{"id":37688,"date":"2013-09-26T23:40:01","date_gmt":"2013-09-27T02:40:01","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=37688"},"modified":"2016-03-26T23:42:49","modified_gmt":"2016-03-27T02:42:49","slug":"boteco-tres-excelentes-cervejas-caseiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/09\/26\/boteco-tres-excelentes-cervejas-caseiras\/","title":{"rendered":"Boteco: Tr\u00eas excelentes cervejas caseiras"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/zap1.jpg\" alt=\"zap1.jpg\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando fui presenteado com duas garrafas da Zap Firebird Lovers em mar\u00e7o, a orienta\u00e7\u00e3o do cervejeiro caseiro <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/willianfernando.petla\" target=\"_blank\">Willian Fernando Petla<\/a>, de Joinville, era simples: \u201cBeba uma logo e deixe a outra descansar uns seis meses\u201d. A primeira foi consumida em abril, e surpreendeu. Willian queria fazer uma cerveja que fosse \u201cforte no \u00e1lcool, mas que 1) fosse fresca e 2) fosse f\u00e1cil para harmonizar\u201d, e o resultado (na primeira prova) foi uma Golden Strong Ale de muita responsa, alco\u00f3lica e bastante adocicada (perfeita para uma harmoniza\u00e7\u00e3o em contraste ou at\u00e9 mesmo acompanhando uma sobremesa). Seis meses depois, a sensa\u00e7\u00e3o de que o \u00e1lcool est\u00e1 mais intenso surge assim que a garrafa \u00e9 aberta, e dispersa notas frutas e alco\u00f3licas. Na ta\u00e7a, a colora\u00e7\u00e3o segue entre o dourado e o \u00e2mbar, com creme de boa forma\u00e7\u00e3o e longa perman\u00eancia (com direito a rendas belgas). O aroma, ainda especial, parece mais intensificado nesta segunda prova (do mesmo lote), e a for\u00e7a do \u00e1lcool acompanhado do mela\u00e7o do malte remete a cana de a\u00e7\u00facar (quando se quebra a cana), sensa\u00e7\u00e3o que se sobressai sobre as notas frutadas presentes na primeira prova (abacaxi e banana, ainda presentes). No paladar, a textura \u00e9 sedosa, quase licorosa, e a do\u00e7ura parece saltar a frente da acidez, que bate alco\u00f3lica no c\u00e9u da boca. As notas frutadas percebidas na primeira vez continuam presentes (banana e p\u00eassego em calda), e o que remetia a chiclete seis meses atr\u00e1s, agora se aproxima de mel. O final \u00e9 longo, alco\u00f3lico e adocicado (o amargor, como era de se esperar, desapareceu), e, quando menos se espera, se transforma em retrogosto. Baita cerveja. A guarda melhorou o conjunto.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/wee.jpg\" alt=\"wee.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Walking Cat Brew Co., de S\u00e3o Paulo, \u00e9 comandada pelo cervejeiro caseiro <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/marciomk\" target=\"_blank\">Marcio Kovacs<\/a>, que resume sua inspira\u00e7\u00e3o: \u201cSempre que tomo uma breja boa penso em criar minha interpreta\u00e7\u00e3o pessoal do estilo e boto na minha lista de \u2018cervejas a serem feitas\u2019. Organizar essa lista e decidir qual delas vai sair do papel \u00e9 mais complicado\u201d. Esta Wee Heavy, por exemplo, \u00e9 uma Strong Scoth Ale que surgiu do namoro com dois \u00edcones cervejeiros: a curitibana Bodebrown Wee Heavy e a Founders Dirty Bastards, de Michigan. Na ta\u00e7a, a Walking Cat Wee Heavy apresenta uma colora\u00e7\u00e3o preta, com feixes avermelhados no fundo da ta\u00e7a. O creme exibe bela forma\u00e7\u00e3o e longa perman\u00eancia. No aroma, assim que se abre a garrafa j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel sentir algo que remete a baunilha e canela, e a sensa\u00e7\u00e3o fica mais n\u00edtida com a cerveja na ta\u00e7a dispersando notas adocicadas (a\u00e7\u00facar mascavo, mela\u00e7o de cana) que se aproximam de frutas escuras (ameixa em calda) e trazem algo de amadeirado. \u201cFiz uma Obama Imperial Stout e curti o desafio de fazer uma breja mais forte e com utiliza\u00e7\u00e3o de especiarias\u201d, conta Marcio, que colocou nesta Wee Heavy pau de canela que ficou descansando em \u201cum restinho de cacha\u00e7a artesanal de Len\u00e7\u00f3is Paulistas\u201d, conta. O paladar, de textura sedosa e corpo de m\u00e9dio pra denso, surpreende positivamente por n\u00e3o ser t\u00e3o doce quanto o aroma prenuncia. Os 8% de \u00e1lcool ficam mais presentes conforme a cerveja aquece, mas est\u00e3o muito bem inseridos. Baunilha, canela e mela\u00e7o comp\u00f5e o perfil de uma cerveja de final longo e envolvente, com um leve tra\u00e7o de defumado que remete a charuto e conhaque. O retrogosto refor\u00e7a a canela e a baunilha. Para aquecer o peito.