{"id":37765,"date":"2013-04-24T13:03:13","date_gmt":"2013-04-24T16:03:13","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=37765"},"modified":"2016-03-27T13:05:49","modified_gmt":"2016-03-27T16:05:49","slug":"duas-cervejas-caseiras-zap-e-charlipa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/04\/24\/duas-cervejas-caseiras-zap-e-charlipa\/","title":{"rendered":"Duas cervejas caseiras: Zap e Charlipa"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/voadeira.jpg\" alt=\"voadeira.jpg\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cerveja artesanal ou caseira \u00e9 a cerveja feita em casa, no conforto do lar, geralmente em quantidades que v\u00e3o de 6 litros at\u00e9 50 litros (\u00e0s vezes mais, raramente menos). Muitas vezes s\u00e3o experimentos para amigos felizardos \u2013 e para o pr\u00f3prio mestre-cervejeiro. Na maioria das vezes, por\u00e9m, \u00e9 um mergulho em um universo apaixonante que permite uma centena de milhares de resultados. Os alem\u00e3es, em 1516, criaram a Reinheitsgebot, a conhecida Lei da Pureza, que permitia apenas \u00e1gua, cevada e l\u00fapulo no processo (estava faltando trigo para o p\u00e3o de cada dia, e a levedura, ainda desconhecida, s\u00f3 foi inclusa na receita no s\u00e9culo 19), os belgas pouco se lixaram e colocaram condimentos, frutas e casca de laranja no mosto enquanto os norte-americanos, s\u00e9culos depois (mais propriamente a partir dos anos 80), chutaram o balde em suas vers\u00f5es personais e exageradas. Tudo isso abre um leque de possibilidades para cada um fazer sua pr\u00f3pria cerveja em casa. Abaixo, dois exemplos:<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/zap1.jpg\" alt=\"zap1.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De Joinville, em Santa Catarina, surge a Zap Firebird Lovers, de <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/willianfernando.petla\" target=\"_blank\">Willian Fernando Petla<\/a>, uma Golden Strong Ale de belo r\u00f3tulo e muita responsa \u2013 entre as belgas mais populares do estilo est\u00e3o \u201capenas\u201d a Delirium Tremens e a Duvel. \u201cQuando fiz essa cerveja, queria algo forte no \u00e1lcool, mas que 1) fosse fresca e 2) fosse f\u00e1cil para harmonizar\u201d, explicou Willian, que me deu duas garrafas (com a orienta\u00e7\u00e3o de \u201cuma pra logo, outra pra daqui seis meses\u201d \u2013 estou abrindo a primeira hoje!) quando nos encontramos no <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/03\/24\/5%C2%AA-festival-brasileiro-de-cervejas\/\" target=\"_blank\">5\u00aa Festival Brasileiro de Cervejas<\/a>, em Blumenau. \u201cMoro em Joinville, que \u00e9 muito quente. Eu e a patroa gostamos muito de cozinhar. E acho que o adocicado dela \u00e9 bom para acompanhar comida. Ele quebra o sal sem ser enjoativa. Mas confesso que queria algo mais carbonatado do que ficou\u201d, completa. Sou suspeito, afinal, al\u00e9m de ser f\u00e3 de belgas adocicadas e alco\u00f3licas, as portas do mundo cervejeiro se abriram para mim ap\u00f3s conhecer a Duvel, na B\u00e9lgica, anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na ta\u00e7a, a cor da Zap Firebird Lovers fica naquela fase em que o amarelo est\u00e1 se transformando em \u00e2mbar trazendo, ainda carregando uma leve turbidez. O creme teve boa forma\u00e7\u00e3o e perman\u00eancia. No \u00f3timo aroma, sensa\u00e7\u00e3o de notas frutadas (abacaxi e banana, com a segunda em destaque), adocicadas e, ao fundo, condimentadas. H\u00e1, ainda, percep\u00e7\u00e3o de floral e c\u00edtrico (conforme ela esquenta, o \u00e1lcool surge mais presente). No paladar, entre os gostos b\u00e1sicos, o primeiro ataque \u00e9 de acidez e do\u00e7ura, quase que ao mesmo tempo, com um residual salgado e falsa sensa\u00e7\u00e3o de amargor, provocada pelos muito bem inseridos 8% de \u00e1lcool (que esquentam a garganta). H\u00e1 refor\u00e7o de notas frutadas (banana, p\u00eassego em calda) e algo que, para mim, remeteu a chiclete, que fazem a do\u00e7ura se sobressair no conjunto. Um dos destaques \u00e9 o lev\u00edssimo amargor que surge exatamente logo ap\u00f3s o fim do gole, como que cortando a do\u00e7ura, que, vitoriosa, ir\u00e1 retorna marcante no retrogosto. Muito boa!