{"id":37656,"date":"2013-11-13T10:22:47","date_gmt":"2013-11-13T13:22:47","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=37656"},"modified":"2016-03-24T10:28:14","modified_gmt":"2016-03-24T13:28:14","slug":"boteco-quatro-cervejas-com-fruta-na-receita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/11\/13\/boteco-quatro-cervejas-com-fruta-na-receita\/","title":{"rendered":"Boteco: Quatro cervejas com fruta na receita"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/toranja.jpg\" alt=\"toranja.jpg\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Binding-Brauerei surgiu em 1870 em Frankfurt, e se notabilizou por ser a primeira cervejaria a fabricar boa Weiss fora da Baviera. A Sch\u00f6fferhofer Hefeweizen-Mix Grapefruit, por\u00e9m, \u00e9 uma vers\u00e3o diferenciada da casa porque une 50% da Sch\u00f6fferhofer Hefeweizen mais 50% de suco de Toranja. Com 2.5% de gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica, a Sch\u00f6fferhofer Hefeweizen-Mix Grapefruit exibe uma colora\u00e7\u00e3o alaranjada e uma espuma de m\u00e9dia forma\u00e7\u00e3o e curta perman\u00eancia. No aroma, a uni\u00e3o do c\u00edtrico da Toranja com o malte de trigo remete a\u2026 Fanta Laranja, em notas que remetem n\u00e3o s\u00f3 a toranja, como tamb\u00e9m a tangerina e acerola. O paladar lev\u00edssimo faz parecer que estamos diante de um refrigerante de laranja, com uma leve sugest\u00e3o de l\u00fapulo, que quase passa impercept\u00edvel diante da for\u00e7a c\u00edtrica. O final \u00e9 c\u00edtrico e alaranjado enquanto o retrogosto traz frutas c\u00edtricas e resfresc\u00e2ncia. Muito boa no que se prop\u00f5e, que \u00e9 ser um refrigerante de cerveja.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/kaiser.jpg\" alt=\"kaiser.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cerveja Radler, sucesso em v\u00e1rios pa\u00edses da Europa, \u00e9 uma bebida que, a grosso modo, surge da mistura de cerveja pilsen com suco de lim\u00e3o resultando em uma bebida de baixo teor alco\u00f3lico (apenas 2% nesta vers\u00e3o da Kaiser) e bastante refresc\u00e2ncia. A Heineken vem investindo pesado na populariza\u00e7\u00e3o do estilo, e neste ano lan\u00e7ou no mercado portugu\u00eas uma boa representante, a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2013\/07\/03\/tres-cervejas-portuguesas\/\" target=\"_blank\">Sagres Radler<\/a>, que al\u00e9m de lim\u00e3o traz laranja, lima e acerola. No caso da vers\u00e3o brasileira, a receita da Kaiser Radler une \u00e1gua, malte estilo pilsen, a\u00e7\u00facar e suco concentrado de lim\u00e3o (numa propor\u00e7\u00e3o de 40% de cerveja e 60% de suco). De colora\u00e7\u00e3o esverdeada, a Kaiser Radler apresenta uma espuma branca de baixa forma\u00e7\u00e3o e pouca perman\u00eancia. No aroma, notas c\u00edtricas (notadamente, lim\u00e3o) dominam o conjunto com quase nenhuma percep\u00e7\u00e3o do malte pilsen. O paladar acompanha o aroma, mas nele \u00e9 poss\u00edvel perceber a cerveja tanto quanto o a\u00e7\u00facar. O final \u00e9 c\u00edtrico e refrescante enquanto o retrogosto refor\u00e7a o suco de lim\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/belle.jpg\" alt=\"belle.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje integrante do imp\u00e9rio Anheuser\u2013Busch InBev, a Belle-Vue Brewery \u00e9 uma cervejaria de Bruxelas fundada em 1913 e especializada na produ\u00e7\u00e3o de lambics, cervejas de fermenta\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea, adocicadas em quatro estilos: Belle-Vue Gueuze, Kriek Classique, Kriek Extra e Raspberry. A Belle-Vue Kriek Classique \u00e9 a uma Gueuze que, ap\u00f3s ser envelhecida por tr\u00eas anos em barris de carvalho, recebe extrato de cerejas e continua maturando por mais um ano (o que a diferencia das duas radlers anteriores, j\u00e1 que elas recebem a adi\u00e7\u00e3o do suco da fruta ap\u00f3s a cerveja estar pronta, enquanto a kriek recebe adi\u00e7\u00e3o de cerveja no meio do processo). De colora\u00e7\u00e3o vermelha, a Belle-Vue Kriek Classique exibe um creme com feixes avermelhados, de boa forma\u00e7\u00e3o e perman\u00eancia. A cereja domina o perfil arom\u00e1tico com notas frutadas e adocicadas que remetem \u00e0 fruta, mais acidez moderada (remetendo a lim\u00e3o). O paladar refor\u00e7a o que aroma anuncia, ainda que o dul\u00e7or seja mais elevado do que a expectativa. O final \u00e9 \u00e1cido, frutado e adocicado enquanto o retrogosto traz uma cesta de frutas vermelhas.