{"id":37675,"date":"2013-10-20T22:21:43","date_gmt":"2013-10-21T01:21:43","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=37675"},"modified":"2016-03-26T22:23:56","modified_gmt":"2016-03-27T01:23:56","slug":"boteco-quatro-cervejas-da-bohemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/10\/20\/boteco-quatro-cervejas-da-bohemia\/","title":{"rendered":"Boteco: Quatro cervejas da Bohemia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/bohemia1.jpg\" alt=\"bohemia1.jpg\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fundada em 1853 pelo colono alem\u00e3o Henrique Kremer, a Bohemia nasceu em Petr\u00f3polis, no Rio de Janeiro. A empresa ficou sob controle da fam\u00edlia at\u00e9 1960, quando foi adquirida pela Companhia Antarctica Paulista, posteriormente integrada ao imp\u00e9rio AmBev. Com o passar do anos, a produ\u00e7\u00e3o subiu de 6 mil garrafas por dia em 1898 para 15 mil em 1930, 48 mil em 1968 e 95 mil em 1982. A linha tamb\u00e9m cresceu juntando-se a vers\u00e3o tradicional Standart American Lager uma vers\u00e3o Escura (2002), uma Weiss (2003), uma Belgian Ale (2005) e uma Oaken (2008), a \u00fanica planejada para ser sazonal que n\u00e3o ficou fixa no card\u00e1pio da casa. Abaixo, as quatro que est\u00e3o dispon\u00edveis no mercado brasileiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/bohemia2.jpg\" alt=\"bohemia2.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apontada como a primeira cerveja do Brasil, a Bohemia, l\u00e1 pelos idos de 1860, era uma cerveja que preservava as caracter\u00edsticas alem\u00e3s de amargor e corpo, op\u00e7\u00e3o que foi sendo deixada de lado nos anos seguintes visando aproxima-la das concorrentes no mercado da \u00e9poca, e tornando-a mais leve e menos amarga. O site oficial diz que a receita \u00e9 produzida com malte 100% importado e l\u00fapulo da Rep\u00fablica Tcheca, mas esquece de incluir os cereais n\u00e3o maltados que aparecem no r\u00f3tulo, e que provavelmente n\u00e3o integravam a receita original de 1853. De colora\u00e7\u00e3o dourada e cristalina, a Bohemia exibe um creme branco de m\u00e9dia forma\u00e7\u00e3o e baixa perman\u00eancia. No aroma, leve floral se une a notas herbais (trigo) suaves, mas que se destacam frente a concorr\u00eancia mainstream brasileira. No paladar, amargor moderado e dul\u00e7or suave trazem poucos atributos sensoriais numa cerveja leve e refrescante, que desaparece rapidamente e traz, no retrogosto, uma leve adstring\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/bohemia3.jpg\" alt=\"bohemia3.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lan\u00e7ada em 2002, a Bohemia Escura \u00e9 uma Dark American Lager, tentativa da cervejaria de reproduzir uma Schwarzbier alem\u00e3 \u2013 uma das vedetes do estilo \u00e9 a K\u00f6stritzier. O site oficial informa que os maltes s\u00e3o importados de Munique. De colora\u00e7\u00e3o preta e brilhante, a Bohemia Escura exibe uma espuma bege de m\u00e9dia forma\u00e7\u00e3o e perman\u00eancia. No aroma, pouco persistente, destaque para o malte torrado, que libera notas que remetem a caf\u00e9 e chocolate amargo. H\u00e1 algo de met\u00e1lico tamb\u00e9m. No paladar, o corpo \u00e9 leve e a textura suave. Os maltes torrados voltam a se destacar, mas sem exibir intensidade. H\u00e1 p\u00e1lida sensa\u00e7\u00e3o de caf\u00e9 e, com persist\u00eancia, \u00e9 poss\u00edvel sentir chocolate amargo. O primeiro ataque \u00e9 adocicado com leve amargor de l\u00fapulo tentando equilibrar o conjunto, que \u00e9 notadamente doce. O final \u00e9 seco e adocicado enquanto o retrogosto (quase inexistente) sugere amargor.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/bohemia4.jpg\" alt=\"bohemia4.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Bohemia Weiss \u00e9 vers\u00e3o b\u00e1vara de trigo da casa e foi lan\u00e7ada em 2003 obedecendo uma receita que une maltes de trigo franc\u00eas, cevada, cereais n\u00e3o maltados, levedura e l\u00fapulo alem\u00e3es. De colora\u00e7\u00e3o amarelo palha cristalina, o que denuncia filtragem (a n\u00e3o filtragem \u00e9 um dos fatores definidores da tradicional Weiss alem\u00e3), e creme branco de boa forma\u00e7\u00e3o e media perman\u00eancia, a Bohemia Weiss traz no aroma as notas cl\u00e1ssicas do estilo remetendo a banana e trigo, com uma leve sugest\u00e3o de especiarias. H\u00e1 ainda percep\u00e7\u00e3o de l\u00fapulo floral. No paladar, a textura \u00e9 suave e o corpo, fraco. A sensa\u00e7\u00e3o de banana parece mais intensa, com um adocicado marcando presen\u00e7a. O final \u00e9 curto, doce e met\u00e1lico e o retrogosto reitera a caracter\u00edstica principal do estilo remetendo levemente a banana. Ela est\u00e1 muito mais pr\u00f3xima de uma German Kristallweizen (devido \u00e0 filtra\u00e7\u00e3o, que concede n\u00e3o s\u00f3 concede cristalino para a cor, mas tamb\u00e9m diminui o peso de seu corpo), guardadas as devidas compara\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/bohemia5.jpg\" alt=\"bohemia5.