso ir al\u00e9m das capas de revistas. Enric Palau, do S\u00f3nar (que cancelou a edi\u00e7\u00e3o brazuca pela dificuldade em lidar com o mercado brasileiro) t<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/03\/18\/entrevista-enric-palau-sonar\/\" target=\"_blank\">amb\u00e9m deu boas respostas em outro bate papo do ano passado<\/a>. Quantos grandes empres\u00e1rios brasileiros conseguiriam conversar sobre m\u00fasica? Conseguiriam listar seus shows favoritos sem parecerem \u00f3bvios?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/lollachile2.jpg\" alt=\"lollachile2.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse olhar explicitamente capitalista pode estar contaminando o showbussiness musical brasileiro. L\u00f3gico, n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3. H\u00e1 ainda a colabora\u00e7\u00e3o negativa do Estado e do Munic\u00edpio na falta de vontade em auxiliar eventos. Em Londres, durante festivais e eventos de grande porte no Hyde Park (para cerca de 50 mil pessoas), as catracas das quatro esta\u00e7\u00f5es de metr\u00f4 na regi\u00e3o permanecem abertas para evitar filas e desafogar a sa\u00edda do p\u00fablico. Em S\u00e3o Paulo, o metr\u00f4 cede 15 minutos de seu tempo e fecha a porta na cara de milhares de pessoas que pagam IPTU. Por sua vez, taxistas n\u00e3o querem atender a pessoa se n\u00e3o for uma boa corrida para eles e juntamos a isso as reclama\u00e7\u00f5es constantes sobre pessoas que n\u00e3o v\u00e3o a um show porque querem assisti-lo, mas porque \u00e9 um evento, e, por isso, passam quase todo o tempo conversando (e atrapalhando quem quer ver), acredito que sair de casa para ver um show no Brasil (algo que deveria ser divertido) \u00e9 cada vez mais um ato requer muita coragem e paci\u00eancia. A grande quest\u00e3o que fica: o problema s\u00e3o os produtores de shows\/festivais, os taxistas, os pol\u00edticos ou os brasileiros como um todo? Quanto o jeitinho brasileiro, a malandragem e a Lei de Gerson est\u00e3o ferrando a n\u00f3s mesmos? Vale pensar com calma\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/lollachile3.jpg\" alt=\"lollachile3.jpg\" width=\"600\" height=\"900\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Balan\u00e7o: Lollapalooza Brasil 2013, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/03\/30\/balanco-lollapalooza-brasil-2013\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo CostaM\nUm olhar explicitamente capitalista pode estar contaminando o showbussiness musical brasileiro. 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