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/mariabonita.jpg\" alt=\"mariabonita.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Dead Panda Brew \u00e9 responsabilidade do cervejeiro caseiro <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/steimacher\" target=\"_blank\">Alysson Steimacher<\/a>, de Maring\u00e1, que j\u00e1 conta com tr\u00eas receitas no curr\u00edculo: \u201cA primeira foi uma Blonde Ale e a segunda uma Witbier. Depois dessas duas, bateu a vontade de fazer uma cerveja um pouco mais complexa\u201d, conta Alysson, que optou criar, ap\u00f3s passar por Bruxelas, uma dubbel que traz uma boa mistura de malte Pilsner com pequenas doses de Caramunich, Carared, Castle e aveia, mais l\u00fapulos Goldings, East Kent e Saaz, e, ainda, adi\u00e7\u00e3o de rapadura substituindo o candy sugar belga. Nascia a Maria Bonita. De colora\u00e7\u00e3o \u00e2mbar e belo creme bege, de \u00f3tima forma\u00e7\u00e3o e perman\u00eancia, a Maria Bonita traz no aroma uma forte sensa\u00e7\u00e3o herbal (pinho e mate) acompanhada do dul\u00e7or do malte tostado e da presen\u00e7a da rapadura, que remete levemente a caramelo, mela\u00e7o, aveia e frutas escuras. No paladar, a textura fica entre o sedoso e o fristante enquanto o corpo m\u00e9dio sugere aquecimento, e uma leve acidez (proveniente da uni\u00e3o do leve amargor dos l\u00fapulos mais os 6.8% de \u00e1lcool) bate ponto no primeiro ataque ao lado da do\u00e7ura (menos intensa do que numa dubbel tradicional), balanceando o in\u00edcio da dose. Assim que a cerveja se aconchega (caramelada pela rapadura e pelo \u00e1lcool) \u00e9 poss\u00edvel perceber nuances que remetem a frutas escuras e refor\u00e7o das notas herbais presentes no aroma, e n\u00e3o t\u00e3o comuns no estilo, mas ainda interessantes. O final \u00e9 maltado, herbal e t\u00e3o longo que se confunde com o retrogosto, marcante. Uma bela experi\u00eancia, que Alysson n\u00e3o deve repetir: \u201c\u00c9 dif\u00edcil manter um padr\u00e3o com a rapadura, diferentemente do candy sugar\u201d, diz o cervejeiro. Ela parece um pouco fora do estilo, mas \u00e9 uma releitura bem interessante e agrad\u00e1vel. Sem contar o r\u00f3tulo, \u00f3timo!<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/zap.jpg\" alt=\"zap.jpg\" \/><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m<\/strong><br \/>\n&#8211; Top 1001 Cervejas, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/01\/01\/top-1001-cervejas-marcelo-costa\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Leia sobre outras cervejas (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/category\/boteco\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\nZap Firebird Lovers, de Joinville; Walking Cat Brew Co. Wee Heavy, de S\u00e3o Paulo; Dead Panda Brew Maria Bonita, de Maring\u00e1\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/09\/26\/boteco-tres-excelentes-cervejas-caseiras\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[347],"tags":[537,447],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37688"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37688"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37688\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":37689,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37688\/revisions\/37689"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37688"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37688"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37688"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}