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/wals1.jpg\" alt=\"wals1.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das melhores cervejarias nacionais, a W\u00e4ls vem apostando em misturas inusitadas, seja uma farmhouse ale com caldo de cana (Saison de Caipira), seja uma witibier com baunilha de Madagascar e alfarrobas (W\u00e4ls 65 Anos P\u00e3o de A\u00e7\u00facar), as duas dividindo opini\u00f5es. A nova aposta dos mineiros tira os olhos da Europa (pero no mucho) e mira nos EUA criando uma Belgian IPA com levedura belga e adi\u00e7\u00e3o de doce de ab\u00f3bora, lan\u00e7amento especial para o Dia das Bruxas do clube Have A Nice Beer. H\u00e1 aqui uma confus\u00e3o de estilos: toda cerveja que recebe fruta durante a fabrica\u00e7\u00e3o pode ser considerada uma fruit beer, mas as ramifica\u00e7\u00f5es ajudam a definir melhor o perfil de cada grupo (Radler, Kriek). Em 1994, com o sucesso da Dogfish Head Punkin Ale, a Brewers Association decidiu incluir o verbete Pumpkin Ale em seu manual por\u00e9m, uma Pumpkin Ale \u00e9 uma cerveja que recebe adi\u00e7\u00e3o de ab\u00f3bora, mas a base pode ser a mais variada poss\u00edvel. No caso da W\u00e4ls, \u00e9 uma Belgian India Pale Ale, que deve ser apresentada como uma Belgian Pumpkin IPA.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/wals3.jpg\" alt=\"wals3.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De colora\u00e7\u00e3o acobreaba com feixes alaranjados, a W\u00e4ls Abr\u00f3ba exibe um creme bege de \u00f3tima forma\u00e7\u00e3o e longa perman\u00eancia. No aroma, o duplo dry-hopping distribui uma cacetada sensacional de l\u00fapulo c\u00edtrico, com sugest\u00e3o de laranja e acerola. Ainda \u00e9 poss\u00edvel perceber notas herbais (pinho e resina) e uma base caramelada de malte, e, muito levemente, o doce de ab\u00f3bora. O paladar, por sua vez, traz os l\u00fapulos c\u00edtricos comandando o primeiro ataque com bastante frutado (laranja, acerola, mam\u00e3o), sensa\u00e7\u00e3o de acidez, picancia e amargor elevado (n\u00e3o a toa, s\u00e3o 93 de IBU e 9% de \u00e1lcool). Assim que as papilas se acostumam com a porrada \u00e9 poss\u00edvel sentir o caramelo do malte, o doce de ab\u00f3bora (ainda que t\u00edmido) e uma sugest\u00e3o herbal (novamente pinho e resina, principalmente do meio para o final). O final \u00e9 maltado, c\u00edtrico, levemente amargo e com um toque de ab\u00f3bora (\u00e9 o momento em que ela mais aparece na receita) enquanto o retrogosto traz amargor, amargor, amargor e malte. Talvez decepcione quem esperava por uma Pumpkin Ale, mas vai agradar lupulomaniacos em geral.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/photo.php?fbid=565932780140131&amp;set=a.158302727569807.39935.145372195529527&amp;type=1&amp;theater\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/wals2.jpg\" alt=\"wals2.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Balan\u00e7o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das boas surpresas do curso de sommelier que fiz no primeiro semestre de 2013, a Sch\u00f6fferhofer Hefeweizen-Mix Grapefruit n\u00e3o \u00e9 considerada cerveja na Alemanha (a Reinheitsgebot n\u00e3o permite), mas sim um mix, ou um drink de cerveja. No curso, fizemos uma harmoniza\u00e7\u00e3o dela com p\u00e3o na chapa e mel\u00e3o, e foi um sucesso. \u00c9 uma Radler indicada para o caf\u00e9 da manh\u00e3 ou mesmo para refrescar em dias de sol forte. J\u00e1 a Kaiser Radler, representante nacional de um estilo que faz sucesso em alguns pa\u00edses da Europa, \u00e9 uma aposta interessante da Heineken, que pode se destacar no mercado. A rigor, ela parece um pouco inferior \u00e0 vers\u00e3o