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Bohemia Confraria \u00e9 uma Belgian Ale que foi lan\u00e7ada em 2005 a partir de uma receita belga nascida na idade m\u00e9dia. Na releitura carioca, a receita une malte de cevada, aveia, cereais n\u00e3o maltados, levedura e l\u00fapulo. De colora\u00e7\u00e3o castanha translucida (ou seja, novamente filtrada) e espuma de m\u00e9dia forma\u00e7\u00e3o e baixa perman\u00eancia, a Bohemia Confraria traz no aroma notas adocicadas que remetem a caramelo e leve condimenta\u00e7\u00e3o que sugere cravo. No paladar, o malte se sobressai distribuindo do\u00e7ura em notas que remetem a caramelo e mel. O amargor \u00e9 praticamente inexistente nesta cerveja que parece mais imita\u00e7\u00e3o de belgian ale do que uma real belgian ale, com final melado e retrogosto levemente maltado. Em 2005, quando o mercado nacional era carente de bons r\u00f3tulos importados, ela at\u00e9 tinha alguma relev\u00e2ncia por introduzir o bebedor m\u00e9dio em um estilo europeu, mas atualmente ganha apenas no pre\u00e7o, embora o que entregue n\u00e3o seja mais do que uma p\u00e1lida imita\u00e7\u00e3o. Boa para beber em locais que ainda n\u00e3o prepararam cartas de cerveja adequadas, e que por acaso a tenham na geladeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/bohemia6.jpg\" alt=\"bohemia6.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Balan\u00e7o <\/strong><br \/>\nA Bohemia vers\u00e3o tradicional, Standart American Lager, \u00e9 uma das melhores cervejas mainstream nacionais ao lado da Serra Malte, com um pouco mais de l\u00fapulo e malte que suas concorrentes. \u00c9 a minha preferida de boteco tradicional. Esse pequeno \u201ccapricho\u201d de malte e l\u00fapulo faz a diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 concorr\u00eancia, mas n\u00e3o impede que ela sofra se colocada ao lado de uma aut\u00eantica Pilsen tcheca. O mesmo pode ser dito dos outros exemplares da casa, que tem como m\u00e9rito terem chegado ao mercado brasileiro em um momento que era raro encontrar boas cervejas importadas de qualidade acess\u00edveis e com bons pre\u00e7os, mas agora soam tentativas frustradas de imitar estilos estrangeiros. Ainda assim, as vers\u00f5es Weiss, Schwarzbier e Belgian Ale valem como porta de entrada para pessoas que acreditam que exista apenas um \u00fanico tipo de cerveja, a Pilsen, mas s\u00e3o, no mercado cervejeiro nacional cada vez mais abastecido, o degrau mais baixo de uma longa escadaria.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/bohemia8.jpg\" alt=\"bohemia8.jpg\" \/><\/p>\n<p>Bohemia<br \/>\n&#8211; Produto: Standard American Lager<br \/>\n&#8211; Nacionalidade: Brasil<br \/>\n&#8211; Gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica: 5%<br \/>\n&#8211; Nota: 2,19\/5<\/p>\n<p>Bohemia Escura<br \/>\n&#8211; Produto: Dark American Lager<br \/>\n&#8211; Nacionalidade: Brasil<br \/>\n&#8211; Gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica: 5%<br \/>\n&#8211; Nota: 2,13\/5<\/p>\n<p>German Weizen<br \/>\n&#8211; Produto: German Weizen<br \/>\n&#8211; Nacionalidade: Brasil<br \/>\n&#8211; Gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica: 5,6%<br \/>\n&#8211; Nota: 2,25\/5<\/p>\n<p>Bohemia Confraria<br \/>\n&#8211; Produto: Belgian Ale<br \/>\n&#8211; Nacionalidade: Brasil<br \/>\n&#8211; Gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica: 6,2%<br \/>\n&#8211; Nota: 2,17\/5<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/bohemia7.jpg\" alt=\"bohemia7.jpg\" \/><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m<\/strong><br \/>\n&#8211; Top 1001 Cervejas, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/01\/01\/top-1001-cervejas-marcelo-costa\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Leia sobre outras cervejas (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/category\/boteco\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\nFundada em 1853 pelo colono alem\u00e3o Henrique Kremer, a Bohemia nasceu em Petr\u00f3polis, no Rio de Janeiro. A empresa ficou sob controle da fam\u00edlia at\u00e9 1960, quando foi adquirida pela Companhia Antarctica Paulista, posteriormente integrada ao imp\u00e9rio AmBev\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/10\/20\/boteco-quatro-cervejas-da-bohemia\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[347],"tags":[476],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37675"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37675"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37675\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":37676,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37675\/revisions\/37676"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37675"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37675"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37675"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}