<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/charlipa1.jpg\" alt=\"charlipa1.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De Joinville para o Gua\u00edba, no Rio Grande do Sul. \u00c9 de l\u00e1 que vem a linha Voadeira, ainda em seu primeiro lan\u00e7amento, uma India Pale Ale com o bel\u00edssimo r\u00f3tulo Charlipa, edi\u00e7\u00e3o especial em homenagem \u00e0 Charlinho, mascote do site <a href=\"http:\/\/birrinhas.com\/\" target=\"_blank\">Birrinhas<\/a>, um compl\u00f4 dos irm\u00e3os Bruno, Cirilo e Leonardo Dias, mais eu, Daniel Calasans e Aline Soterroni (s\u00f3 gente confi\u00e1vel). O mestre cervejeiro \u00e9 velho conhecido desse espa\u00e7o: \u00c2ndrio Maier Barbosa, ex-Superguidis, atual Medialunas (e outros v\u00e1rios projetos), \u00e9 o respons\u00e1vel pela <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/VoadeiraCervejaMarginal\" target=\"_blank\">Voadeira<\/a>, carinhosamente chamada de Cerveja Marginal. \u00c2ndrio fala dessa vers\u00e3o India Pale Ale que inaugura o card\u00e1pio da casa: \u201cEu queria uma IPA tipo as norte-americanas, com l\u00fapulo bastante pronunciado, c\u00edtrico e sem medo de exageros. Nessa \u00faltima leva (apresentada no IPA Day, em Porto Alegre), acertei com o uso do l\u00fapulo Sterling (parente do quase raro Cascade, que eu andava atr\u00e1s originalmente) para o aroma e dry-hopping\u201d, explica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na ta\u00e7a, a Voadeira Charlipa India Pale Ale exibe uma cor \u00e2mbar, com feixes alaranjados e uma turbidez intensa. O creme teve boa forma\u00e7\u00e3o e estabilidade. O aroma capricha naquilo que o mestre cervejeiro prop\u00f5e: muito l\u00fapulo norte-americano (Nugget e Challenger), embora o resultado esteja mais pr\u00f3ximo de uma English India Pale Ale (cuja gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica de 5% se encaixa no estilo \u2013 os norte-americanos, extremistas, jogam o \u00e1lcool acima de 6%), apesar de sua natureza c\u00edtrica. No aroma, que far\u00e1 palpitar os l\u00fapulo-man\u00edacos, muito c\u00edtrico (com sensa\u00e7\u00e3o de abacaxi e maracuj\u00e1), herbal (grama) e presen\u00e7a discreta (mas percept\u00edvel) de mela\u00e7o de malte. No paladar, a alta carga de l\u00fapulo distribui amargor e notas c\u00edtricas para l\u00e1 e para c\u00e1 enquanto uma leve acidez toca o c\u00e9u da boca e o malte, mero personagem de luxo, se esconde assustado. O final \u00e9 seco, mas o retrogosto amargo permanece e \u00e9 nessa hora que os 5% de \u00e1lcool colaboram aumentando o drinkability e pedindo por mais uma. Bora?<\/p>\n<p style=\"text-align: center\" align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/charlipa3.jpg\" alt=\"charlipa3.jpg\" \/><br \/>\n<em>A foto que abre o post \u00e9 da fervura da Voadeira, por Andrio <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center\" align=\"center\"><strong>Leia tamb\u00e9m<\/strong><br \/>\n&#8211; Top 1001 Cervejas, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/01\/01\/top-1001-cervejas-marcelo-costa\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Leia sobre outras cervejas (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/category\/boteco\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\nCerveja artesanal ou caseira \u00e9 a cerveja feita em casa, no conforto do lar, geralmente em quantidades que v\u00e3o de 6 litros at\u00e9 50 litros (\u00e0s vezes mais, raramente menos)\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/04\/24\/duas-cervejas-caseiras-zap-e-charlipa\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[347],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37765"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37765"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37765\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":37766,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37765\/revisions\/37766"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37765"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37765"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37765"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}