portuguesa, Sagres Radler, mais saborosa, mas cumpre o que promete: refrescancia (vai do bebedor escolher entra uma cidra, uma Smirnoff Ice, um refrigerante ou uma Radler). A Belle-Vue Kriek Classique, por sua vez, tem como semelhan\u00e7a \u00fanica com as duas cervejas anteriores levar fruta (no caso, cereja) na receita, mas enquanto a cereja \u00e9 misturada com a cerveja no meio do processo (com a fruta envolvendo-se na elabora\u00e7\u00e3o do perfil da cerveja), na Radler, o suco \u00e9 adicionado no final do processo, como se voc\u00ea pedisse um copo com metade chopp e metade Sprite (ou Fanta) \u2013 isso, ali\u00e1s, \u00e9 comum na Gr\u00e9cia, e se chama Shandy. Outra diferen\u00e7a \u00e9 a gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica, 5,1% da Belle-Vue Kriek Classique contra menos da metade nos exemplares Radler. A quest\u00e3o pol\u00eamica em torno da Belle-Vue Kriek Classique \u00e9 a adi\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar, que a dist\u00e2ncia das lambics originais (puristas acusam: a lambic mais vendida do mundo n\u00e3o \u00e9 uma lambic). \u00c9 uma cerveja excelente para sobremesa. J\u00e1 a W\u00e4ls Abr\u00f3ba \u00e9 muito mais uma Belgian Double IPA do que uma Pumpkin Ale. O amargor intenso e persistente acaba relegando a ab\u00f3bora \u00e0 posi\u00e7\u00e3o de coadjuvante, mas o saldo final \u00e9 uma Belgian Double IPA de muita responsa, talvez uma das melhores cervejas que a W\u00e4ls produziu desde a Petroleum. Se voc\u00ea \u00e9 f\u00e3 do estilo, como eu, arranje uma maneira de conseguir uma garrafa (seja se associando ao Have A Nice Beer, seja batendo ponto no Emp\u00f3rio Alto de Pinheiros, seja encomendando com algum amigo), porque \u00e9 uma das mais bel\u00edssimas cerveja da safra nacional 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/bellevue.jpg\" alt=\"bellevue.jpg\" \/><\/p>\n<p>Sch\u00f6fferhofer Hefeweizen-Mix Grapefruit<br \/>\n&#8211; Produto: Radler<br \/>\n&#8211; Nacionalidade: Alemanha<br \/>\n&#8211; Gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica: 2,5%<br \/>\n&#8211; Nota: 2,21\/5<\/p>\n<p>Kaiser Radler<br \/>\n&#8211; Produto: Radler<br \/>\n&#8211; Nacionalidade: Brasil<br \/>\n&#8211; Gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3ica: 2%<br \/>\n&#8211; Nota: 1,94\/5<\/p>\n<p>Belle-Vue Kriek Classique<br \/>\n&#8211; Produto: Lambic Kriek<br \/>\n&#8211; Nacionalidade: B\u00e9lgica<br \/>\n&#8211; Gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica: 5,1%<br \/>\n&#8211; Nota: 2,96\/5<\/p>\n<p>W\u00e4ls Abr\u00f3ba<br \/>\n&#8211; Produto: Belgian Pumpkin IPA<br \/>\n&#8211; Nacionalidade: Brasil<br \/>\n&#8211; Gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica: 9%<br \/>\n&#8211; Nota: 3,75\/5<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/grape.jpg\" alt=\"grape.jpg\" \/><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m<\/strong><br \/>\n&#8211; Top 1001 Cervejas, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/01\/01\/top-1001-cervejas-marcelo-costa\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Leia sobre outras cervejas (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/category\/boteco\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\nSch\u00f6fferhofer Hefeweizen-Mix Grapefruit, Kaiser Radler, Belle-Vue Kriek Classique e W\u00e4ls Abr\u00f3ba\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/11\/13\/boteco-quatro-cervejas-com-fruta-na-receita\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[347],"tags":[669,545,361],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37656"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37656"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37656\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":37657,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37656\/revisions\/37657"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37656"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37656"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37656"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}